quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

SUL





Foi no Sul do meu olhar
que deste, aliviado
a palavra sémen
com que fizeste a fecundação
do nosso poema.

Vieste acordar-me o silêncio
com letras adormecidas
há tanto tempo
nas minhas entranhas
e, embevecido
mesclaste de branco
as minhas mãos
repletas de ternura.

Foi no Sul dos meus sentidos
que fizeste a luta solta
dos meus cabelos
e, ternamente, proferiste
a cantiga das palavras
qual novelo de emoções!

Chegaste, entusiasmado
aconchegando a tua boca
aos meus ouvidos
como se a Sul
a felicidade me rondasse
em jeito de borboleta
e me estimulasse a magia
do pólen presente nas rimas
do tempo já perdido.

Foi no Sul, no meu Sul
que abriste de par em par
a janela emoldurada
no limbo do nosso amor
onde mostraste a diferença
quando fizeste do meu colo
o ninho do nosso querer.

Blogue: Ausente do Céu


Inteligente, doce, tocante. Deixo-me embalar no canto das suas metáforas. Muito obrigada, querida Céu.




Para si, Júlio Eglésias & Dalida:





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Quinzena do Amor
Post 22 - E, longe de ti, o tempo era tempo...,Post 21 - Victoria, Post 20 - Carta (Esboço), Post 19 - Morena, Post 18 - Diz o meu nome, Post 17 - Canção do africano, Post 16 - Os cinco sentidosPost 15 - Amor a amor nos convidaPost 14 - E Serei VeleiroPost 13 - Poema de Amor de António e CleópatraPost 12 - Que era é esta?Post 11  - A noite abre meus olhosPost 10 - sim.foi por um beijo em simples vendaval que morriPost 9 - Ó MãePost 8 - Alma minha gentil que te partistePost 7 - Do inquieto oceano da multidão,Post 6 - Amar teus olhosPosta 5 - Conheço esse sentimentoPost 4 - Éramos tu e euPost 3 - Saudades não as queroPost 2 -Não é por acasoPost 1 - É daqui a pouco

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Imagens: Pixabay 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

E, longe de ti, o tempo era tempo,...





CISNE

Amei-te? Sim. Doidamente! 
Amei-te com esse amor 
Que traz vida e foi doente... 

À beira de ti, as horas 
Não eram horas: paravam. 
E, longe de ti, o tempo 
Era tempo, infelizmente... 

Ai! esse amor que traz vida, 
Cor, saúde... e foi doente! 

Porém, voltavas e, então, 
Os cardos davam camélias, 
Os alecrins, açucenas, 
As aves, brancos lilases, 
E as ruas, todas morenas, 
Eram tapetes de flores 
Onde havia musgo, apenas... 

E, enquanto subia a Lua, 
Nas asas do vento brando, 
O meu sangue ia passando 
Da minha mão para a tua! 

Por que te amei? 
                           — Ninguém sabe 
A causa daquele amor 
Que traz vida e foi doente. 

Talvez viesse da terra, 
Quando a terra lembra a carne. 
Talvez viesse da carne 
Quando a carne lembra a alma! 
Talvez viesse da noite 
Quando a noite lembra o dia. 

— Talvez viesse de mim. 
E da minha poesia...


Pedro Homem de Mello
In: Adeus



Sim, acontece não poucas vezes: Amor doente que poderá conduzir a situações de grande sofrimento. Um amor obsessivo que o autor, com o seu talento, tão bem descreve. 




Poeta lírico e autor de uma vasta obra, Pedro da Cunha Pimental Homem de Mello nasceu na cidade do Porto em 1904. Formou-se em Direito pela Universidade de Lisboa.Foi subdelegado do procurador da República, dedicou-se ao ensino, tendo sido director da Escola Comercial Mouzinho da Silveira.Pedro Homem de Mello foi também jornalis ta e estudioso das tradições populares e do folclore nacional, sobretudo do Norte, que durante anos divulgou num programa da RTP.Destaque também para a sua colaboração no movimento da revista literária “Presença”, fundada em Coimbra, em 1927.

Pedro Homem de Mello desenvolveu uma extensa obra poética, com a publicação de mais de 30 títulos e que vão desde a década de 30 até à década de 70. Ainda que seja um autor pouco divulgado, Pedro Homem de Mello assume o seu lugar no panorama cultural nacional.




Reveladores dessa dimensão são os prémios que recebeu: Prémio Antero de Quental (1939), Prémio Ocidente (1964), e o Prémio Nacional de Poesia em 1972.

Amália Rodrigues imortalizou algumas das suas palavras, particularmente os títulos “Povo que lavas no rio”, “O rapaz da camisola verde”, “Havemos de ir a Viana” e “Fria Claridade”, hoje temas incontornáveis no Fado.

Faleceu em 1984. Retirado de aqui


FRIA CLARIDADE




Quinzena do Amor
Post 21 - Victoria, Post 20 - Carta (Esboço), Post 19 - Morena, Post 18 - Diz o meu nome, Post 17 - Canção do africano, Post 16 - Os cinco sentidosPost 15 - Amor a amor nos convidaPost 14 - E Serei VeleiroPost 13 - Poema de Amor de António e CleópatraPost 12 - Que era é esta?Post 11  - A noite abre meus olhosPost 10 - sim.foi por um beijo em simples vendaval que morriPost 9 - Ó MãePost 8 - Alma minha gentil que te partistePost 7 - Do inquieto oceano da multidão,Post 6 - Amar teus olhosPosta 5 - Conheço esse sentimentoPost 4 - Éramos tu e euPost 3 - Saudades não as queroPost 2 -Não é por acasoPost 1 - É daqui a pouco 
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Poema: Citador
1ª imagem: aqui
2ª imagem:

Victoria




Não tenho na ponta da língua o vocabulário
avulso da insubmissão ou da revolta,
mas queria dispor de palavras certeiras
para exprimir o meu protesto:
considero absurdo que me venham falar
de amor e desdenhem dos sonhos (tantos)
com que me assombro.

Não quero para mim aquela história
igual a tantas outras: "casaram
e foram felizes para sempre".

São vozes que desabam sobre a agudeza
do recato e desfazem o casulo da puríssima
seda que ao instinto pertence.

Um eco de sinais antigos como salmos
envolve meus lábios, tão trementes agora.

Graça Pires
In:Fui quase todas
as mulheres de Modigliani (clic)
Pag.44


Figura austera a Victoria. Mas, faria minhas as suas palavras. Os contos de fadas e da carochinha já não pegam. Numa relação há altos e baixos o sempre é muito relativo.




Graça Pires (1946) Poetisa portuguesa.É licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Editou o seu primeiro livro em 1990, depois de ter recebido o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com o livro Poemas. Ler mais aqui


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1ª Imagem: Pintura de Modigliani - Victoria 1916
2ª Imagem: Graça Pires - aqui