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segunda-feira, 20 de julho de 2026

CPLP - 30 ANOS



A 17 de Julho de 1996 foi criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com o objectivo de promover a amizade mútua e a cooperação entre os seus membros.

Esta Organização foi composta, primeiramente, por sete países, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Após conquistar a independência, em 2002, Timor Leste também passou a fazer parte da comunidade.

Em 2014 a Guiné Equatorial tornou-se o nono membro da comunidade, com muita polémica à mistura, não só porque não tinha a Língua Portuguesa como língua oficial, embora a tenha feito ascender a essa categoria em 2007. Além disso teria de abolir a pena de morte.

Em 2004 os Estados-Membros concordaram em aceitar observadores associados e ao longo destes trinta anos isso tem acontecido, contando presentemente com trinta observadores distribuídos pela Europa, Continente americano, África, Ásia, Oceania e dois transcontinentais (entre o continente europeu e asiático). 

Mais dez países já manifestaram o interesse em aderir à CPLP como membros observadores. Duas organizações internacionais também solicitaram o estatuto de observadores associados: Secretaria-Geral Ibero-Americana e a Conferência de Haia de Direito Internacional Privado.

O Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é o cargo que rege administrativamente a Comunidade e tem as funções de estudar, escolher e implementar planos políticos para a organização. Está sediado em Lisboa e tem o mandato de dois anos. Em julho de 2025, tomou posse a embaixadora angolana Maria de Fátima Jardim.

A CPLP instituiu o dia 5 de Maio como o Dia da Cultura Lusófona.


***


Boa semana, meus amigos.

Abraços.

Olinda





TIMOR

LUÍS REPRESAS
(1956-2026)

 

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Veja s.f.f. aqui 

CPLP - aqui

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lídia Jorge - Prémio Camões 2026




 A Literatura para mim é um caminho pessoal, não é uma carreira

Palavras de Lídia Jorge laureada com o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra, contribuindo para o património literário e cívico-cultural da Língua Portuguesa.

Dedicou este prémio a todas as mulheres que a antecederam e que receberam o mesmo Prémio.

Antes de Lídia Jorge, por nove vezes o Prémio Camões foi atribuído a uma mulher. Rachel de Queiroz (1993), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Maria Velho da Costa (2002), Augustina Bessa-Luís (2004), Lygia Fagundes Telles (2005), Hélia Correia (2015), Paula Chiziane (2021), Adélia Prado (2024) e Ana Paula Tavares (2025). Nos últimos três anos foram três escritoras a receber o prémio.

Também dedicou o Prémio aos Professores portugueses que ensinam a Língua Portuguesa em todo o mundo.



Lídia Jorge é autora de romances, contos, ensaios, poesia e crónica, alguns já lidos por mim. Mas deixo aqui este poema que versa sobre um tema que adoro: a Chuva. 

Cai a Chuva no Portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.

(inédito)


Abraços meus amigos.
Olinda


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O Prémio Camões foi atribuído no dia 2/7/2026.

Prémio Camões - aqui

Poema trazido do Citador

quarta-feira, 10 de junho de 2026

"Dia da Raça"

 


Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,

Que o fraco poder vosso não pesais;

Vós, que, à custa de vossas próprias mortes,

A Lei da vida eterna dilatais:

Assi do Céu deitadas são as sortes

Que vós, por muito poucos que sejais,

Muito façais na santa Cristandade,

Que tanto, ó Cristo, exaltais a humildade!

Luís Vaz de Camões

"Os Lusíadas", Canto sétimo, Canto 3


Luís Vaz de Camões (Lisboa?, c.1524 – Lisboa, 10 de junho de 1579 ou 1580) foi um poeta e soldado português, considerado o poeta nacional de Portugal, o maior representante do renascimento português, o escritor mais importante da língua portuguesa e um dos grandes expoentes da literatura ocidental, famoso por sua epopeia Os Lusíadas (1572) e por seus sonetos (editados, postumamente, com outros poemas líricos do autor nas Rimas, em 1595). 

aqui

Na prisão Goa, 
por anónimo em 1556


Baptizado como o Dia da Raça pelo Estado Novo, por motivos óbvios. Não há certezas sobre a vida de Camões, andou por montes e vales, enfrentou diversas adversidades, queixando-se de à sua obra não ser dada a devida importância.

Neste ano as Comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades fazem-se nos Açores, Ilha Terceira, enquanto o mundo se encontra mergulhado, na actualidade, em grande confusão.

Bom feriado, amigos.

Abraços.

Olinda 

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aqui - A biografia de Camões...

