sexta-feira, 4 de abril de 2025
GOSTO
segunda-feira, 24 de março de 2025
Primavera
Cheguei com ela, a Primavera, a estação da renovação da natureza. E tudo nos encanta neste tempo que se quer florido e perfumado. Os campos enchem-se de plantas silvestres. Papoilas e malmequeres são um espectáculo para os olhos. Os chilreios fazem-se ouvir nessa sinfonia tão própria e todos os sentidos são convocados para fazerem parte desta maravilha.
Sobre o projeto Crianceiras
aqui
sexta-feira, 18 de outubro de 2024
LER ou o Prazer da Leitura
sexta-feira, 4 de outubro de 2024
Res publica
Para sempre vai ficar;
Mais fundo que nunca o prumo soou,
Afundarei meu livro no mar.
O encanto de Próspero desapareceu,
Arte e magia tudo morreu,
Mortos e jazendo no fundo do mar.
Nunca mais ligados a mim
Os alegres espíritos do ar,
O que os chamava vinha daí,
E está afundado no cavo mar.
Embora não veja da luta um renovo,
Desejo contudo esta vida de novo,
Jazendo p’ra sempre no fundo do mar.
Se se interessar, veja as Constituições de 1911, 1933 e 1976.
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
O quintanista* e a pastilha ou o comportamento e a avaliação (2)
Até parece que o esforço que faz em cumprir o horário, fazer os T.P.C's, muitas vezes a cair de sono, estudar para os testes...uf!, não serve de grande coisa, pois lá vem sempre a história do comportamento a estragar tudo. É que suga tudo. Quando merece um cinco dão um quatro, quando merece um quatro dão-lhe um três, e quando merece um três...cruzes! E assim vão aumentando as estatísticas dos pouco dotados.
É mesmo isso. Lembra-se de ter saído nos jornais ainda há pouco tempo que nas duas disciplinas consideradas nucleares poucos são aqueles que conseguem sobressair. Pois, pois! São estudos feitos por quem não analisa também todas as peripécias por que passa um quintanista. Até porque atina bem com uma delas, e o professor sempre lhe vai escrevendo umas palavras simpáticas: "Muito bem! Continua a escrever assim." Uma vez este professor disse-lhe uma coisa de que não gostou, mas um quintanista tem de ter um certo poder de encaixe, principalmente quando é um conversador. Mas, em relação à outra disciplina, é uma seca. Se não fosse pelo professor que é uma daquelas pessoas de quem se gosta mesmo, "nem sei".
Mas, apesar de tudo o que lhe doeu mais foi ter sido injustiçado numa outra aula. No entanto, o encarregado de educação no seu papel socializante, mas muitas vezes castrador, disse-lhe: "Vá lá! Vai com calma".
É um bocado complicado compreender os adultos, sabem? Combinam uma coisa com os mais pequenos e quando lhes apetece alteram as regras. Dizem-lhes que têm de participar porque conta para a avaliação e quando pretendem fazê-lo não são autorizados. O nosso quintanista sentiu isso e contestou. Valeu-lhe uma interiorização longa e, no mínimo, abstracta de que não devia questionar o professor. Para além da mão dormente, não teve tempo de se preparar para o teste convenientemente. Também lhe ficou o sabor amargo da frustração...
* entenda-se: o/a
Olinda
(1998)
2ª e última parte
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Texto, na pele do "quintanista", interpretando um pouco as experiências da minha filha, nessa idade.*Chamava-se "quintanista" aos estudantes que já estavam no quinto ano das licenciaturas, antes do Processo de Bolonha, de 19/6/99.
Eu, aqui, tomei essa liberdade, referindo-me aos miúdos no seu primeiro ano da escola preparatória (5º ano da escolaridade).
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
O quintanista* e a pastilha ou o comportamento e a avaliação (1)
"Olha a pastiiiilha! Não me entres nas aulas com a pastilha na boca". De entre as várias recomendações diárias do encarregado de educação* esta é sacramental. Mas o quintanista despreocupadamente:"Oh!Oh! Tenho cá uma técnica que ninguém me apanha". "Não quero saber de técnicas. Pastilha fora da boca, já."
