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sexta-feira, 4 de abril de 2025

GOSTO





Gosto do mar que rodeia a minha ilha, das rochas nuas e portentosas que a integram. 

Gosto das noites de lua cheia mas também do céu estrelado nas noites escuras como breu. 

Gosto da chuva benfazeja que faz crescer o milho, o feijão, a batata, a mandioca, o inhame - e que, quando vem com força, quase que nos leva para o mar, descendo em grandes quebradas, arrasando tudo.

Gosto do peixe que se compra às pratadas à beira-mar, observando antes os homens a puxarem o bote à força de braços. 

Gosto de cuscuz com manteiga, acompanhando com queijo de cabra, doce de papaia e café com leite. 

Gosto de cachupa e quando guisada comê-la com peixe frito. Gosto de caldo de peixe a acompanhar papas de milho.

Gosto do tempo das colheitas em que ajudamos "desajudando", de ouvir os contos enquanto se descascam as espigas, do ritmo das pauladas desferidas pelos homens ao debulhá-las no terreiro.

Gosto do Sol e do Céu azul, 
mas também das nuvens escuras anunciando chuva...




Nuno Ribeiro, Calema, Mariza
Maria Joana




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Imagem: pixabay

segunda-feira, 24 de março de 2025

Primavera



Cheguei com ela, a Primavera, a estação da renovação da natureza. E tudo nos encanta neste tempo que se quer florido e perfumado.  Os campos enchem-se de plantas silvestres. Papoilas e malmequeres são um espectáculo para os olhos. Os chilreios fazem-se ouvir nessa sinfonia tão própria e todos os sentidos são convocados para fazerem parte desta maravilha.



Tudo isto é para nós. Tudo nos é oferecido sem que nos seja exigido um gesto sequer. Apenas que conservemos e preservemos esta dádiva, para o nosso bem.

***


Do poeta Luís Rodrigues trago estas lindas palavras:

A Primavera

é um rio a correr para um lugar longínquo onde já é 

Outono


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Imagem: pixabay

Sobre o projeto Crianceiras

aqui

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

LER ou o Prazer da Leitura

 


Nem sempre ler é tarefa fácil e proveitosa. Há livros que nos agarram logo nas primeiras frases, mesmo nas primeiras palavras. Se isso não acontece logo continuamos esperançados que se faça luz. Mas, debalde por vezes. Lá vamos nós a coxear, a tamancar, a perder tempo. 

Há livros de escritores ditos famosos que não me atraem. A sério...Por um motivo ou outro houve quem tivesse decidido que aquele livro era especial e, então, tudo o que sai daquelas mãos ou daquela cabeça é do bom e do melhor. 

Mas, venhamos e convenhamos. Cada cabeça a sua sentença. Penso que cada pessoa tem a sua sensibilidade e interpreta o que lê e o que ouve de conformidade com as suas apetências e a sua maneira de ser.

Por exemplo, há temas que tenho grande prazer em tratar. Pego num livro, numas folhas que trazem umas quantas palavras que, provavelmente, só a mim interessam, e lá estou eu embrenhada, esquecendo tudo o resto, como se dali me viesse suma felicidade.

Tolerância é o que importa.
Vivamos e deixemos que outros ocupem os seus respectivos espaços.

Bom fim de semana, meus amigos.

Abraços
Olinda.


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imagem: pixabay

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Res publica

Coisa publica, bem comum. É mais ou menos por aqui que deveremos procurar o sentido da República, um sistema político cujo ideário se movimenta no conceito de liberdade. Sabemos que a Revolução Francesa, 1789, é o veículo destas ideias que, entre nós, tem a sua visibilidade activa através do Partido Republicano fundado no século XIX e um dos motores do movimento revolucionário que decorreria nos dias 3, 4 e 5 de Outubro de 1910, tendo como desfecho a Implantação da República em Portugal.

Assim, em 1911 é redigida e aprovada a 1ª Constituição da República, tendo como órgãos: o Presidente da República, sem direito a veto suspensivo sequer; o poder legislativo atribuído a um Congresso com duas câmaras de deputados, também com o direito de nomear e demitir o Governo sendo este, por sua vez, detentor do poder executivo. A somar a estes poderes o judicial, perfazendo os três poderes consagrados por Montesquieu no 'Espírito das Leis'. Esta Constituição estaria em vigor até 1926, altura em que a I República seria abolida por golpe militar, de 28 de Maio.

