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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Holambra - Cidade das Flores

O caminho que me conduziu a Holambra foi muito interessante. A partir de um tema do Sec.XVIII que me interessava fui avançando até 'Províncias Unidas-Neederlands/Invasões holandesas (Brasil)' e, no meio de veredas e atalhos, apareceu-me Holambra. Misteriosos são os caminhos da net. É assim que eu me perco...



Mas, gostei de descobrir Holambra, nome que é um misto de Holanda, América, Brasil. Existe desde 1948, uma data relativamente recente, e ligada à imigração de holandeses (neerlandeses) para o Brasil, após a 2ª guerra mundial.



Holambra (município paulista) é considerada o maior centro de produção de flores e plantas ornamentais. É também considerada, oficialmente, uma estância turística, que promove anualmente a maior exposição de flores da América Latina: a Expoflora, realizada anualmente, desde 1981, no mês de Setembro.

Setembro ainda vem longe. Porém, qualquer mês é bom para se falar de flores, em especial Fevereiro que apela a tudo o que é romântico, altura em que, por cá, se comemora o Dia dos Namorados.




Voltando ao nosso tema:

É evidente a preservação da cultura holandesa em muitos aspectos. Este é o Moinho Povos Unidos de Holambra, com 38,5 metros de altura (9 andares) e com o peso de 90 toneladas. O moinho foi construído em 2008 de acordo com os moinhos na província Holanda do Sul. Trata-se de réplica fiel de um tradicional moinho holandês, e conta com pás de 25 metros de comprimento.




E que dizer destes trajes, dos tamancos e do bailarico cujo compasso se adivinha? Existem vários grupos folclóricos e segundo este portal: Os alunos começam os ensaios em Fevereiro e vão até Agosto, para se apresentarem na Expoflora (em Setembro). 




Cada novo grupo recebe o nome de uma flor e um traje feito sob medida, que é utilizado por dois anos. Os tamancos novos só são entregues na base de troca pelos velhos. O apogeu dos grupos de danças aconteceu por volta de 2008, quando reuniram cerca de 320 alunos, de 10 grupos diferentes, com um reportório de cerca de 190 danças.






Também em relação à gastronomia, a influência holandesa é um facto. Dizem-nos aqui: Quando se trata de comida típica holandesa torna-se necessário falar de batata. E continuo a ler: Pratos muito comuns feitos com batata são o stampot, puré de batata com verdura ou hutspot com cenoura. 




Para além da referência à batata que também se come frita and so on, fala-se também de queijos, hamburguers e outras iguarias do género. Faz-me falta ler alguma coisa sobre comidas feitas pelas avós, essas lindas criaturas que existem em todo o lado, felizmente, qualquer que seja a cultura.




Também encontrei este video, que contém o Roteiro Gastronômico, turístico, de Holambra. Através do referido video ficamos a saber da variedade de pratos e a conhecer os restaurantes que os confeccionam. Mas ainda assim, deve haver pequenos segredos gastronómicos que se guardam e permanecem no seio das famílias.




Este outro video leva-nos a passear pelas ruas, a apreciar as paisagens, às ofertas de lazer, a confirmar as rotas gastronómicas, à festa das flores, à sua História.


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Convido-vos a visitar este blogue. Nele encontramos belas imagens de Holambra e das suas flores.


Já agora, registo este slogan turístico:

Visite Holambra e descubra uma nova paixão.








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Amigos:

Um bom fim de semana.

Abraço

Olinda

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Do Brasil, Canto da Boca envia-nos as suas impressões, na primeiro pessoa, e este precioso apontamento histórico:
Enquanto eu lia e vivia sua postagem, dialogava de forma silente contigo, quando dizes: "É assim que eu me perco...", eu replico, Olinda, cara amiga, é assim que tu te encontras, é assim que tu encontras belezas pelo mundo e partilhas conosco.

Quando eu era criança, e o caminhão carregado de flores, vindo de Holambra, chegava à minha cidade, era uma festa, todas as casas se enfeitavam.

Hoje vivo em uma cidade que sofreu com a "invasão" da Companhia das Índias Ocidentais, e a mando do conde alemão, Maurício de Nassau, foi incendiada, saqueada, vilipendiada, como foram todas as demais que viveram o processo de colonização. No entanto, o Recife, nossa vizinha, viveu um período de 24 anos, sob o domínio dessa coroa, e foi quando tivemos o primeiro plano de urbanização, investimentos de outras sortes, além da tolerância religiosa. Aqui acolá percebemos uma ou outra influência holandesa, mas não como Holambra.
Mas é essa diversidade que faz desse país, de 8. 514. 876 km² de extensão, ser essa surpresa e imensidão.

Mais uma vez saímos daqui enriquecidos com sua postagem, obrigada, deixo-te um beijão e um desejo de ótima semana!

