Hummm...
O velho homem perscruta o horizonte. O Sol caminha para o ocaso, já com raios difusos a tingirem-se de cores de fogo. Mais um pouco e mergulharia atrás das rochas. O céu nessa parte tomaria então cores de malva, rosa, lilás, numa profusão de encantamento. Mas esses milagres não descerrariam o cenho ao velho homem. A sua procura era outra.
Cheirava o ar. Tomava a direcção do vento. Observava o voo dos pássaros. Em cada manifestação tentava adivinhar se a brisa vinha de norte ou de sul, dando a isso a respectiva significação.
Beem...
Cruzando as mãos atrás das costas encaminha-se pensativo para a beira-mar. Senta-se no antigo cais que vai mar adentro, mar inchado de vento, mostrando em toda a sua extensão várias cristas brancas. No céu começam a amontoar-se belas nuvens cinzentas, talvez prenhes de água. Mas a desconfiança toma conta do seu coração. Para quê apresentarem-se assim se o danado do vento as tomaria para si, levando-as para longe?
No lusco-fusco, hora mágica, pensamentos de bonança invadem a sua cabeça cansada de várias estiagens. A noite vai caindo e deixa-se estar. Despontam estrelas e consegue já ver a lua. Lua cheia. Afogada em água. Mas há um circulo alaranjado à volta dela que o preocupa. Talvez não seja nada. A Via Láctea está de feição.
As ondas embalam-no na sua cadência. Deixa descair os ombros e concentra-se nos anos da sua juventude nessa espera tantas vezes infrutífera. Quanto tempo teria ficado assim? De repente, sente uma carícia nesses mesmos ombros extenuados. Depois outra e outra e outra. Muitas. Frescas e cantantes.
Abre os olhos. Levanta-se.
Ei-la, bela e majestosa!!!
Num amplo abraço abarca o mundo.
E ri, ri, ri.
Boa quinta-feira, amigos.
Abraços
Olinda









