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domingo, 1 de maio de 2022

Isabel, a bela



O mundo era o teu jardim. Il fallait le cultiver avec des fleurs précieuses et parfumées, donde exalasse o perfume que te envolvia por natureza.

 Dos teus lábios saía o sorriso com que encantavas todos os momentos, dos mais simples aos mais complexos. 

Das tuas leituras retiravas o húmus da vida e distribuía-lo prodigamente, de mãos abertas e carinhosas. 

Dos teus passos, leves como pluma, sobressaía a essência do teu percurso por vezes alegre, outras vezes pleno de tristezas, que a vida não te poupou. 

Mas onde as queixas? 

Há sempre um amanhã, dizias, temos de o encarar radioso e promissor.

A minha saudade,
Querida Mãe.




Cremilda Medina
Numa das suas mais belas interpretações

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Dia da mãe

Dia 8, santo dia,
Que em visões somente via,
Tua imagem que pureza irradia,
Oh! Minha nobre fidalguia!

Por tudo e por nada se pronuncia,
Quase sem pensar, instintivamente,
Esse lindo nome que de criança,
Pela Natureza nos foi ensinada.

Mãe mil vezes querida,
Mãe, a razão do meu ser,
No mundo não há vocábulos
Que exprimam o teu alto valor.

Manuel


Um dos meus irmãos enviou-me agora estes versos que escrevera nos idos de 1977, quando o Dia da Mãe ainda era celebrado no dia oito de Dezembro.

Obrigada, meu querido.

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Desejo Feliz Dia a Todas as Mães.

Abraços

Olinda



Um lindo presente da querida Rosélia.

Muito obrigada, minha amiga.



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Imagem: La flora endémica de Cabo Verde
un tesoro a conservar- aqui

domingo, 6 de maio de 2018

ÀS MÃES


Diz-me coisas bunitas, sussurradas ao ouvido.




Sim, é isso.

Dedico esta linda canção de Sara Tavares a todas as mães e, já agora, a mim própria.

Mas, voltarei a este post ou com um outro para dizer mais algumas palavras sobre estas criaturas que também são criadoras de vida.

Abraço.

domingo, 3 de maio de 2015

Bela, Belíssima

Belinha. De Isabel. Sempre presente e amorável, doce e terna.

Mas, a palavra aos poetas, no caso, a António Ramos Rosa, genial neste seu poema que congrega amor e emoção para falar da sua Mãe, das nossas Mães.




Mãe

Conheço a tua força, mãe, e a tua fragilidade.
Uma e outra têm a tua coragem, o teu alento vital.

Estou contigo mãe, no teu sonho permanente na tua esperança incerta
Estou contigo na tua simplicidade e nos teus gestos generosos.

Vejo-te menina e noiva, vejo-te mãe mulher de trabalho
Sempre frágil e forte. Quantos problemas enfrentaste,
Quantas aflições! Sempre uma força te erguia vertical,
sempre o alento da tua fé, o prodigioso alento
a que se chama Deus. Que existe porque tu o amas, 

tu o desejas. Deus alimenta-te e inunda a tua fragilidade.

E assim estás no meio do amor como o centro da rosa.
Essa ânsia de amor de toda a tua vida é uma onda incandescente.
Com o teu amor humano e divino
quero fundir o diamante do fogo universal.


António Ramos Rosa

E, então, do centro do mundo que elas representam para o centro desta rosa de que fala o autor, desejo a todas as mães, que por aqui passarem, muitas felicidades hoje e sempre.

Abraço

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Imagem - daqui


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Quando eu for pequeno, mãe, quero ouvir de novo a tua voz





QUANDO EU FOR PEQUENO

Quando eu for pequeno, mãe, 
quero ouvir de novo a tua voz 
na campânula de som dos meus dias 
inquietos, apressados, fustigados pelo medo. 
Subirás comigo as ruas íngremes 
com a certeza dócil de que só o empedrado 
e o cansaço da subida 
me entregarão ao sossego do sono. 

Quando eu for pequeno, mãe, 
os teus olhos voltarão a ver 
nem que seja o fio do destino 
desenhado por uma estrela cadente 
no cetim azul das tardes 
sobre a baía dos veleiros imaginados. 


Quando eu for pequeno, mãe, 
nenhum de nós falará da morte, 
a não ser para confirmarmos 
que ela só vem quando a chamamos 
e que os animais fazem um círculo 
para sabermos de antemão que vai chegar. 

Quando eu for pequeno, mãe, 
trarei as papoilas e os búzios 
para a tua mesa de tricotar encontros, 
e então ficaremos debaixo de um alpendre 
a ouvir uma banda a tocar 
enquanto o pai ao longe nos acena, 
lenço branco na mão com as iniciais bordadas, 
anunciando que vai voltar porque eu sou 
                                                       [pequeno 
e a orfandade até nos olhos deixa marcas. 



in "O Livro Branco da Melancolia"
Poema retirado de 'O Citador'

Imagem: Tela de Manuela Batista, a partir de foto publicada aqui
Blogue: Histórias com mar ao fundo

domingo, 8 de julho de 2012

Centro do mundo

As Mães. Elas são o Centro do Mundo. A minha faria hoje anos. Seu nome, Isabel. Tomou da Rainha Santa, Isabel de Aragão, o nome, as qualidades. No nosso imaginário encontra-se bem patente a lenda do milagre das rosas, que mostra a sua piedade e compaixão, mas também a memória da sua acção em prol da concórdia entre pai e filho, D.Dinis e o Infante D.Afonso, herdeiro do trono.

