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sábado, 25 de julho de 2026

Sem fim à vista?

 



Tenho, algumas vezes, abordado o tema Europa neste Xaile de Seda, com algum romantismo, focando as acções levadas a efeito no pós-guerra, dando forma às ideias Jean Monet, com a criação da União Europeia que, nas suas palavras, seria antes de mais uma união de homens de boa vontade e não de estados.

À medida que o tempo vai passando a decepção se instalou, de modo que vou assinalando as suas fragilidades e pusilanimidade das suas decisões ou falta delas. No tempo da Troika, por exemplo, dos ajustamentos tendo como alvo os salários dos mais pequenos, sem um golpe de asa que mostrasse que havia quem nos pudesse proteger da tirania dos mercados.

Acabávamos de sair de uma pandemia eis que surge a guerra da Ucrânia, o que nos veio fragilizar ainda mais, à vista de toda a tragédia dos nacionais que fugiam, que procuravam protecção em outros países, sem meios, com as crianças nos braços e os mais velhos, trôpegos, por essa Europa fora.

Outros conflitos nos batem à porta, com o sofrimento de crianças, doentes, velhos, em Gaza, e agora no Médio Oriente, guerras insanas em que a via diplomática parece letra morta, com interesses económicos instalados e outras intenções que nem sabemos muito bem atingir. 

A Europa, a velha Europa, fraca, parece assistir de camarote a toda essa movimentação e desmandos dos senhores da guerra, ainda que alguns países tenham fincado o pé ao pedido de apoio dos EUA, no âmbito da Nato, em relação ao Estreito de Ormuz.

Em tempos de crise, como foi na pandemia, verificou-se que por cá não se produzia uma simples aspirina, luvas, aparelhos para suporte de vida e, nós, espantados com tudo isso. Cheguei a fazer um post sobre essa situação bizarra, desejando que se passasse a pensar em produções regionais para não se chegar a situações como essa.

Enfim, todos sabemos o que se passa.

De um poema de Adolfo Casais Monteiro, extensíssimo, que publiquei em tempos, extraio esta passagem:

"Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
— cada um para si te querendo toda?
..."

Ainda tenho a esperança de que, do segredo dos gabinetes, saiam ideias brilhantes que nos ajudem a suprir com denodo a tanta miséria e que possamos um dia responder com coragem às exigências destes tempos que parecem regressar à idade das trevas, embora não me refira à Idade Média que foi uma época injustamente tratada como tal. Teve os seus Pensadores, ainda que num ambiente religioso.



***



Chão Nosso
Trovante



Bom fim de semana, amigos.
Abraços
Olinda

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Europa, aqui, no Xaile de Seda

domingo, 3 de abril de 2022

O Príncipe de Bel-air

É como me lembro dele. Um rapaz desempenado numa série de humor que acabou por lhe dar fama. Ainda que tenha vindo a desempenhar outros papéis, também de relevo, em filmes que também vi, a série denominada "Príncipe de Bel-air" sempre teve o seu lugar privilegiado.

A notícia da bofetada a um humorista na noite dos óscares veio manchar o seu currículo. Por pouco se pode ganhar o pódio dependendo das oportunidades e de momentos propícios, mas também por pouco se pode perder o brilho de uma carreira. Já tem acontecido. E voltará a acontecer. Infelizmente é assim o mundo. Com as notícias em directo o impacto é estrondoso.

E está mais do que visto que a violência nunca é opção nem solução para nada. Mormente quando se ocupa lugar de destaque na sociedade. As pessoas nesse patamar têm de fazer por continuar a merecer a admiração e o respeito que lhes são atribuídos.

Temos pena, Will Smith.




Já nos basta ver o mundo de pernas para o ar numa guerra, na Europa, que sacrifica inocentes, fazendo vítimas a toda a hora, esse conflito em que a Rússia quer fazer vergar a Ucrânia, um país soberano. Milhões de refugiados, com crianças e idosos, homens e mulheres a defenderem o seu rincão, vidas estragadas. 

Esperamos ardentemente por uma solução. Enquanto isso, o que vemos é destruição e morte. Sem contar com outros povos que dependiam do fornecimento de cereais e que agora podem ver-se a braços com a sua falta, estando a fome à espreita. No Norde África, por exemplo...

Infelizmente, Will Smith, a alopécia é uma doença terrível. Lamento imenso. Mas as graças, as piadas, mesmo sem graça e até cruéis, resolvem-se de outra forma. Não à estalada.

Meus amigos, tenham um bom resto de domingo.

Abraços.

Olinda


segunda-feira, 21 de março de 2022

Uma outra Europa?