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Feira do Livro de Lisboa



Abriu já a Feira do Livro em Lisboa, no Parque Eduardo VII, local de encontro de amigos, com escritores que deixam autógrafos, de passeio para pais e filhos, e com muitas actividades e muitos livros, como é natural.




Neste ano temos um grupo de escritores brasileiros que integra o projeto Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa iniciativa que busca reafirmar a literatura como elo entre nações e destacar o papel de projetos independentes na construção de um mercado editorial mais integrado entre os países lusófonos.

“Queremos ampliar a presença da literatura brasileira no exterior, criar intercâmbio entre escritores, editoras, universidades, bibliotecas e instituições culturais, além de defender a livre circulação do livro em língua portuguesa”, afirma Tagore Alegria, filho do idealizador do projeto, Victor Alegria. aqui


A Feira do Livro de Lisboa decorre de 27 de Maio a 14 de Junho de 2026.

Boas leituras, amigos.

Abraço
Olinda
.

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Imagens retiradas da Net

terça-feira, 5 de maio de 2026

Se eu pudesse trincar a terra toda






Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...



Planeta Terra ou terra terra? Sempre me intrigou a interpretação deste Poema de Alberto Caeiro. Sendo um heterónimo criado por Fernando Pessoa, com as características próprias de Guardador de Rebanhos deduzo que seja terra terra. Mas nem sempre pensei assim...tendia mais a ver a Terra na sua globalidade.

Contudo, lá volto eu aos pensamentos antigos e hoje Dia Mundial da Língua Portuguesa, publico de novo este poema do nosso homem das sensações.

No Brasil, muito antes deste dia ser estabelecido para todos os países lusófonos, já o Dia Nacional da Língua Portuguesa vigorava desde 5 de Novembro de 2006.  Não nos esqueçamos que a maior parte dos falantes da Língua Portuguesa provém do Brasil.


***

Embora não seja feriado por cá, aproveitemos para fazer boas e proveitosas leituras.

Abraços
Olinda


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7-3-1914

“O Guardador de Rebanhos”. Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luís de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946.

  - 45.
In: Arquivo Pessoa
Publicado aqui no Xaile de Seda

terça-feira, 31 de março de 2026

"O escritor e a sua época"

 Em Angola há um Programa denominado "O Escritor e a sua Época ", abarcando o espaço temporal desde o século XIX, que visa promover o conhecimento da literatura angolana, incentivando o estudo das suas obras e também no sentido de valorizar a Língua Portuguesa.

O programa já vai na sua 20ª edição e desta vez, 27 de Março, foi homenageada Maria Eugénia Neto, escritora e jornalista luso-angolana, que escreve nos géneros literários:  poesia, prosa, encómio e literatura infantojuvenil.

Aproveito a oportunidade para transcrever este seu poema:



“Asas brancas dos confins do meu sonho”

Dos confins dos meu sonho
Eu estendo asas brancas
Sobre o ódio sobre a dor
Sobre a tristeza e o desespero

Dos confins dos meu sonho
Envio-te o elo da amizade
Que faz palpitar os homens justos
E os faça unir as mãos
E Construir já o porvir
E venham torrentes e vendavais
Plenos de vida e de energia
Mostrar como é puro o meu anseio

Eu estendo asas brancas
Sobre o desespero de querer ser audaz
E ser vencido pela timidez
Devendo avançar e não dar o passo
Fechando-se e metamorfoseando-se
Como crisálidas em casulos

Eu estendo asas brancas
Intercalando-as no caminho dinâmico da vontade
E sobre a impotência de não poder libertar-se
Dos que amarram os homens aos seus erros

Asas brancas dos confins do meu sonho
Para que a fraternidade seja uma conquista
E os homens verdadeiramente sejam homens

Eugénia Neto,
in “Foi esperança e foi certeza”, UEA 1976


1978 - A recepcionar o embaixador da Polónia e a 
embaixatriz Aleksandra


Não nos esqueçamos que Maria Eugénia Neto, mulher de Agostinho Neto, desempenhou um papel muito importante na luta anti-colonial. Ver aqui 


***


Abraços, meus amigos.

Olinda


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Programa “O escritor e a sua época” homenageia…

Poema : aqui

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Ana Paula Tavares - Prémio Camões 2025

 




"A massambala cresce a olhos nus"

Vieram muitos
à procura de pasto
traziam olhos rasos da poeira e da sede
e o gado perdido.

Vieram muitos
à promessa de pasto
de capim gordo
das tranqüilas águas do lago.
Vieram de mãos vazias
mas olhos de sede
e sandálias gastas
da procura de pasto.

