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quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Poemas da Fernanda Maria e Rosélia Bezerra

 Inspiração:

Mas a vida, a vida, a vida,

a vida só é possível

reinventada.

Cecília Meireles






A Vida

"A vida, a vida...
tão bela, por vezes tão sofrida."

Na travessia da vida tão bela, imensa,
percorremos alegrias e dores, intensa.
Cada passo, um novo enredo é urdido,
com momentos de riso e choro, vivido.

A vida, a vida...complexo de sinfonias,
com notas suaves, outras tão sombrias.
Reinventá-la? Ah, quem dera pudesse,
não tenho o dom, seria uma benesse.

"A vida, a vida...uma eterna aprendizagem."







Palavras sensatas

Nos jardins de areia, caminho feliz,
colho um buquê de flores de espuma,
ainda quero da vida tão querida,
respondo a cada dia como me condiz.

O autoconhecimento me faz saber
quem sou eu, aonde vou, de onde vim,
abro portas do meu ser a enriquecer,
não deixo brechas de invasões em mim.

Fendas de desilusão querem me deter,
compadeço-me pela própria sensatez,
o instante existe, tenho meta, sou poeta,
com alegria e tristeza, na terna fluidez.

Torno eterno o vivido, creio no céu,
encontro de almas afins, não ao léu,
Até lá, palavras são ditas com amor,
sinto em cada uma delas o sabor.




Este é o 4º livro publicado em parceria por estas duas amigas, intitulado, neste caso, Inspirações Poéticas nos Poetas Consagrados. Todos os poemas constam do Blogue "Entre Nós". 

O Prefácio esteve a cargo do amigo e escritor Toninho Bira, que fala desta amizade e talento que levam a Fernanda e a Rosélia a unirem-se numa só voz. E vê-se que a distância não é problema. 
Os poemas ora publicados encontram-se nas páginas 64 a 67. 

Desejo que o Ano de 2025 vos traga muitas Felicidades.

Parabéns minhas amigas!



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Imagens: Pixabay

sábado, 1 de junho de 2024

A Criança

 Tem sido muito difícil a vida das crianças. Desde sempre. E quando há guerras,  contendas, cataclismos, são os seres humanos que mais sofrem. E isso porque não pediram para nascer e não têm ainda capacidade para se defenderem.

Nos últimos tempos, com as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, as notícias que nos chegam sobre crianças mortas pelo poder das armas e à fome levam-nos a descrer na humanidade. E as guerras surdas que se desenvolvem por todo o mundo, nomeadamente, em África, também nos trazem um atroz sentimento de impotência. 

Cecília Meireles, aqui, num poema sobre o menino triste, que poderá abarcar a situação da Criança no mundo inteiro:





CRIANÇA

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste,

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.

Cecília Meireles, 
in 'Viagem'


Quem se lembrará ainda da Declaração dos Direitos da Criança, proclamada pela Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas n.º 1386 (XIV), de 20 de Novembro de 1959.

Uma leitura de vez em quando se impõe, para não nos esquecermos do essencial.


Desejo


FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS


Abraços
Olinda



Obs: Estou de férias


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Poema - citador
Imagem: Wiki





sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

De longe te hei-de amar


Do divino lugar onde o bem da existência é ser eternidade
e parecer ausência.
Porquê, Cecília? Estaremos, assim, a salvo de desilusões?




De longe te hei-de amar
- da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.


Cecília Meireles, 

in 'Canções'


Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901- 1964) foi uma jornalista, pintora, poeta, escritora e professora brasileira. É um nome canônico do modernismo brasileiro, uma das grandes poetas da língua portuguesa e é amplamente considerada a melhor poeta do Brasil aqui






Sua estreia literária aconteceu em 1919 com o livro “Espectros”, reunião de sonetos escritos a partir de 1915. Sua obra mais conhecida é o épico “Romanceiro da Inconfidência”, de 1953. Embora cronologicamente vinculada a segunda fase do modernismo brasileiro, sua obra poética traz influências simbolistas, românticas barrocas e parnasianas. 

Sobre ela escreveu o crítico Paulo Rónai: “Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo. A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea”. Ler mais aqui

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Nota: Veja no blog da Rosélia este post homenageando Cecília Meireles e também com referências a esta "Temporada do Amor", no Xaile de Seda.

Obrigada, minha Amiga.


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Poema de aqui
Imagem: de aqui

Quinzena do amor
Post 1 ; Post 2 ; Post 3 ; Post 4Post 5; Post 6

domingo, 29 de setembro de 2019

Para a Beatriz





A Bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.


Cecília Meireles








Hoje é dia do primeiro aniversário da netinha da Emília, a Beatriz

Sem querer preconizar o seu futuro como bailarina trago-lhe um poema mavioso, com esse título, de Cecília Meireles.

E, assim, daqui do Xaile de Seda envio à pequenina Beatriz muitos beijinhos de Parabéns e, também, umas cantiguinhas. Espero que goste da toada e comece desde já a marcar o ritmo... A música já nasce connosco e, como coisa inata que é, convida-nos a dançar desde o berço.

Querida Emília, também para ti e para os pais da querida menininha vai um grande abraço, com votos de Felicidades.

Olinda

=

Da nossa querida Amiga Graça Pires, num lindo comentário:

Por associação de ideias lembrei-me de um poema do meu primeiro livro:

"Esta noite voltei à minha infância.
Menina rosada de sonhos nos bolsos.
Bailarina de corda na caixinha de som"


Graça Pires 
30/09/2019


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Um aparte:
Aproveito para referir que esta autora já visitou o Xaile de Seda com dois outros poemas: A velhice pede desculpa e Retrato de Mulher Triste. Como se vê não tantas vezes como o seu talento merece. Mas voltaremos, noutra altura, a esta querida poetisa brasileira.

Imagem: daqui

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A velhice pede desculpas

Tão velho estou como árvore no inverno,
vulcão sufocado, pássaro sonolento.
Tão velho estou, de pálpebras baixas,
acostumado apenas ao som das músicas,
à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético
dos provisórios dias do mundo:
Mas há um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória
são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles
In ‘Poemas 1958’ (Citador)

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E assim vamos nós contando os dias do nosso descontentamento, enfrentando escolhos em forma de relatórios, de palavras refundadas, de atitudes titubeantes daqueles que governam os nossos destinos. E a coisa vai chegando aos poucos, gota a gota, hoje é isto, amanhã é aquilo, não se vislumbra um planeamento, uma visão global dos estragos e do que é preciso fazer para repará-los.

O que nos abala é termos a sensação de que os sacrifícios exigidos não servirão de nada, de que nunca chegaremos lá, de que nunca veremos o fundo ao tacho da tal dívida soberana. E a tónica incide sobre determinada faixa etária e determinado grupo profissional, como fontes de toda a despesa pública como se não houvessem outras despesas a suprimir. 

Que o Estado deve ser repensado, disto não há qualquer dúvida. No entanto, medidas tomadas em cima do joelho, segundo parece, sem ter em conta que elas terão um efeito em cascata, isto é, não havendo poder de compra, emprego e com a economia estagnada, tudo acabará por se desmoronar e parar completamente.

Pensemos, pensemos... Acredito que haverá por este país fora boas cabeças capazes de pensar e encontrar soluções para o bem comum.


Assim seja...