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domingo, 11 de fevereiro de 2024

Éramos Tu e Eu





Éramos eu e tu
Dentro de mim
Centenas de fantasmas compunham o espectáculo
E o medo
Todo o medo do mundo em câmara lenta nos meus olhos.

Mãos agarradas
Pulsos acariciados
Um afago nas faces.

Éramos tu e eu
Dentro de nós
Suores inundavam os olhos
Alagavam lençóis
Corriam para o mar.
As unhas revoltam-se e ferem a carne que as abriga.

Éramos tu e eu
Dentro de nós.
As contracções cada vez mais rápidas
O descontrolo
A emoção
A ciência atenta
O oxigénio
A mão amiga

De repente a grande urgência
A Hora
A Violência
Éramos nós libertando-nos de nós.
É nossa a dor.

São nossos o sangue e as águas
O grito é nosso
A vida é tua
O filho é meu.

Os lábios esquecem o riso
Os olhos a luz
O corpo a dor.
A exaustão total
O correr do pano
O fim do parto.

 




E o milagre mais uma vez acontece. 
O maior amor do mundo.






Violeta Parra
Gracias a la vida



***

Nota: amanhã teremos a publicação de dois poemas.





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Poema: Site de António Miranda

Dina Salústio (1957), pseudónimo adoptado por Bernardina de Oliveira Salústio, é uma antiga jornalista, professora e premiada escritora cabo-verdiana.Considerada a primeira mulher a escrever um romance em Cabo Verde e é membro fundador da Academia Cabo-verdiana de Letras. Foi por duas vezes distinguida pelo Governo de Cabo Verde, primeiro com a Medalha de Mérito Cultural e depois com a 1ª Classe da Medalha do Vulcão. aqui

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Nascimento de um Mundo

 




PRELÚDIO

O prenhe barro que sustinha o mar 
abriu-se como uma boca ou uma flor 
e o sopro de um deus imaginário 
- que já existia antes de Deus – fez abrir um pedaço do Mundo 
cuja alma já não cabia no corpo… 
e nasceram as ilhas 
 que nadavam e nadavam. 
As ilhas nascem nadando como as crianças nascem chorando, 
mas no gérmen tudo é diferente: as crianças nadam muito tempo 
antes de chorar 
e as ilhas choram muito tempo antes de nadar 
os dois prantos sob o signo de um pranto mestiço 
de água e fogo. 
LUZ 
LAVA 
DOR. 
Assim será. 
Assim foi, creio eu: 
Dez embriões num ventre 
dez vozes num parto
dez ilhas no mar e 
Eu assisti ao nascimento de um mundo 
que gerou o fogo 
e ficou elevado o umbigo da terra 
ou vulcão 
ou a raiz que evoca a diferença e a identidade. 
Tudo passou num segundo e depois - conceito que foi instante, 
logo e agora – 
o deserto… o inaudível … a luz 
e eu mil novecentos e sessenta e quatro anos depois atrás. 

In:Nascimento de um Mundo



Hino à Gratidão

Mário Lúcio



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Imagem: Ilha de Santo Antão - 29/Nov.2023

Foto minha

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Piku Ntóni

 A LENDA

Conta-se que, antes de ser descoberto, Cabo Verde era de facto verde. Possuía uma vegetação espessa, cheia de arvores frondosas e vicejantes. A água era abundante e os terrenos pantanosos, o que de facto se verificava no tempo da descoberta dos portugueses, em 1460, segundo alguns dados.

Havia então dois seres nesse confim do meio do mundo, eleitos do senhor, que os criou à sua semelhança e feitio. Adão e Eva se chamavam eles, únicos seres inteligentes destas paragens hisperianas da Macaronésia.

O povo chamava-os, Ntóni e Ntónia.

Viviam numa grande clareira de Matu-l Engenho, actual planície da Assomada. Eram agricultores e criadores de gados. Viviam em abundância de pão, paz e tranquilidade, semeando e vivendo do fruto da sua sementeira, ate que um dia, por capricho da natureza, essa felicidade foi interrompida, não por uma serpente diabólica, como na Sagrada Escritura, mas por um abalo sísmico seguido de uma erupção vulcânica portentosa que dizimou quase toda a população da ilha, tornando a paisagem idílica de então num espectro desértico e lunar. As lavas e as magmas expelidas espalharam-se pela ilha cobrindo-a de um manto de desolação.

