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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

E ela que não vem ...




Hummm... 

O velho homem perscruta o horizonte. O Sol caminha para o ocaso, já com raios difusos a tingirem-se de cores de fogo. Mais um pouco e mergulharia atrás das rochas. O céu nessa parte tomaria então cores de malva, rosa, lilás, numa profusão de encantamento. Mas esses milagres não descerrariam o cenho ao velho homem. A sua procura era outra.

Cheirava o ar. Tomava a direcção do vento. Observava o voo dos pássaros. Em cada manifestação tentava adivinhar se a brisa vinha de norte ou de sul, dando a isso a respectiva significação. 

Beem... 

Cruzando as mãos atrás das costas encaminha-se pensativo para a beira-mar. Senta-se no antigo cais que vai mar adentro, mar inchado de vento, mostrando em toda a sua extensão várias cristas brancas. No céu começam a amontoar-se belas nuvens cinzentas, talvez prenhes de água. Mas a desconfiança toma conta do seu coração. Para quê apresentarem-se assim se o danado do vento as tomaria para si, levando-as para longe? 

No lusco-fusco, hora mágica, pensamentos de bonança invadem a sua cabeça cansada de várias estiagens. A noite vai caindo e deixa-se estar. Despontam estrelas e consegue já ver a lua. Lua cheia. Afogada em água. Mas há um circulo alaranjado à volta dela que o preocupa. Talvez não seja nada. A Via Láctea está de feição. 

As ondas embalam-no na sua cadência. Deixa descair os ombros e concentra-se nos anos da sua juventude nessa espera tantas vezes infrutífera. Quanto tempo teria ficado assim? De repente, sente uma carícia nesses mesmos ombros extenuados. Depois outra e outra e outra. Muitas. Frescas e cantantes. 

Abre os olhos. Levanta-se. 

Ei-la, bela e majestosa!!!

Num amplo abraço abarca o mundo.

E ri, ri, ri.






Boa quinta-feira, amigos.

Abraços

Olinda

terça-feira, 3 de abril de 2018

Água - esse bem precioso






Ouvi nas notícias que já saímos da situação de seca. Temos água nas barragens a um muito bom nível. O meu contentamento é enorme. Mas, continuemos a poupá-la. Ponhamos os olhos mais longe, sempre preparados para adoptar outras formas de nos dessedentarmos a nós próprios, aos outros animais e às plantas se a chuva não vier, em devido tempo.

Não fiquemos à sombra da bananeira, como diria uma amiga minha, já esquecidos da nossa aflição de há pouco tempo. Lembremo-nos da fábula da formiga e da cigarra.

Boa semana.

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P.S.

Não consigo aceder à moderação de comentários. Assim, havendo comentários, não os consigo publicar. Espero resolver o problema em breve.

Abraço.

Problema resolvido :)

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Imagem: Pixabay

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

As cinzas - pensar nelas é preciso

O facto de não ter chovido é bom. É bom??? Admirar-se-á, e com razão, quem tenha a gentileza de me ler. Mas eu explico-me. Depois dos incêndios devastadores de vidas humanas e das nossas florestas, este compasso de espera da mãe-natureza poderá significar uma oportunidade para reparar e reconstruir as casas destruídas e tudo o mais que está à vista de todos. Nas nossas preocupações tem de estar, antes de tudo, o acarinhamento das pessoas que perderam os seus filhos e outros familiares e tudo o que tinham e que por isso mesmo se vêem perdidas na vida.



Por outro lado, há também toda uma envolvência ambiental que merece atenção. Não chove, o que é muito mau. Contudo, sabemos que as alterações climáticas criam situações de grande desequilíbrio e, por isso, tanto dá para não chover como para chover demasiado, com chuvas que poderão ser torrenciais. Aqui coloca-se o problema das cinzas decorrentes dos incêndios. Com a chuva, elas resvalam e vão alterar a qualidade da água nas barragens o que afectará a vida de todos nós. Diz quem sabe que há soluções técnicas para enfrentar o problema das cinzas resultantes dos incêndios, mas "dá trabalho" e exige que todos os vizinhos também o façam. Segundo a mesma fonte, a água corre porque tem um declive direito, mas se se fizerem valas isso já não acontece, vai-se infiltrando no terreno.

Há muita coisa em que pensar e outras tantas para fazer, reconheço. Mas isto de que estamos a falar, as cinzas, é assunto a que urge atender porque poderá transformar-se numa daquelas situações incontroláveis se não for acautelado a tempo e horas. Não esperemos pelas ansiadas chuvas para o fazer.

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Recebi este comentário da Ruthia, d'O Berço do Mundo, que espelha a nossa realidade nua e crua:



Suponho que a reconstrução de muitas casas se vá prolongar por muitos meses, pelo que não se pode esperar que seja tudo concluído antes da "época das chuvas" se é que ainda se pode falar de uma época dessas, com o descontrolo climático que o mundo atravessa.
Por outro lado, a falta de água atrasa o trabalho de reflorestação, porque muitas das árvores vão secar sem água e regá-las a todas torna-se impossível no cenário de seca que vivemos.
Em resumo, com e sem chuva, o cenário não é animador...
Abraço
Ruthia d'O Berço do Mundo

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Posts recentes, no Xaile, relacionados com a chuva e com a seca:

Gota a gota
Ler nas estrelas
Isto é Verão ou quê?


