Ricardo Reis (19 de setembro de 1887) é um dos quatro heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, tendo sido imaginado de relance pelo poeta em 1913 quando lhe veio à ideia escrever uns poemas de índole pagã.
Um Outono metafórico como imaginária é a figura de Lídia. Mas a realidade é bem diferente. O nosso Outono já deu entrada neste nosso hemisfério, mais precisamente por cá. Tempinho fresco, mas a prometer calor lá mais para a frente, e alguma chuva que não chega para apagar os incêndios que já voltaram.
Mas tenho umas belas palavras, do nosso poeta Luís Rodrigues, que tomo a liberdade de transcrever:
O Outono
é um lugar só nosso
onde guardamos a beleza
das estações da vida
L.R.
Abraços. meus amigos.
Olinda
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13-6-1930
Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994).
- 120.
1ª publ. in Presença , nº 31/32. Coimbra: Mar./Jun. 1931.
Assim, uma quadra simplezinha, faltou-me referir o Regador que devia levar cheiinho de amor e carinho mas subentende-se, não é? Já andava meio perturbada com problemas de saúde...
A nossa amiga Rosélia Bezerra festejou a chegada da Primavera em grande estilo, convidando os seus leitores a contribuírem com uma quadra relacionada com essa linda estação do ano. O Regador era figura fundamental nessa comemoração, transformando em jardineiros aplicados os leitores dos seus blogues.
Como é hábito, houve lugar às Ressonâncias com um belo texto no Espiritual-Idade, no qual foram incluídas na perfeição palavras das referidas quadras. E que lindas quadras tive a oportunidade de ler. Carregadas de flores, cores, luz, boa vontade, transportes de alma, coração na mão.
E nós por cá temos o Outono com as suas cores douradas, árvores que vão atapetando o chão, flores que tomam tonalidades que nos aquecem o coração. E quando chove há um lavar de almas, o vento que afaga os cabelos que são logo protegidos com um capuz de lã quentinha.
E temos as castanhas assadas e nos dias de nevoeiro sentimos o seu cheiro no ar e o aguçar do apetite para no Verão de são Martinho, lá para 11 de Novembro, degustá-las com jeropiga nos magustos que ocorrem por vários lados.
Carlos do Carmo
O homem das castanhas
Quem quer quentes e boas, quentinhas
A estalarem cinzentas, na brasa
Quem quer quentes e boas, quentinhas
Quem compra leva mais calor para casa
Depois, quando o tempo vai ficando mais frio, o quentinho do lar, à lareira ou com os aparelhos que agora pululam por aí para nos ajudar a passar o tempo invernoso.
E, claro, sem esquecer aqueles que se encontram em campos de concentração, em campos de guerra que sofrem na pele toda a espécie de intempéries e desgraças.
Numa nota outonal, transcrevo, com muito agrado meu, esta homenagem do nosso Poeta-Pintor, Luís Rodrigues:
Visto-me de Outono
na mais completa nudez
Corro descalço pelo areal
Como se já fosse Primavera
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E mais:
O dia 12 de Outubro é o Dia do Lançamento do livro de Manuel Veiga, "A Carta que nunca te escreverei". Como devem estar lembrados seguimos os episódios um a um, na escrita empolgante do nosso amigo Poeta/Escritor. (Ver Relógio de Pêndulo)
Não poderei lá estar, mas espero que tenha muito sucesso.
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De volta, amigos. Ainda um pouco periclitante.
Tenham um bom Outono.
Abraços
Olinda
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imagens : net
O regador trouxe-o do blog da Rosélia, obra da querida amiga Fê.