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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Xaile de Seda faz anos hoje

Pois é verdade, este Xaile faz hoje três aninhos. A querida Mariazita já aqui veio dar-me os parabéns, o que muito me emocionou.

Meus amigos, agradeço-vos a presença, os comentários e a vossa companhia no decurso destes três anos. 

Festejemos ouvindo este lindo fado, na voz de Lenita Gentil, com letra de Vasco Lima Couto e  música de Verónica.


Preciso de espaço
Para ser feliz

                                          

Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raiz

Ter a rede pronta
Para o mar de sempre
Ter aves e sonho
Quando a terra escuta
E falar de amor
Aos tambores da luta

Ter palavras certas no sol do caminho
E beber a rir o doirado vinho
Misturar a vida, misturar o vento
E nas madrugadas
Quando o povo abraço
Para estar contigo, preciso de espaço
Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raiz

Caminhar sem ódio
Falar sem mentira
Ter meus olhos longe
Na luz de uma estrela
E ser como um rio
Que se agita ao vê-la

Ter palavras certas no sol do caminho
E beber a rir o doirado vinho
Misturar a vida, misturar o vento
E nas madrugadas
Quando o povo abraço
Para estar contigo, preciso de espaço

Ter palavras certas no sol do caminho
E beber a rir o doirado vinho
Misturar a vida, misturar o vento
E nas madrugadas
Quando o povo abraço
Para estar contigo, preciso de espaço

***

Um poema maravilhoso que, aliado à música e à voz da intérprete, nos leva numa viagem encantada ao fundo de nós mesmos, à essência das nossas raízes.


Grande abraço.

Olinda


Letra e video:Internet     


 

sábado, 7 de setembro de 2013

Dona Ilda

Rosália acabara de vestir uns calções, pôr uma t-shirt e umas meias aderentes. A ideia era fazer uns alongamentos antes de sair. Nisso, ouviu um baque surdo vindo da rua e teve a percepção de que alguém tinha caído. Foi à varanda e viu a vizinha do nº 157 caída no chão, de barriga para baixo, com a bengala ao lado. Rapidamente, pegou nas chaves e foi a descer pelas escadas abaixo correndo o risco de escorregar. Lá fora, a senhora deixava ouvir uns queixumes:'ai não consigo levantar-me', foi ajudá-la mas não conseguiu erguê-la, achou melhor ir ao café da esquina da sua casa, a uns passos, pedir ajuda aos homens que costumam lá estar sentados a olhar para ontem, desde as primeiras horas da manhã. Logo agora, não havia lá nenhum. 

Chamou então a dona do café e vieram as duas, mas Rosália nesta altura esqueceu as dores nas costas, segurou a vizinha por debaixo dos braços e levantou-a em peso. No chão ficou um poça de sangue e a cara da senhora estava alagada, a testa já com um grande hematoma, a cana do nariz ferida, os óculos tortos. 'Vou chamar o 112', disse a Rosália, e a senhora muito trémula: ' Não, não, vou ao Centro de Saúde, está lá o meu marido'. Rosália insistiu e foi a correr buscar o telemóvel e um pano para lhe limpar o sangue.

Quando desceu só estava a dona do café que disse que ela tinha entrado em casa para lavar a cara. Rosália ficou aflita, com receio que ela desmaiasse lá dentro. Tocou duas, três vezes a campainha, por fim ela apareceu titubeando: 'Vou ao Centro de Saúde, está lá o meu marido'. Então, vamos fazer o seguinte: 'Sente-se nesta cadeira do café, vou à minha casa vestir-me e calçar-me e acompanho-a', 'Ah, se calhar não tem tempo nenhum', 'Faço questão de acompanhá-la, está bem?' Rosália recomendou à dona do café que olhasse por ela durante uns instantes.

