Um livro que só ela podia ter escrito - um livro que apenas uma filha pode escrever sobre seu pai, diz-nos Luís Osório. Palavras relacionadas com a obra que acaba de sair das mãos e do coração de Violante Saramago Matos.
Neste ano do centenário do nascimento de José Saramago esta obra trar-nos-á, certamente, uma outra perspectiva da sua personalidade, diferente da que vem inscrita em todas as outras manifestações biográficas sobre este nosso laureado da literatura. Como sabemos, Saramago não só venceu o Prémio Camões como também o Prémio Nobel, em 1998.
Sobre Violante, o mesmo Luís Osório diz, entre outras considerações:
5. Escreve livros para pequeninos e poemas para si própria. Pinta como a mãe e guarda os quadros. Não se põe em bicos de pés nem exige atenções ou salamaleques. Num tempo como este, de tantas sombras, egoísmos e vaidades, foi um privilégio tê-la conhecido e ouvido, no seu tom de voz baixo, quase envergonhado, mas paradoxalmente afirmativo, firme, cortante.
Aproveito para publicar um dos poemas de José Saramago, posto que tenho tido alguma preferência pelos seus romances, aqui no Xaile de Seda:
Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
José Saramago
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Veja aqui o artigo de Luís Osório:
"A única filha de José Saramago..."
Poema - Citador