Este golpe daria lugar à II República. Um aspecto que tem suscitado alguma polémica, quase em surdina, não se sabendo bem como é que a República e os seus fundamentos sobreviveriam, na sua essência, perante o sistema político autoritário que se seguiria: o Estado Novo. O certo é que o Congresso é dissolvido através de decreto seguindo-se um interregno de sete anos, ao fim dos quais surgiria em 1933 a Constituição por que se regeria o País durante mais de quarenta anos. O poder executivo detido pelo Presidente da República é, na verdade, exercido pelo Governo, na pessoa do seu presidente, o Presidente do Conselho de Ministros

Na sequência da Revolução de 25 de Abril 1974 teria lugar em 2 de Abril de 1976 a aprovação de uma nova Constituição, que tem sido alvo de várias revisões, sendo a última de 2005. Nela são corroborados os princípios fundamentais da República, designada, neste caso, República Portuguesa, soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária; um Estado democrático fundado no respeito e garantia das liberdades fundamentais e separação de poderes, os três poderes, independentes uns dos outros, legislativo, executivo, judicial. Como forma de governo estamos perante um regime parlamentar.

Vimos, aqui, algumas das competências do Presidente da República, na actual Constituição. Vimos também que, quando as instituições estão a funcionar em pleno, as suas funções limitam-se, praticamente, ao veto suspensivo e à promulgação das leis. Mas, em situações como a que estamos a atravessar, a figura do Presidente da República eleva-se acima dos partidos e do parlamento se as circunstâncias o exigirem.

Então, ele aparece investido na sua vertente máxima: Representante Supremo da Nação. E isso traz-lhe responsabilidades de grande envergadura. Nesta base, nós, cidadãos, temos o direito de ver e sentir que as suas opiniões e acções não são irrelevantes, isto é, que trazem em si a dinâmica necessária para se traduzirem em resultados práticos e visíveis. O Presidente da República ficará na História pelas decisões, concernentes à hora que passa, tomadas ou não aqui e agora.






Termino este momento de reflexão com o poema de Alexander Search, a Canção de Próspero:

Minha vara partida no fundo enterrada 
          Para sempre vai ficar; 
Mais fundo que nunca o prumo soou, 
          Afundarei meu livro no mar. 
          O encanto de Próspero desapareceu, 
          Arte e magia tudo morreu, 
Mortos e jazendo no fundo do mar. 

Nunca mais ligados a mim 
          Os alegres espíritos do ar, 
O que os chamava vinha daí, 
          E está afundado no cavo mar. 
          Embora não veja da luta um renovo, 
          Desejo contudo esta vida de novo, 
Jazendo p’ra sempre no fundo do mar.

Alexander Search
   (F.Pessoa)



***


Meus amigos

Estou impossibilitada de estar na vossa companhia por motivos de saúde.

Assim, trago um texto reeditado, redigido por mim há algum tempo e publicado
neste "Xaile de Seda".

Tenham um óptimo fim-de-semana. :)

Abraços.

Olinda

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Poema: Casa Fernando Pessoa
Imagem: daqui

Se se interessar, veja as Constituições de 1911, 1933 e 1976. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O quintanista* e a pastilha ou o comportamento e a avaliação (2)

Realmente, isso do comportamento é uma coisa complicada. Este nosso quintanista tem consciência de que possui uma veia parlatória bastante acentuada, que adora aproveitar uma confusãozinha, enviar pequenas missivas, enfim, comunicar. Quando é confrontado com a expressão "mau comportamento", sente-se no direito de achar que mau comportamento é outra coisa. E ainda por cima por um deslize tem de pagar três vezes ou mais.

Até parece que o esforço que faz em cumprir o horário, fazer os T.P.C's, muitas vezes a cair de sono, estudar para os testes...uf!, não serve de grande coisa, pois lá vem sempre a história do comportamento a estragar tudo. É que suga tudo. Quando merece um cinco dão um quatro, quando merece um quatro dão-lhe um três, e quando merece um três...cruzes! E assim vão aumentando as estatísticas dos pouco dotados.




