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terça-feira, 1 de outubro de 2013

A arte das musas - a Música*

A Música com os seus tempos longos, breves, semi-breves, pausas...um mundo de emoções, baseada em sons, em todos os sons da natureza, em todas as gradações da voz humana. Mas a música vocal terá surgido antes ou depois das batidas com bastões ou percussões corporais? Sabe-se lá! O que interessa é que o facto de não se  saber música, isto é, ler ou escrever uma pauta musical não obsta a que ela tome conta de nós, seja trauteando e batendo o pé em ritmos compassados ou ganhando asas... 

Uma música que, para mim, poderá representar um bom exemplo de tempos e ritmo, é esta, La Valse à Mille Temps, conhecida de toda a gente, interpretada pelo imortal Jacques Brel, e que nos leva a um ritmo simplesmente louco:


  
  


****

Valsemos pois... E cantemos.

Mas, voltarei a este tema, ao tema da música. Quando? Não sei ainda... :)

Desejo a todos uma excelente semana.

Abraço

Olinda

****

Letra - aqui

* Música

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mensagem - Fernando Pessoa


Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!








Fernando Pessoa

in: Mensagem-Colecção Poesia-Edições Ática - pg 75



Continuando a folhear o livro chego à última página e encontro este lindo poema, o último, na página 106, tão cheio de significado e que parece viajar no tempo, depondo perante os nossos olhos as ânsias que nos consomem:


Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!


»»»»


A imagem que considero magnífica retirei-a da internet. Os meus agradecimentos a quem ela pertence.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Até que a voz me doa

Cantarei até que a voz me doa
Para cantar, cantar sempre o meu fado
Como a ave que tão alto voa
E é livre de cantar em qualquer lado

Cantarei até que a voz me doa
Ao meu país, à minha terra, à minha gente
À saudade, à tristeza que magoa
Ao amor de quem ama e morre ausente

Cantarei até que a voz me doa
O amor e a paz cheia de esperança
Ao sorriso, à alegria da criança
Cantarei até que a voz me doa.



Maria do Céu


Um exercício que nos mostra que a voz é o instrumento mais perfeito que existe. Com ela, sem mais nenhum equipamento, dá-se um concerto, discursa-se, fala-se, ri-se, chora-se... os nossos sentimentos podem ser manifestados em todos os tons e sons, chegando a atingir níveis impensáveis.


Kenza Farah feat Soprano 


Qualquer que seja o seu alcance, por via natural ou por treino, a Voz é um dom. Para além dos cuidados que devemos ter com ela, em relação a tudo o que a possa deteriorar, há um aspecto muito importante que não deve ser descurado. A voz tem de ser usada, utilizada amiúde, todos os dias.


Ildo Lobo


Conheço pessoas, muito chegadas, que se desabituaram de falar porque vivem sozinhas ou porque já chegaram à conclusão de que não vale a pena falar. Mas aí é que está. Se não tivermos com quem falar, leia-se em voz alta, textos, poesia, cante-se no duche ou a fazer uma qualquer tarefa ou então só pelo prazer de cantar... Dançar e cantar, uma receita infalível para a boa disposição. 


Fernanda Montenegro 



Cabe-nos a nós zelar pela saúde da nossa voz. E que ela seja o nosso meio de comunicação preferencial, nos diversos contactos do quotidiano.

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Uma curiosidade:

A minha filha quando tinha três anos, veio com esta pergunta: Mãe o que é isto? e deu um gritinho. Eu respondi: É a voz. -Avós? admirou-se ela. - Voz, Voz. E lá exemplifiquei também, emitindo uns sons, explicando-lhe então a sua função. E ela fez: Aaaah...maravilhada. E durante uns dias andou pela casa a trinar, a cantar e a contar histórias, pelos cotovelos... 


