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sábado, 8 de fevereiro de 2020

Não estejas longe de mim um dia que seja


...atravessarei a terra inteira perguntando
se voltarás ou me deixarás morrer.

é lindo o amor! e pensar que ele existe...





Não estejas longe de mim um dia que seja, porque,
porque, não sei dizê-lo, é longo o dia,
e estarei à tua espera como nas estações
quando em algum sitio os comboios adormeceram.

Não te afastes uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas da insónia
e talvez o fumo que anda à procura de casa
venha matar ainda meu coração perdido.

Ai que não se quebre a tua silhueta na areia,
ai que na ausência as tuas pálpebras não voem:
não te vás por um minuto, ó bem-amada,

porque nesse minuto terás ido tão longe
que atravessarei a terra inteira perguntando
se voltarás ou me deixarás morrer.


Pablo Neruda,

in "Cem Sonetos de Amor"


Pablo Neruda, nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, (1904-1973), foi um poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile em Espanha (1934 — 1938) e no México. Recebeu o Nobel de Literatura em 1971, enquanto ocupava o cargo de embaixador na França...




Originalmente um pseudônimo, a escolha do nome "Pablo Neruda" ocorreu aos 17 anos de idade, e foi uma declaração de afinidade com o escritor checo Jan Neruda. Esse pseudônimo seria utilizado durante toda a vida e tornou seu nome legal, após ação de modificação do nome civil.

Veja mais sobre este autor aqui

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Poema - daqui
Imagem pixabay

Quinzena do amor
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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Eu simplesmente amo-te

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se. 



in "Cem Sonetos de Amor" 


Como diz Tito Paris, MIM Ê BÔ, BÔ Ê MIM:



Pablo Neruda, nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto (Parral, 12 de julho de 1904 — Santiago, 23 de setembro de 1973), foi um poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e cônsul do Chile na Espanha (1934 — 1938) e no México. Recebeu o Nobel de Literatura em 1971.
Originalmente um pseudônimo, a escolha do nome "Pablo Neruda" foi uma declaração de afinidade com o escritor checo Jan Neruda. Esse pseudônimo seria utilizado durante toda a vida e tornou-se seu nome legal, após ação de modificação do nome civil. Aqui...

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Texto classificado como "Carta de Amor" - Citador

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O teu riso



Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.


Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.




Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

  (1904-1973)

Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, de seu nome. Poeta chileno. O pseudónimo "Pablo Neruda", uma declaração de afinidade com o escritor checo Jan Neruda, tornou-se o seu nome legal após acção de modificação de nome civil.

Fiquei maravilhada com este poema de Pablo Neruda.

Esta versão que aqui trago encontrei-a no Pensador. Há uma outra no Citador. Talvez diferenças de tradução. Muitas vezes, quando os poemas ou textos não provêm de leituras cuja fonte conheço procuro confirmação em vários sites. Lembro-me de um poema atribuído a Jorge Luís Borges, escritor argentino, que eu publiquei aqui no Xaile, afinal era apócrifo. Fui alertada por Canto da BocaDeixei-o ficar com as devidas ressalvas.

Tenham uma muito boa noite.

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Imagens: Pixabay