A última vez que pensei nesta história foi uma semana depois de a carta ter chegado. Nessa altura, tinha deixado Londres - cidade que considero agora a minha casa - para seguir o percurso da carta até ao local de onde ela tinha vindo e mais além.
Encontrava-me numa floresta exactamente igual àquela que os marinheiros tinham encontrado por acaso, e lembrei-me de como costumava, de manhã bem cedo, ver as minhas avós, as esposas do meu avó, saírem de casa e dirigirem-se, pelo mesmo caminho no qual eu estava, ao seu jardim. Uma a uma, cada mulher separava-se das suas companheiras e encaminhava-se para a sua parcela de terreno, cujos limites eram marcados por uma termiteira abandonada, uma árvore caída, um pedregulho vertical. Ali, entre as cambalas gigantes, os sapelis e as mafumeiras da floresta, cada mulher cuidava das goiabeiras, papaieiras e jamboeiros que ali tinha plantado. Depois, mondava o inhame e a mandioca, onde estes cresciam na terra fofa e escura, e regava o ananaseiro que marcava o centro da sua parcela de terreno.
Pensei na história dos marinheiros. E, durante muito tempo, julguei que não passava disso. Uma história. Sobre a forma como os Europeus nos descobriram e como deixámos de ser um espaço em branco num mapa.(...) depois de eu ter ouvido todas as histórias que este livro contém e escrevê-las para o leitor, lembrei-me designadamente desta. Então apercebi-me de que o tema da história era, na verdade, outro. Era sobre diferentes maneiras de ver. Os marinheiros não atentaram nos sinais, sendo incapazes de ver o padrão ou a lógica, só por serem diferentes dos seus. E a maneira de ver africana: arcana, invisível, porém, visível, evidente para quem nele se insere.
Os marinheiros viram o que consideraram ser a abundância da Natureza e roubaram o jardim das mulheres. Julgaram ter encontrado o Éden, e talvez tivessem mesmo, mas era um Éden criado, não pela mão de Deus, mas sim pelas mãos de mulheres. (Excerto: Aminatta Forna, Jardim das mulheres pgs 18 e 19). == Quem não sabe é como quem não vê, não é Aminatta?
África arcana, visível apenas para quem lhe sente o respirar profundo vindo das suas entranhas; de quem lhe adivinha o ritmo calmo e chão do passar dos dias e das noites mas também a trepidação dos sons saídos do fundo da alma. Lá onde tudo começou, donde saímos todos e espalhados por sítios vários fomos tomando feições outras, colorações novas, eis que voltámos à fonte, mas já tão esquecidos dos valores da terra-mãe. ===
Jardim de Mulheres -
Sinopse
Tudo começou com uma carta...
Abie Kholifa herda uma plantação de café da família, num país africano. Movida
pelas palavras de Alpha Kholifa, seu primo, Abie regressa, iniciando uma viagem
de reencontro com o passado.
Através das histórias contadas pelas suas quatro tias - Asana, Mary, Hawa e
Serah -, ela descobre uma África atraída pelas tentações do Ocidente, mas
desesperada por se manter fiel às suas tradições. Submersas em verdades
silenciadas, mentiras sussurradas e contos mágicos, estas mulheres fortes - as
verdadeiras protagonistas de Jardim de Mulheres - tentam alterar o
correr tranquilo dos seus destinos e reivindicar as suas próprias identidades.
Percorrendo sensibilidades e gerações, Jardim de Mulheres é um
romance espantoso sobre uma nação, uma família e as mulheres cujas histórias
oferecem uma emotiva verdade que jamais entrará para as narrativas oficiais da
História. aqui
Aminatta
Forna was born in Glasgow, raised in Sierra Leone and the United Kingdom and
now divides her time between London and Sierra Leone.
Forna was born inBellshill,
Scotland, in 1964 to a Sierra Leonean father,
Mohamed Forna, and a Scottish mother, Maureen Christison. When Forna was six
months old the family travelled toSierra Leone,
where Mohamed Forna worked as a physician. He later became involved in politics
and entered government, only to resign citing a growth in political violence
and corruption. Between 1970 and 1973 he was imprisoned and declared anAmnestyPrisoner of Conscience. Mohamed Forna was
hanged on charges of treason in 1975.The events of Forna's childhood and
her investigation into the conspiracy surrounding her father's death are the
subject of the memoirThe
Devil that Danced on the Water.
Forna studied law atUniversity College Londonand was a Harkness Fellow at theUniversity of California, Berkeley.