É mesmo isso. Lembra-se de ter saído nos jornais ainda há pouco tempo que nas duas disciplinas consideradas nucleares poucos são aqueles que conseguem sobressair. Pois, pois! São estudos feitos por quem não analisa também todas as peripécias por que passa um quintanista. Até porque atina bem com uma delas, e o professor sempre lhe vai escrevendo umas palavras simpáticas: "Muito bem! Continua a escrever assim." Uma vez este professor disse-lhe uma coisa de que não gostou, mas um quintanista tem de ter um certo poder de encaixe, principalmente quando é um conversador. Mas, em relação à outra disciplina, é uma seca. Se não fosse pelo professor que é uma daquelas pessoas de quem se gosta mesmo, "nem sei".

Mas, apesar de tudo o que lhe doeu mais foi ter sido injustiçado numa outra aula. No entanto, o encarregado de educação no seu papel socializante, mas muitas vezes castrador, disse-lhe: "Vá lá! Vai com calma".

É um bocado complicado compreender os adultos, sabem? Combinam uma coisa com os mais pequenos e quando lhes apetece alteram as regras. Dizem-lhes que têm de participar porque conta para a avaliação e quando pretendem fazê-lo não são autorizados. O nosso quintanista sentiu isso e contestou. Valeu-lhe uma interiorização longa e, no mínimo, abstracta de que não devia questionar o professor. Para além da mão dormente, não teve tempo de se preparar para o teste convenientemente. Também lhe ficou o sabor amargo da frustração...

* entenda-se: o/a

Olinda

(1998)

2ª e última parte

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Parte 1

Texto, na pele do "quintanista", interpretando um pouco as experiências da minha filha, nessa idade.
*Chamava-se "quintanista" aos estudantes que já estavam no quinto ano das licenciaturas, antes do Processo de Bolonha, de 19/6/99.
Eu, aqui, tomei essa liberdade, referindo-me aos miúdos no seu primeiro ano da escola preparatória (5º ano da escolaridade).

imagem: pixabay

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O quintanista* e a pastilha ou o comportamento e a avaliação (1)

"Olha a pastiiiilha! Não me entres nas aulas com a pastilha na boca". De entre as várias recomendações diárias do encarregado de educação* esta é sacramental. Mas o quintanista despreocupadamente:"Oh!Oh! Tenho cá uma técnica que ninguém me apanha". "Não quero saber de técnicas. Pastilha fora da boca, já."

Contudo, naquele dia, a pastilha elástica, esquecendo cumplicidades passadas, obedeceu apenas à força da gravidade. No preciso momento em que o professor dizia ao quintanista para intervir na aula, a pastilha descola-se-lhe do céu da boca e espeta-se-lhe num canino. Ir lá com o dedo é impensável. O melhor é começar a dizer alguma coisa antes que o professor desconfie.

Mas este, olhos experientes de algumas décadas nessas andanças, verifica que há ali qualquer coisa de estranho. Embora o quintanista esteja ainda na idade, quase, da mudança dos dentes de leite, não se lhe ia crescer um assim de repente e com características draculianas. Pois, não havia dúvidas. Uma pastilha!!!



E o nosso quintanista, mastigador entendido e especializado de pastilhas elásticas lá teve de interiorizar, escrevendo cinquenta vezes que não podia comer nas aulas. Bom, aquilo era um eufemisno. Não estava propriamente a comer e nem era essa a sua intenção. Mas, enfim, bem lá no íntimo sempre soube que poderia ser apanhado.

E agora era só esperar pela pastilha. Além da tal interiorização que lhe deixou uma cãibra nos três dedos com que segura a esferográfica, tinha de se haver com o "Não te disse???!!!..." do encarregado de educação, com o sinalzinho de mau agoiro inscrito na sua ficha e esperar ainda pela pancada no final do período lectivo. Nem o facto de ter seguido uma técnica vivamente recomendada presentemente que é o de utilizar, reutilizar e reciclar, lhe poderia valer. Sim, porque a ideia era recuperar a dita no final da aula.

