Posts sobre Júlio Dinis, aqui, no Xaile de Seda.
domingo, 23 de agosto de 2020
Eça de Queirós - um olhar sobre Júlio Dinis
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sábado, 5 de dezembro de 2015
Dia Eça de Queirós
De lá para cá muitos de nós lemos a colecção toda. O último livro que li foi "A Capital"- encontros e desencontros numa grande cidade que, da província, é considerada um lugar de grandes oportunidades, tudo facilitado e são no círculo de pseudo-intelectuais mas, na realidade, um poço de desilusões e de oportunismos. Foi o que sentiu o ingénuo e crédulo Artur, protagonista de muitas peripécias.

É um dos maiores romancistas portugueses e talvez a voz mais crítica e impiedosa da segunda metade do século XIX.
E mais: A sua produção literária é marcada por um ritmo que impressiona: desde “O Crime do Padre Amaro” até “A Ilustre Casa de Ramires” não esquecendo a obra maior que é “Os Maias“, este escritor português conta com mais de 30 romances publicados e traduzidos em cerca de 20 línguas.
Recapitulando: A sessão começa às 15h00 de amanhã e a entrada é livre. Então, marcamos encontro no CCB, no pequeno auditório, certo?
Se, entretanto, preferirdes ficar no recesso dos vossos lares deixo-vos aqui, caros amigos, este link que vos conduzirá a alguns livros do autor (download grátis).
Realmente, este domingo promete.
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Do blog picosderoseirabrava trouxe agora esta mensagem:
A chama da amizade
Obrigada.
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* Voltei há pouco ao site e o programa já não está "provisório", o que lhe retira um pouco do seu mistério.
sábado, 25 de novembro de 2023
'sobre a nudez forte da verdade – o manto diáfano da fantasia'
"Tossi, cerrei os olhos:
— É a coroa de espinhos!
Esmagada, com um rouco gemido, a Titi aluiu sobre o caixote, enlaçando-o nos braços trémulos... Mas o Margaride coçava pensativamente o queixo austero; Justino sumira-se na profundidade dos seus colarinhos; e o ladino Negrão escancarava para mim uma bocaça negra, de onde saía assombro e indignação! Justos céus! Magistrados e sacerdotes evidenciavam uma incredulidade — terrível para a minha fortuna!
Eu tremia, com suores — quando o Padre Pinheiro, muito sério, convicto, se debruçou, apertou a mão da Titi a felicitá-la pela posição religiosa a que a elevava a posse daquela relíquia.
Então, cedendo à forte autoridade litúrgica de Padre Pinheiro, todos, em fila, numa congratulação, estreitaram os dedos da babosa senhora. Estava salvo! Rapidamente, ajoelhei à beira do caixote, cravei o formão na fenda da tampa, alcei o martelo em triunfo...
— Teodorico! Filho! — berrou a Titi, arrepiada, como se eu fosse martelar a carne viva do Senhor.
— Não há receio, Titi! Aprendi em Jerusalém a manejar estas cousinhas de Deus!...
Despregada a tábua fina, alvejou a camada de algodão. Ergui-a com terna reverência; e perante os olhos extáticos, surgiu o sacratíssimo embrulho de papel pardo, com o seu nastrinho vermelho.
— Ai que perfume! Ai! ai, que eu morro! — suspirou a Titi a esvair-se de gosto beato, com o branco do olho aparecendo por sobre o negro dos óculos.
Ergui-me, rubro de orgulho:
— É à minha querida Titi, só a ela, que compete, pela sua muita virtude, desembrulhar o pacotinho!...
Acordando do seu langor, trémula e pálida, mas com a gravidade de um pontífice, a Titi tomou o embrulho, fez mesura aos santos, colocou-o sobre o altar; devotamente desatou o nó do nastro vermelho; depois, com o cuidado de quem teme magoar um corpo divino, foi desfazendo uma a uma as dobras do papel pardo...
Uma brancura de linho apareceu... A Titi segurou-a nas pontas dos dedos, repuxou-a bruscamente — e sobre a ara, por entre os santos, em cima das camélias, aos pés da cruz —espalhou-se, com laços e rendas, a camisa de dormir da Mary! A camisa de dormir da Mary! Em todo o seu luxo, todo o seu impudor, enxovalhada pelos meus abraços, com cada prega fedendo a pecado! A camisa de dormir da Mary!
E pregado nela por um alfinete, bem evidente ao clarão das velas, o cartão com a oferta em letra encorpada: — "Ao meu Teodorico, meu portuguesinho possante, em lembrança do muito que gozamos!" Assinado, M. M....
A camisa de dormir da Mary! Mal sei o que ocorreu no florido oratório! Achei-me à porta, enrodilhado na cortina verde, com as pernas a vergar, num desmaio. Estalando, como achas atiradas a uma fogueira, eu sentia as acusações do Negrão bradadas contra mim junto à touca da Titi:
— "Deboche! Escárnio! Camisa de prostituta! Achincalho à senhora Dona Patrocínio! Profanação do oratório!" Distingui a sua bota arrojando furiosamente para o corredor o trapo branco. Um a um, entrevi os amigos perpassarem, como longas sombras levadas por um vento de terror. As luzes das velas arquejavam, aflitas. E, ensopada em suor, entre as pregas da cortina, percebi a Titi caminhando para mim, lenta, lívida, hirta, medonha... Estacou. Os seus frios e ferozes óculos trespassaram-me. E através dos dentes cerrados cuspiu esta palavra:
— Porcalhão."