In 2013 she assumed a post as Professor of Creative Writing atBath Spa University.
Between 1989 and 1999 Forna worked for theBBC, both in radio and
television, as a reporter and documentary maker in the spheres of arts and
politics. She is also known for her Africa documentaries:Through African Eyes(1995),Africa Unmasked(2002)andThe
Lost Libraries of Timbuktu(2009).Forna is also a board member of theRoyal National Theatreand a judge forThe Man Booker International Prize2013.[
Aminatta Forna is married to the furniture designer
Simon Westcott and lives in south-east London.
A Revolução de 25 de Abril de 1974 veio coroar a luta da Mulher com direitos fundamentais que lhe tinham sido negados até então.**
Tudo passou a ser um mar de rosas? Sabemos que não.
É importante que continuemos de mãos dadas e a fazer ouvir a nossa voz perante injustiças e abusos perpetrados contra as mulheres, sendo de condenar com veemência a violência física e psicológica que, no limite, chega ao feminicídio.
Mantermo-nos atentos, homens e mulheres, ao que se passa na nossa sociedade, é um trabalho diário.
Há quem diga com um sorriso algo divertido: as crianças não vêm com livro de instruções. Nada mais verdadeiro, pois não poucas vezes nós, pais, somos confrontados com situações difíceis que têm de ser resolvidas no momento sem que saibamos ao certo que caminho seguir. No caso dos recém-nascidos, esses, têm exigências a que nem todas as puérperas sabem responder e mesmo fazendo uma ideia, na prática é mais difícil. A fralda parece ter mais pontas do que as necessárias, os pezinhos multiplicam-se, é o bebé que não pega no peito, mas também não aceita o biberon. Chora, não dorme. Recorre-se ao pediatra que não lhe encontra doença, felizmente. Ouvem-se os conselhos com olhos esgazeados de cansaço, de noites mal dormidas. Desde sempre foram pedidos ou exigidos sacrifícios à mulher na sua qualidade de mãe esquecendo-se muitas vezes que cada mulher é um caso, com as idiossincrasias próprias de cada ser. Inseguranças que se manifestam nesses momentos de maior fragilidade fazem com que cada uma reaja de forma particular aos estímulos.
Só quem já teve um filho é que sabe como são difíceis os primeiros tempos em casa com um bebé. Por maior que seja a felicidade de finalmente termos o nosso filho nos braços, nada é como nos filmes.
Passagem extraída de um artigo muito interessante intitulado, Os 7 mitos da maternidade, da revista Pais, deste mês, em que algumas mulheres relatam as suas dificuldades e experiências dos primeiros tempos, lutando com a novidade, a noção de responsabilidade pela vida de um pequeno ser, as noites sem dormir, o choro por vezes incessante e o amor que nem sempre é automático, como afirma uma das entrevistadas. E lê-se a dado passo: é preciso que as mulheres saibam isso. E estou de acordo, pois muitas mulheres nem mencionam, normalmente, essas dificuldades com receio de serem mal interpretadas. Tornou-se um quase tabu.
O artigo não fala de um mal que ataca algumas mulheres. Trata-se de algo muito grave, de foro patológico, e que não caberia no espírito do tema abordado na revista: é a depressão pós-parto, uma doença de que nem todos se apercebem e a sociedade não dá a devida importância. Um sofrimento atroz para a mulher e que poderá ter consequências muito graves. Para o bem das mulheres acometidas dessa depressão necessário se torna conhecer os sintomas e não esquecê-la. E, também, para o bem dos bebés.
A depressão pós-parto (DPP) é um quadro clínico que pode surgir nas mulheres na fase puerperal, normalmente nas quatro semanas após o parto e se caracteriza pela presença de um conjunto de sintomas que prejudicam a relação mãe-bebé. Atinge entre 10 a 20 % das mulheres quando iniciam a relação com os seus filhos recém-nascidos, podendo começar na primeira semana após o parto e durar até 2 anos e apresentam choro, irritabilidade, cansaço e abatimento. Leia maisaqui
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Nota: Este é o post que se me extraviou com o problema no computador, conforme referi há dois posts através. Reescrevi-o dentro do possível.
No pós-independência houve tendência para transformá-lo num herói nacional. Mas o povo não o terá reconhecido como tal. Estava fresca na memória dos descendentes daqueles que sofreram os castigos e as invasões, a sanha hegemónica que comandava os actos do Imperador de Gaza, no Sul de Moçambique.