Talvez. 

A Europa cindida, cultural e politicamente, em Leste e Oeste terá, efectivamente, muitas diferenças em termos de mentalidade, de vivências de séculos, mas sempre o mesmo ser humano com as suas alegrias e tristezas. No sofrimento somos todos iguais, tudo se esbate nas nossas fragilidades.

Quando invadem a nossa terra, bombardeiam os nossos hospitais, as nossas maternidades, os centros culturais; 

quando temos de fugir, quem sabe, para nenhures, com as nossas crianças nos braços ou pela mão, os nossos velhos a arrastaram-se de lágrimas nos olhos, com os seus parcos haveres; 

quando temos de deixar para trás, filhos, companheiros, pais, em idade activa, para combaterem por esse bem maior que é as nossas vidas organizadas em comunidades, com as instituições cujos representantes elegemos e que dão estabilidade à vida em sociedade; 

quando somos desalojados das nossas casas e somos acordados pelo barulho do seu desmantelamento, caindo pedra sobre pedra, ficando soterrados ou alvejados... 

Nessas horas a nossa condição humana, o instinto de sobrevivência, o apego ao quotidiano, uma espécie de paraíso perdido, irmana-nos na dor, e o sentimento de perda e impotência é o mesmo.



A invasão da Ucrânia pela Rússia, a 24 de Fevereiro, tem feito desfilar perante os nossos olhos o espanto de um regresso a tempos que já pensávamos ultrapassados. A aquisição de valores como a democracia, o direito de um povo decidir do seu destino, parece não ter importância para quem diz que o ocidente não terá sucesso no seu domínio do mundo. 

Penso que temos estado um tanto adormecidos não ligando a ameaças que Vladimir Putin tem vindo a fazer, pensando, como dizem os entendidos na matéria, na reconstrução do antigo Império russo. No primeiro quartel do século XX caímos na mesma esparrela perante ao que Hitler vinha dizendo, palavras que ficaram registadas em livro tristemente famoso e na vida de milhões de pessoas.

Como e quando irá isto parar ninguém sabe, apesar do que dizem os muitos especialistas que por aí pululam, aventando várias saídas...ou saída nenhuma.

A cruel realidade é o sofrimento que esse desastre bélico está a causar a todo um povo que resiste e luta pelo direito à terra e à liberdade, com o perigo quase palpável de alastramento do conflito.

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Mapa: daqui

terça-feira, 8 de março de 2022

As Mulheres

...Pela cidade, as mulheres suportam malas e cuidam das crianças. São milhares, sem o companheiro. Só elas e os filhos. Os homens estão a combater. Outros, estão de prontidão. ...

O visor da minha máquina fotográfica já me limpou os olhos várias vezes. É difícil não chorar. Caros leitores, aqui o sofrimento é atroz. Podemos ser comentadores, analistas, de esquerda ou de direita. É sempre fácil no conforto do sofá. Aqui deixou de haver sofás. E berços só nos braços fortes das mães e das avós. Gosto de olhar olhos nos olhos. 

As mulheres são lindas. Transportam uma beleza que nem o desespero consegue vencer. São serenas. São solidárias. Carregam com elas o futuro de dois países. Meninos e meninas. Em Kiev ou em Moscovo, todos gostam de brincar. Bonecas e carrinhos. Existem linguagens universais.

As mulheres são o melhor que a humanidade tem.

Excerto de Crónica de 5/3, de Adriano Miranda, 
enviado do Público à Ucrânia.



Em Nome do Amor,

Ela espera fiel, confia, é puro clamor
Aos céus, confia no Alto com penhor.
Em nome do Amor,
Ela aguarda o tempo da dura espera,
Aguarda, no 💙, o cumprir da quimera.
Em nome do Amor,
Ela tem paciência, calma com sua dor,
Sabe o Amor paciente ser como a flor.
Em nome do Amor,
Ela é serena, com todo seu sofrimento,
Não cansa nem se cansa em tormento.
Em nome do Amor,
Ela sabe, um dia renascerá das cinzas,
Como fênix revigorada, sem tristezas.



Posto que o Amor também é feito de espera, o mesmo é dizer de esperança, hoje, Dia Internacional da Mulher, trago-vos este poema da amiga Rosélia. O direito de amar, de aspirar à Felicidade e de estar na vida de conformidade com as próprias escolhas. 

Esperança de que a Paz invada os corações de quem decide da vida das pessoas, de crianças, velhos e de quem é considerado mais fraco pelo poder das armas.