Os dois Elfos fugiram para a maior elevação da ilha de Santiago, que hoje se chama Piku Ntónia, a fim de se resguardarem de uma possível soterração. Entretanto, quando se encontravam num vale, entre uma serra e outra mais elevada, foram inexoravelmente surpreendidos por uma lava mais caprichosa que os petrificou, tornando-as em duas estátuas, postadas lado a lado que a população de Santa catarina chama Adon y Eva.”

PIKU NTÓNI

Para alem dessa lenda contada por Manuel Veiga in “ Cabo Verde: Insularidade e Literatura”, muitos outros mitos rodeiam a maior elevação da ilha de Santiago (e a terceira de Cabo Verde, com 1394 metros).

Diz-se, por exemplo que Piku Ntóni (ou Piku Ntónia, ou Pico de Antonio, ou Pico de Antonia ) é um vulcão de água que a qualquer altura pode arrebentar e inundar a ilha de Santiago e as nuvens que envolvem o seu pico no mês de Julho são interpretadas como sinal de bom ano agrícola, sob o olhar de Ntoni ku Ntonia, duas agulhas levantadas do chão.

fonte:aqui



Assomada

AUTOBIOGRAFIA

Nasci numa aldeia
à sombra de um sobrado
e da austera penumbra das montanhas

Ainda criança
galguei a orografia de Assomada
e fiz-me árvore do planalto

O serpentear das estradas
fez-me desembocar no mar
junto a uma cidade
enfeitiçada de azul e murmúrio

De costas para o mar
insinuei-me – para além da ilha –
na lenta e transparente caminhada das nuvens
para beijar loucamente
a neve com odor de carvão de Leipzig

Hoje sei quem sou
um simples signo de Adão e Eva
e do seu éden pétreo no Piku Ntoni


José Luiz Hoffer Almada, poeta cabo-verdiano, levou-me a querer saber o significado de Piku Ntoni.





Boa semana, meus amigos.
Abraços.


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Imagem: Net

sábado, 13 de fevereiro de 2021

A Serenata






Vestida de gemidos de bordão,
lancinâncias de violino,
na noite parada
vem descendo a seresta.

Sumiu-se a cidade barulhenta
inimiga das crianças e dos poetas.

Uma voz canta sentimentalmente um samba.

          Aquele aperto de mão
          não foi adeus!

Os cavaquinhos desmaiam de puro sentimento,
a cidade morreu lá longe,
e a lua vem surgindo cor de prata.

Nessa história de amor todos são iguais,
até o rei volta sua palavra atrás...

O meio tom brasileiro deixa interrogativamente a sua nostalgia.

É hora que os poetas escolheram
para a procura dos seus mundos perdidos...

Amanhã a cidade virá novamente
inimiga dos poetas.
Mas agora ela dorme,
ela não sabe que os poetas falam com Nossenhor,
com a lua e as estrelas,
nesta hora tão lírica...

Menina romântica, irmã
das crianças e dos poetas...
A tua janela, florida de esperanças,
é um mistério que a cidade não entende.

Passa a serenata.
Mas no coração dos que temem a primeira luz do dia que vai chegar
ficam os gemidos do violão e do cavaquinho,
vozes crioulas neste noturno brasileiro
de Cabo Verde.


Oswaldo Alcântara




Osvaldo Alcântara, pseudônimo poético de Baltazar Lopes da Silva, nasceu na Ilha de São Nicolau, Cabo Verde, em 1907. Advogado e filósofo. Professor, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa. Um dos fundadores da revista Claridade, marco da literatura cabo-verdiana.

Publicou: Chiquinho (romance), São Vicente, 1947; O Dialeto crioulo de Cabo Verde, Lisboa, 1957; Cabo Verde visto por Gilberto Freire, Praia, Cabo Verde, 1956; Antologia da ficção cabo-verdiana contemporânea, Praia, Cabo Verde, 1960.

Conhecemo-lo, não é verdade? 
Veja-o aqui, no Xaile de Seda




Humbertona



Bom fim de semana, amigos.