Vários foram os povos que sucumbiram sob o jugo da sua ambição desmedida. Diz-se que Mouzinho de Albuquerque lhe deu a mão numa altura em que, talvez, já não estivesse na sua pujança plena. Nos bancos da escola aprendemos que ele foi vencido e trazido para os Açores onde morreu. Os seus restos mortais foram trasladados para Moçambique mas também se desconfia que o esquife imperial apenas contivesse torrões de areia.
Ungulani Ba Ka Kosa, nome tsonga de Francisco Esaú Cossa, com a competência que a sua formação académica, como historiador, lhe confere e com a sua sensibilidade para assunto dessa importância, como romancista, traça em Ualalapi, 1987, a figura desse homem violento e cruel, um tirano para o seu povo bem como para os povos submetidos. Completa a sua narrativa, num só volume, com As Mulheres do Imperador, na qual conta a vida das mulheres que o acompanharam no exílio, secundarizadas e condenadas ao isolamento. Deixo aqui os nomes das sete mulheres deNgungunyane para que constem da nossa memória, aqui, e nos solidarizemos com elas, em espírito – Phatina, Malhalha, Namatuco, Lhésipe, Fussi, Muzamussi e Dabondi. O imperador foi mantido nos Açores até à sua morte, em 1906. As mulheres foram forçadas a deixar os Açores e enviadas para novo exílio, São Tomé, onde viveram até 1911, altura em que, apenas quatro, conseguiram voltar para Moçambique, após quinze anos.
Mas, o que era Moçambique? Para essas mulheres apenas existia o Império de Gaza, para o bem e para o mal. Nada no seu imaginário lhes falava dessa pátria que viria a povoar os sonhos e os anelos de José Craveirinha. Com efeito, de forma abrangente e concreta, ele estendia a sua preocupação sobre o território que ia do Rovuma ao Incomati:
A comunidade de território aparece em Craveirinha como o elemento fundamental de identificação nacional (...): Machava e Ilha de Moçambique, Gaza e Zambézia, Manhiça e Mussoril, Guijá e Mocímboa do Rovuma, Norte, Centro e Sul reaparecem frequentemente a delimitar poeticamente a unidade entre povos que o colonialismo procurava dividir, e a fazer surgir como um todo coeso a imagem de um país de homens escravos:
“Arroz de Gaza apodreceu nos armazéns
na Zambézia a seca rebentou barrigas negras na Manhiça milho sobrou nos celeiros e nem um milho para cem bocas no Mussoril. No Guijá deu muita mexoeira mas nem um grão de mexoeira nem ao menos um grão em Mocímboa do Rovuma Ai a passividade animal!”
O navio faz-se ao mar e, por um momento, parece-me que quem se movimenta é o continente. Não será num barco que viajaremos. Navegaremos como sempre se viaja: através de lembranças e sonhos. Mas eu já não lembro nem sonho. Tenho quinze anos. Vou para longe de mim, sem bagagem e sem documentos. Mas levo comigo o meu filho, o princípio da minha eternidade.
A meio da noite, Dabondi e eu somos chamadas ao camarote do comandante Jaime Leote do Rego. À entrada, Dabondi toma nas suas mãos os braços do militar. É raro uma das nossas mulheres dar-se a esses avanços. A rainha, porém, simpatizou com o branco de barba grisalha. A afeição é recíproca: o tenente fita a rainha como se lhe estudasse o rosto. Perfeito, é ela quem eu queria, confirma ele com entusiasmo.
Ao fundo do camarote está uma tela suportada por um cavalete. Sobre uma cadeira estão pousados dois pincéis e uma paleta onde combinam diferentes tons de azul. Quero pintar o mar, confessa. Foi por isso que exigiu a presença de Dabondi. No cais, diz ele, escutei esta mulher. Diz-lhe que volte a cantar!
- Não sou eu que canto - argumenta Dabondi. Outros usam a minha voz.
- Diz a essa mulher que não estou habituado a pedir.
A rainha sorri e responde: Pergunta a esse homem se recebe ordens para sonhar.
Com a ponta dos dedos Dabondi afaga a tela com delicadeza. Acredita que está perante um tear e que o comandante é um tecelão. Com gestos redondos, como se falasse com os braços, o português apresenta a obra por começar: o mar não se vê: nele nos vemos nós. Depois acrescenta: Eu vi o oceano quando escutei esta mulher a cantar no cais.
