segunda-feira, 6 de março de 2023

LER NAS ESTRELAS


Mês de Poesia - Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma


Participação 1

Convite para publicação de
Um poema ou prosa poética,(enfim, um texto) por semana, em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,

21/03

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E a chuva que não vinha. Todos os anos era aquele sufoco. Ele espreitava todos os sinais, sopesava-os e ia dizendo de sua justiça. À noite espreitava o céu. Huuumm... a lua com aquele halo amarelo não augurava nada de bom, mas a Estrada de Santiago prometia, leitosa, poderia ser um bom presságio. De dia via as nuvens formarem-se prenhes de água, ai, mas os pássaros todos em revoada, prenúncio de vento que as levaria para longe. E assim era. Todas a despejarem-se no mar. Aquela leitura já a sabíamos de cor e, realmente, não falhava. Até nós olhávamos para a abóbada celeste com as mesmas perguntas.

Chegava o dia em que a chuva, depois de várias negaças, lá resolvia visitar-nos. Não importava se era pouca ou muita, era sempre uma festa. Lavava a alma. Para já, o importante era que desse para as sementeiras. Tudo preparado naquela espera, toca de correr para os campos. E o milho medrava naquele chão de pousio durante tanto tempo, feliz por poder mostrar do que era capaz ...

Agora o leitor das estrelas voltava a sua atenção para as plantinhas que, quase a medo, iam despontando. Ou o medo estaria no seu coração? Auscultava-lhes a cor, a resistência, o futuro. Se resistissem até à monda e a chuva voltasse em tempo devido tínhamos colheita garantida. E recomeçava o perscrutar dos céus, o comportamento da lua, das constelações, do voo dos pássaros, do sol, quente e devastador.

Até que um dia, um belo dia, num ano qualquer, dava-se o milagre e completava-se o ciclo. Sementeira, monda, colheita, passando pelo ansiado dia de Santo André em que íamos comer milho verde assado, não sei se havia dispensa da escola ou como é que era, mas o certo é que isso faz parte das minhas memórias. Na colheita, os homens e mulheres chamados para o efeito começavam logo de manhã e, pelo caminho, iam deixando algumas espigas para nós recolhermos.

E ajudávamos a descascar o precioso cereal à procura de uma espiga vermelha. E ouvíamos as histórias que eles contavam. E espreitávamos com afinco os bolos de milho, a mandioca, a batata doce que punham a assar na cinza quente...

O leitor das estrelas. 
O meu Pai.



Ainda a pairar, a alguns metros do chão, eis-me de novo na senda poética... Espero não destoar muito :))

A partir de Abril prometo recolher-me em meditação.


Feliz mês de Março, amigos.

Abraços
Olinda



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Texto da minha autoria, reeditado
Publicado no "Xaile de Seda"

domingo, 5 de março de 2023

A MINHA SERENATA

 



Tudo a postos: 

Ambiente criado. Delicadeza de gestos e dolência da música. Tudo é amor e é amorável. Tudo se induz e se aceita. Nem precisamos compreender todas as palavras. 

Eles, Cremilda e Tito Paris, ajudam-me nesta Serenata que vos dedico, agradecendo a vossa presença que se traduziu em variadas formas de dizer poético.

Assim a nossa "Quinzena do Amor", que se estendeu no tempo, ocupando vários espaços mentais que são as participações dos meus queridos amigos, publicadas num espaço que se situa no éter. Porém, nós temos uma certeza: Existimos, somos reais.

Já muito se leu, muito se comentou, portanto hoje não serei muito extensa. Tenho o maior prazer em indicar, mais abaixo, quem andou por aqui a espalhar amor.