A caminho do Centro de Saúde a senhora ia dizendo 'estes chinelos não prestam, fazem-me tropeçar', ' se calhar a vizinha não tem tempo nenhum e agora vai comigo'. Sossegou-a dizendo-lhe que tinha todo o tempo do mundo. Chegadas ao Centro de Saúde Rosália viu o marido da senhora e foi dizer-lhe o que se estava a passar, ele também com ar perdido, velhinho, frágil, com a sua bengala, um olho cego. Rosália nunca tinha falado com ele cara a cara. Disse-lhe para se deixar estar ali, sentado, que ia à procura de uma enfermeira a ver se podiam atendê-la.

Na enfermaria deram-lhe a primeira assistência, chamaram a médica de família que recomendou uma radiografia ao nariz. 'Então, tem quem vá com a senhora fazer uma radiografia ao nariz?'- perguntou a médica. Uma hesitação, depois disse: 'Tenho a minha filha mas ela só sai às 5'. 'E como é que a senhora se chama?' - 'Ilda' . 'A auxiliar depois vem trazer uma cartinha para levar, está bem'? - Dona Ilda, agora já encolhia os ombros, batia com os pés no chão em sinal de nervosismo. Mediram-lhe a tensão, não estava má.

Cá fora, reencontraram o marido que afinal tinha ido ao Centro de Saúde mostrar umas análises à médica, as quais se esquecera de levar. Conformado, disse:'Tenho de cá voltar amanhã'. Rosália ofereceu-se para os acompanhar até casa e telefonar à filha, então o vizinho foi dizendo que a filha trabalha num supermercado mas que não pode ter o telemóvel ao pé e que assim só depois das 5 é que poderia avisá-la. E que têm uma outra filha mas que está no Algarve. Rosália começou a ver que não podia deixá-los assim, sozinhos, frágeis, cada um com a sua bengala, segurando a mão livre um do outro, amparando-se. 

Perplexa, apercebeu-se de que apesar de ver, de vez quando, a senhora a passar na rua e de morarem praticamente a paredes-meias, há alguns anos, nem o nome dela sabia. Sentiu-se mal por isso. Apercebeu-se das suas falhas em relação aos deveres de boa vizinhança, de tanto que se ouve falar de pessoas idosas sozinhas ou isoladas e, contudo, pensamos que vizinhos desatentos são só os outros...




Meus  amigos

Este é um caso verídico que acabou bem, felizmente. Por volta das 10h veio um familiar ter com eles e Dª Ilda depois da radiografia soube que não tinha nada partido. No dia seguinte Rosália foi bater-lhes à porta para saber se estava tudo bem. Uns dias depois encontrou-os no supermercado ao pé de casa a fazerem as suas compras, ajudando-se um ao outro. Sorriu enternecida... e, agora, mais atenta. 

Desejo-vos um óptimo fim de semana.

Abraços

Olinda   

Imagem: internet

terça-feira, 2 de abril de 2013

Narcisos. Tenho muitos no meu jardim nesta altura do ano...

Com estas simples palavras, um mundo de poesia, com as quais Maria Emília Moreira nos mostra que no seu mundo cabem várias manifestações de arte: Poesia, Pintura e muitas outras.

Tela de Maria Emília Moreira.

E é com elas e com a sua tela de narcisos que aproveito para desvendar o mistério da tal quinzena, que nunca mais acabava. Lembram-se de, no ano passado, vos ter pedido para me trazerem palavras vossas ou de outrém para festejar o primeiro aniversário do Xaile de Seda? Pois, este ano, no seu segundo aniversário, resolvi fazer o contrário, indo eu própria aos vossos redutos buscar as vossas pérolas. Através delas vieram outros amigos que prestigiaram este recanto com os seus comentários.

Este ano resolvi também dar um nome a estas comemorações megalómanas :), Quinzena de Afectos/Xaile de Afectos. Uma matemática do coração. Se a quinzena é de quinze dias por aqui ela mostrou-se rebelde ao tempo que passa, marcada apenas pelo compasso do nosso comprazimento em ler e tomar contacto com várias formas de modular a Palavra.