Oferece um cálice de aguardente à rainha. Dabondi vaza o cálice de um trago. Acena o copo vazio reclamando por uma segunda dose. Se me escutou cantando, este branco não pode ser um inimigo, diz ela. E acrescenta: A bebida é boa, vou fazer-lhe a vontade. Depois a rainha solta a voz. O comandante cerra as pálpebras e, lentamente, as águas do mar inundam o seu camarote.
Com o braço direito soerguido, os passos afinados com a canção da rainha, o comandante Jaime Leote do Rego avança na minha direcção e pergunta:
- Já alguma vez dançaste com um homem branco?
Excerto, pgs. 106/107, O Bebedor de Horizontes, 3º volume da Trilogia, "As Areias do Imperador" - Mia Couto
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Fala de Imani que em conjunto com o Sargento Germano de Melo nos dão a conhecer esta parte da História de Moçambique, desenvolvendo uma narrativa epistolar. O sargento é uma personagem fictícia e em relação a Imani penso que se passa o mesmo. Não consegui encontrar qualquer referência como sendo real.
Mas ambos no desenrolar dos três livros têm a sua própria história. Uma história de vida. Íntima. E trágica. Espelho de outras vidas, talvez.
Jaime Leote do Rego, militar e oficial da marinha portuguesa, é comandante do navio onde seguiam, para o exílio, Ngungunyane, as suas sete mulheres, o filho Godide, o tio Molungo, o rival Zixaxa e as suas três mulheres. Para além de outros presos.
Dabondi é uma das sete mulheres do imperador.
O mar, esse, é uma entidade temida pelos vátuas.
Um pavor, quando tiveram de o enfrentar, embarcados
para destino desconhecido.
Elma Uamusse
Uma voz poderosa
Ao escritor foi atribuído o Prémio Jan Michalski, pela edição francesa da obra. O júri reconheceu “a excecional qualidade da escrita” de Mia Couto, que conjuga, “subtilmente, oralidade e narração literária e epistolar, contos, fábulas, sonhos e crenças, no seio da realidade histórica de Moçambique, no final do século XIX, na luta contra a colonização portuguesa”.*
Já Carlos Maria Bobone diz, em relação à Trilogia, que a obra não faz jus ao tema. Segundo ele: Mia Couto não podia ter escolhido melhor tema para a sua trilogia; e pior do que não ter feito um bom romance é ter conseguido fazer de um bom tema um mau romance.**
Poderá ver no "Xaile", dois posts sobre o assunto, Ngungunyane I, Ngungunyane II. Neles faço referência a:
Ungulani Ba Ka Kosa, que escreveu dois livros, "Ualalapi" e "As mulheres do Imperador", condensando-os num só volume,
e a:
Mia Couto, sobre o primeiro volume desta Trilogia que contém os seguintes títulos: I Mulheres de Cinza; II A Espada e a Azagaia; III O Bebedor de Horizontes.
Cingindo-se aos factos históricos, Mia Couto apresenta-os imprimindo-lhes o seu cunho peculiar, inconfundível.
Todos os dias é a luta pela sobrevivência, a fuga aos maus tratos, à violência, às violações e, muitas vezes, à morte. Fuga nem sempre conseguida. Umas sem recursos, sem-abrigo, outras empregadas domésticas, empregadas fabris, empregadas de escritório, seja qual for a ocupação, o mesmo descaso, quase desprezo, o assédio, parece que ainda não encontrámos o nosso lugar no mundo. Em todo lado é a mesma coisa, com mais ou menos sofisticação, pois existe o tormento moral de mulheres que, mesmo com posses, continuam a ser vítimas.
Não desdenho deste dia 8 de Março, que nos é dedicado. Digamos que é um dia em que talvez tenhamos a oportunidade de todos falarmos do mesmo, embora saibamos que essa comemoração poderá ser vazia de conteúdo. Sabemos que a História da Mulher é prenhe em martírios e desconsiderações, mas também sabemos que muita coisa mudou com o passar dos tempos.
Na realidade, há uma maior visibilidade em relação à situação das mulheres. Aquando da Implantação da República as mulheres poucos ou nenhuns direitos detinham. De referir, por exemplo, o sufrágio feminino alvo de muitos debates e restrições, sendo o analfabetismo um óbice. As mulheres com curso superior e chefes de família foram consideradas aptas. Carolina Beatriz Ângelo estava nessas condições e foi a primeira mulher a votar em Portugal, mas teve de reclamar para o conseguir.
A Revolução de Abril de 1974 veio abrir as portas à Mulher como Cidadã de pleno direito, abolindo através de legislação um sem-número de proibições descabidas, nomeadamente, a dependência total da autoridade do marido em todas as circunstâncias, até de não ter o direito de os seus bens estarem em seu nome (o caso da minha mãe, por exemplo). Veja aqui, aqui, aqui algumas dessas bizarrias.