OS PARTICIPANTES:


Post 1 -  (O Amor? O que é...? - São, Luis Rodrigues, Verena,  Edite
Post 2 - ( A força do amor) - Taís Luso de Carvalho
Post 3 -  (Falando de amor) - Chica
Post 4 - ( Tempo de ser livre) Graça Pires
Post 5 - (O mais valioso) - Rosélia Bezerra
Post 6 - ( É o teu sorriso o oásis que me sacia) - Ricardo Valério
Post 7 - (Tudo o que eu queria ter) - Maria Caiano Azevedo
Post 8 - (Não posso adiar o amor) - Emília Pinto
Post 9 - Desafio de Juvenal Nunes - Olinda
Post 10 - (Sabor Utópico) - Janita
Post 11- (Penso em ti) - Elvira
Post 12 - (Memória) - Fernanda Maria
Post 13 - (Açafate de Palavras) - Manuel Veiga
Post 14 - (Vem) - Manuela Barroso
Post 16 - (Apetece-me, sim) - José Carlos Sant Anna
                Loiva e Jaime Portela
Post 18 - (Poema para a Amada) - Pedro Luso de Carvalho
Post 19 - (Estar contigo) - Lis
Post 20 - (Regresso) - maria loBos
Post 21 - (O Amor  - que é só um) - Sol da Esteva
Post 22 - (Se é para falar de amor) - Gracita Fraga
Post 23 - (Que feliz destino o meu) - Maria Rodrigues
Post 24 - (O Excesso) - Ana Maria Tapadas
Post 25 - (Incondicional) - Teresa Dias
Post 26 - (O Tempo passa? Não passa...) - Norma Emiliano
Post 27 - (As nossas mãos autorizam) - Luís Rodrigues
Post 28 - (Desfiar ilusões) - Juvenal Nunes
Post 29 - (Cai a Neve a Nordeste/Neba a Nordeste) - Teresa Almeida Subtil
Post 30 - (Entre Olhares) Carmen Luísa Barros
Post 31 - (Os Verdes Anos) - Ângela 
Post 32 - (Nossa música, "Amor puro" ) - Antônio Apon


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WHAT A FEELING


Canção - Irene Cara
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Take your passionAnd make it happenPictures come aliveYou can dance right through your life
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Grande a minha alegria pela reunião de tantos participantes no mesmo espaço, durante trinta e dois dias. Apetece cantar e dançar, como neste video.

Tenho ainda um delicioso remanescente, composto de 4 textos poéticos, que publicarei em breve. Fiz saber aos respectivos participantes desta minha intenção. Eles já constam desta nossa "Quinzena do Amor".

ATÉ SEMPRE, AMIGOS.

Beijos e abraços.

Olinda

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sábado, 4 de março de 2023

NOSSA MÚSICA, "AMOR PURO"




Nossa música diz tudo,
amor puro,
canção do coração.
Que tenha a força do sol nascente;
do poente, a inspiração.
Que seja pleno como primavera,
que seja à vera,
pra tudo vencer.
Desguarde nossos guardados;
um do outro,
um pro outro;
na concessão do tempo,
tempo pra gente se dar;
“desinporta” o que passou, importa o que passará;
Essa vida, para além dela,
mesmo quando a morte passar.
Djavanear,
no dedilhar das cordas,
nas notas desse amor puro.
Que venha o bom e o belo,
arriscando os “deslimites” de amar,
de nossa grande história,
aqui ou em qualquer lugar;
juntos,
numa mútua admiração,
não há feio nem bonito,
colorimos o chão,
o céu e o infinito.
Nossa música diz tudo,
“Amor puro”.


Antônio Apon


Poema inspirado na música "Amor puro", de Djavan.
https://www.aponarte.com.br/2022/07/nossa-musica-amor-puro.html


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Há lá melhor maneira de terminar esta 
"Quinzena do Amor" do que djavaneando? 

O mérito é de Antônio Apon que não 
só nos traz o 
belíssimo Djavan, como parafraseia 
a canção neste belo poema.

É amar sem limites, 
viver uma grande história...






DJAVAN
UM PURO AMOR

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O que há dentro do meu coraçãoEu tenho guardado pra te darE todas as horas que o tempoTem pra me concederSão tuas até morrer




Blog do Autor:



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Imagem: Trouxe do blog do autor
Música: sugestão do Autor