Paraty, Brasil - Centro do Mundo literário. De 4 a 8 de Julho, até hoje, portanto, decorre a 10ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). E o grande poeta e cronista, Carlos Drummond de Andrade, é ali homenageado. Então, falando-se dele vem-me à ideia o seu poema A Máquina do Mundo:

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Ler mais ...

Recuando no tempo, em Os Lusíadas, Canto X,  a deusa Tétis leva o Gama pela mão e mostra-lhe a máquina do Mundo nestes termos:
...
Uniforme, perfeito, em si sustido,
Qual, enfim, Arquétipo  que o criou.
Vendo o Gama este globo comovido,
De espanto e de desejo ali ficou.
Diz-lhe a Deusa:’ o transunto, reduzido
Em pequeno volume, aqui te dou
Do Mundo aos olhos teus, para que vejas
Para onde vás e irás e o que desejas.’

‘Vês aqui a Grande Máquina do Mundo,
Etérea e elemental, que fabricada
Assim foi do Saber, alto e profundo
Que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
Globo e sua superfície tão limada
É Deus, mas o que é Deus ninguém o entende,
Que a tanto o engenho humano não se estende’


Entre Luís Vaz de Camões, Sec. XVI, e Carlos Drummond de Andrade, Sec.XX, tanto tempo, tanto mar, verificamos uma enorme evolução do pensamento, passando-se a uma visão do mundo fundamentada em princípios científicos. Assim, vê-se o surgimento do Sec. XVII, tido como a era da revolução científica e, nesta matéria, evidencia-se o grande teorizador Isaac Newton.

Mas a necessidade que o Homem sente em descobrir as origens do mundo e explicar a grande máquina de que fazemos parte não pára. Nos nossos dias o bosão de Higgs, na procura da partícula de Deus, chave primordial para validação da massa das outras partículas elementares- após a nossa grande eclosão conhecida como Big-Bang- o bosão, dizia, parece ser o último grito nesta área.

Enquanto isso, centremo-nos no mistério do amor, na dedicação e abnegação de um coração de Mãe, nos sacrifícios que enfrenta na defesa da sua cria.
Embrulhados no seu xaile, o universo quase que se reduz a um ponto apenas e a explicação da máquina ou origem do mundo torna-se assaz irrelevante. Hoje e sempre relembro a minha mãe e com ela homenageio todas as mães do mundo.


O convite Ler mais está hiperligado aos sites que contêm o poema de Drummond e o canto X de Os Lusíadas
Imagens retiradas Internet. Os meus agradecimentos.
NOTA - HOJE, TAMBÉM É DIA DE SANTA ISABEL, FIGURA BÍBLICA, originando, talvez,ou também, o nome da minha mãe. :)

domingo, 6 de maio de 2012

Mamãe cantava

A amiga Lúcia Bezerra, autora do blogue Da Cadeirinha de Arruar, brinda-nos com interessantíssimos relatos, dando a conhecer a história da sua família. Das suas postagens ficou-me uma grande ternura em relação às que fez sobre as canções cantadas pela sua mãe e pelo seu pai. Assim, neste Dia da Mãe decidi ir buscar à Cadeirinha de Arruar o título e a ideia, apresentando aqui uma canção que minha mãe costumava cantar, de entre muitas outras, e desta feita em toada de Fado de Coimbra, numa bela interpretação dos verdesanos:


Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem nao tem mãe não tem nada


Quem não tem mãe não tem nada
Quem a perde é pobrezinho
Ó minha mãe minha mãe
Onde estás que estou sózinho


Estou sózinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada


Lembro-me que, na variante que minha mãe cantava, numa outra melodia, havia ainda esta quadra:

Minha mãe quem são aquelas 
Que estão ao pé da Cruz
É a Maria Madalena
E a doce Mãe de Jesus


E, em atenção às pessoas que têm visitado o Xaile, pesquisando poemas de Matilde Rosa Araújo, em especial poemas sobre este tema, insiro estes que se seguem:


Mãe!
Que verdade linda
O nascer encerra:
Eu nasci de ti,
Como a flor da Terra!

Matilde Rosa Araújo


Mãe, as flores adormecem
Quando se põe o Sol!

Filha, para as adormecer
Canta o rouxinol...

Mãe, as flores acordam
Quando nasce o dia!

Filha, para as acordar
Canta a cotovia...

Mãe, gostava tanto de ser flor!
Filha, eu então seria uma ave...


Poemas de
Matilde Rosa Araújo:
Casa Fernando Pessoa