Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A Portuguesa Língua

Já é por demais sabido: adoro estas palavras que António Ferreira, poeta, dramaturgo, Sec. XVI, dirigira ao amigo Pêro d'Andrade Caminha e elas fazem-se presentes aqui no Xaile de Seda sempre que sinto a necessidade de relembrar o legado que nos foi confiado:

Floreça, fale, cante, ouça-se e viva
A Portuguesa língua, e já onde for
Senhora vá de si soberba, e altiva.
Se téqui esteve baixa e sem louvor,
Culpa é dos que a mal exercitaram:
Esquecimento nosso, e desamor.

Mas tu farás, que os que a mal julgaram,

E inda as estranhas línguas mais desejam,
Confessem cedo ant'ela quanto erraram.
E os que depois de nós vierem, vejam
Quanto se trabalhou por seu proveito,
Porque eles para os outros assi seja.

António Ferreira



Hoje, o motivo é outro, que é o de registar o reconhecimento da importância do nosso idioma, como desejava o grande António Ferreira, agora a nível mundial.

Pois bem, acordei com a bela notícia de que a UNESCO aprovou o dia 5 de Maio como Dia Internacional da LÍNGUA PORTUGUESA, dia que já tinha sido instituído pela CPLP, a 20 de Julho de 2009, e mais:

“É a primeira vez que a UNESCO toma uma decisão destas em relação a uma língua que não é uma das línguas oficiais da UNESCO. Por unanimidade, as pessoas reverem-se na ideia de que é importante um dia mundial da língua portuguesa é muito importante”, afirmou António Sampaio da Nóvoa em declarações à agência Lusa. aqui

Mas lembremo-nos de um dado muito importante: o Brasil já comemora o Dia da Língua Portuguesa desde 2006, Dia 5 de Novembro, assim:

No Brasil, o Dia Nacional da Língua Portuguesa foi criado a partir do decreto de lei nº 11.310, de 12 de junho de 2006, estipulando a celebração para o dia 5 de novembro.

A escolha desta data é uma homenagem ao escritor e político brasileiro Ruy Barbosa, que nasceu em 5 de novembro de 1849, e é considerado um grande estudioso da língua portuguesa.



E agora, tempo para ouvir MARIZA e TITO PARIS

Beijo de Saudade
(Título original)
"Onda Sagrada di Tejo"
Morna de B.Léza

E também VITORINO, 
seduzido pela toada desta Morna 


NOTA:

"ONDA SAGRADA DI TEJO" - Morna de B. Léza , Francisco Xavier da Cruz.

A mesma Morna, duas versões:

1- Mariza canta-a, com Tito Paris, dando-lhe um toque de Fado e mudando-lhe o título para "Beijo de Saudade".
Segundo Carlos Saura, está tudo ligado. Veja SOLTE-SE A VOZ, aqui, no Xaile.

2- VITORINO com uma interpretação mais próxima do original. O título, de "Onda Sagrada di Tejo", passa para "Ondas Sagradas do Tejo".

Mas, ouso ainda acrescentar a interpretação de TITINA, talvez a que B. Léza teria gostado de ouvir, ou ouviu, e mais coincidente com a versão original.


E que eu prefiro.

domingo, 12 de maio de 2019

O Dia das Mães no Brasil

"O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana."
Assim declara o decreto de número 21.366, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e publicado em 5 de maio de 1932.
O documento ainda tece três considerações para justificar a lei: "que vários dias do ano já foram oficialmente consagrados à lembrança e à comemoração de fatos e sentimentos profundamente gravados no coração humano"; "que um dos sentimentos que mais distinguem e dignificam a espécie humana é o de ternura, respeito e veneração, que evoca o amor materno"; e "que o Estado não pode ignorar as legítimas imposições da consciência coletiva, e, embora não intervindo na sua expressão, e do seu dever reconhecê-las e prestar o seu apoio moral a toda obra que tenha por fim cultuar e cultivar os sentimentos que lhes imprimem, força afetiva de cultura e de aperfeiçoamento humano". daqui


Palavras para a minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

In: A Casa, a Escuridão

=====

Poema: Citador
Imagem: daqui

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Você: Brasil


Eu gosto de você, Brasil,
porque você é parecido com a minha terra.
Eu bem sei que você é um mundão
e que a minha terra são
dez ilhas perdidas no Atlântico,
sem nenhuma importância no mapa.
Eu já ouvi falar de suas cidades:
A maravilha do Rio de Janeiro,
São Paulo dinâmico, Pernambuco, Bahia de Todos-os-Santos.
Ao passo que as daqui
Não passam de três pequenas cidades.
Eu sei tudo isso perfeitamente bem,
mas Você é parecido com a minha terra.

E o seu povo que se parece com o meu,
que todos eles vieram de escravos
com o cruzamento depois de lusitanos e estrangeiros.
E o seu falar português que se parece com o nosso falar,
ambos cheiros de um sotaque vagaroso,
de sílabas pisadas na ponta da língua,
de alongamentos timbrados nos lábios
e de expressões terníssimas e desconcertantes.
É a alma da nossa gente humilde que reflete
A alma das sua gente simples,

Ambas cristãs e supersticiosas,
sortindo ainda saudades antigas
dos sertões africanos,
compreendendo uma poesia natural,
que ninguém lhes disse,
e sabendo uma filosofia sem erudição,
que ninguém lhes ensinou.

E gosto dos seus sambas, Brasil, das suas batucadas.
dos seus cateretês, das suas toadas de negros,
caiu também no gosto da gente de cá,
que os canta dança e sente,
com o mesmo entusiasmo
e com o mesmo desalinho também...
As nossas mornas, as nossas polcas, os nossos cantares,
fazem lembrar as suas músicas,
com igual simplicidade e igual emoção.