Ficaram pouco tempo
mas todo o pasto se gastou na sede
enquanto a massambala crescia
a olhos nus.

Partiram com olhos rasos de pasto
limpos de poeira
levaram o gado gordo e as raparigas.


 O lago da lua - 1999



 



De alguns dos excelentes poemas de Ana Paula Tavares que já publiquei, optei por republicar "Vieram muitos" por me lembrar a luta do povo Kuvale do sul de Angola, povo esse registado por Ruy Duarte de Carvalho, em "Vou lá visitar pastores". Também Pepetela dedica algumas páginas no seu livro "Yaka", ao drama desse povo. 

Ana Paula Tavares, angolana, escritora, historiadora, cuja biografia consta já no Xaile de Seda, conta com uma obra de respeito e já tive oportunidade de falar sobre ela e, como disse acima, de publicar poemas seus. Portanto, não me surpreendeu que o júri do Prémio Camões lhe tivesse atribuído o mais alto galardão de literatura em língua portuguesa. 

Aproveito para deixar aqui mais um dos seus poemas, que muito aprecio:


MUKAI

(2)


O ventre semeado

desagua cada ano

os frutos tenros

das mãos

(é feitiço)

nasce a manteiga

a casa

o penteado

o gesto

acorda a alma

a voz

olha para dentro

do silêncio milenar.

Ana Paula Tavares

(O lago da lua)




Welwitschia - Deserto do Namibe





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Ana Paula Tavares - aqui, no Xaile de Seda.

Buala: Três olhares sobre a etnia kuvale

AMOR

 




o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

José Luís Peixoto
in "A Casa, A Escuridão"



José Luís Marques Peixoto ( 04/09/1974) é um escritor, dramaturgo e poeta português,
cuja primeira obra foi publicada em 2000. Com apenas 27 anos, José Luís Peixoto foi o mais jovem vencedor de sempre do Prémio Literário José Saramago. Desde esse reconhecimento, a sua obra tem recebido amplo destaque nacional e internacional. Os seus livros estão traduzidos e publicados em 26 idiomas. Foi o primeiro autor de língua portuguesa a ser traduzido e publicado na Arménia (Morreste-me, 2019), na Geórgia (Galveias, 2017) e na Mongólia (A Mãe que Chovia, 2016).aqui




Julio Iglesias
Amor, Amor






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Poema: citador
imagem: pixabay

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

AQUI






Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não por aquilo que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen, 
in 'Dia do Mar'



Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. Ler mais






Boa sexta-feira, meus amigos.
Abraços
Olinda



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Poema - citador
Veja esta autora, aqui, no Xaile de Seda

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Mar de Canal




Este é o mar que temos de atravessar que, em dias de vento, se enche de carneiros, como diz o povo, com grandes e alterosas vagas. Nos dias de calmaria parece um lago imenso, nem uma aragem consegue empurrar os veleiros que se aventuram a calcorreá-lo

Isso era noutros tempos, na verdade. A corrente levava-os até não se sabe onde, por dias, a não ser que o vento resolvesse reaparecer. 

Na actualidade, já há navios que fazem a travessia, com música a passar, salas com bons assentos para os passageiros, saquinhos para quem se sinta mal-disposto, funcionários a dar assistência a quem se sinta menos bem...

Nesse clima de bonança, bem tento sair para o convés para contemplar a força da natureza que se apresenta aos nossos olhos. Mas debalde. Lembro-me do tempo em que isso nem me passaria pela cabeça. 

Realmente, de volta ao ano lectivo, de borco, quase me desfazendo no meio das maiores agruras, com a água a passar de um lado para o outro, em grandes castelos a abater sobre mim, mon Dieu!, lembra-me Vitorino Nemésio com o seu mau tempo no canal, ressalvando, bem entendido, a trama e toda a envolvência dessa grande obra.



Cesária Évora
-Mar de Canal-


Nota: Hoje, Dia da Língua Portuguesa.

Floreça, fale, cante, ouça-se e viva
A Portuguesa língua, e já onde for
Senhora vá de si soberba, e altiva.

Ver, aqui, no Xaile de Seda


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foto minha

domingo, 30 de março de 2025

Bicentenário de Camilo Castelo Branco

Descera o académico ao pátio, depois de abraçar a mãe e irmãs, e beijar a mão do pai, que para esta hora reservara uma admoestação severa, a ponto de lhe asseverar que de todo o abandonaria se ele caísse em novas extravagâncias. Quando metia o pé no estribo, viu a seu lado uma velha mendiga, estendendo‑lhe a mão aberta, como quem pede esmola, e, na palma da mão, um pequeno papel. Sobressaltou‑se o moço; e, a poucos passos distante de sua casa, leu estas linhas: 

 "Meu pai diz que me vai encerrar num convento, por tua causa. Sofrerei tudo por amor de ti. Não me esqueças tu, e achar‑me‑ás no convento, ou no céu, sempre tua do coração, e sempre leal. Parte para Coimbra. Lá irão dar as minhas cartas; e na primeira te direi em que nome hás de responder à tua pobre Teresa."