Contudo, naquele dia, a pastilha elástica, esquecendo cumplicidades passadas, obedeceu apenas à força da gravidade. No preciso momento em que o professor dizia ao quintanista para intervir na aula, a pastilha descola-se-lhe do céu da boca e espeta-se-lhe num canino. Ir lá com o dedo é impensável. O melhor é começar a dizer alguma coisa antes que o professor desconfie.
Mas este, olhos experientes de algumas décadas nessas andanças, verifica que há ali qualquer coisa de estranho. Embora o quintanista esteja ainda na idade, quase, da mudança dos dentes de leite, não se lhe ia crescer um assim de repente e com características draculianas. Pois, não havia dúvidas. Uma pastilha!!!
E o nosso quintanista, mastigador entendido e especializado de pastilhas elásticas lá teve de interiorizar, escrevendo cinquenta vezes que não podia comer nas aulas. Bom, aquilo era um eufemisno. Não estava propriamente a comer e nem era essa a sua intenção. Mas, enfim, bem lá no íntimo sempre soube que poderia ser apanhado.
E agora era só esperar pela pastilha. Além da tal interiorização que lhe deixou uma cãibra nos três dedos com que segura a esferográfica, tinha de se haver com o "Não te disse???!!!..." do encarregado de educação, com o sinalzinho de mau agoiro inscrito na sua ficha e esperar ainda pela pancada no final do período lectivo. Nem o facto de ter seguido uma técnica vivamente recomendada presentemente que é o de utilizar, reutilizar e reciclar, lhe poderia valer. Sim, porque a ideia era recuperar a dita no final da aula.
Olinda
(1998)
Continua amanhã ( 2ª e última parte)
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Texto, na pele do "quintanista", interpretando um pouco as experiências da minha filha, nessa idade.
imagem: pixabay
caimbra - não consegui pôr o til no i
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Sob a magia do ritmo
Dançava e dançava. Os meus pés não tocavam no chão. Sentia-me leve como uma pluma. A técnica aliada à agilidade, a ginástica e o muito treino faziam-me voar. Com graça. Com donaire. Até me sentia orgulhosa de mim. Com elegância atirava ao ar a fita que cabriolava e fazia círculos no ar dando-me tempo para tocar o solo, quase não o tocando, uma perna dobrada, outra atirada ao ar gentilmente, a arte em todos os gestos. Um salto revoluteado leva-me ao infinito para, a seguir, dar um salto sobre mim mesma e cair de bruços já com a cumplicidade da fita a pousar sobre a minha mão direita. Apanho-a e num acto de mágica enrolo-a em mim, depois desenrolo-a, dou um salto mortal e ela continua companheira e pousa suavemente sobre o meu ombro esquerdo... Palmas entusiásticas troam os ares. Um pouco desconcentrada retomo a minha evolução, noblesse oblige. Até nem me interessava muito a pontuação. Entregava-me a essa execução e sentia-me realizada. A competência do meu corpo e a elasticidade levavam-me em apoteose...De súbito, uma estridência, um susto, o despertador soa.
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imagem: pixabay
terça-feira, 27 de agosto de 2024
Uma questão de perspectiva, talvez...
Comecei a achar que já não reconhecia aquela rua. Parecia-me muito pequena. Lembro-me que saía de Lombo do Meio para ir a Armazém e fartava-me de andar. A ponte que atravessava a vila tinha uma boa extensão. De um lado e do outro, agora, casas que me parecem sem traça, enormes. Os bancos da ponte desapareceram. Nas noites de lua cheia costumávamos percorrê-la dando uns bons passeios e neles nos sentávamos, contávamos anedotas, rindo às gargalhadas. E também nas noites escuras. Conhecíamos todos os desníveis da calçada. Nem um tropeço acontecia. A ribeira, seca em tempo de estio, também já não tinha aquela largura que eu atravessava a correr como se tivesse asas nos pés, alternativa para não passar pela ponte à saída da escola, quando queria fugir aos piropos dos rapazes. Não poucas vezes, nessa pressa, estatelava-me e então é que eram risos trocistas. Por conta disso, tenho boas marcas nos joelhos que o tempo conservou. Uma das minhas decepções foi já não ver o chafariz. O progresso fê-lo sumir restando apenas aquele recanto irreconhecível. Também as árvores-da-borracha, que davam uma bela sombra, foram arrancadas...