;))

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Obrigada, amiga.
Bjs
Olinda

sábado, 6 de julho de 2019

Guilherme de Almeida - o "Principe dos Poetas" III

Harmonia vermelha*





O teu beijo resume
Todas as sensações dos meus sentidos
A cor, o gosto, o tacto, a música, o perfume
Dos teus lábios acesos e estendidos
Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador
Que, na lira sensual de cinco cordas,
Tange a canção do amor!

E o tacto mais vibrante,
O sabor mais subtil, a cor mais louca,
O perfume mais doido, o som mais provocante
Moram na flor triunfal da tua boca!
Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira;
Flor de alma, que é também
Um acorde em minha lira,
Que é meu mal e é meu bem...

Se uma emoção estranha
- o gosto de uma fruta, a luz de um poente -
chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha
qualquer sentido meu, é a ti somente
que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo...
E acabo de pensar
Que qualquer emoção vem de teu beijo
Que anda disperso no ar...


     (1890-1969)

Sua estreia na poesia se deu com a obra “Nós”, em 1917. Sonetista exímio, hábil manejador de versos, recebeu fortes influências de Olavo Bilac e do português Antônio Nobre. Fez conferências divulgando os ideais do Movimento Modernista. Difundiu a Poesia Moderna proferindo a conferência "Revelação do Brasil pela Poesia Moderna", nas cidades de Fortaleza, Porto Alegre e Recife. Participou da Semana de Arte Moderna, fundando em seguida, a revista "Klaxon". aqui

Nos poemas de "Simplicidade", publicado em 1929, retornou às suas matrizes iniciais, à perfeição formal desprezada pelos outros, mas não recaiu no Parnasianismo, porque continuou privilegiando a renovação de temas e linguagem. 

Sobressaiu sempre o artista do verso, que o poeta Manuel Bandeira considerou o maior em língua portuguesa. aqui





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Poema daqui
Agradecimentos ao "Nothingandall..."

*Dúvida:
Encontrei o mesmo soneto com o título de "Harmonia Velha": aqui

Imagem - Holambra - Janete Oliveira - aqui

Descubra "Holambra" aqui no "Xaile" - uma curiosidade

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

APETECE-ME, SIM




Janeiro, parecia muito feliz na sua jornada, sem que soubesse que eu estava logo ali, na poltrona da sala, a observar pelo vidro o que acontecia do lado de fora, quando, por instinto, um gafanhoto se afastou da nuvem que sobrevoava o prédio e pousou na pequena horta da minha jardineira. E ficou quieto, observando tudo. Buscava reconhecer aquele admirável mundo novo. Ao que parece, ele não sente falta da sua tribo, que pairava um pouco acima da minha cabeça. E apetece-me, (por enquanto), vê-lo movendo suas patinhas por entre minhas hortaliças. Sem pudor. Vagarosamente, fareja e sente o sabor de cada folha. E a sonoridade da palavra apetece me apetece parece vir das nuvens. Deixo-a no céu da boca por alguns instantes. E depois digo em voz alta "apetece-me", enchendo o ar com suas vogais e consoantes. Deixo-a dissipando no ar. É uma palavra que não quebra espelhos e levita como a imensidão da lua quando há um rio noturno e os teus joelhos se dobram à minha pulsão.

(José Carlos Sant Anna)



Aqui tudo apetece me apetece! 
Apetece ganhar a dimensão 
transcendental que se adivinha e a tal sonoridade 
que se cola no céu da boca.

Rosa Lobato Faria segue a trilha e alarga 
essa apetência a outros sabores...


 

...e Dina dá-lhe música e empresta-lhe a voz. 

Peguei, trinquei e meti-te na cesta, 
ris e dás-me a volta à cabeça
Vem cá tenho sede, 
quero o teu amor d'água fresca
...






Blog do Autor:





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Encontrará a imagem que abre a publicação em:
Holambra, cidade das flores aqui e aqui em publicações sobre Guilherme de Almeida

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Guilherme de Almeida - o "Príncipe dos Poetas" - IX

NÓS





Fico - deixas-me velho. Moça e bela,
partes. Estes gerânios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.

E o piano, o teu canário tagarela,
a lâmpada, o divã, os cortinados:
- "Que é feito dela?" - indagarão - coitados!
E os amigos dirão: - "Que é feito dela?"

Parte! E se, olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;

irás pensando, pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!


    (1890-1969)


A publicação do livro de poesias Nós (1917), iniciando sua carreira literária, e dos que se seguiram, até 1922, de inspiração romântica, colocou-o entre os maiores líricos brasileiros. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, fundando depois a revista Klaxon. Percorreu o Brasil, difundindo as idéias da renovação artística e literária, através de conferências e artigos, adotando a linha nacionalista do Modernismo, segundo a tese de que a poesia brasileira “deve ser de exportação e não de importação”. Os seus livros Meu e Raça (1925) exprimem essa orientação fiel à temática brasileira. aqui





Holambra - Festa das flores

Veja: 
Post I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII

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Poema - daqui
Imagem - daqui