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Videos e letra fado - Internet

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Palavra Seda

A atmosfera que te envolve
atinge tais atmosferas
que transforma muitas coisas
que te concernem, ou cercam.
E como as coisas, palavras
impossíveis de poema:
exemplo, a palavra ouro,
e até este poema, seda.
É certo que tua pessoa
não faz dormir, mas desperta;
nem é sedante, palavra
derivada da de seda.
E é certo que a superfície
de tua pessoa externa,
de tua pele e de tudo
isso que em ti se tateia,
nada tem da superfície 
luxuosa, falsa, acadêmica,
de uma superfície quando
se diz que ela é “como seda”.
Mas em ti, em algum ponto,
talvez fora de ti mesma, 
talvez mesmo no ambiente
que retesas quando chegas,
há algo de muscular,
de animal, carnal, pantera,
de felino, da substância
felina, ou sua maneira,
De animal, de animalmente,
de cru, de cruel, de crueza,
que sob a palavra gasta
persiste na coisa seda.


De:

João Cabral de Melo Neto

Poeta brasileiro, João Cabral de Melo Neto nasceu em 1920, no Recife, e faleceu a 9 de outubro de 1999. Diplomata, exerceu funções consulares em Assunção, Barcelona e Dakar. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras. É de 1942 o seu primeiro livro de versos - Pedra de Sono, em que se deteta a influência de Carlos Drummond de Andrade. Depois, integrou-se na "Geração de 45", seguindo, no entanto, o seu próprio caminho. Eliminando das suas imagens resíduos sentimentais ou pitorescos, instaura um novo critério estético - o rigor semântico, fulcro da sua radical modernidade, assim afirmando uma nova dimensão do discurso lírico através de uma poesia que parte do concreto para atingir a pureza da abstração, querendo utilizar a linguagem conscientemente em vez de ser usado por ela. O geometrismo de alguns dos seus poemas corporiza esse movimento de "regresso ao real" empreendido por este poeta da sensação aguda dos objetos que delimitam o homem e a mulher modernos. Entre outros prémios, foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1990.

João Cabral de Melo Neto. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

*********

Este poema foi-me indicado por Canto da Boca e retirei-o de: Aqui 

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Vide aqui uma análise da poesia de João Cabral de Melo Neto.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um assunto que nos diz respeito a todos

Aqui há uns três anos fui a uma festa do primeiro aniversário de uma sobrinhita e os pais tiveram a ideia de fazer a tal festa numa garagem. Quando assim é, tudo é mais rústico porque parece que isso é moda, regressar ao tradicional, enfim. O almoço foi servido numa mesa comprida, improvisada, ladeada por uns bancos compridos daqueles, já se sabe, sem espaldar. Bom. Estivemos umas quantas horas ali sentados... Quando resolvi levantar-me, além de ter de pedir licença a umas quantas pessoas para poder sair dali, descobri que não conseguia dar um passo sequer. 

Velhos e novos acercaram-se de mim a oferecer o braço, o sorriso, palavras amigas, solidariedade. Mas eu a todos arredei e preferi que me trouxessem o cabo de uma vassoura que vislumbrei a um canto. Naquele momento, parecia-me que só eu é que poderia calcular o instante exacto em que a minha estrutura óssea me permitiria mexer um músculo. Então, foi um exercício hercúleo entre respirar fundo, concentrar-me e contar, mentalmente, um, dois, três até conseguir dar o primeiro passo e depois outro e mais outro, muito lentamente. Para entrar no carro foi outro Deus nos acuda. 

Quando cheguei a casa, para subir os dois lanços de escada do primeiro andar foi um espectáculo, um pé num degrau e mais o outro pé no mesmo degrau, mais concentração, mais contagens mentais até que consegui chegar à porta, com os familiares atrás de mim com o credo na bocaForam dias em que não podia estar sentada, nem deitada, nem de pé. Tinha uma inflamação na região lombar, felizmente não se tratava de nada de que não me pudesse recuperar, com fisioterapia e muita paciência ficaria boa. 

Mas, a partir daquele dia comecei a prestar atenção às pessoas que me rodeiam, a outras que vejo de quando em quando, ou que encontro pela primeira vez, com o corpo curvado, ou andando de lado, ou coxeando, especialmente pessoas idosas. Destas, muitas desistem de andar porque custa muito, e ficam muito tempo sentadas e não têm ninguém para as incentivar. E assim, com o tempo, o corpo vai ganhando o jeito, a mesma posição para compensar a dor, até que deixa de cumprir as suas funções. 