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imagem: net
sábado, 24 de agosto de 2024
"XV Interação Fraterna - 15 Anos do Blog Espiritual-Idade"
"O Meu Lado Espiritual"
A Felicidade ou o conceito que dela temos marca pontos na nossa vida. Quando é que poderemos dizer que nos sentimos felizes? Penso que teremos de nos despir de todas as vaidades e procurar em nós aquela divindade que nos foi transmitida no momento da nossa criação, posto que fomos feitos à imagem e semelhança do Criador. Com ela, creio, temos inculcada em nós uma qualidade quase intrínseca que se manifesta em momentos de crise, naqueles em que vemos os nossos irmãos em profundo sofrimento: a solidariedade. Nesses momentos, não só esta mas também o altruísmo se manifesta e somos bem capazes de oferecer o pouco que temos para a felicidade do outro. Até nos esquecemos de ofensas passadas ou recentes e recebemos de braços abertos aquele que muito pecou ou prevaricou levando-nos, por vezes, a situações-limite. A nossa predisposição para o perdão terá de estar bem viva e talvez sirva para lavar o coração de mágoas que envenenam o pensamento e a maneira de ser do nosso semelhante.
Nessa tolerância também nos revemos, as nossas faltas serão relevadas tendo em conta que ninguém é perfeito. Apaziguamo-nos nas nossas diferenças e conseguiremos ver mais além, vislumbrar aquela paz interior e, também, em relação aos outros, paz que é tão desejada por todos e que nem sempre fazemos por merecê-la. Ao sermos capazes de sublimar e superar essas dificuldades os nossos corações enchem-se de gratidão por termos tido a oportunidade de sermos algo mais do que matéria. E de alegria seremos inundados, e vemos o mundo que se renova todos os dias e nos traz o Sol, a Lua, as Estrelas, benesses que contemplamos, sentindo a nossa Alma plena de gentileza e admiração ao contemplarmos as maravilhas que existem.
Na mundivisão em que somos envolvidos, transcendente e mágica, recorremos ao âmago da nossa compreensão das coisas acontecidas e por acontecer, porquanto tudo é mistério. Tudo tem de ser visto à luz do nosso entendimento espiritual,
Olinda
A história deste texto
A Rosélia pediu aos seus leitores a indicação de 15 palavras de foro espiritual. E eu indiquei algumas. Depois foi-nos pedido um texto em prosa ou poema onde estivessem incluídas essas palavras. Por isso, meus amigos, elas aí estão no texto acima para comemorar os
15 anos do Blog
P A R A B É N S
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A imagem acima é o Selo da Comemoração e veio da Rosélia.A outra imagem, a das mãos, é da net.
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
Tudo fechado ou quase tudo
No Verão temos esta contrariedade. Precisamos de alguma coisa e...está tudo fechado! É aquele restaurante que faz comida boa e saudável. É a pastelaria com uns pastéis de nata que nos faz pedir logo outro. É o Café que serve um café primoroso. É a cabeleireira que até nem é má e conhece o nosso cabelo. É a loja onde se viu um vestido larguinho que até dava para usar agora. São as repartições públicas cujos funcionários vão de férias e os que ficam desconhecem completamente os assuntos adstritos ao colega. É a justiça que tira férias. É a saúde com urgências fechadas e as grávidas andam quilómetros para terem os seus bebés... Há uma mentalidade de procrastinação que me faz lembrar Eça de Queirós com o seu procrastinare lusitanum est. Mas também não exageremos. Ou muito me engano ou noutras latitudes também acontece essa moleza. Não é só por cá. Não culpemos os povos do sul por uma circunstância que apenas se deve a este sol que Deus nos deu. E se lhe chamam, a esta estação, silly season eles lá sabem porquê. E, na loucura, antecipemos o tempo das romãs.