Olinda

(1998)

Continua amanhã ( 2ª e última parte)


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Texto, na pele do "quintanista", interpretando um pouco as experiências da minha filha, nessa idade. 

imagem: pixabay

caimbra - não consegui pôr o til no i

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Sob a magia do ritmo

 


Dançava e dançava. Os meus pés não tocavam no chão. Sentia-me leve como uma pluma. A técnica aliada à agilidade, a ginástica e o muito treino faziam-me voar. Com graça. Com donaire. Até me sentia orgulhosa de mim. Com elegância atirava ao ar a fita que cabriolava e fazia círculos no ar dando-me tempo para tocar o solo, quase não o tocando, uma perna dobrada, outra atirada ao ar gentilmente, a arte em todos os gestos. Um salto revoluteado leva-me ao infinito para, a seguir, dar um salto sobre mim mesma e cair de bruços já com a cumplicidade da fita a pousar sobre a minha mão direita. Apanho-a e num acto de mágica enrolo-a em mim, depois desenrolo-a, dou um salto mortal e ela continua companheira e pousa suavemente sobre o meu ombro esquerdo... Palmas entusiásticas troam os ares. Um pouco desconcentrada retomo a minha evolução, noblesse oblige. Até nem me interessava muito a pontuação. Entregava-me a essa execução e sentia-me realizada. A competência do meu corpo e a elasticidade levavam-me em apoteose...De súbito, uma estridência, um susto, o despertador soa.


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imagem: pixabay   

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Uma questão de perspectiva, talvez...





Comecei a achar que já não reconhecia aquela rua. Parecia-me muito pequena. Lembro-me que saía de Lombo do Meio para ir a Armazém e fartava-me de andar. A ponte que atravessava a vila tinha uma boa extensão. De um lado e do outro, agora, casas que me parecem sem traça, enormes. Os bancos da ponte desapareceram. Nas noites de lua cheia costumávamos percorrê-la dando uns bons passeios e neles nos sentávamos, contávamos anedotas, rindo às gargalhadas. E também nas noites escuras. Conhecíamos todos os desníveis da calçada. Nem um tropeço acontecia. A ribeira, seca em tempo de estio, também já não tinha aquela largura que eu atravessava a correr como se tivesse asas nos pés, alternativa para não passar pela ponte à saída da escola, quando queria fugir aos piropos dos rapazes. Não poucas vezes, nessa pressa, estatelava-me e então é que eram risos trocistas. Por conta disso, tenho boas marcas nos joelhos que o tempo conservou. Uma das minhas decepções foi já não ver o chafariz. O progresso fê-lo sumir restando apenas aquele recanto irreconhecível. Também as árvores-da-borracha, que davam uma bela sombra, foram arrancadas...



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imagem: net



sábado, 24 de agosto de 2024

"XV Interação Fraterna - 15 Anos do Blog Espiritual-Idade"



Baile de Palavras Espirituais




"O Meu Lado Espiritual"

A Felicidade ou o conceito que dela temos marca pontos na nossa vida. Quando é que poderemos dizer que nos sentimos felizes? Penso que teremos de nos despir de todas as vaidades e procurar em nós aquela divindade que nos foi transmitida no momento da nossa criação, posto que fomos feitos à imagem e semelhança do Criador. Com ela, creio, temos inculcada em nós uma qualidade quase intrínseca que se manifesta em momentos de crise, naqueles em que vemos os nossos irmãos em profundo sofrimento: a solidariedade. Nesses momentos, não só esta mas também o altruísmo se manifesta e somos bem capazes de oferecer o pouco que temos para a felicidade do outro. Até nos esquecemos de ofensas passadas ou recentes e recebemos de braços abertos aquele que muito pecou ou prevaricou levando-nos, por vezes, a situações-limite. A nossa predisposição para o perdão terá de estar bem viva e talvez sirva para lavar o coração de mágoas que envenenam o pensamento e a maneira de ser do nosso semelhante. 

Nessa tolerância também nos revemos, as nossas faltas serão relevadas tendo em conta que ninguém é perfeito. Apaziguamo-nos nas nossas diferenças e conseguiremos ver mais além, vislumbrar aquela paz interior e, também, em relação aos outros, paz que é tão desejada por todos e que nem sempre fazemos por merecê-la. Ao sermos capazes de sublimar e superar essas dificuldades os nossos corações enchem-se de gratidão por termos tido a oportunidade de sermos algo mais do que matéria. E de alegria seremos inundados, e vemos o mundo que se renova todos os dias e nos traz o Sol, a Lua, as Estrelas, benesses que contemplamos, sentindo a nossa Alma plena de gentileza e admiração ao contemplarmos as maravilhas que existem.

