A Literatura para mim é um caminho pessoal, não é uma carreira.
Palavras de Lídia Jorge laureada com o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra, contribuindo para o património literário e cívico-cultural da Língua Portuguesa.
Dedicou este prémio a todas as mulheres que a antecederam e que receberam o mesmo Prémio.
Antes de Lídia Jorge, por nove vezes o Prémio Camões foi atribuído a uma mulher. Rachel de Queiroz (1993), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Maria Velho da Costa (2002), Augustina Bessa-Luís (2004), Lygia Fagundes Telles (2005), Hélia Correia (2015), Paula Chiziane (2021), Adélia Prado (2024) e Ana Paula Tavares (2025). Nos últimos três anos foram três escritoras a receber o prémio.
Também dedicou o Prémio aos Professores portugueses que ensinam a Língua Portuguesa em todo o mundo.
Lídia Jorge é autora de romances, contos, ensaios, poesia e crónica, alguns já lidos por mim. Mas deixo aqui este poema que versa sobre um tema que adoro: a Chuva.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. Ler mais
Foram precisos muitos anos para que renascêssemos numa liberdade que considerávamos perdida, aliás, muitos de nós nem a considerávamos possível ou mesmo que existisse.
Os que nasceram nessa altura ou já eram nascidos, mas ainda crianças, e os que vieram a seguir, não conseguirão compreender na sua justa medida essa riqueza incomparável que é viver em liberdade, porque já faz parte do seu universo mental.
Por isso, é nosso dever procurar trazer, sempre que possível, a essência e as ideias que enformam este conceito que um dia se tornou realidade, para não a deixarem escapar. Lembrarmo-nos disso é preciso, e também homenagear os que lutaram para que este dia acontecesse.
Um habitação caiada, livre de mofo, onde a brisa fresca circule. Com as mentes abertas à inovação, às ideias positivas. Precisamos urgentemente de inventar o amor, como dizia o poeta, se é que não o inventámos já, e aplicá-lo em coisas que interessem. Pensemos que todos os homens são iguais, que o racismo e a xenofobia não devem ter lugar no nosso seio.
As revoluções exigem mudanças. E aquela que aconteceu em 25 de Abril de 1974 e que encantou quem dela ouviu falar, pela forma pacífica como decorrera, veio realmente abalar o status quo que existia.*
O caso fortuito dos cravos que uma mulher, Celeste Caeiro, ofereceu aos militares e que foi seguida por outras e que se transformou num mar de flores vermelhas, veio dar um toque romântico a esse dia, com as espingardas transformadas em floreiras. Um Símbolo que ficará para sempre.
Razão tem a nossa grande Graça Pires neste belo poema, que a seguir transcrevo, quando diz que o mundo ficou maravilhado e que parecia coisa inventada:
E aqui temos Georges Moustaki que, com esta versão do Fado Tropical, de Chico Buarque, quis homenagear esta festa e vem corroborar a excelência desse dia.
Georges Moustaki
Portugal
***
FELIZ
Dia da Liberdade
ABRAÇOS
Olinda
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Poemas:
- In: O nome das Coisas, 1977 (BN) (Sophia Andresesn)
- Graça Pires - "Era madrugada em Lisboa - Um dia com muitos dias dentro" - Livro lançado recentemente. pg 30
*a reacção do regime: registaram-se quatro civis mortos e quarenta e cinco feridos em Lisboa, atingidos pelas balas da DGS.(Polícia do Estado que substituiu a PIDE)
Aleluiapor termos chegado ao dia de hoje, com relativa saúde, com os nossos familiares por perto ou mesmo longe, mas em contacto. Tomara que todos possamos beneficiar do necessário para viver e de dar graças à vida por aquilo que temos.
Mas sabemos que nem sempre é assim.
O tema desta canção, originalmente da autoria de Leonard Cohen, já conheceu variadíssimas versões. Nesta, que Il Divo interpreta, as palavras vêm ao encontro daquilo que desejamos a nós próprios e aos nossos semelhantes:
que o soldado regresse a casa, que o menino doente encontre a cura, que alguém com fome consiga alimento, que a guerra acabe, que a paz volte, e todas as coisas boas que fazem a vida digna de ser vivida.