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Ver:
Ambientalista Eugénio Sequeira:
Especialista alerta para "grande problema" das cinzas quando chover
DN


sábado, 11 de novembro de 2017

Gota a gota

O "São Martinho" já não é o que era. Aquele suspense que se vivia nos dias antecedentes já bastante chuvosos, já frios, com o cheiro a castanhas assadas, à espera do dia 11, cheio de Sol, não aconteceu este ano. O Verão, um Verão castigador, prolongou-se indefinidamente. E hoje comemos castanhas, sim, mas há qualquer coisa que falta.



A situação de seca extrema em alguns pontos do nosso país abala-nos e adivinhamos tempos bastante problemáticos, tanto para a agricultura como para o gado. A própria água para consumo já falta nas torneiras. Urge que tenhamos bem presente que é preciso poupar água, utilizando-a de forma racional. Para poupar água, já o tenho referido e toda a gente o sabe, há que começar a fazê-lo nas nossas casas, nos nossos quintais, nas pequenas propriedades de cultivo que circundem as nossas casas.



Não há dúvida que as alterações climáticas é um problema que temos de levar muito a sério. Nós os leigos não sabemos muito bem o que pode acontecer, mas deu para perceber que nada de bom virá dali. E de nada vale ficarmos à espera que os cataclismos aconteçam para depois tomarmos medidas. Enquanto as crises e as emergências não nos assoberbem, aproveitemos para pensar nas coisas e encontrar soluções. É sempre bom dizê-lo, repeti-lo e convencermo-nos disso.



Pensemos. Pensemos todos na melhor maneira de ir minorando esse grande problema. Ponhamos questões, conversemos uns com os outros. Não chovendo, ou não chovendo o suficiente, o que fazer? Será que a adopção de sistemas de rega gota-a-gota poderia ajudar, pelo menos, a produzir aquele mínimo necessário, quase uma agricultura de subsistência? Claro que o ideal será produzir em grande escala. Talvez mesmo para isso a ideia não seja descabida porque já experimentada. Mas, deixo isso para as grandes cabeças, capazes de vislumbrar grandes soluções. 



Já pude verificar in loco que o sistema de rega gota-a-gota dá resultados excelentes. Com a água direccionada para as raízes das plantas ela é toda aproveitada. Há quem refira que uma das desvantagens de tal sistema é que a  sua instalação é dispendiosa. Será. Mas, para grandes males, grandes remédios e aí as ajudas institucionais seriam bem-vindas.   

Desejo-vos um dia de São Martinho agradável.

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Comentário da amiga Odete Ferreira, um grande contributo para o tema deste post:


Muito importante esta postagem...
Sou, por natureza, uma poupadora dos recursos naturais e, com assertividade, vou captando adeptas; a senhora que me ajuda nas tarefas caseiras já se rendeu; no princípio , já me disse, não me entendia. Quanto à água, nenhuma é desaproveitada:enquanto não chega a água quente, encho um garrafão; a das lavagens é reutilizada no WC; rega, é conta-a-gota, eliminei a relva, etc. Um vez, num programa de rádio local, onde era comentadora residente, dei conta destas coisas; um dos colegas de programa, riu-se. Gostava de saber o que ele diria no caso desta seca extrema que a todos nos aflige. Incidi na questão da água, mas há muitos outros procedimentos de são gestos naturais em mim.

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Sistema de rega gota-a-gota

Imagem 1 - daqui
Imagem 2 - daqui
Imagem 3 - daqui
Imagem4 - daqui

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Esta poesia do calor amarela e seca



Esta poesia do calor amarela e seca
esta campina agreste a demarcar-me
os caminhos ásperos e mediterrânicos
de meu país de silvas e piteiras,
com o sol a pique sobre a poeira
das planuras desabrigadas

Paira na charneca taciturna
o silêncio de um grito por dar
e o húmus gretado pela impiedade solar
abre as entranhas à brisa
que em suas crinas arrasta
um verde som de frescura

os lábios da terras ressequidos
vão pedindo ao vento gotas de mar
neste comum queimar de terra
nada que salpique a poeira de pureza
um céu cujo azul o calor não deixa ver
e uma luz baça e sufocante
que nos enlouquece e nos faz delirar

Sinto a irreal carícia das searas ondulando
e um intenso cheiro a campo
deserta meu sentimento
Por entre o rumor das cigarras
o compasso desta hora em constante despedida

In:Pátria prometida - excerto pg.16



E já chove. Pelo menos, choveu ontem à noite aqui na minha aldeia. Que ela, a chuva, continue a cair mansa e benfazeja. Que a natureza nos tome ao seu cuidado e faça a gestão do mar de cinzas que grassa pelo nosso país.