A canção que acompanha este poema foi-me indicada 
pela autora, a meu pedido, e verão como tudo está em consonância: 
palavras, música e esse sentimento que é 
o sal da vida, o Amor, 
 em todas as suas manifestações. 



A Miragem/Somente por amor


...somente por amor a gente põe a mão 
no fogo da paixão, deixa-se queimar 
somente por amor movemos terra e céus
rasgando sete véus, saltamos do abismo
sem olhar para trás...


Rosélia Bezerra, professora aposentada, é uma escritora com vários livros publicados. Confira aqui, em ClubedeAutores.

Este poema foi publicado em 2021 com o título "Como uma Fênix", no seu blogue  AMORAZUL. 


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Imagem: net


quinta-feira, 3 de março de 2022

Ucrânia - um pouco da sua história


KIEV

A Resistência de um Povo

A história política depende dos acontecimentos e das suas circunstâncias. O momento de guerra na Europa que vivemos deve ser visto a essa luz. Longe de se saber qual o desenlace, temos de compreender a essência da situação. Ao falarmos da Ucrânia estamos perante um caso especialmente difícil, longe do que quer a narrativa de Putin, porque a história envolve, como habitualmente, um conjunto vasto de razões. Kiev está na origem da civilização russa. Segundo a tradição, no século VI, aí se reuniram 13 tribos eslavas orientais voluntariosas e determinadas, que fizeram prosperar a região do Dniepre. 

Se o primeiro Estado russo nasceu em Novgorod, quando o príncipe Riurik, um normando, não eslavo, foi convidado a assumir o poder, foi o seu irmão Oleg que transferiu para Kiev a capital da Rus. Iniciaram-se então as relações com Bizâncio e geraram-se as raízes dos povos russo, ucraniano e bielorrusso. Kiev tornou-se o coração da Santa Rússia, herdeira da segunda Roma (Constantinopla). 

Contudo, no ocidente da Ucrânia, em Lviv, cidade fundada pelo grão-duque da Ruténia, em 1256, encontramos, de certo modo, uma outra história. A cidade passou sucessivamente da soberania polaca, em 1340, para a austríaca em 1772, integrando o Império Austro-Húngaro. Depois, a cidade foi polaca, em 1919, no fim da Grande Guerra, e tornou-se ucraniana em 1939. Em 1945, nas partilhas territoriais do fim da Segunda Guerra, a região foi integrada na República Soviética da Ucrânia, que viria a ser fundadora das Nações Unidas, ao lado da URSS e da Bielorrússia. A soberania de Direito da Ucrânia é assim inequívoca e antiga. A libertação de 1991 e tudo o que se seguiu merecem especial atenção, no âmbito da aplicação da Carta das Nações Unidas.

 A Ucrânia é um Estado soberano, com raízes históricas complexas e claras, a partir de influências que se completam - eslava e europeia central. Kiev é uma das cidades mais antigas da Europa e uma referência matricial da rica cultura eslava. Fundada no século V é um centro da economia e da cultura. E o cristianismo ortodoxo, de bases profundas, teve Kiev como matriz. A própria língua ucraniana tem raízes próprias, próximas da língua russa, do servo-croata e do polaco.

 A palavra ukraina significa zona fronteiriça, onde o domínio cossaco se distinguia dos principados eslavos do norte e oeste e das hordas turcas do sul. Em 1240, a cidade foi ocupada e destruída pelo Império Tártaro-Mongol, na conquista iniciada por Gengis Khan. Kiev perdeu influência, mas manteve autonomia, no âmbito do Canato da Horda do Ouro. Em 1321, a cidade seria conquistada pelo grão-duque da Lituânia, passando ao domínio polaco-lituano até ao final do século XVII, quando Kiev passou para a esfera do Império Russo, tornando-se o mais importante centro cristão ortodoxo, antes da transição para Moscovo. 

Nos séculos XVIII e XIX a vida da cidade foi dominada pelas autoridades militares e eclesiásticas, em 1834 foi criada a Universidade de S. Vladimir e em 1846 constituiu-se a proibida Irmandade de S. Cirilo e S. Metódio, defensora de uma federação eslava de povos livres, animada por Nikolay Kostomarov. Kiev foi a terceira cidade do império, importante centro de comércio, beneficiando do rio Dniepre. Deste modo, as lágrimas e a vontade de um povo resistente reforçam a história, a herança e a memória de um dos fundamentos da civilização europeia, que a cegueira bárbara de um ditador será incapaz de destruir.