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Extraídos de

BARBOSA, Rogério Andrade. No ritmo dos tantãs; antologia poética dos países africanos de língua portuguesa; Brasília: Thesaurus, 1991. 165 p.
Site de António Miranda:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/cabo_verde/osvaldo_alcantara.html


domingo, 31 de janeiro de 2021

Rosa (in)Fixa

não há quem não persiga uma rosa
nos escassos dias da mortal residência na terra

não há quem não a busque
mística ideal solitária carnal geográfica ou comunal
inseparável de longas veias e bandeiras

nunca houve quem não a desejasse colhida nas mãos em concha
como água purificadora desses escassos dias de residência

volátil volúvel sublima-se e desespera ao mínimo gesto
do toque e do encantamento o achador

qual a tua rosa?

temos cada um de nós a rosa eletiva e nunca idêntica
por mais próxima mística ideal ou comunal à do outro

a rosa (in)fixa só aparentemente se movimenta
somos nós atrás dela velozes e perdidos
ansiosos de busca do que não temos ou temos imperfeitamente

cada um quer a sua rosa
clandestina mas rosa
apaixonada mas rosa

solitária — todas as rosas são solitárias — mas ainda assim rosa
comunal porém de todos rosa
carnal ou mística sempre e ainda rosa rosa mesmo que conspurcada
e rosa da rosa-dos-ventos rosa é
desabrochada sobre o mundo
de ilha a continente
de mar a mar
de pólo a pólo
levada pelos ventos

ó rosa que nos diversificas no âmago de ti própria!
qual a tua rosa?

rosa de ninguém porque minha e eletiva
não há quem não persiga a sua rosa
inagarrável estrela que adia a mortal residência
e nos sobra no leito ao acordarmos
nem sabemos em que horizontes de outras rosas.

Oswaldo Osório

Rosa (in)fixa. 
Todos procuram a sua de modo a fixá-la nas suas vidas. 
É a procura da Felicidade, talvez...
"cada um quer a sua rosa
clandestina mas rosa
apaixonada mas rosa"




Oswaldo Osório, do seu nome próprio Osvaldo Alcântara Medina Custódio é uma referência na literatura cabo-verdiana; nasceu em Mindelo a 25 de Novembro de 1937. Terminou o liceu e ingressou no Seminário Nazareno, tendo exercido várias funções profissionais, como trabalhador de rádio, funcionário público, empregado de comércio, presidente da União dos Sindicatos e jornalista no semanário Voz di Povo



Leia também:

domingo, 19 de julho de 2020

O único impossível

Mordaças...A um poeta?
Loucura!

E por que não,
Fechar na mão uma estrela.
O Universo num dedal?

Era mais fácil
Engolir o mar
Extinguir o brilho aos astros

Mordaças a um poeta?
Absurdo!

E por que não
Parar o vento
Travar todo o movimento?

Era mais fácil deslocar montanhas com uma flor
Desviar cursos de água com um sorriso

Mordaças!
A um poeta?
Não me façam rir!...

Experimentem primeiro
Deixar de respirar
Ou rimar...mordaças
Com liberdade

Ovídio Martins


Este é o homem das palavras excessivas e emotivas, como vimos em "Não vou para Pasárgada" e "Os flagelados do vento leste", aqui publicados anteriormente. 

Nasceu em São Vicente, Cabo Verde, em 17 de Setembro de 1928. Poeta, jornalista, co-fundador do Suplemento Cultural (1958, São Vicente). O seu envolvimento em actividades de promoção da independência valeram-lhe a pena de prisão e o exílio nos Países Baixos. 

Em Ilha a ilha. Dor a dor, post deste Xaile de Seda, tive a oportunidade de falar sobre o seu posicionamento face ao evasionismo, no que diz respeito aos poetas cabo-verdianos da geração claridosa.




Ovídio Martins dedica o poema "O único impossível", a Baltasar Lopes da Silva, também poeta e publicado neste blog, por diversas vezes.


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Poema: "O único impossível", in No reino do Caliban

terça-feira, 19 de maio de 2020

Círculo




Nascemos, morremos,
Tornamos a nascer em cada sonho, cada ideia, cada gesto.
Cada dia que chega é flor que se abre ao sol
Com novo cheiro, nova cor, nova beleza.


Nossos desejos são asas que se elevam
Cruzando o céu da vida em voo largo
Mas nunca chega, nunca param
Enquanto corre o sangue e a vida cresce e rola.

O fim de um sonho é o começo de outro
Cada horizonte outro horizonte aponta,
E uma esperança morta outra esperança aquece.

