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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Nascemos, imensamente

 



POEMA DE NATAL

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.




Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes (Rio de Janeiro19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980), mais conhecido como Vinicius de Moraes, foi um poetadramaturgojornalistadiplomatacantor e compositor brasileiro.
Mais aqui... 


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Poema daqui
imagem: pixabay

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Soneto de Fidelidade






De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo. e sempre, e tanto
Que mesmo em face de maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure




Quero viver o amor...
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento





Vinicius de Moraes, Maria Creuza Y Toquinho
Eu sei que vou te amar




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Poema enviado pela Emília e com a seguinte nota:
Escrito no Estoril (em Portugal), em outubro de 1939, e publicado em 1946 (no livro Poemas, Sonetos e Baladas),


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Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes (1913-1980), mais conhecido como Vinicius de Moraes, foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Soneto do Amor Total



Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.


Vinicius de Moraes, 

in 'O Operário em Construção'







Chegamos ao fim da Quinzena do Amor, deste ano. 
Em jeito de despedida desta série, trouxe o soneto de Vinicius de Moraes intitulado, Soneto do Amor Total, como que a reafirmar todos os poemas e textos que publicámos.

Que o amor seja vivido como uma festa entre risos, harmonia e cumplicidade.

Agradeço a todos os que por aqui passaram.

Bom fim de semana.

Abraços.

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Entretanto, meus amigos, estarei ausente por alguns dias.
Desejo-vos dias felizes.

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Poema: Citador
Imagem: aqui

Quinzena do amor