Porque o mês de Abril é o mês de todas as leituras, inicio-o com este poema de Fernando Pessoa, que já há algum tempo anda arredado deste Xaile, mea culpa. O poema que aqui transcrevo começa com este verso 'Ó sino da minha aldeia' e segundo Robert Bréchon*, 'Este sino que toca eternamente num dos primeiros poemas do Cancioneiro, escrito em 1913, simboliza a 'saudade' forma de nostalgia tipicamente portuguesa. É o da Igreja dos Mártires, bem perto da casa onde nasceu Pessoa':

                                      
     Ó sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto

                                       Fernando Pessoa, in Poesias, Ed.Ática

Queria inserir um video da Maria Bethânia, onde declama uma versão musicada do poema, mas não consegui. Assim, clique Aqui, p.f. 

Boas Leituras!

*Roberto Bréchon, in Estranho Estrangeiro, uma biografia de Fernando Pessoa.

sexta-feira, 29 de março de 2013

...mas Cristo é o deus do amor. Eu vejo Deus em cada pedra, em cada flor, em cada animal...


Assim falava Ruy de Carvalho num ano dos anos 60, salvo erro, quando a rádio ainda era um must e quem tivesse um aparelho de rádio era um privilegiado. Transmitia-se então a Vida de São Francisco de Assis, um jovem estranho, que viveu entre 1182 e 1226. Aparentemente da noite para o dia, este jovem despoja-se de tudo, escandalizando os pais, em especial o pai, os familiares, os amigos. Destes, alguns acabariam por segui-lo. A sociedade fica em choque, como é comum dizer-se agora. E o jovem Francisco segue impávido o seu destino, devotando-se a Deus de corpo e alma. Surge agora no firmamento um outro Francisco, de sorriso gaiato, cheio de simplicidade. Ora, este Francisco de que tanto se tem falado, fala ele próprio dos pobres, da pobreza, de como a igreja deve ser uma igreja dos pobres e, mais importante ainda, refere a importância da fratellanza. Sim, porque a fraternidade não é coisa que nasça por geração espontânea. É algo que tem de ser construído com a contribuição de todos para dar frutos. No Papa Francisco já é visível o despojamento de algumas insígnias, de alguns símbolos, de alguns privilégios, de alguns ritos e rituais considerados prestigiantes para a sua condição de mais alta autoridade eclesiástica. Mas, até onde poderá ele ir? A postura deste Papa faz-me lembrar, em certa medida, 'As sandálias do pescador', um livro de Morris West, vertido em filme, no qual o autor desenrola os fios intrincados do conclave onde é eleito papa um bispo da Ucrânia, Kiril Lakota. Entre várias iniciativas, ele subverte todo o protocolo, e começa a pensar seriamente em distribuir pelos pobres a riqueza da igreja. Será que na trama isto chega a acontecer? Já não me recordo... O certo é que os fundamentos da Igreja como instituição enraízam-se num tempo longo, demasiado longo, durante o qual foi acumulando dogmas, princípios, lógicas, coroando e descoroando reis e imperadores, assumindo convictamente o lado material da vida, com todas as suas consequências. Reverter a situação, recuando aos primeiros tempos, aos primeiros cristãos, mas tendo em conta as exigências da actualidade, não seria tarefa para a próxima década. Aliás, afigura-se conveniente que não se empurre para as suas costas toda esta responsabilidade, em nome de uma esperança de renovação ou de resolução dos problemas que afectam a instituição. A renovação da Igreja seria um trabalho de todos, de eclesiásticos e sociedade civil interessada, de todo o mundo católico, quiçá de toda a pessoa de boa vontade...


Meus amigos:

Desejo-vos uma Santa Páscoa. 
O dia está chuvoso e parece que a chuva vai ser uma constante durante este fim de semana. Cuidadinho nas estradas. E, lembrem-se, 'devagar se vai ao longe'...

:)

Abraços

Olinda



Obs: Uma ressalva em relação à citação constante do título, caso não estiver totalmente correcta. Ela chegou-me das brumas do tempo...

segunda-feira, 18 de março de 2013

Uma casa com lírios e histórias. Uma cadeirinha de arruar. Um começar de novo.

Já ninguém acredita nisto... Nesta quinzena que nunca mais acaba e que no final da qual seria revelado o mistério de tanta conversa. Vai na volta e nem há mistério nenhum. Mesmo assim restar-nos-ia o prazer de estarmos há já mês e meio neste convívio.