Há magoas, alegrias, desesperos
E a gente insatisfeita
Enquanto ri ou chora
Ou canta ou fica triste
Vai nascendo, morrendo e renascendo
Cada dia, cada hora, cada instante
Noutra vida, noutro sonho, noutra esperança



Aguinaldo Brito Fonseca, poeta cabo-verdiano da geração do “Suplemento Cultural”, com Gabriel Mariano, Ovidio Martins, Onésimo Silveira, Carlos Alberto Monteiro Leite, faleceu 25 de Janeiro de 2014, em Lisboa. Tinha 92 anos e estava radicado em Portugal desde a segunda metade dos anos 40 do séc. XX. aqui






Leia no Xaile o ciclo dedicado a este poeta - aqui


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Poema - daqui
1ª imagem : aqui
2ª imagem : aqui


terça-feira, 7 de abril de 2020

A Invenção do Amor

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de apa-
relhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da
nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia
quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e
fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio 
A descoberta 
A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem uma mulher um cartaz de denúncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura 
A polícia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta
fechada para o mundo

É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique 
Antes que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
(...)
   (1925-1964)






Em 1925 nasceu Daniel Damásio Ascensão Filipe na ilha da Boavista, em Cabo Verde. Ainda criança, veio para Portugal onde fez os estudos liceais. Poeta, foi colaborador nas revistas Seara Nova e Távola Redonda, entre outras publicações literárias. Combateu a ditadura salazarista, sendo perseguido e torturado pela PIDE. Num curto espaço de tempo, a sua poesia evoluiu desde a temática africana aos valores neo-realistas e a um intimismo original que versa o indivíduo e a cidade, o amor e a solidão. Faleceu em 1964 em Cabo Verde. aqui


Boa terça-feira, meus amigos.

Abraços.

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Poema: In "A invenção do Amor e Outros Poemas" - Lisboa - Presença, 1972

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

oh a maturidade não nega o que tememos.






Canto Primeiro

Da morte nos ficou esse dom de a pensarmos
como coisa sua, coisa por que a pensamos
e acaso não a exprime, porque a
designamos.
Bizarro não é, pois, estar morto, mas lograr
que o tempo em si consigo não aja,
e erga a mão como quem sabe que a mão é
nossa
e não exprime
o que ambos exprimem,
uma, por mão, outro, por tempo que
aprende,
exprimem e juram em redor da mesa.
Para o que há sido o modo, a qualidade
de uma infinita aparição
ou o que há de exílio no exemplo que a
dissemina,
decidem a tradição e a carência
a espécie de facilidade que rememoraremos.
Sobretudo, decidem quando devemos
morrer
para pagar
a legitimidade ou o que há sido anomalia.

Porque de tudo nos ficou esse dom de não o sentir, de ficar com ele
só quanto seja a coisa que não tivemos.
A maturidade ou a alegoria que a tem
de outra coisa, oh a maturidade
não nega o que tememos.
O que queríamos dizer está já morto;
que poderíamos, pois, agora
acrescentar a essa alegoria?
Da condição da morte, o que morre
é nosso, e, além dele, dos bens nossos.


     (clic)

E agora, como interpretar isto? Perguntam-me a mim, imagine, João Vário! Teria de percorrer os caminhos trilhados por si na busca da sua verdade. Poeta do mundo, entregue ao seu afã de ler os outros para chegar a si próprio e construir o seu lugar. Um lugar só seu que muito poucos conhecem. Nos seus Exemplos foi deixando réstias do seu pensamento, do seu modo de estar, de reflexões filosóficas que os seus pares, aqueles que o terão lido, consideraram destoantes da sua realidade. 

Porquê aparecer então num momento de afirmação nacional, de contestação de poderes estabelecidos, com o seu raciocínio científico apenas focado naquilo que temos de transcendente, na contingência da morte e no poder incomensurável da vida? Apenas? Será que eu disse isso? E aparece nessa altura, assim vestido porque tinha de ser assim, porque era o seu destino, a sua sina, viver fora da sua terra e apenas voltar para ver a mãe e o irmão. E assim se fez e maturou o seu talento de homem de letras e de ciência. 
Oh a maturidade não nega o que tememos.



DEMIS ROUSSOS - INIMITÁVEL

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Poema retirado de Exemplo Geral: daqui
Título do post e citação retirado do poema.
Imagem - daqui