Desacreditada, já ninguém quer ser confundido com ela. Percorrendo caminhos pouco seguros, conduzida por homens sem norte, encontra-se agora na situação de perdida. Fala-se e teme-se o contágio. A doença é grave, propalam, com falsa comiseração, os que dela fogem como diabo da cruz. Mas, ao mesmo tempo, há que salvá-la porque pode arrastar a todos na derrocada. Veredicto dos novos deuses que se perfilam na noite dos nossos dias, entidades perturbadoras, que tomam o nome de Mercados, e, como todos os deuses, são abstractos mas têm o poder de vida e de morte sobre os Estados.Por nada sobem-se os juros, por nada aumentam-se as dívidas. A par e passo temos um deus menor, o Euro, contribuindo para esta insanidade com a falta de competência dos seus arautos no sentido de construírem salvaguardas, estruturas que possibilitassem uma retirada sem grandes danos. Os países menos fortes, economicamente, como a Grécia e todos os outros chamados de periféricos, seduzidos pelo canto das sereias, vêem agora comprometida a sua própria independência.
Até onde irá esta loucura, a que ponto chegará a terra dos helenos, a Hélade, luz do mundo ocidental, fonte de inspiração para filósofos, políticos, escritores, historiadores, a mãe da democracia?
E nós? Conseguiremos ir além do Bojador?