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imagem: net
domingo, 18 de agosto de 2024
Querido mês de Agosto
O calor aperta neste mês de Agosto. Ar condicionado, ventoinhas, leques, abanos, tudo serve para conseguir um pouco de ar fresco. Lá fora o Sol não dá descanso. Ir à praia seria uma boa solução mas, daqui até lá ainda é um bom esticão, e, ainda por cima, há o trânsito que também emperra tudo. Queixo-me é verdade... o Verão passa num instante. Depois vem o Outono e mais à frente o Inverno. Então é a tiritar. Nunca estamos satisfeitos com nada, se não é uma coisa é outra. Devo dizer que sei apreciar a leveza da roupa que se usa no tempo do calor. E, na verdade, tudo tem outro sabor. As refeições com grelhados e saladas, os sumos de fruta, a água, sim, a água fresca que mata a sede nestes dias de grande ardência. Mas reconheço que não me posso queixar com isso de hoje não ir à praia. Estive não há muito tempo um mesito ao pé do mar a alimentar-me do azul e a respirar a maresia. Depois disso já fui passar mais uns dias a subir e a descer dunas, enterrando os pés na areia fofa, na areia molhada, a receber as ondas de peito aberto e a apreciar a arte xávega... É como eu digo, qualquer dia vem o frio, que também tem o seu encanto, mas enquanto pudermos aproveitemos o sol e o calor. E a vitamina D faz falta.
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imagem: net
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Ser Feliz
Há pessoas que têm tudo para serem felizes. E quando digo tudo não se trata de riquezas, de bens materiais. Mas sim, ter o suficiente para viver, poupando ou gerindo conscienciosamente o que se tem para conhecer ou travar conhecimentos proveitosos. Com saúde. Estar rodeado pelos familiares não tendo estes nenhum problema de maior. Não estar a viver nenhum cataclismo ou desastre natural, coisa que não se pode controlar...
Contudo, existe no ar uma insatisfação inconcebível, uma desarmonia, falta de compreensão em que tudo é razão para discussões das piores. E não é culpa sua, aliás, a culpa é sempre do outro não se tendo por isso de mudar o comportamento.
Apontam-se defeitos, fazem-se juízos, e assim o que poderia ser um caminho simples acaba por ser um fardo que, estranhamente,
o cérebro não consegue carregar...
Isto é, Ser Feliz!
Abraços.
Olinda
domingo, 4 de agosto de 2024
Cabelos ao vento
NOTA, EM 06/08
Meus amigos
Como veem, o "Xaile de Seda" está diferente, com vestido novo.
Devo-o à amiga Gracita que na sua generosidade me enviou um
novo template que muito agradeço.
Beijinhos e abraços.
Olinda
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Imagem: pixabay
segunda-feira, 25 de março de 2024
Comemoração do Dia Mundial da Poesia (4)
Iniciativa da Rosélia
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LE PARADIS PERDU
Je t'ai perdu il y a si longtemps
Je n'ai pas goûté ton nectar
Tes fruits, tu les as offerts à qui
Dans ta vie tu as
mieux aimé
Et tu as desseché ton jardin de tout
Ce qui pourrait me rendre heureuse
Moi et toutes les forces de la nature
Nous pleurons ici, ce
Paradis Perdu.
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Neste meu último contributo para a Festa da Poesia, promovida pela nossa amiga Rosélia, interpretei a imagem como um lugar que poderia ter existido e albergado muitas emoções. Um "Paraíso Perdido". Aparece publicado, primeiramente, no idioma em que escrevi o texto.
Por motivo de saúde de familiar estarei ausente por uns dias.
Abraços
Olinda
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Ressonância do Mês de Poesia
Muito obrigada,
querida amiga Rosélia
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Primeira imagem: da Rosélia
segunda-feira, 18 de março de 2024
Comemoração do Dia Mundial da Poesia (3)
Iniciativa da Rosélia
