José Saramago, in " Folha de S. Paulo, Outubro 1995"
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
A Revolução da Bondade
José Saramago, in " Folha de S. Paulo, Outubro 1995"
quarta-feira, 5 de abril de 2023
Palavras para uma Cidade
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, aqui
Série de textos: contributo para a Língua Portuguesa de: José Saramago, Mia Couto, Germano de Almeida
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/palavras-para-uma-cidade/2452 [consultado em 17-11-2022]
terça-feira, 15 de novembro de 2022
Manual de Pintura e Caligrafia
domingo, 18 de setembro de 2022
A Revolução da Bondade
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
'In Nomine Dei'
WALDECK
sexta-feira, 24 de junho de 2022
O Ano da Morte de Ricardo Reis
Fernando Pessoa levantou-se do sofá, passeou um pouco pela saleta, no quarto parou diante do espelho, depois voltou, É uma impressão estranha, esta de me olhar num espelho e não me ver nele, Não se vê, Não, não me vejo, sei que estou a olhar-me, mas não me vejo, No entanto, tem sombra, É só o que tenho. Tornou a sentar-se, cruzou a perna, E agora, vai ficar para sempre em Portugal, ou regressa a casa, Ainda não sei, apenas trouxe o indispensável, pode ser que me resolva a ficar, abrir consultório, fazer clientela, também pode acontecer que regresse ao Rio, não sei, por enquanto estou aqui, e, feitas as contas, creio que vim por você ter morrido, é como se, morto você, só eu pudesse preencher o espaço que ocupava, Nenhum vivo pode substituir um morto, Nenhum de nós é verdadeiramente vivo nem verdadeiramente morto, Bem dito, com essa faria você uma daquelas odes. Ambos sorriram. Ricardo Reis perguntou, Diga-me, como soube que eu estava hospedado neste hotel, Quando se está morto, sabe-se tudo, é uma das vantagens, respondeu Fernando Pessoa, E entrar, como foi que entrou no meu quarto, Como qualquer outra pessoa entraria, Não veio pelos ares, não atravessou as paredes, Que absurda ideia, meu caro, isso só acontece nos livros de fantasmas, os mortos servem-se dos caminhos dos vivos, aliás nem há outros, vim por aí fora desde os Prazeres, como qualquer mortal, subi a escada, abri aquela porta, sentei-me neste sofá à sua espera, E ninguém deu pela entrada de um desconhecido, sim, que você aqui é um desconhecido, Essa é outra vantagem de estar morto, ninguém nos vê, querendo nós, Mas eu vejo-o a si, Porque eu quero que me veja e, além disso, se reflectirmos bem, quem é você, a pergunta era obviamente retórica, não esperava resposta, e Ricardo Reis, que não a deu, também não a ouviu. Houve um silêncio arrastado, espesso, ouviu-se como em outro mundo o relógio do patamar, duas horas. Fernando Pessoa levantou-se, Vou-me chegando, (...)
Excerto pgs 79/80
E ei-los. Criatura e Criador. Agora ambos irreais, cada um na sua própria condição. Trata-se de ficção em cima de ficção sob a lupa de José Saramago, que aproveita para fazer o retrato do país, nesses anos trinta do nosso descontentamento. Decorria o Estado Novo que desde 1926 vinha fazendo história, no pior sentido, e na Europa a Guerra Civil em Espanha; a ascensão ao poder de Mussolini, em Itália; e a expansão da ideologia nazi, na Alemanha.
Na penúltima página, 406, pode ler-se:
Ricardo Reis subiu o nó da gravata, levantou-se, vestiu o casaco. Foi à mesa de cabeceira buscar The god of labyrinth, meteu-o debaixo do braço, Então vamos, disse, Para onde é que você vai, Vou consigo, (...)
A criatura reúne-se ao criador.Assim o quis Saramago.
E o destino cumpre-se.
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Bom fim de semana, meus amigos.
Abraços
Olinda
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sexta-feira, 10 de junho de 2022
Sete anos de pastor Jacob servia
Com análise de Saulo Gomes Thimóteo.
segunda-feira, 30 de maio de 2022
Protopoema
quarta-feira, 18 de maio de 2022
Arte poética
A traçar a esquadria da semente:
Flor ou erva, floresta e fruto.
Mas avançar um pé não é fazer jornada,
Nem pintura será a cor que não se inscreve
Em acerto rigoroso e harmonia.
Amor, se o há, com pouco se conforma
Se, por lazeres de alma acompanhada,
Do corpo lhe bastar a presciência.
Não se esquece o poema, não se adia,
Se o corpo da palavra for moldado
Em ritmo, segurança e consciência.
domingo, 10 de abril de 2022
"De memórias nos fazemos"
Um livro que só ela podia ter escrito - um livro que apenas uma filha pode escrever sobre seu pai, diz-nos Luís Osório. Palavras relacionadas com a obra que acaba de sair das mãos e do coração de Violante Saramago Matos.
Neste ano do centenário do nascimento de José Saramago esta obra trar-nos-á, certamente, uma outra perspectiva da sua personalidade, diferente da que vem inscrita em todas as outras manifestações biográficas sobre este nosso laureado da literatura. Como sabemos, Saramago não só venceu o Prémio Camões como também o Prémio Nobel, em 1998.
Sobre Violante, o mesmo Luís Osório diz, entre outras considerações:
Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago
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Veja aqui o artigo de Luís Osório:
"A única filha de José Saramago..."
Poema - Citador
sábado, 7 de março de 2020
As mulheres são mais fortes
É Saramago quem o diz. E gosto.
Conhecemos por demais a situação de que fala Saramago, de séculos de subordinação e humilhação. Muito caminho já foi percorrido e continuamos ainda nessa caminhada porque ela é necessária todos os dias. Nada está ganho em definitivo, porque é muito fácil esses valores caírem no esquecimento.
A violência doméstica continua a fazer vítimas. É assunto a que temos de estar atentos, na aplicação da lei ou no seu melhoramento e construir uma mentalidade nova conducente à igualdade entre mulheres e homens.
Penso que todos juntos alcançaremos um mundo melhor.