Mas não há legislação que suporte a mudança de mentalidade. Esta não muda por decreto. Por isso, continuamos a assistir a esse sofrimento de que falo no primeiro parágrafo. O feminicídio, em contexto de violência doméstica, é um facto em Portugal.
...Pela cidade, as mulheres suportam malas e cuidam das crianças. São milhares, sem o companheiro. Só elas e os filhos. Os homens estão a combater. Outros, estão de prontidão. ...
O visor da minha máquina fotográfica já me limpou os olhos várias vezes. É difícil não chorar. Caros leitores, aqui o sofrimento é atroz. Podemos ser comentadores, analistas, de esquerda ou de direita. É sempre fácil no conforto do sofá. Aqui deixou de haver sofás. E berços só nos braços fortes das mães e das avós. Gosto de olhar olhos nos olhos.
As mulheres são lindas. Transportam uma beleza que nem o desespero consegue vencer. São serenas. São solidárias. Carregam com elas o futuro de dois países. Meninos e meninas. Em Kiev ou em Moscovo, todos gostam de brincar. Bonecas e carrinhos. Existem linguagens universais.
Posto que o Amor também é feito de espera, o mesmo é dizer de esperança, hoje, Dia Internacional da Mulher, trago-vos este poema da amiga Rosélia. O direito de amar, de aspirar à Felicidade e de estar na vida de conformidade com as próprias escolhas.
Esperança de que a Paz invada os corações de quem decide da vida das pessoas, de crianças, velhos e de quem é considerado mais fraco pelo poder das armas.
A canção que acompanha este poema foi-me indicada
pela autora, a meu pedido, e verão como tudo está em consonância:
palavras, música e esse sentimento que é
o sal da vida, o Amor,
em todas as suas manifestações.
A Miragem/Somente por amor
...somente por amor a gente põe a mão
no fogo da paixão, deixa-se queimar
somente por amor movemos terra e céus
rasgando sete véus, saltamos do abismo
sem olhar para trás...
Rosélia Bezerra, professora aposentada, é uma escritora com vários livros publicados. Confira aqui, em ClubedeAutores.
Este poema foi publicado em 2021 com o título "Como uma Fênix", no seu blogue AMORAZUL.
Para começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no género masculino. Todos os poderes políticos, económicos, militares são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que pudemos viver assim tanto tempo condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação?
José Saramago, - in 'L'Orient le Jour (2007)'
É Saramago quem o diz. E gosto.
Contudo, não gostaria de fazer aqui a apologia de que somos seres especiais. Reconheço que temos qualidades apreciáveis. Não quero estabelecer comparações, mas reafirmar que merecemos o nosso lugar na sociedade com direitos e deveres aplicáveis a todo e qualquer cidadão. E perante as mesmas oportunidades, somos capazes de fazer e de fazer acontecer. Conhecemos por demais a situação de que fala Saramago, de séculos de subordinação e humilhação. Muito caminho já foi percorrido e continuamos ainda nessa caminhada porque ela é necessária todos os dias. Nada está ganho em definitivo, porque é muito fácil esses valores caírem no esquecimento. A violência doméstica continua a fazer vítimas. É assunto a que temos de estar atentos, na aplicação da lei ou no seu melhoramento e construir uma mentalidade nova conducente à igualdade entre mulheres e homens. Penso que todos juntos alcançaremos um mundo melhor.
Voá Borboleta - Sara Tavares
José de Sousa Saramago ComSE • GColSE (Azinhaga, Golegã, 16 de novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de junho de 2010) foi um escritor português. Galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem, uma honra geralmente reservada apenas a Chefes de Estado...aqui
Em tempos, ilustrei dois poemas sobre a mulher* com uma pintura de Modigliani. Por isso, o título do livro de poemas de Graça Pires chamou-me logo a atenção. Isso e os belos poemas que a autora nos tem oferecido no seu blogue, retirados do mesmo. Daí a minha vontade de o adquirir e tê-lo aproveitado como uma parte da primeira experiência que apresentei à minha filha.
Resolvi publicar um dos seus poemas e quem já tiver lido o livro ou lido os poemas de que falei acima concordará que a dificuldade está na escolha. Mas até nisso tive sorte, porque no livro está contido um poema, adivinhem lá o tema. Nem será preciso grande esforço porque vou apresentá-lo a seguir: