Sabe, se quer que lhe diga, do eu que me lembro bem, e para mim o que é importante, é os sítios onde eu escrevi. Há um poema que diz «Quando à noite desfolho e trinco as rosas». Isto é absolutamente verdade: eu ia para o jardim da minha avó colher rosas, a minha avó já tinha morrido e era um jardim semi-abandonado, colhia camélias no Inverno e rosas na Primavera. Trazia imensas rosas para casa, havia sempre uma grande jarra cheia delas em frente da janela, no meu quarto. E depois eu desfolhava e comia as rosas, mastigava-as... No fundo era a tentativa de captar alguma coisa a que só posso chamar a alegria do universo, qualquer coisa que floresce. * Sophia
AS ROSAS Quando à noite desfolho e trinco as rosas É como se prendesse
entre os meus dentes Todo o luar das
noites transparentes Todo o fulgor das
tardes luminosas
O vento bailador
das Primaveras A doçura amarga dos
poentes, E a exaltação de
todas as esperas
Quando à noite desfolho
e trinco as rosas
És tu a Primavera
que eu esperava, A vida multiplicada
e brilhante, Em que é pleno e
perfeito cada instante
Quando à noite
desfolho e trinco as rosas És tu a Primavera
que eu esperava Sophia de Melo Breyner Andresen 1919-2004 **** Precioso contributo daM.
Sophia de Mello Breyner era, de facto, uma mulher inspirada e inspiradora! E tinha um cenário inspirador também, penso que hoje esse jardim é o Jardim Botânico do Porto.
A Casa dos Andresen
"...A verdura das árvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava...
Jardim Perdido
Sophia de Mello Breyner Andresen"
*****
Leiam, meus amigos, tudo sobre o Jardim Botânico do Porto, aqui
Muito Obrigada, M. **** *Sophia - Citação aqui Ver Análise Obra Poética da autora Imagem:internet
Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.
E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética. Vemos que no teatro grego o tema da justiça é a própria respiração das palavras...
* Sophia
Pátria Por um país de pedra e vento duro Por um país de luz perfeita e clara Pelo negro da terra e pelo branco do muro Pelos rostos de silêncio e de paciência Que a miséria longamente desenhou Rente aos ossos com toda a exactidão Dum longo relatório irrecusável E pelos rostos iguais ao sol e ao vento E pela limpidez das tão amadas Palavras sempre ditas com paixão Pela cor e pelo peso das palavras Pelo concreto silêncio limpo das palavras Donde se erguem as coisas nomeadas Pela nudez das palavras deslumbradas - Pedra rio vento casa Pranto dia canto alento Espaço raiz e água Ó minha pátria** e meu centro Me dói a lua me soluça o mar E o exílio se inscreve em pleno tempo In Livro VI-III-As Grades Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) **** Uma leitura de Grades - Helena Conceição Langrouva
...Grades, de Sophia de Mello Breyner Andresen, uma breve antologia publicada em 1971 (1) , numa fase de pleno esgotamento do povo Português, em Portugal e na guerra colonial de África. Sophia exprime, sobretudo, o tempo de opressão, agonia, morte, alienação, renúncia e exílio, as formas de injustiça, a marginalidade, a sua busca de Justiça e de Verdade. Alguns poemas exprimem também a tomada de consciência da crise da sociedade contemporânea em geral...ler mais *Citação-aqui ** Em 'Uma leitura de Grades-Helena Conceição Langrouva', este verso apresenta-se assim: Ó meu país e meu centro.
Será esse o desenho de que fala Sophia? O que sei dizer é que com este poema homenageia a grande artista Graça Morais, a artista rural.
As origens e as tradições populares de uma artista nascida numa aldeia do distrito de Bragança, em Trás-os-Montes, e que viveu parte da sua infância (entre 1957 e 1958), em Moçambique, tornam-se a fonte de inspiração e temática privilegiada que, ao longo de mais 5 décadas, anima e acompanha o seu percurso artístico. Através da representação das gentes, sobretudo mulheres, das paisagens áridas e rurais, dos animais selvagens e domésticos, da flora autóctone, a artista explora nas suas obras cores quentes, texturas intensas e traços marcantes, que figuram uma visão muito própria do mundo que a sensibiliza. Veja mais aqui E pesquise sobre a sua obra aqui, por exemplo.
Transfere a arte do Paleolítico para a sua pintura
Graça Morais conclui, em 1971, o curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Entre 1976 e 1979 foi bolseira em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1984 representou Portugal na XVII Bienal de São Paulo, Brasil. Em 1997 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. O Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CACGM) foi inaugurado em 2008 em Bragança. Em 2019 a Ministra da Cultura Graça Fonseca entregou-lhe a Medalha de Mérito Cultural em nome do Governo Português.