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Poema: daqui
Imagem: Pixabay

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ler nas estrelas

E a chuva que não vinha. Todos os anos era aquele sufoco. Ele espreitava todos os sinais, sopesava-os e ia dizendo da sua justiça. À noite espreitava o céu. Huuumm...a lua com aquele halo amarelo não dizia nada de bom, mas a estrada de santiago prometia, leitosa, poderia ser um bom presságio. De dia via as nuvens a formarem-se prenhes de água, ai, mas os pássaros todos em revoada, prenúncio de vento que as levaria para longe. E assim era. Todas a despejarem-se no mar. Aquela leitura já a sabíamos de cor e, realmente, não falhava. Até nós olhávamos para a abóbada celeste com as mesmas  perguntas.

Chegava o dia em que a chuva, marota, depois de várias negaças lá resolvia visitar-nos. Não importava se era pouca ou muita, era sempre uma festa. Lavava a alma. Para já, o importante era que desse para as sementeiras. Tudo preparado naquela espera, toca de correr para os campos. E o milho medrava naquele chão de pousio durante tanto tempo, feliz por poder mostrar do que era capaz, com todos os seus elementos.

Agora o leitor das estrelas voltava a sua atenção para as plantinhas que, quase a medo, iam despontando. Ou o medo estaria no seu coração? Auscultava-lhes a cor, a resistência, o futuro. Se resistissem até à monda e a chuva voltasse em tempo devido tínhamos colheita garantida. E recomeçava o perscrutamento dos céus, o comportamento da lua, das constelações, do voo dos pássaros, do sol, quente e devastador.

Até que um dia, um belo dia, num ano qualquer, dava-se o milagre e completava-se o ciclo. Sementeira, monda, colheita, passando pelo ansiado dia de Santo André em que íamos comer milho verde assado, não sei se havia dispensa da escola ou como é que era mas o certo é que isso faz parte das minhas memórias. Na colheita, os homens e mulheres chamados para o efeito começavam logo de manhã e, pelo caminho, iam deixando algumas espigas para nós recolhermos.

E ajudávamos a descascar o precioso cereal à procura de uma espiga vermelha. E ouvíamos as histórias que eles contavam. E espreitávamos com afinco os bolos de milho, a mandioca, a batata doce que punham a assar na cinza quente.

O leitor das estrelas. O meu pai.

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Dedico este pequeno texto a quem por aqui por passar, com votos de dias de muita esperança.

Abraço.

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1ªImagem: Pixabay
2ª imagem:net

domingo, 15 de outubro de 2017

Isto é Verão ou quê?



Completamente virado do avesso o tempo prodigaliza-nos temperaturas que convidam ao chinelo no pé, à blusinha de alças, ao uso de calções, ao biquini, ao fato de banho, estendendo-nos na areia molhada, passando bronzeador, dando uns bons mergulhos, sozinhos ou com a família e amigos, com uma boa merenda, enfim a tudo a que teríamos direito num clima tropical.

Mas, não é esse o caso e para que tudo funcione por cá é fundamental que as quatro estações do ano sigam o seu ciclo e em cada época a natureza colabore connosco para que não nos falte o necessário. A verdade é que o destempero do nosso clima temperado já há muito se nota com a falta de chuva: o chão cada dia mais crestado, as culturas fenecendo, os animais quase sem água para beber. Há locais onde a água nas torneiras já não apareceria se a edilidade não a mandasse buscar, bombeando-a depois para os depósitos.

A juntar a isso o fim da tal "época de fogos" que já tinha sido decretado, levando ao encolhimento de recursos, afinal reacendeu e então quem de direito, desavisado, foi apanhado desprevenido como se não existisse tecnologia que ajude a fazer previsões* a fim de se tomarem as devidas providências a tempo e horas. Ou talvez não haja.

Preocupemo-nos, queridos concidadãos. Não basta aproveitar o bom tempo e dizer e desejar: para mim era praia o ano todo, este calorzinho vem mesmo a calhar, deu para descontrair, e etc. Temos de fazer alguma coisa. E como não possuímos poderes sobrenaturais e já não se vê muita fé na dança da chuva ou nas procissões há que poupar a água em nossas casas. Quem não souber como fazer da melhor forma pesquise na internet. Há muita informação sobre isso. 

Lembremo-nos que de toda a água que existe no nosso planeta a água doce tem uma percentagem pequeníssima. E da água potável então nem se fala: há regiões no globo que não a têm.

Foi só um desabafo.

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NOTA EM 16/10/2017

Incêndios:

.800 246 246 - Protecçao civil (número de emergência)

Fonte: Rádio Renascença


.A Segurança Social está a disponibilizar apoio de emergência às populações afectadas pelos incêndios em vários postos dos distritos de Viana do Castelo, Guarda e Coimbra (...)


Fonte: Público online

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*climáticas
Imagem: Pixabay