Bem, nesta linha, falo hoje de A Casa da Mariquinhas da nossa amiga Mariazita. Esta linda Casa fez cinco anos no dia 14 de Fevereiro, último. É o lugar de estórias de encantar e de lindas histórias de vida. Uma das últimas que eu li, A ti Masdé, ensina-nos que aquilo que damos aos outros contribui para a nossa felicidade. A Mariazita tem livro publicado e penso que ela está a preparar um outro.





Há um sítio onde eu gosto de me instalar, comodamente, para ler, ler encantada e deliciada. Trata-se de: Da Cadeirinha de Arruar da nossa querida Lúcia. E o que se passa por lá? Ali já aconteceu A saga de uma Família muito especial em que todos os seus membros têm ou tiveram algo a dizer ao nível da arte, da literatura, e em outras áreas da sociedade. Trata-se da sua família, da família da Lúcia. Esta nossa amiga mostrou nesse trabalho os seus grandes dotes de pesquisadora. Presentemente, traz-nos todas as semanas notícias das cidades do Ceará, desde as suas origens à actualidade. Da Cadeirinha de Arruar fez anos há dias. Dois aninhos (não é, Lúcia?), e já com tanto trabalho feito.



Começar de Novo



Para nos situar no centro do mundo, mostrando-nos que todos os dias é tempo de recomeçar, o Começar de Novo, das queridas amigas Emília Pinto e Hermínia Lopes. É onde revisitamos o optimismo e noções como a solidariedade e o respeito uns pelos outros. Saímos de lá com o espírito revigorado, acreditando que há um mundo de pequenas-grandes coisas, coisas simples, que dão sentido à vida. Também comemorou o seu aniversário há pouco tempo, no dia 10 de Fevereiro. Quatro anos... é obra!


PARABÉNS, Mariazita, Lúcia, Emília e Hermínia!

*****

Meus amigos:

Desejo-vos um excelente início de semana.

Abraço

Olinda



sexta-feira, 8 de março de 2013

A Mulher Inspiradora


Mulher, não és só obra de Deus; 
os homens vão-te criando eternamente 
com a formosura dos seus corações, 
e os seus anseios 
vestiram de glória a tua juventude. 

Por ti o poeta vai tecendo 
a sua imaginária tela de oiro: 
o pintor dá às tuas formas, 
dia após dia, 
nova imortalidade. 

Para te adornar, para te vestir, 
para tornar-te mais preciosa, 
o mar traz as suas pérolas, 
a terra o seu oiro, 
sua flor os jardins do Verão. 

Mulher, és meio mulher, 
meio sonho. 

Rabindranath Tagore 
in "O Coração da Primavera" 
Citador


Dedico a todas as mulheres este comentário de: 


Que todas nós nos recriemos, cotidianamente, e nos adornemos de protagonismos, e sejamos senhoras das nossas belezas e destinadas à felicidade, à generosidade, ao companheirismo; e que a violência contra nós mulheres, em todos os níveis, passe a ser apenas um dado maculado na história da humanidade... Havemos muito que caminhar, mas creio!

Obrigada, amiga!
Beijos
Olinda

sábado, 2 de março de 2013

Quando anoiteceu

Sol da Esteva






Fogem, entre os dedos, do relógio lento,
Os minutos duros, duma espera vã.
Fogem, flutuando, em meu pensamento
As esperanças caras, de hoje e de amanhã.

Apenas as mágoas tomam forma certa
Por entre a tristeza que minha Alma rói.
Eu não posso ter, assim, uma Alma aberta,
Porque jamais o destino se condói.

Mais remotas, as esperanças de te ter,
Por cada salto daquele contador;
E mais aceso se torna o meu querer.

E o fim do dia, que tanto prometeu,
Tornou-se a amarga tortura, ao meu Amor.
... Regressei sozinho, quando anoiteceu.