Você, Brasil, é parecido com a minha terra,
as secas do Ceará são as nossas estiagens,
com a mesma intensidade de dramas e renúncias.
Mas há no entanto uma diferença:
é que os seus retirantes
têm léguas sem conta para fugir dos flagelos,
ao passo que aqui nem chega a haver os que fogem
porque seria para se afogarem no mar...

Ler mais aqui

Jorge Barbosa

Jorge Vera-Cruz Barbosa nasceu na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1902. Faleceu em Cova da Piedade, Portugal, em 1971. Foi funcionário público. Um dos membros mais importantes do movimento Claridade.
Publicou: Arquipélago. São Vicente: Cabo Verde, 1936; Ambiente. Praia: Cabo Verde, 1941. Caderno de um Ilhéu. Lisboa: 1956.

Do site de António Miranda

====

Imagem do Rio de Janeiro - Net

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Holambra - Cidade das Flores

O caminho que me conduziu a Holambra foi muito interessante. A partir de um tema do Sec.XVIII que me interessava fui avançando até 'Províncias Unidas-Neederlands/Invasões holandesas (Brasil)' e, no meio de veredas e atalhos, apareceu-me Holambra. Misteriosos são os caminhos da net. É assim que eu me perco...



Mas, gostei de descobrir Holambra, nome que é um misto de Holanda, América, Brasil. Existe desde 1948, uma data relativamente recente, e ligada à imigração de holandeses (neerlandeses) para o Brasil, após a 2ª guerra mundial.



Holambra (município paulista) é considerada o maior centro de produção de flores e plantas ornamentais. É também considerada, oficialmente, uma estância turística, que promove anualmente a maior exposição de flores da América Latina: a Expoflora, realizada anualmente, desde 1981, no mês de Setembro.

Setembro ainda vem longe. Porém, qualquer mês é bom para se falar de flores, em especial Fevereiro que apela a tudo o que é romântico, altura em que, por cá, se comemora o Dia dos Namorados.




Voltando ao nosso tema:

É evidente a preservação da cultura holandesa em muitos aspectos. Este é o Moinho Povos Unidos de Holambra, com 38,5 metros de altura (9 andares) e com o peso de 90 toneladas. O moinho foi construído em 2008 de acordo com os moinhos na província Holanda do Sul. Trata-se de réplica fiel de um tradicional moinho holandês, e conta com pás de 25 metros de comprimento.




E que dizer destes trajes, dos tamancos e do bailarico cujo compasso se adivinha? Existem vários grupos folclóricos e segundo este portal: Os alunos começam os ensaios em Fevereiro e vão até Agosto, para se apresentarem na Expoflora (em Setembro). 




Cada novo grupo recebe o nome de uma flor e um traje feito sob medida, que é utilizado por dois anos. Os tamancos novos só são entregues na base de troca pelos velhos. O apogeu dos grupos de danças aconteceu por volta de 2008, quando reuniram cerca de 320 alunos, de 10 grupos diferentes, com um reportório de cerca de 190 danças.






Também em relação à gastronomia, a influência holandesa é um facto. Dizem-nos aqui: Quando se trata de comida típica holandesa torna-se necessário falar de batata. E continuo a ler: Pratos muito comuns feitos com batata são o stampot, puré de batata com verdura ou hutspot com cenoura. 




Para além da referência à batata que também se come frita and so on, fala-se também de queijos, hamburguers e outras iguarias do género. Faz-me falta ler alguma coisa sobre comidas feitas pelas avós, essas lindas criaturas que existem em todo o lado, felizmente, qualquer que seja a cultura.




Também encontrei este video, que contém o Roteiro Gastronômico, turístico, de Holambra. Através do referido video ficamos a saber da variedade de pratos e a conhecer os restaurantes que os confeccionam. Mas ainda assim, deve haver pequenos segredos gastronómicos que se guardam e permanecem no seio das famílias.




Este outro video leva-nos a passear pelas ruas, a apreciar as paisagens, às ofertas de lazer, a confirmar as rotas gastronómicas, à festa das flores, à sua História.


.

Convido-vos a visitar este blogue. Nele encontramos belas imagens de Holambra e das suas flores.


Já agora, registo este slogan turístico:

Visite Holambra e descubra uma nova paixão.








****


Amigos:

Um bom fim de semana.

Abraço

Olinda

****

Do Brasil, Canto da Boca envia-nos as suas impressões, na primeiro pessoa, e este precioso apontamento histórico:
Enquanto eu lia e vivia sua postagem, dialogava de forma silente contigo, quando dizes: "É assim que eu me perco...", eu replico, Olinda, cara amiga, é assim que tu te encontras, é assim que tu encontras belezas pelo mundo e partilhas conosco.

Quando eu era criança, e o caminhão carregado de flores, vindo de Holambra, chegava à minha cidade, era uma festa, todas as casas se enfeitavam.

Hoje vivo em uma cidade que sofreu com a "invasão" da Companhia das Índias Ocidentais, e a mando do conde alemão, Maurício de Nassau, foi incendiada, saqueada, vilipendiada, como foram todas as demais que viveram o processo de colonização. No entanto, o Recife, nossa vizinha, viveu um período de 24 anos, sob o domínio dessa coroa, e foi quando tivemos o primeiro plano de urbanização, investimentos de outras sortes, além da tolerância religiosa. Aqui acolá percebemos uma ou outra influência holandesa, mas não como Holambra.
Mas é essa diversidade que faz desse país, de 8. 514. 876 km² de extensão, ser essa surpresa e imensidão.

Mais uma vez saímos daqui enriquecidos com sua postagem, obrigada, deixo-te um beijão e um desejo de ótima semana!

;))

****

Obrigada, amiga.
Bjs
Olinda