Guilherme de Oliveira Martins

Administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian

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Transcrevo este texto de 01/03, da autoria de Guilherme de Oliveira Martins, mais para informação minha do que para a vossa, pois deverão já conhecer a realidade histórica da Ucrânia. Nestes dias em que o centro de gravidade ali se situa, termos consciência disso parece-me importante.

Abraços
Olinda

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Texto: daqui
imagem: wiki

terça-feira, 1 de março de 2022

Avó negra





Minha avó negra, 
de panos escuros
da cor do carvão
Minha avó negra, de panos escuros
que nunca mais deixou.
Andas de luto.
Toda é tristeza

Heroína de ideias,
rompeste com a velha tradição
dos cazumbis dos quimbandas.
Não chinguilas no óbito
tuas mãos de dedos encarquilhados
tuas mãos calosas da enxada
tuas mãos que me preparam
(quitabas e quifututilas),
tuas mãos, ora tranquilas,
desfiam as contas gastas
de um rosário já velho.
Já não sabes chinguilar
não fazes mais que rezar.
Teus olhos perderam o brilho.
E da tua mocidade
só te ficou a saudade
e um colar de missangas.

Avozinha, às vezes
ouço vozes
que te segredam saudades
da tua velha senzala
da cubata onde nasceste
das algazarras dos óbitos
do sonhos do alambramento
que supunhas merecer.
E penso que
se pudesses
talvez revisses
as velhas tradições. 

    (1934-989)




Welwitschia - Deserto do Namibe


Meus amigos:

Neste momento, no ano de 2022, encontramo-nos de luto perante a agressão da Rússia à Ucrânia. Movimentos da sociedade civil multiplicam-se em actos de solidariedade, no envio de medicamentos, roupas, apoio moral àqueles que procuram um lugar para se albergarem com crianças e idosos. Todos não seremos demais para uma ajuda efectiva, é um facto.

Mas eis que no meio dessa tristeza o que mais estaria destinado aos nossos olhos e aos nossos ouvidos? 

Discriminações nas fronteiras, que conduzirão à liberdade, a negros, indianos e outros que não estão na escala de valores de caucasianos, barrados sem consideração pelo tempo de espera ao relento, entregues às intempéries. Quando mulheres e crianças têm prioridade nos lugares nos comboios, autocarros e no atravessamento das fronteiras, em relação a mulheres e crianças negras essa atenção não se põe?

Tempos que se recuam ou então não temos emenda, mesmo...





Choremos!




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Poema  e glossário: daqui
Glossário:
cazumbi - espírito, alma dos mortos; feitiço,
quimbanda — curandeiro,
chinguila - dançar em êxtase,
quitaba - pasta comestível.
quifututila - doce angolano.
alambramento – dote ou presente de noivado.

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Poeta, contista, e ensaísta angolano, Mário António Fernandes de Oliveira, nascido em 1934 e falecido em 1989, ocupa um lugar de destaque na vasta literatura angolana.
Foi activista político, ligado à criação do Partido Comunista de Angola (PCA) e do Partido de Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA), conjuntamente com Viriato da Cruz, António Jacinto e Ilídio Machado. Por repressão da polícia política abandonou as actividades políticas.
Foi professor auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, director do Serviço para a Cooperação com os Novos Estados Africanos, da Fundação Calouste Gulbenkian e presidente da Secção de Literatura da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Enquanto ensaísta crítico, Mário António estudou, aprofundadamente, a literatura angolana, bem como as próprias estruturas histórico-sociais de Angola, ou não fosse licenciado em Ciências Sociais e Políticas e Doutorado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.
Quanto à sua poesia, poder-se-á dizer que Mário António começa por utilizar, inteligentemente, os modelos brasileiros (muito usados na época, até mesmo pela proximidade dos temas, sentimentos e realidades entre Angola e o Brasil), recorrendo também a linhas literárias europeias.
Entrando mais concretamente na temática da sua produção poética, pode dizer-se que esta está amplamente marcada pela temática da infância em que dominam os valores africanos da religiosidade e da fraternidade.
A sua poética está efetivamente marcada por esta "saudade" de um passado real: "saudade" do mundo da infância, em que as relações puras eram possíveis.
Em todas as fases poéticas de Mário António verificamos a permanente oposição entre dois campos distintos - campos esses que marcam a própria vida angolana: de um lado temos a cidade da infância, o tempo de todas as possibilidades, o local da união, o sítio e o tempo mágico em que o homem dependia apenas dos fenómenos da natureza e guiava os seus passos pelos astros; do outro lado, a camada do cimento, as grandes construções que destruíam o espaço amplo e livre do antigamente, a sociedade mesclada: brancos, negros e mestiços. aqui e aqui