(Blog)


*****

Sol da Esteva! Um nome, um titulo, uma expressão que me atrai. Pode chover, ventar ou trovejar, há sempre este Sol que canta o Amor aliado à sua esteva, seja ele amor realizado, esperançoso ou infeliz. E fica-nos a certeza de que realmente o amor, este belo sentimento, existe. Poeta lírico, expressa-se em sonetos, emprestando um belo cunho rítmico às suas estrofes, de rimas cruzadas.

Quando chegamos ao blog, a porta é-nos franqueada ao som de excelente música. Demoro sempre uns bons minutos apreciando-a e relembrando, talvez, tempos idos ou tempos que hão-de vir, pelas suas características de música intemporal. 

Para o Sol da Esteva e para os meus amigos leitores, esta bela canção de Ray Charles, 

I Can't Stop Loving You 





Um bom fim de semana. :)

Abraço.

Olinda

Imagem: daqui-Agradecimentos

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Deixa

Manuela Barroso




Deixa que as horas passem
que os minutos se alonguem
que os segundos sejam anos.
Permanece aqui e contempla comigo este horizonte
que se esconde além
que se deita naquele monte
Esquece este inverno, ouve antes este marulhar da fonte
que se deita no regato vivo, barulhento
que bordeja este prado
onde ondula o pensamento neste solidário silêncio.
Colhe as imagens que transbordam deste rio
que corre aqui dentro
Esperemos as flores
nascerem das sementeiras feitas pelo vento
Deixa extasiar-me com as cores roxas das violetas e dos lírios
com a saudade azul dos miosótis
e com o caleidoscópio das minhas rosas formosas
Deixa-me inalar este perfume
e respira comigo a felicidade da vida
E agora, sim, depois de saciados desta fome panteísta,
plantemos a mais bela flor 
no canteiro dos nossos lábios

Manuela Barroso
 In "Eu Poético VI"
Anjo Azul (blog)


****


Poema mavioso do Anjo Azul, aliás, Manuela Barroso, que nos leva em  passeio a este Paraíso de mil cores, mil perfumes e mil deuses, no qual, o maior e o mais milagroso é o Amor. Um apelo à contemplação dos dias e das noites, numa simbiose com o que há de mais lindo à disposição do nosso olhar. O que também poderá ser uma metáfora. Este poema é uma mostra do muito que há para ler e apreciar nos blogues da autora e nos livros já publicados.

E mais. No seu blog Sabores do Anjo Azul encontramos deliciosas receitas que nos adoçam a vida. E começa deste modo muito auspicioso: Os sabores são a poesia do corpo. Nada mais verdadeiro. Na última postagem traz-nos um Bolo de Limão que, pelo aspecto, é um manjar dos deuses. 

Meus amigos:

Grande abraço e boas leituras.

:)

Olinda
  
Imagem: daqui -Agradecimentos

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

nesta imperfeita madrugada em que as línguas dos homens e dos anjos se confundem





Sobe a noite sobre o meu corpo frio. Nada aquece o meu corpo. Deito-me sobre esta cama vazia, gelada e o meu corpo é uma sombra. No meu corpo não há carne, não há um rio de sangue que se move, quase não há respiração que se sinta. Uma sombra.

Não sei se a janela ficou aberta ou se está fechada desde que te foste embora. Não sei, não me interessa. Não sei se entra o sol ou o luar ou se apenas entram as nuvens carregadas de lágrimas. Não sei.

A casa está fria, silenciosa, aquele silêncio cheio de tristeza que habita as casas onde apenas a sombra de uma mulher se desloca. Não há música, nem cheiro a pão nem se ouve o cantar dos pássaros. Nem os gatos já aqui vêm porque sabem que aqui nada encontram. Esta é a casa onde a solidão se instalou sem remissão.

Mas, então, aqui deitada, exangue, inerte, nesta cama larga e fria, eis que ouço um som que não reconheço. Parecem passos no telhado. A sombra que sou agita-se, não sei se é o meu sangue, se é a minha fome, se são vestígios daquela que em tempos fui. Levanto-me, quase sem força, trémula, assustada, pequeno pássaro indefeso, tanto medo, tanta velada vontade.