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, pg.30


Em 1850

Este é o romance considerado mais importante da obra de Camilo. Ultraromântico, prevendo-se desde já o seu desfecho em morte. Realmente, no fim morre Simão, Teresa e Mariana, menina apaixonada por Simão.

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825–1890) foi um escritor, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor português. Foi o 1.º Visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís. É um dos escritores mais populares, proeminentes e prolíferos da literatura portuguesa, especialmente do século XIX.

Tido como o primeiro autor de língua portuguesa a viver exclusivamente da escrita, escrevia com frenesim, deixando uma obra com muitos títulos, além de colaborações em diversas publicações periódicas. Embora tendo de obedecer aos ditames da moda, consegue manter uma forma de escrever original, como consta da sua biografia.

Camilo seduz e rapta Ana Plácido. Depois de algum tempo a monte, são capturados e julgados pelas autoridades. Naquela época, o caso emocionou a opinião pública, pelo seu conteúdo tipicamente romântico de amor contrariado, à revelia das convenções e imposições sociais.

Irrequieto e irreverente vive a vida com intensidade. Cegou e não podendo continuar a ler e a escrever decide o momento da sua morte.

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AMOR DE PERDIÇÃO - aqui em PDF - Imprensa Nacional

 200 anos depois quem é Camilo Castelo Branco aqui

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Contraste








A minha alma trema em tuas mãos
debruçada na varanda desta tarde

Silêncio da cor em teus contornos
o adeus do mar dentro de mim

Para além do ilhéu dos pássaros da ilha
o sol morre aos poucos devagar

A minha alma treme em tuas mãos
debruçada na varanda desta tarde

Vejo os barcos ao longe na baía
as lanchas negras dos trabalhadores
a torre da capitania ao lusco-fusco

Lentamente uma a uma na cidade
vão acendendo as luzes da cidade

Na fábrica de bolacha do Matos
na padaria do Jonas depois

Só no cemitério ao lado é tudo escuro...

Branqueiam ainda as campas dos mortos
e os nomes vou ler à hora do sol
mas agora fazem medo à minha infância

Em casa dos meus vizinhos perto
nh´ugénia de Sena e nhã Nê Grande
acenderam os candeeiros de petróleo

(Cambambe, 1969)




Yolanda Morazzo (São Vicente16 de dezembro de 1927 - Lisboa27 de janeiro de 2009) foi uma escritora e poetisa Caboverdiana de língua portuguesa. 
Ver mais aqui






MAR AZUL
Cesária Évora e Marisa Monte


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Imagem:pixabay
Poema: daqui

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

"Mãos que falam"





Poucas vezes nos lembramos que a Língua Gestual é uma das três línguas oficiais portuguesas, a par com o Mirandês e o Português.

Efectivamente: 

A 15 de Novembro de 1997 a Língua Gestual Portuguesa (LGP) foi reconhecida enquanto língua da comunidade surda portuguesa pela Constituição da República (Artigo 74, n.º 2, alínea h).

Foi também no dia 15 de Novembro de 1995 que foi criada a Comissão para o reconhecimento e proteção da Língua Gestual Portuguesa e a defesa dos direitos das pessoas surdas.

Não é uma Língua universal porquanto cada país tem os seus códigos. No entanto, no século XIX D.João VI chamou a Portugal o sueco Pär Aron Borg que tinha fundado no seu país um instituto para educação de surdos e logo em 1823 foi criada a primeira escola portuguesa com essa valência. Assim, embora os vocabulários das línguas gestuais portuguesa e sueca sejam diferentes, o alfabeto tem uma origem comum.

É usada por cerca de 30000 surdos bem como pela comunidade envolvente formada por familiares e técnicos da área.

Aprendamos, também, um pouco:



Gestinhos - 
Aprendo Língua Gestual Portuguesa



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Leia:
aqui mãos que falam (artigo de 2023)
aqui Língua Gestual Portuguesa

Língua gestual

terça-feira, 2 de julho de 2024

Adélia Prado - Vencedora do Prémio Camões 2024

 


Adélia Prado, poetisa de nacionalidade brasileira é a vencedora do Prémio Camões, de 2024, o mais alto galardão da Língua Portuguesa.

