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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Rainha do Fado


Hoje, Centenário do nascimento de Amália. 


Não podia deixar de assinalar o dia, embora repetindo aquilo que todos nós sabemos. Redundante, dir-me-ão... mas deixá-lo.

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, 1920/1999, foi uma cantora, actriz e fadista portuguesa, geralmente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX.

Tornou-se conhecida como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo.


Marcante contribuição sua para a história do Fado, foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, depois de musicados, de que é exemplo a lírica de Luís de Camões ou as cantigas e trovas de D. Dinis.(Lembremo-nos de Alain Oulman).  Teve ainda ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O'Neill ou Manuel Alegre. aqui

De tantas e tão belas canções e fados maravilhosos, imaginem, escolho o senhor extra-terrestre...



É que gosto mesmo de ouvi-la neste registo.

Boa quinta-feira, meus amigos.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Que Voz!






A Voz de todas as nossas referências.
Aqui, Camões /Amália /Alain Oulman, conjunção perfeita.

E importa dizer algumas palavras sobre este homem que tanto fez  pelo Fado. Um compositor  que musica Poemas de grandes autores de língua portuguesa e que Amália eterniza na sua bela Voz.

Lê-se aqui:

Foi ele quem levou os poetas portugueses, como Luís de Camões, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill ou Manuel Alegre, para dentro de casa de Amália. Alain Oulman é também considerado o principal responsável por uma profunda alteração na música que a acompanhava.


No disco Com Que Voz, gravado em 1969 mas editado apenas no ano seguinte, Amália canta nomes como Cecília Meireles, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Camões, Ary dos Santos e Pedro Homem de Mello. O disco receberá o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).

Oulman, pessoa de esquerda, é perseguido e preso pela PIDE.
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amália/Paião. Calendário escolar. D. António Marto

Ouvi há dias, na Rádio, "O senhor extraterrestre", da autoria do saudoso Carlos Paião, e gostei muito de ouvir Amália nesse registo brincalhão e crítico. 




Naquela altura era o bacalhau que faltava e não seria de admirar se solicitássemos uma cunha a um extraterrestre para o obter. Hoje não nos falta quase nada. Os supermercados estão cheios de tudo, os stands de automóveis com automóveis para todas as bolsas, as lojas do zé povo e as de luxo com roupas e acessórios para todos os gostos. Não nos podemos queixar a não ser de falta de dinheiro, para alguns. Com a ilusão de bonança que nos envolve, esquecendo-nos que vivemos praticamente de empréstimos, lá vamos nós perdendo tempo com o diz-que-disse.

O que me parece preocupante mas não irresolúvel é o que eu li e ouvi sobre o calendário escolar para o ano lectivo 2018/2019: o terceiro período vai ter apenas mês e meio, de modo que o aluno que tiver azar nos períodos antecedentes dificilmente conseguirá recuperar a tempo para passar de ano. E porquê essa discrepância? Sabemos que o calendário escolar é feito em função do calendário religioso católico. Assim, sendo a Páscoa uma festa móvel esta condiciona a vida escolar. Enfim. Somos ou não somos um Estado laico? Bem, até compreendo. Somos um país maioritariamente católico, temos a Concordata e os feriados... que não são de desdenhar. E as outras religiões existentes em Portugal o que dizem a isso?




Como católica que sou, registo com interesse que D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, foi nomeado Cardeal. Mais uma hipótese que se desenha no sentido de virmos a ter outro Papa português. O primeiro e último foi Pedro Hispano que tomou o nome de João XXII, coroado em 20 de Setembro de 1276. Um pontificado muito curto: A 14 de maio de 1277, o edifício ruiu quando o papa se encontrava sozinho no seu interior. Pedro Hispano veio a morrer alguns dias mais tarde devido à gravidade dos ferimentos sofridos e encontra-se sepultado na catedral de Viterbo.

Desejo-vos uma boa semana.

Abraço.

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Imagem: Net

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Fado Português




O Fado nasceu um dia, 
quando o vento mal bulia 

e o céu o mar prolongava, 
na amurada dum veleiro, 
no peito dum marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava. 

Ai, que lindeza tamanha, 
meu chão , meu monte, meu vale, 
de folhas, flores, frutas de oiro, 
vê se vês terras de Espanha, 
areias de Portugal, 
olhar ceguinho de choro. 

Na boca dum marinheiro 
do frágil barco veleiro, 
morrendo a canção magoada, 
diz o pungir dos desejos 
do lábio a queimar de beijos 
que beija o ar, e mais nada, 
que beija o ar, e mais nada. 

Mãe, adeus. Adeus, Maria. 
Guarda bem no teu sentido 
que aqui te faço uma jura: 
que ou te levo à sacristia, 
ou foi Deus que foi servido 
dar-me no mar sepultura. 

Ora eis que embora outro dia, 
quando o vento nem bulia 
e o céu o mar prolongava, 
à proa de outro veleiro 
velava outro marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava. 

in 'Poemas de Deus e do Diabo' 

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Poema: Citador

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Amor a amor nos convida


De: Isabel
Anónima




Com dura e branda cadeia, 
Com facho activo e suave, 
De seus mistérios co'a chave, 
Amor entre nós volteia: 
Já deprime, já gloreia, 
Já dá morte, já dá vida; 
E nesta incessante lida, 
Que em si traz, que em si contém, 
Com o mal, e com o bem, 
Amor a amor nos convida.


Bocage
 in 'Amor a amor nos convida 
(Décimas sobre verso único)'





Manuel Maria Barbosa du Bocage, considerado por muitos o maior poeta português do século XVIII, nasceu em Setúbal, no número 12 da Rua Edmond Bartissol, a 15 de Setembro de 1765. (clic)





Do essencial da vida do poeta podemos mencionar o facto de ser natural de Setúbal, tendo partido muito jovem ainda para o Oriente onde permaneceu alguns anos. De regresso a Portugal entrou para a Nova Arcádia com o nome de Elmano Sadino. Em breve, porém, satirizava os seus membros; acusado de revolucionário veio a ser preso. Faleceu com apenas 40 anos.
A sua obra é constituída por todos os géneros poéticos em curso no seu tempo, mas foi no soneto que deixou o melhor de si próprio; nas suas composições combina elementos neoclassicistas com o gosto pelo pré-romantismo. A solidão, o sofrimento, o amor-ciúme, o belo-horrível, a morte, são alguns dos temas que trata, de acordo com o próprio infortúnio da sua vida. Veja mais Aqui


Estranha forma de vida




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Quinzena do Amor - De 31/01  14/02

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Poema: Citador

Imagens:
1ª Pixabay
2ª daqui
Video : Youtube