Ontem, dia 1 de Outubro, algumas associações lembraram o Idoso e a sua realidade, o que é meritório porque serviu para chamar a atenção para esta faixa etária e as suas limitações. São vidas de muitas carências (especialmente afectivas) e de muitas enfermidades. Há pessoas idosas que vivem sozinhas, outras que vivem em lares esquecidos dos familiares e que vêem os dias a passar sem um sorriso ou um sinal de carinho. E ainda outras com a sua capacidade de locomoção muito comprometida e que já não conseguem tratar da sua vida diária.

Eis um assunto que nos diz respeito a todos. Cada um no seu bairro, na sua aldeia, na sua cidade, poderá fazer a diferença colaborando da maneira que melhor entender e lhe for possível.  

domingo, 8 de julho de 2012

Centro do mundo

As Mães. Elas são o Centro do Mundo. A minha faria hoje anos. Seu nome, Isabel. Tomou da Rainha Santa, Isabel de Aragão, o nome, as qualidades. No nosso imaginário encontra-se bem patente a lenda do milagre das rosas, que mostra a sua piedade e compaixão, mas também a memória da sua acção em prol da concórdia entre pai e filho, D.Dinis e o Infante D.Afonso, herdeiro do trono.

Paraty, Brasil - Centro do Mundo literário. De 4 a 8 de Julho, até hoje, portanto, decorre a 10ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). E o grande poeta e cronista, Carlos Drummond de Andrade, é ali homenageado. Então, falando-se dele vem-me à ideia o seu poema A Máquina do Mundo:

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Ler mais ...

Recuando no tempo, em Os Lusíadas, Canto X,  a deusa Tétis leva o Gama pela mão e mostra-lhe a máquina do Mundo nestes termos:
...
Uniforme, perfeito, em si sustido,
Qual, enfim, Arquétipo  que o criou.
Vendo o Gama este globo comovido,
De espanto e de desejo ali ficou.
Diz-lhe a Deusa:’ o transunto, reduzido
Em pequeno volume, aqui te dou
Do Mundo aos olhos teus, para que vejas
Para onde vás e irás e o que desejas.’

‘Vês aqui a Grande Máquina do Mundo,
Etérea e elemental, que fabricada
Assim foi do Saber, alto e profundo
Que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
Globo e sua superfície tão limada
É Deus, mas o que é Deus ninguém o entende,
Que a tanto o engenho humano não se estende’


Entre Luís Vaz de Camões, Sec. XVI, e Carlos Drummond de Andrade, Sec.XX, tanto tempo, tanto mar, verificamos uma enorme evolução do pensamento, passando-se a uma visão do mundo fundamentada em princípios científicos. Assim, vê-se o surgimento do Sec. XVII, tido como a era da revolução científica e, nesta matéria, evidencia-se o grande teorizador Isaac Newton.

Mas a necessidade que o Homem sente em descobrir as origens do mundo e explicar a grande máquina de que fazemos parte não pára. Nos nossos dias o bosão de Higgs, na procura da partícula de Deus, chave primordial para validação da massa das outras partículas elementares- após a nossa grande eclosão conhecida como Big-Bang- o bosão, dizia, parece ser o último grito nesta área.

Enquanto isso, centremo-nos no mistério do amor, na dedicação e abnegação de um coração de Mãe, nos sacrifícios que enfrenta na defesa da sua cria.
Embrulhados no seu xaile, o universo quase que se reduz a um ponto apenas e a explicação da máquina ou origem do mundo torna-se assaz irrelevante. Hoje e sempre relembro a minha mãe e com ela homenageio todas as mães do mundo.


O convite Ler mais está hiperligado aos sites que contêm o poema de Drummond e o canto X de Os Lusíadas
Imagens retiradas Internet. Os meus agradecimentos.
NOTA - HOJE, TAMBÉM É DIA DE SANTA ISABEL, FIGURA BÍBLICA, originando, talvez,ou também, o nome da minha mãe. :)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Poema do coração


Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".
Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas ( a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.
Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz nos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.
Então meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

António Gedeão

____

Então onde, em que parte de nós se encontrará este sentimento tão lindo, o Amor, que faz cantar poetas e que nos leva a momentos inesquecíveis de puro enlevo? E a Bondade? E a Sinceridade? 
Caros amigos, Maio é o mês do coração, o órgão que bombeia o sangue pelo nosso corpo, num movimento imparável, a não ser que alguma coisa corra mal. O nosso coração e o nosso cérebro, a ligação perfeita. Este segreda coisas e o outro reage e até dói quando aquilo a que damos o nome de 'sentimentos' se revela demasiado intenso. Será assim?