Em sua homenagem transcrevo um dos seus poemas:

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


Adélia Prado



Adélia Luzia Prado de Freitas (Divinópolis13 de dezembro de 1935) é uma poetisaprofessorafilósofa, romancista e contista, ligada ao Modernismo. Considerada a maior poetisa viva do Brasil.

Sua obra retrata o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único. Em 1976, enviou o manuscrito de Bagagem para Affonso Romano de Sant'Anna, que assinava uma coluna de crítica literária no Jornal do Brasil. Admirado, acabou por repassar os manuscritos a Carlos Drummond de Andrade, que incentivou a publicação do livro pela Editora Imago em artigo do mesmo periódico.

Ver mais aqui





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Poema - daqui


domingo, 5 de maio de 2024

MÃE




Em Tudo o que Fiz Bem Pus um Pouco de Ti


Eis o teu rosto iluminado por esta hora de maio.
Ao filho autêntico, basta fechar os olhos para encontrar o rosto da sua mãe.
A fronteira que separa o dentro do fora é vaga de propósito, mais exata é a fronteira dos meses.

Mãe, as tardes de maio não são um acaso.
Pus um pouco de ti naquilo que fiz de mais importante.
Onde existir terra estás tu, dás força e horizonte.

O ar não permitiria respiração se não te contivesse.
A água não seria capaz de alimentar sem a tua presença líquida.
O fogo não chegaria a acender se não incluísse o teu mistério no seu mistério.
Estavas já no primeiro início do firmamento, nesse rugido que encheu a superfície do céu e da terra, que rasgou as trevas; da mesma maneira, estarás no seu último fim.

Estás antes e depois.
Estás na lenta passagem da eternidade.
Mãe, atravessas a vida e a morte como a verdade atravessa o tempo, como os nomes atravessam aquilo que nomeiam.
Sabes que criei tudo o que há e sabes também que não criei tudo o que poderia haver.

Entre as faltas evidentes, estão palavras capazes de dizer a tua beleza.
Indistintas do silêncio, essas palavras esperam por um tempo que não chegará e, assim, fazem com que a tua beleza seja impossível.
Essa é a natureza do divino, existe e é impossível.

Mãe, a falta de palavras para dizer a tua beleza não é um acaso.
A tua beleza não quer ser dita, prefere ser contemplada.
Os olhos não têm a ambição de possuir.

A tua beleza é a tua liberdade.
Por isso, mãe, por amor e respeito, pus um pouco de ti em tudo o que fiz.
Não se pode olhar para qualquer ponto desta obra sem te ver.
Mãe, este instante não é um acaso.
Em tudo o que fiz bem pus um pouco de ti.

José Luís Peixoto, 
in 'Em Teu Ventre'


Antigamente o Dia da Mãe festejava-se no dia 8 de Dezembro, um feriado da Igreja Católica. Depois foi definido como sendo o primeiro domingo do mês de Maio. Mas não nos incomoda pois não é preciso um dia específico para se falar da nossa Mãe, não é verdade? Ou das Mães em geral. Aproveitemo-lo mesmo assim...

Como vêem, trago para assinalá-lo as palavras de um lindo texto de 
José Luís Peixoto, escritor que admiro.

Além disso, também se comemora hoje o 
Dia Mundial da Língua Portuguesa,
data criada pela CPLP. 



D.A.M.A.


 MÃE



Desejo a Todas as Mães um dia Feliz.

Grande abraço
Olinda


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Poema: Citador

sexta-feira, 1 de março de 2024

Vive o Dia de Hoje!

Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro.

Vergílio Ferreira, in "Escrever"






Grata pela vossa companhia nesses dias de reflexão, privilegiando alguns temas que captaram a atenção de grandes autores de Língua Portuguesa

Dia bom, meus amigos.

Abraços
Olinda



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Citador
imagem:pixabay

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Para ti criarei um dia puro


Escuta a linguagem da vida na sua profundeza e em
cada uma sentirás na diferença, a sua beleza.






Terror de te Amar


Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição

Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa.


Que nenhuma estrela queime o teu perfil

Que nenhum deus se lembre do teu nome

Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti eu criarei um dia puro

Livre como o vento e repetido

Como o florir das ondas ordenadas.


in “Obra Poética”


***



O mundo, um sítio frágil, 

"Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa"
 
Urgente a criação de um 
Dia Puro




Mariza
Melhor de Mim




Nota: O título do post foi retirado de um dos versos do Poema.



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Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014 e tem uma biblioteca com o seu nome em Loulé. aqui