Na mundivisão em que somos envolvidos, transcendente e mágica, recorremos ao âmago da nossa compreensão das coisas acontecidas e por acontecer, porquanto tudo é mistério. Tudo tem de ser visto à luz do nosso entendimento espiritual, na esperança de que seremos redimidos e salvos, em especial, de nós mesmos, das nossas imperfeições e desaires. Teremos de ser humildes na leitura daquilo que poderemos pedir aos outros e prestar o nosso reconhecimento em relação à bondade que nos é dedicada. Neste mundo em que vemos nações contra nações, povos contra povos, chegando a crueldades impensáveis, temos de ter um manancial onde reabastecer-nos da energia positiva indispensável para vencermos o ódio e a incompreensão. E essa fonte só poderá estar cheia de Amor e Amizade, sentimentos que devem acompanhar-nos qualquer que seja a circunstância.

Olinda


A história deste texto

A Rosélia pediu aos seus leitores a indicação de 15 palavras de foro espiritual. E eu indiquei algumas. Depois foi-nos pedido um texto em prosa ou poema onde estivessem incluídas essas palavras. Por isso, meus amigos,  elas aí estão no texto acima para comemorar os 

15 anos do Blog

ESPIRITUAL-IDADE.



P A R A B É N S



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A imagem acima é o Selo da Comemoração e veio da Rosélia.
A outra imagem, a das mãos, é da net.
A última, a da participação, foi oferta da Rosélia.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Tudo fechado ou quase tudo

 


No Verão temos esta contrariedade. Precisamos de alguma coisa e...está tudo fechado! É aquele restaurante que faz comida boa e saudável. É a pastelaria com uns pastéis de nata que nos faz pedir logo outro. É o Café que serve um café primoroso. É a cabeleireira que até nem é má e conhece o nosso cabelo. É a loja onde se viu um vestido larguinho que até dava para usar agora. São as repartições públicas cujos funcionários vão de férias e os que ficam desconhecem completamente os assuntos adstritos ao colega. É a justiça que tira férias. É a saúde com urgências fechadas e as grávidas andam quilómetros para terem os seus bebés... Há uma mentalidade de procrastinação que me faz lembrar Eça de Queirós com o seu procrastinare lusitanum est. Mas também não exageremos. Ou muito me engano ou noutras latitudes também acontece essa moleza. Não é só por cá. Não culpemos os povos do sul por uma circunstância que apenas se deve a este sol que Deus nos deu. E se lhe chamam, a esta estação, silly season eles lá sabem porquê. E, na loucura, antecipemos o tempo das romãs.



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imagem: net

domingo, 18 de agosto de 2024

Querido mês de Agosto

 



O calor aperta neste mês de Agosto. Ar condicionado, ventoinhas, leques, abanos, tudo serve para conseguir um pouco de ar fresco. Lá fora o Sol não dá descanso. Ir à praia seria uma boa solução mas, daqui até lá ainda é um bom esticão, e, ainda por cima, há o trânsito que também emperra tudo. Queixo-me é verdade... o Verão passa num instante. Depois vem o Outono e mais à frente o Inverno. Então é a tiritar. Nunca estamos satisfeitos com nada, se não é uma coisa é outra. Devo dizer que sei apreciar a leveza da roupa que se usa no tempo do calor. E, na verdade, tudo tem outro sabor. As refeições com grelhados e saladas, os sumos de fruta, a água, sim, a água fresca que mata a sede nestes dias de grande ardência. Mas reconheço que não me posso queixar com isso de hoje não ir à praia. Estive não há muito tempo um mesito ao pé do mar a alimentar-me do azul e a respirar a maresia. Depois disso já fui passar mais uns dias a subir e a descer dunas, enterrando os pés na areia fofa, na areia molhada, a receber as ondas de peito aberto e a apreciar a arte xávega... É como eu digo, qualquer dia vem o frio, que também tem o seu encanto, mas enquanto pudermos aproveitemos o sol e o calor. E a vitamina D faz falta.


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imagem: net 

 

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Ser Feliz



Há pessoas que têm tudo para serem felizes. E quando digo tudo não se trata de riquezas, de bens materiais. Mas sim, ter o suficiente para viver, poupando ou gerindo conscienciosamente o que se tem para conhecer ou travar conhecimentos proveitosos. Com saúde. Estar rodeado pelos familiares não tendo estes nenhum problema de maior. Não estar a viver nenhum cataclismo ou desastre natural, coisa que não se pode controlar...