Amigos, a partir deste momento, declaro aberto este forum sobre o Coração, não só em relação a estas questões, suscitadas pelo poema e que nos levarão certamente a um excelente exercício, como também no que diz respeito aos cuidados que devemos ter para que ele possa desempenhar a sua função no grande sistema que é o corpo humano.  

:) 

domingo, 6 de maio de 2012

Mamãe cantava

A amiga Lúcia Bezerra, autora do blogue Da Cadeirinha de Arruar, brinda-nos com interessantíssimos relatos, dando a conhecer a história da sua família. Das suas postagens ficou-me uma grande ternura em relação às que fez sobre as canções cantadas pela sua mãe e pelo seu pai. Assim, neste Dia da Mãe decidi ir buscar à Cadeirinha de Arruar o título e a ideia, apresentando aqui uma canção que minha mãe costumava cantar, de entre muitas outras, e desta feita em toada de Fado de Coimbra, numa bela interpretação dos verdesanos:


Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem nao tem mãe não tem nada


Quem não tem mãe não tem nada
Quem a perde é pobrezinho
Ó minha mãe minha mãe
Onde estás que estou sózinho


Estou sózinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada


Lembro-me que, na variante que minha mãe cantava, numa outra melodia, havia ainda esta quadra:

Minha mãe quem são aquelas 
Que estão ao pé da Cruz
É a Maria Madalena
E a doce Mãe de Jesus


E, em atenção às pessoas que têm visitado o Xaile, pesquisando poemas de Matilde Rosa Araújo, em especial poemas sobre este tema, insiro estes que se seguem:


Mãe!
Que verdade linda
O nascer encerra:
Eu nasci de ti,
Como a flor da Terra!

Matilde Rosa Araújo


Mãe, as flores adormecem
Quando se põe o Sol!

Filha, para as adormecer
Canta o rouxinol...

Mãe, as flores acordam
Quando nasce o dia!

Filha, para as acordar
Canta a cotovia...

Mãe, gostava tanto de ser flor!
Filha, eu então seria uma ave...


Poemas de
Matilde Rosa Araújo:
Casa Fernando Pessoa


quarta-feira, 21 de março de 2012

As árvores e os livros

 

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.


Jorge de Sousa Braga
         -1957-


Poema in:Instituto Camões - Imagem: os alinhavos da poesia 

domingo, 22 de janeiro de 2012

É hoje




HOJE, alguma data memorável? Nem por isso...O Xaile de Seda faz hoje um ano. Na vossa companhia, meus amigos, uns mais antigos que outros, o blog foi aprendendo a andar, desbravando alguns caminhos, partindo algumas pedras. Mas, não estrondosamente. Somente dentro da textura que a própria seda permite. 

Assim sendo, penso que seria interessante comemorar este primeiro aniversário do Xaile de Seda da forma a que já estamos habituados, ou seja, através da palavra escrita. Como se sabe, no dia 14 de Fevereiro próximo, é o Dia dos Namorados. A ideia é eleger a primeira quinzena do mês como A Quinzena do Amor, tal como fiz no ano passado, desta feita com a vossa ajuda. 

Eis o que vos proponho:

Pousem neste Xaile, a partir de hoje, palavras que celebrem o Amor, amor universal, amor filial, amor fraterno, enfim, amor amor, em versos, em prosa, em citações, da vossa autoria ou de terceiros. De 01 a 14 de Fevereiro farei posts desses contributos, com as devidas hiperligações aos vossos blogs ou às referências que indicarem. 

Como diria Candide, Il faut cultiver notre jardin
                          
                                   Continuemos pois a cultivá-lo... 

         


Imagem: retirada do Google