Soberbo o carvalho e sua fronda -
Soberbo o freixo e sua sombra.
Soberbo o freixo e sua sombra.
Soberbo o melro a saltar de galho em galho.
Soberano. E negro.
Soberbos os espantados tordos. E meus olhos
Espantados no seu canto.
Soberba a montanha. E a pedra parideira.
E a água fresca a cair da pedra.
Bebida pelos dedos.
Soberba a litania dos insectos. E o sol a pique.
Soberbo o rio. E as coleantes margens.
E o linho na corrente fria
A curtir as mágoas.
Soberbos os dedos tecendo. E as açucenas.
E os bordados. E a toalha alva.
E a mesa do sacrário.
o Poeta insiste amplo e largo e lírico na ambiência dos seus outros livros
retransportando uma nitidez reconhecível em cada frase quase como se um risco
contínuo atravessasse cada palavra escrita cada respiração por ele e
só por ele presentificada.
Isabel Mendes Ferreira
in:Prefácio
Jacques Brel
-La valse à mille temps-
O blog: Relógio de Pêndulo
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Poema in: Caligrafia Íntima, pg 11
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