Contudo, existe no ar uma insatisfação inconcebível, uma desarmonia, falta de compreensão em que tudo é razão para discussões das piores. E não é culpa sua, aliás, a culpa é sempre do outro não se tendo por isso de mudar o comportamento. 

Apontam-se defeitos, fazem-se juízos, e assim o que poderia ser um caminho simples acaba por ser um fardo que, estranhamente, 

o cérebro não consegue carregar...

Isto é, Ser Feliz!




Don't Worry Be Happy
Bobby McFerrin

Abraços.

Olinda

domingo, 4 de agosto de 2024

Cabelos ao vento

 



Donde vem, para onde vai? Energia que tudo revolteia. Árvores e arbustos tomam a direcção que lhes quer dar e assim ficam à espera de nova revoada, quase tocando o chão. Papéis, folhas secas, lixos, tudo vai na dança. Pega em corpos que tentam caminhar e obriga-os a coreografias impensáveis. 

Terra de pozolana aqui, e ali antigas lavas de vulcões extintos. 
Homens e mulheres calejados sob o sol ardente.
Cabelos ao vento aqui não é 
metáfora....






NOTA, EM 06/08

Meus amigos

Como veem, o "Xaile de Seda" está diferente, com vestido novo.

Devo-o à amiga Gracita que na sua generosidade me enviou um

novo template que muito agradeço.

Beijinhos e abraços.

Olinda


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Imagem: pixabay

segunda-feira, 25 de março de 2024

Comemoração do Dia Mundial da Poesia (4)

 

Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma 




***


LE PARADIS PERDU


Je t'ai perdu il y a si longtemps

Je n'ai pas goûté ton nectar

Tes fruits, tu les as offerts à qui

Dans ta vie tu as 

mieux aimé


Et tu as desseché ton jardin de tout

Ce qui pourrait me rendre heureuse

Moi et toutes les forces de la nature

Nous pleurons ici, ce 

Paradis Perdu.







Perdi-te há tanto tanto tempo

Não cheguei a provar o teu néctar

Teus frutos ofereceste-os a quem

           Tu mais amaste 


E tu privaste o teu jardim de tudo

O que me poderia fazer feliz

Eu e todas as forças da natureza

Choramos, aqui, esse

Paraíso Perdido



***


Participação 4

Publicação de
Um poema por semana, 
ou prosa poética,
 em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,

21/03


***


Neste meu último contributo para a Festa da Poesia, promovida pela nossa amiga Rosélia, interpretei a imagem como um lugar que poderia ter existido e albergado muitas emoções. Um "Paraíso Perdido". Aparece publicado, primeiramente, no idioma em que escrevi o texto.

Por motivo de saúde de familiar estarei ausente por uns dias.

Abraços 

Olinda


***


Ressonância do Mês de Poesia

Muito obrigada, 

querida amiga Rosélia



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Primeira imagem: da Rosélia

segunda-feira, 18 de março de 2024

Comemoração do Dia Mundial da Poesia (3)


Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma 





***


REDENÇÃO


Noite de luar, porém turva e nevoenta

Parece minha alma vencida na solidão

Sons que ecoam em surdina, porque 

apenas eu os oiço 

e mais ninguém


Remando sem cessar, acharei o

lugar que um dia, eu sei, será florido

um jardim onde colherei lindas flores

e grande alegria 

me inundará


Também o mar estará de azul vestido

num dia cheio de sol e de suave brisa

Acenarei feliz a quem por mim passar

Será esse o dia da minha 

Redenção.





Participação 3

Publicação de um poema por semana, 
ou prosa poética, em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,
21/03

***

Abraços
Olinda





Em 21/03:

Olá, Dia Mundial da Poesia!
Olá, Dia Mundial da Árvore!
Olá Primavera!

Hoje o Dia amanheceu belo e radioso
a saudar estes três eventos com pompa
e circunstância.

Que a Paz também venha e entre nos
corações daqueles que promovem a guerra.

Que as Crianças possam viver num mundo
de Concórdia e Amor.

Grande abraço a Todos.

Olinda



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Primeira imagem da Rosélia