Madredeus
Grupo musical de excelência
E a voz de Teresa Salgueiro, incomparável!
Hoje, dia 6, data do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen, faço aqui o encontro destas duas grandes Mulheres.
Pintura de Graça Morais
Guerra, Verão de 2008
Capa da Revista Seara Nova
Edição Primavera 2020
Nº 1750
Nota: Quanto a esta obra ver, p.f., o comentário de Manuel Veiga.
Pelas tuas mãos medi o mundo E na balança pura dos teus ombros Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua. Sophia de Mello Breyner Andresen, (1919-2004), "Obra poética I", Círculo de Leitores, 1992 Palavras de Teresa Dias: Estou encantada com os poemas da "quinzena do amor". Aqui lhe mando a minha escolha. Um pequenino mas belo poema da ENORME Sophia, Obrigada, amiga.
Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses. Ler mais aqui ===== Quinzena do Amor
Uma terrível atroz imensa Desonestidade Cobre a cidade Há um murmúrio de combinações Uma telegrafia Sem gestos sem sinais sem fios O mal procura o mal e ambos se entendem Compram e vendem E com um sabor a coisa morta A cidade dos outros Bate à nossa porta Sophia de Mello Breyner Andresen 1919-2004 *** Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter - nem podia conter-me em noite, fundir-me na noite (...) Sophia Citação aqui **** Poema - Banco de Poesia Fernando Pessoa Ver Análise Obra Poética da autora
Imagem: Sophia fotografada por Fernando Lemos, anos 50.
Inventei a dança para me disfarçar. Ébria de solidão eu quis viver. E cobri de gestos a nudez da minha alma Porque eu era semelhante às paisagens esperando E ninguém me podia entender. in Coral, 1950
MAPDesde quando este interesse pela dança e como? Desde sempre. A dança é um elemento dionisíaco ligado ao ritmo e à despersonalizacão. No poema sobre Bakkhos também se fala de uma consciência múltipla... MAPChegou a dançar, a aprender bailado? Eu vivia no Porto quando era pequena e não havia nenhuma escola de ballet. Inventava danças sozinha. Anos depois não perdia os bailados que apareciam. Mas era tarde para aprender. Dançava muito sozinha e, quando os meus filhos eram pequenos, dançava para eles. MAPÀs vezes ainda dança, Sophia? …Muitas vezes imagino bailados e argumentos para bailados. E quando eu era ainda muito pequena, quando estava em Lisboa, logo de manhã ia para o escritório do meu avô – que eram três grandes salas seguidas, cheias de livros, de quadros, de retratos, de mapas e de mil coisas misteriosas – um lugar onde eu entrava em bicos de pés – e o meu avô punha sempre a tocar um disco de Bach – talvez por isso a música de Bach foi sempre a que melhor entendi. E na Granja, à tarde, o José Ribeiro tocava violoncelo, nuns outonos de tardes oblíquas. E quando estava no Porto ia para Matosinhos para casa do Eduardo e do Ernesto Veiga de Oliveira e ouvíamos Das Lied von der Erde do Mahler, que nesse tempo ainda não estava na moda. E em casa do António Calém a música estava sempre no centro de cada encontro.Resposta a EPC
Não poucas vezes tenho-me valido do talento de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), para abrilhantar este pequeno espaço. Em 2014, logo no mês de Janeiro, publiquei, durante alguns dias, poesia e prosa da sua autoria, excertos de entrevistas, pormenores da sua vida e obra. Além disso, em anos e dias esparsos a autora tem sido, aqui, uma presença muito querida.
Hoje, o "Xaile de Seda" faz oito anos. Para assinalar este dia fui buscar um poema e passagem de uma entrevista que nos trazem fragmentos do seu interesse por mais duas áreas artísticas: a música e a dança.
Tenham uma boa terça-feira.
Abraço
==== Poema e excerto de entrevista daqui (BN) Imagens: daqui No blogue da Majo, "A vivenciar a vida", encontrareis referências às comemorações do Centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen. O título do post: Lembrei-me do romance de Rita Ferro: "A menina dança?"
A única vez que uma viagem de avião me deu a sensação de navegação foi quando fui a Macau. No avião uma pessoa é empacotada de um lado para o outro. Mas nessa viagem muito comprida eu lembro-me de, depois de passarmos o deserto e vermos aqueles poços de petróleo a arder, descermos na Arábia com imenso calor,-especialmente para mim que vinha de Londres...-de repente ter a sensação de "navegação".
E escrevi as Navegações por causa disso e um pouco porque quando eu ia no avião e ouvi aquelas vozes celestiais que há nos aviões dizerem: "Estamos a sobrevoar a costa do Vietname". E eu fui para o andar de cima (o avião tinha dois andares), espreitei e estava uma manhã radiosa: era a entrada na Ásia! Um céu azul com umas nuvens que depois aparecem no poema como as "garças", eram nuvens esgarçadas. Via-se a costa do Vietname, uma costa de verdura espessa com uma longa praia a bordar a verdura, e depois no mar havia três ilhas de coral azul. O azul das ilhas, quase roxo, depois a laguna azul mais claro, depois o azul do mar e o azul do céu; tinha-se a impressão de que as ilhas eram os olhos azuis do mar. Era uma beleza inacreditável e eu pensei "O que terá sido chegar aqui desprevenido?"- quer dizer dobrar um cabo, e não se sabe se do outro lado está um abismo, um deserto ou uma ilha paradisíaca. *Sophia
VI Navegavam sem o mapa que faziam (Atrás deixando conluios e conversas) Os homens sábios tinham concluído Que só podia haver o já sabido: Para a frente era só o inavegável Sob o calor de um sol inabitável Indecifrada escrita de outros astros No silêncio das zonas nebulosas Trémula a bússola tacteava espaços Depois surgiram as costas luminosas Silêncios e palmares frescor ardente E o brilho do visível frente a frente In: Navegações,1983 Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) **** *Sophia -Citação aqui Ver Análise Obra Poética da autora
Mas o negro sacudiu a cabeça e recuou um passo. Vendo-o retrair-se o português, para voltar a estabelecer a confiança, começou a cantar e a dançar. O outro, com grandes saltos, cantos e risos, seguiu o seu exemplo. Em frente um do outro bailaram algum tempo. Mas no ardor do baile e da mímica Pero Dias, ergueu no ar a sua espada, que faiscou ao sol. O brilho assustou o nativo, que deu um pulo para trás e estremeceu. Pero fez um gesto para o sossegar. Mas o outro começou a fugir, e o navegador precipitou-se no seu encalce e agarrou-o por um braço. Vendo-se preso, o negro principiou a debater-se, primeiro com susto, depois com fúria. Com gritos roucos e sílabas guturais respondia às palavras e aos gestos que o tentavam apaziguar. Ao longe, no mar, os companheiros de Pero Dias avistaram a luta e principiaram a remar para a praia.
O negro viu-os aproximarem-se, julgou-se cercado e perdido e apontou a sua lança. Pero Dias com a espada tentou aparar o golpe mas ambos caíram trespassados. Os portugueses saltaram do batel e correram para os corpos estendidos. Do peito do negro e do branco corriam dois fios de sangue.
Olhem - disse um moço -, o sangue deles é exactamente da mesma cor.
De bordo veio o capitão com mais gente e todos durante uma hora choraram o triste combate. *
SOPHIA, também contista, autora de livros infantis...
Mãe, de que cor é o sangue deles? - perguntou-me a pequenina, curiosa nos seus quatro aninhos, apontando para dois jovens negros, entregues à conversa, no seu idioma natal. Estávamos completamente comprimidas na parte da frente do autocarro, de tão cheio, e, para a proteger dos apertos das pessoas que iam entrando tinha-a colocado na parte destinada aos volumes, que estava livre (não sei se os autocarros, actualmente, ainda têm essa parte). Procurando não elevar a voz respondi-lhe: É como o de toda a gente. Ela, para ter a certeza: Vermelho?
Dela herdei "O Cavaleiro da Dinamarca", cuja leitura lhe fora indicada na escola. Hoje** peguei nele e abri-o precisamente na página que acabo de transcrever, donde sobressai a importância dos usos e costumes para cada um de nós, do nosso espaço vital, da realidade nossa e a do outro, independentemente do nosso aspecto exterior. Também relevante o facto de que nem tudo poderá ser percebido correctamente se não dominarmos a mesma língua ou linguagem e, mesmo tendo essa raiz, o que dizemos poderá não chegar ao nosso interlocutor com a clareza desejada.
Daí que, seja em que contexto for, a palavra bem falada, bem escrita, bem explicada, bem transmitida, é fundamental. Há que distinguir dessa abordagem clean a linguagem poética, a qual convoca universos diferentes dos do nosso quotidiano. E ainda que nos transmita realidades com as quais nos identificamos, ela encontra-se num nível em que são permitidas figuras de estilo e estas poderão conduzir-nos a uma interpretação mais de conformidade com as nossas próprias vivências. E os gestos? Temos um ditado que diz: O gesto é tudo! Mas nem sempre. Vimos a sua trágica insuficiência bem representada no texto acima...