A Relíquia - Eça de Queirós - pg 230 (livro online)
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E que dizer de As Farpas? Bem, deixo para falar disso numa próxima oportunidade. Como temos eleições à porta, abordá-las-ei nessa altura se vir que esses textos trazem alguma passagem que interesse...para o assunto em questão.
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Amigos, vou ausentar-me por uns dias.
Publicarei os vossos comentários (se os houver) no meu regresso.
Abraços
Olinda
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Imagens: net
domingo, 5 de janeiro de 2025
Eça de Queirós vai mesmo para o Panteão
Depois da polémica sobre onde depositar os restos mortais do grande Eça de Queirós, o destino dos mesmos será o Panteão Nacional. Fica por saber se realmente ele o teria desejado ou não.
Neste fim-de-semana decorre uma homenagem na Casa de Tormes, lugar onde escreveu "A Cidade e as Serras", que consta das minhas leituras entre outros livros da sua obra.
Sobre a "A Cidade e as Serras" lê-se (excerto):
No próximo dia 8 será a cerimónia da trasladação para o referido Panteão Nacional, cerimónia essa a cargo da Assembleia da República, como é referido neste artigo.
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imagem: net
Veja aqui, no Xaile de Seda, os vários funerais de Eça de Queirós, informação trazida de Tempo Contado
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
"Os Maias", dançado
Pela primeira vez na forma de bailado, o romance de Eça de Queirós estreia-se no Teatro Camões a 16 de Outubro, estando previstas dez apresentações, até dia 26 do mesmo mês. É uma criação de Fernando Duarte, coreógrafo e director artístico da CNB, um bailado em três actos que conta a trágica história do amor incestuoso de Carlos da Maia e Maria Eduarda.
Foi o que eu li e ouvi ontem.
Também vi alguns passos na Tv2 o que aguçou a minha curiosidade. O romance de costumes de Eça de Queirós, em passos de dança, estreia absoluta. O que diria Eça perante tal representação artística, ele que tinha sempre uma palavra a dizer acerca do que se passava na sociedade lisboeta?
Senhor de uma Obra gigantesca, sendo "Os Maias" uma das mais conhecidas, publicada em 1888. Esta trata da história de três gerações da Família Maia, na qual vemos desenrolar a tragédia de Carlos e Maria Eduarda, irmãos, mas também temos contacto com personagens que agilizam a trama como o retórico João da Ega e o Eusebiozinho, representante da educação tradicional e retrógrada portuguesa.
O autor inicia o livro com a descrição da Casa do Ramalhete que nada tem de campestre e fresco, antes pelo contrário de ambiente bastante escuro e pouco apelativo. Apesar do tema delicado, vemos que ao longo da obra não perde a oportunidade de aplicar a sua fina ironia e crítica na leitura das situações que se apresentam nas reuniões burguesas da Lisboa do século XIX.
Vou aproveitar para reler "Os Maias".
Abraços, amigos.
Boa semana.
Olinda
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Imagem: daqui
"Os Maias" - em PDF
domingo, 8 de dezembro de 2013
Comamos, bebamos e amemos...
Foi filósofo, poeta, escritor, empresário, editor, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo, publicitário, jornalista. Contou vidas que não viveu, escreveu cartas de amor 'ridículas', assinou com heterónimos como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, mas todos o conhecem pelo nome de baptismo, Fernando Pessoa."Cheguei a Guiães. Ainda restavam flores nas mimosas de nosso páteo; comi com delicias a sopa dourada da tia Vicencia; de tamancos nos pés assisti a ceifa dos milhos. E assim de colheitas e lavras, crestando ao sol das eiras, caçando a perdiz nos matos geados, rachando a melancia fresca na poeira dos arraiaes, arranchando a magustos, sarandando à candea, atiçando fogueiras de S. João, enfeitando presépios de Natal, por ali me passaram docemente sete anos. (...) Do Jacintho recebia raramente algumas linhas, escrevinhadas à pressa por entre o tumulto da civilização. Depois, num setembro muito quente, ao lidar na vindima, meu bom tio Affonso Fernandes morreu, tão quietamente... A minha afilhada Joaninha casou na matança do porco. Andaram obras no nosso telhado. Voltei a Paris."
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Dia Ramalho Ortigão
Sobre a sua preocupação com o património nacional encontrei este excerto, aqui:
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Cada dia que passa me aproxima mais de si
Cada dia que passa, agora, me aproxima de si. (...) Eu também não realizo bem a situação. Ela não deixa de ser ligeiramente romântica. Separamo-nos amigos, reencontramo-nos noivos. Que profunda, grave, séria diferença! Enquanto a gente se escreve, num tom de alegre felicidade, gracejando por vezes, falando de sentimentos e dando «notícias do coração» - «a coisa» parece apenas uma «flirtation» (...) Mas quando se pensa bem! Há então nessa coisa como uma severidade quase religiosa, uma sacro-santidade que assusta e perturba. Duas almas que se unem para sempre e que, tendo individualidades diferentes, não podem jamais tornar a ter interesses diferentes!
sábado, 9 de janeiro de 2016
Hipopómatos na Lua...ou uma casa na floresta
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Nota interessante - No dia 9 de Janeiro de 1154, D. Afonso Henriques outorga Carta de Foral à Vila de Sintra.