Uma luz vem do telhado. Talvez sejas tu, talvez sejas tu que me vens incendiar os sentidos que eu julgava para sempre adormecidos. Uma luz na mão de quem dá passos no telhado da minha casa, uma luz na mão do anjo que pousou no meu telhado. Ou uma estrela, talvez apenas uma estrela, tento sossegar-me.

A madrugada avança, fresca, perfeita, e eu hesito, enredada nas minhas frágeis contradições. Depois encho-me de coragem, vou até à janela, abro-a, deixo que a neblina entre, deixo que as estrelas entrem, deixo que os primeiros raios de luz entrem, olho os anjos que me olham, e depois vejo que não é um anjo, que és tu, tu que trazes um incêndio no teu peito, e, ainda trémula, ainda a medo, deixo que entres, deixo que afastes de mim todas as sombras, deixo que me cubras com o calor do teu corpo, deixo que entres no meu corpo como um anjo carregado de estrelas.


Ginjal e Lisboa

(um dos blogues)

*****

Esta é a pergunta, retórica, que eu faria aos meus amáveis leitores... Depois respondê-la-ia eu. Mas não. É a própria UJM que nos dá o prazer de se apresentar, dizendo-nos dos seus gostos, da sua maneira de ser, do que a faz feliz. 

Isto aconteceu há três dias, assim, ainda vão a tempo de ler um dos seus mais lindos textos, com o seu cunho pessoal, o qual encerra todo um mundo de boas sensações. Mas, o mais interessante é que a UJM não nos diz tudo nesse texto, falta o resto que é ainda tudo. Para o saber só indo lá, e tomar contacto com aquele manancial inesgotável, que tanto versa em política, economia, sociedade, como em arte e outras matérias, enfim, só vendo e lendo.

E mesmo assim, ainda não é tudo. E este blogue, Ginjal e Lisboa a love affair, donde retirei o texto que aqui vos trago? É mesmo um caso de amor e é a parte mais intimista e poética de UJM, não querendo dizer com isto que o outro blogue não comporte também, muitas vezes, essa sua faceta. Já estou a meter os pés pelas mãos, estão a ver? Repito: só indo lá...

Meus amigos:

Apreciem esta prosa poética que nos preenche e, ao mesmo tempo, nos faz desejar ler mais e mais.  


Abraço

Olinda


***

Indicação da autora: 
Mote para o texto produzido: " Poema 2 de 'Pelas mãos e pelos eu juro' de Alice Vieira in 'Dois corpos tombando na água'."
Imagem: daqui - Agradecimentos

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

The Versatile Blogger Award




Da Ana, Blog Memórias de um Grande Amor, chegou-me este selo que traz consigo as seguintes regras:

1. Agradecer à pessoa que te deu esta nomeação e incluir um link para o seu blog;

Muito obrigada, amiga, por se ter lembrado de mim

2. Escolher 15 blogs e nomeá-los com o "The Versatile Blogger Award";

Opto por oferecê-lo a todos os meus amigos leitores.

3. Escrever 7 coisas sobre ti.

Gosto de ler.
Gosto de ouvir música.
Gosto de cantar.
Gosto de tocar viola.
Gosto de ir ao cinema.
Gosto de andar a pé.
Gosto do mar.
Gosto de pessoas.

Bem, poderia continuar. São tantas as coisas de que gosto, mas regras são regras. :)

Votos de uma excelente semana.

Abraço

Olinda


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Festa de Xailes



(1)

Xaile

Eu tenho um xaile também.
Não é de seda, é de lã.

Herdei-o de minha mãe.
Foi nele que me embalou
Ao som de uma canção.
É nele que me embrulho
Se estou triste ou sinto frio,
Fica calmo o coração
Mas toda eu me arrepio.
Falta-me ouvir a voz terna
Que me embalava a cantar:
“Papão não faças barulho,
Não me vá ela acordar”.
Ai, falta-me a voz materna,
Doce como um rouxinol,
Quente, como é o sol
Num dia quente de Verão
Alegre como a manhã.
Eu tenho um xaile de lã.