Por outro lado, há o gesto em sentido figurado, estilizado, o de boa vontade, o de boa-fé, que poderá desimpedir um mundo imenso de desconfianças e mal-entendidos, tanto socialmente como no complicado mundo da política, sem esquecer a diplomacia. Um bom diplomata pode evitar uma guerra. Importância nem sempre conhecida ou reconhecida.
Voltaremos aos gestos e a outras línguas e linguagens, numa dinâmica surpreendente, mas que são do conhecimento de todos nós.
Brevemente.
Eugénio Tavares, Sãozinha Fonseca,
a Ilha da Brava
Boa quinta-feira, meus amigos.
Abraço
====
** Há três dias.
*Excerto:
Sophia de Mello Breyner Andresen
in: O Cavaleiro da Dinamarca - páginas 55/56
Obra incluída no Plano Nacional de Leitura
Sinopse
No regresso de uma longa peregrinação à Palestina, o Cavaleiro tem apenas um desejo: voltar a casa a tempo de celebrar o Natal com a sua família. Nessa viagem, maravilha-se com as cidades de Veneza e Florença, e ouve histórias espantosas sobre pintores, poetas e navegadores. São muitas as dificuldades com que se depara, mas uma força inabalável parece ajudá-lo a passar essa noite tão especial com aqueles que mais ama…
JOSe tivesse a força para mudar qualquer coisa, o que mudaria? A diferença entre ricos e pobres
JODe que tem medo nesta vida? Tenho medo de viver ainda muitos anos. Viver pode ser muito agradável até aos 60, 65 anos. Depois, começa a ser complicado.
JOJá disse que estar feliz é fundamental para escrever bem. Tem uma obra muito extensa, isto significa que foi muito feliz? Talvez. Hoje escrevo pouco, falta-me aquela felicidade que eu tinha. A relação com a natureza, com o mar, com a terra.
JOO que gostaria de ver realizado em Portugal neste novo século? Gostaria que se realizasse a justiça social, a diminuição das diferenças entre ricos e pobres. Mais justiça para os pobres e menos ambições para os ricos. O resto é-me indiferente.
JOO que considera mais importante na sua vida? Foi importantíssimo o nascimentos dos meus filhos.
...Nunca consegui escrever quando estava a sofrer ou com qualquer dor. Fluía melhor quando me encontrava feliz.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014 e tem uma biblioteca com o seu nome em Loulé. aqui
Foram precisos muitos anos para que renascêssemos numa liberdade que considerávamos perdida, aliás, muitos de nós nem a considerávamos possível ou mesmo que existisse.
Os que nasceram nessa altura ou já eram nascidos, mas ainda crianças, e os que vieram a seguir, não conseguirão compreender na sua justa medida essa riqueza incomparável que é viver em liberdade, porque já faz parte do seu universo mental.
Por isso, é nosso dever procurar trazer, sempre que possível, a essência e as ideias que enformam este conceito que um dia se tornou realidade, para não a deixarem escapar. Lembrarmo-nos disso é preciso, e também homenagear os que lutaram para que este dia acontecesse.
Um habitação caiada, livre de mofo, onde a brisa fresca circule. Com as mentes abertas à inovação, às ideias positivas. Precisamos urgentemente de inventar o amor, como dizia o poeta, se é que não o inventámos já, e aplicá-lo em coisas que interessem. Pensemos que todos os homens são iguais, que o racismo e a xenofobia não devem ter lugar no nosso seio.
As revoluções exigem mudanças. E aquela que aconteceu em 25 de Abril de 1974 e que encantou quem dela ouviu falar, pela forma pacífica como decorrera, veio realmente abalar o status quo que existia.*
O caso fortuito dos cravos que uma mulher, Celeste Caeiro, ofereceu aos militares e que foi seguida por outras e que se transformou num mar de flores vermelhas, veio dar um toque romântico a esse dia, com as espingardas transformadas em floreiras. Um Símbolo que ficará para sempre.
Razão tem a nossa grande Graça Pires neste belo poema, que a seguir transcrevo, quando diz que o mundo ficou maravilhado e que parecia coisa inventada:
E aqui temos Georges Moustaki que, com esta versão do Fado Tropical, de Chico Buarque, quis homenagear esta festa e vem corroborar a excelência desse dia.
Georges Moustaki
Portugal
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FELIZ
Dia da Liberdade
ABRAÇOS
Olinda
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Poemas:
- In: O nome das Coisas, 1977 (BN) (Sophia Andresesn)
- Graça Pires - "Era madrugada em Lisboa - Um dia com muitos dias dentro" - Livro lançado recentemente. pg 30
*a reacção do regime: registaram-se quatro civis mortos e quarenta e cinco feridos em Lisboa, atingidos pelas balas da DGS.(Polícia do Estado que substituiu a PIDE)