E dizendo isto, preconizamos um amor universal, com o desejo imenso de que traga a todo o ser humano motivos para ser feliz.
Concorreram com os seus poemas, nesta "Quinzena do amor" de 2024, os seguintes poetas:
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014 e tem uma biblioteca com o seu nome em Loulé. aqui
Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas. Não quero possuir a terra mas ser um com ela. Não quero possuir nem dominar porque quero ser: esta é a necessidade. Com veemência e fúria defendo a fidelidade ao estar terrestre. O mundo do ter perturba e paralisa e desvia em seus circuitos o estar, o viver, o ser. Dai-me a claridade daquilo que é exactamente o necessário. Dai-me a limpeza de que não haja lucro. Que a vida seja limpa de todo o luxo e de todo o lixo. Chegou o tempo da nova aliança com a vida.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos A paz sem vencedor e sem vencidos Que o tempo que nos deste seja um novo Recomeço de esperança e de justiça Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência Para podermos ler melhor a vida Para entendermos vosso mandamento Para que venha a nós o vosso reino Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos Dai-nos a paz que nasce da verdade Dai-nos a paz que nasce da justiça Dai-nos a paz chamada liberdade Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
"A poesia de 'Sophia de Mello Breyner Andresen é (…) uma das vozes mais nobres da poesia portuguesa do nosso tempo. Entendamos, por sob a música dos seus versos, um apelo generoso, uma comunhão humana, um calor de vida, uma franqueza rude no amor, um clamor irredutível de liberdade – aos quais, como o poeta ensina, devemos erguer-nos sem compromissos nem vacilações." (Jorge de Sena, "Alguns Poetas de 1938" inColóquio: Revista de Artes e Letras, nº 1, Janeiro de 1959)
Será esse o desenho de que fala Sophia? O que sei dizer é que com este poema homenageia a grande artista Graça Morais, a artista rural.
As origens e as tradições populares de uma artista nascida numa aldeia do distrito de Bragança, em Trás-os-Montes, e que viveu parte da sua infância (entre 1957 e 1958), em Moçambique, tornam-se a fonte de inspiração e temática privilegiada que, ao longo de mais 5 décadas, anima e acompanha o seu percurso artístico. Através da representação das gentes, sobretudo mulheres, das paisagens áridas e rurais, dos animais selvagens e domésticos, da flora autóctone, a artista explora nas suas obras cores quentes, texturas intensas e traços marcantes, que figuram uma visão muito própria do mundo que a sensibiliza. Veja mais aqui E pesquise sobre a sua obra aqui, por exemplo.
Transfere a arte do Paleolítico para a sua pintura
Graça Morais conclui, em 1971, o curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Entre 1976 e 1979 foi bolseira em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1984 representou Portugal na XVII Bienal de São Paulo, Brasil. Em 1997 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. O Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CACGM) foi inaugurado em 2008 em Bragança. Em 2019 a Ministra da Cultura Graça Fonseca entregou-lhe a Medalha de Mérito Cultural em nome do Governo Português.
Madredeus
Grupo musical de excelência
E a voz de Teresa Salgueiro, incomparável!
Hoje, dia 6, data do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen, faço aqui o encontro destas duas grandes Mulheres.
Pintura de Graça Morais
Guerra, Verão de 2008
Capa da Revista Seara Nova
Edição Primavera 2020
Nº 1750
Nota: Quanto a esta obra ver, p.f., o comentário de Manuel Veiga.
Este poema, erradamente atribuído a Sophia de Mello Breyner Anderson, é antes de mais uma homenagem que a autora, ACCB, lhe dedicou em 2009.
É lindíssimo e com ele envio os meus votos de Felicidades a
Todas as Mães.
Grande abraço.
Olinda
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Veja:
aqui, no blogue Cleopatra Moon, a autora do poema acima transcrito, que assina ACCB, e é a juiza desembargadora do Tribunal da Relação de Lisboa, Adelina Barradas de Oliveira.
aqui, artigo do Público que fala da referida autora e das circunstâncias em que o poema foi escrito.