(2)


Os Xailes são abraços

Xailes são abraços.Pontas sem nós
Sem laços...

Riscos de seda no ar.
E mesmo sem nós querermos.
Os xailes são danças.
voltas e reviravoltas
de vida, 
que ajudam a sonhar.




(3)

O xaile da minha avó

Eu quero andar embrulhada
No seu xailinho de seda
Aquele que a avó sempre leva
Quando vai à descamisada.
E quero levá-lo ao baile
P´ra nele abraçar o meu par
Avó, deixe-me embalar
E adormecer no seu xaile!



(4)

O meu xaile de sonho

Eu tive um xaile de seda
Que em tempos me fez sonhar
lembra-me sempre de ti
de tudo o que não quero largar
Eu tive um xaile de seda
que cheirava a Amor
tinha a cor do meu sangue
e uma ponta de oiro em cada flor
que afinal nunca foi meu
embrulhei-o com força no peito
e no coração que é teu.



(5)


*****

Trago, hoje, a história ou histórias do Xaile de Seda escritas e dedicadas, há um ou dois anos, pelas amigas Maria, Mariana Reis, George Sand e Histórias de Nós. Histórias retiradas do baú das suas recordações e do imaginário, sentimentos de carinho que a visão de um xaile suscita. 

Se, nesta Quinzena, que já vai longa contra todo e qualquer calendário, pretendemos tecer um Xaile de Afectos, vide post de 4 de Fevereiro, a verdade é que ele já vem sendo tecido, com o vosso contributo, há uns setecentos e tal dias. Pois é, o doce, prémio cobiçado :) e não alcançado, ficará para melhores dias. Será que o suspense continua?


Meus amigos:

Vêm aí mais poemas e prosas poéticas.

Entretanto, desejo-vos um excelente fim de semana.

Abraço

Olinda


Imagens Internet:(1)desacatos e desevolturas. Blogspot.com (2)sandrawaihrichtatit.blogspot.com (3)vagalume.com.br (4)cafeportugal.ne (5)lisboameninaemoca.blogs.sapo.pt (As imagens serão retiradas se ferirem susceptibilidades ou implicarem direitos de autor. -Agradecimentos)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Pão Cresceu Nas Nossas Bocas

Poema: Eufrázio Filipe
Imagem:Lusofonia Poética



Ver-te assim tão indecifrável
nos contornos e nas arestas
ancorada nas marés
em chama viva
a entrar pela casa vazia
sem desistires do silêncio
a resistir mesmo quando doem
os passos e as pontes
fez-me pedir ajuda
a um cântaro de água fresca
às pedras que cantam e tropeçam
nos pés das videiras

Foi assim que nos despimos
e vindimámos
para os barcos cumprirem
o seu efémero destino

As uvas morreram nas tuas mãos
mas o pão cresceu nas nossas bocas

Eufrázio Filipe

MarArável (Blog)

 *****

O quê? Um mar que se pode lavrar? Sim, e que lavradio!

Este é o meu Poeta do absurdo ou dos absurdos, que me faz pensar muito depois de ler um poema seu, a começar pelo título. Penso que este já seria matéria suficiente mas o que, normalmente, vem a seguir intensifica esta vontade de querer aprofundar mais e mais para chegar ao cerne do seu desenvolvimento poético e filosofia de vida. Nem sempre chego lá, mas a beleza das palavras, como direi, a forma como cada expressão e cada verso se empolgam de vida, faz-me ver para além da minha condição humana e pairar mais acima.  

A imagem que aqui trago, provém do blog da Mara, Lusofonia Poética, um blogue que faz a divulgação dos poetas da lusofonia. Se quisermos mergulhar neste mundo imenso, e ter momentos de poesia dos mais variados quadrantes, em língua portuguesa, é para lá que dirigimos os nossos passos. 


Amigos:

Por agora, fiquem na excelente companhia de Mar Arável e Lusofonia Poética. Voltarei com Festa de Xailes. Afinal, o que estamos nós a festejar? Dou um doce a quem adivinhar... :)

Abraço

Olinda

***
Poema publicado no 'Para lá do Azul'- indicação do autor