Mas o negro sacudiu a cabeça e recuou um passo. Vendo-o retrair-se o português, para voltar a estabelecer a confiança, começou a cantar e a dançar. O outro, com grandes saltos, cantos e risos, seguiu o seu exemplo. Em frente um do outro bailaram algum tempo. Mas no ardor do baile e da mímica Pero Dias, ergueu no ar a sua espada, que faiscou ao sol. O brilho assustou o nativo, que deu um pulo para trás e estremeceu. Pero fez um gesto para o sossegar. Mas o outro começou a fugir, e o navegador precipitou-se no seu encalce e agarrou-o por um braço. Vendo-se preso, o negro principiou a debater-se, primeiro com susto, depois com fúria. Com gritos roucos e sílabas guturais respondia às palavras e aos gestos que o tentavam apaziguar. Ao longe, no mar, os companheiros de Pero Dias avistaram a luta e principiaram a remar para a praia.
O negro viu-os aproximarem-se, julgou-se cercado e perdido e apontou a sua lança. Pero Dias com a espada tentou aparar o golpe mas ambos caíram trespassados. Os portugueses saltaram do batel e correram para os corpos estendidos. Do peito do negro e do branco corriam dois fios de sangue.
Olhem - disse um moço -, o sangue deles é exactamente da mesma cor.
De bordo veio o capitão com mais gente e todos durante uma hora choraram o triste combate. *
SOPHIA, também contista, autora de livros infantis...
Mãe, de que cor é o sangue deles? - perguntou-me a pequenina, curiosa nos seus quatro aninhos, apontando para dois jovens negros, entregues à conversa, no seu idioma natal. Estávamos completamente comprimidas na parte da frente do autocarro, de tão cheio, e, para a proteger dos apertos das pessoas que iam entrando tinha-a colocado na parte destinada aos volumes, que estava livre (não sei se os autocarros, actualmente, ainda têm essa parte). Procurando não elevar a voz respondi-lhe: É como o de toda a gente. Ela, para ter a certeza: Vermelho?
Dela herdei "O Cavaleiro da Dinamarca", cuja leitura lhe fora indicada na escola. Hoje** peguei nele e abri-o precisamente na página que acabo de transcrever, donde sobressai a importância dos usos e costumes para cada um de nós, do nosso espaço vital, da realidade nossa e a do outro, independentemente do nosso aspecto exterior. Também relevante o facto de que nem tudo poderá ser percebido correctamente se não dominarmos a mesma língua ou linguagem e, mesmo tendo essa raiz, o que dizemos poderá não chegar ao nosso interlocutor com a clareza desejada.
Daí que, seja em que contexto for, a palavra bem falada, bem escrita, bem explicada, bem transmitida, é fundamental. Há que distinguir dessa abordagem clean a linguagem poética, a qual convoca universos diferentes dos do nosso quotidiano. E ainda que nos transmita realidades com as quais nos identificamos, ela encontra-se num nível em que são permitidas figuras de estilo e estas poderão conduzir-nos a uma interpretação mais de conformidade com as nossas próprias vivências. E os gestos? Temos um ditado que diz: O gesto é tudo! Mas nem sempre. Vimos a sua trágica insuficiência bem representada no texto acima...
Por outro lado, há o gesto em sentido figurado, estilizado, o de boa vontade, o de boa-fé, que poderá desimpedir um mundo imenso de desconfianças e mal-entendidos, tanto socialmente como no complicado mundo da política, sem esquecer a diplomacia. Um bom diplomata pode evitar uma guerra. Importância nem sempre conhecida ou reconhecida.
Voltaremos aos gestos e a outras línguas e linguagens, numa dinâmica surpreendente, mas que são do conhecimento de todos nós.
Brevemente.
Eugénio Tavares, Sãozinha Fonseca,
a Ilha da Brava
Boa quinta-feira, meus amigos.
Abraço
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** Há três dias.
*Excerto:
Sophia de Mello Breyner Andresen
in: O Cavaleiro da Dinamarca - páginas 55/56
Obra incluída no Plano Nacional de Leitura
Sinopse
No regresso de uma longa peregrinação à Palestina, o Cavaleiro tem apenas um desejo: voltar a casa a tempo de celebrar o Natal com a sua família. Nessa viagem, maravilha-se com as cidades de Veneza e Florença, e ouve histórias espantosas sobre pintores, poetas e navegadores. São muitas as dificuldades com que se depara, mas uma força inabalável parece ajudá-lo a passar essa noite tão especial com aqueles que mais ama…