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sexta-feira, 21 de março de 2014

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (10)




1

Canais de sofrimento:
percorre-os devagar
o barco da memória.

2

As copas dos pinheiros
outro mar,
outra respiração.

3

Amendoeiras em flor,
espuma do mar
no novo corpo da deusa.

4

Rocha vermelha:
um coração a pique
sobre o mar.

5

Anoitecer de Setembro:
um casal abraçado
na varanda.

6

Horizonte feliz:
céu e mar
confundidos.

7

A trouxa do viajante:
roupa do corpo e
da alma.

8

Agarrar a Lua
e atirá-la
ao mar?

9

A estrela,
no meio das nuvens,
juga que está sozinha.

10

Águas bravas,
rochedos,
covas onde se encalha.

11

Palavras-tubarão
arreganhando
os dentes.

12

O amor é uma travessia?
o amor
é um afundamento.


Yvette Centeno


in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 138 a 149, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.

Viajantes deste projecto:

Albano Martins, Casimiro de Brito, David Rodrigues, Dinis Lapa, Lécio Ferreira, Leonilda Alfarrobinha, Liberto Cruz, Lucília Saraiva, Luís Domingos e Yvette Centeno. pg. 9






Uma viagem efectuada em 2010 e que teve por base o 150º aniversário do Tratado de Paz, Amizade entre Portugal e o Japão. Para comemorar a Paz e Amizade nada melhor que esta poesia, mansa, simples, densa e complexa tal como são a Amizade e a Paz. Diz-nos David Rodrigues.






NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.

Imagem: daqui

quinta-feira, 20 de março de 2014

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (9)


1

A ponta da asa
toca de leve na água:
Para sempre as ondas.

2

Na maré enchente
Um tronco hesitante
Rio? Talvez mar?

3

Tarde de Inverno:
ainda voam as gaivotas
e os guarda-chuvas.

4

Clarão de Lua
sobre a vaga encrespada:
Espuma de prata.

5

tempo de calma:
só um delgado círculo
entre céu e mar.

6

Em Janeiro, a fúria
do mar vem do ciume
das magnólias.

7

Na luz do farol
uma gaivota cintila.
Ou será um anjo?

8

Passos de gaivota
na areia encharcada.
Carta para quem?

9

...aprender a ler
a caligrafia das algas
na maré vazia...

10

O caranguejo
só conhece a sombra
dos barcos que voam.

11

No fundo do mar,
passam devagar as sombras
das aves, dos barcos...

12

Lavarei os olhos
para lá do horizonte.
O mar. A noite.


Luís Ruivo Domingos



in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 124 a 135, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.


Sobre o autor, lê-se na pg. 136:


Luís Ruivo Domingos, 57, professor de Matemática e aprendiz de marinheiro. De um e outro ofício a necessidade de concisão, rigor, silêncio. Nas letras, traduções várias publicadas e poemas nas gavetas. Como mestres, Borges, Andrade e Sena, senhores da música e da palavra exacta.




Guiando-me pelo prefácio de David Rodrigues, dele inscrevo aqui mais esta informação: Citaria as palavras de Gonçalo M. Tavares no prefácio do livro "Estações Sentidas: 111 Haiku" descreveu a arte do haiku da seguinte forma:"Iluminar, concentrar, tornar mais forte cada palavra; exigir atenção, impor outro ritmo ao leitor; obrigá-lo a desviar os olhos das direcções comuns. Em suma dar a conhecer o prazer corporal da desaceleração, da lentidão lúcida, eis a arte do Haiku..."



NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.

Imagem retirada daqui

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (8)


1

a minha casa
perdida no oceano -
lençol branco contra o céu

2

no fundo do mar -
uma concha adormece
sem ruído

3

na cumieira do telhado -
uma gaivota
atenta ao temporal

4

cai a noite -
no fundo do oceano,
o peixe dorme?

5

na linha do horizonte -
penduro cuecas e meias,
penso na vida

6

até as palmeiras
baixam os braços
após o noticiário

7

à beira-mar -
a vociferação matinal
das gaivotas

8

tempero as batatas -
penso no sal,
como cai no mar?

9

sentada como um Buda -
apenas o ruído das ondas,
percute o meu crânio

10

no que resta da praia -
inerte,
um papagaio sintético

11

no alto da falésia -
as avencas
querem ser aloés?

12

longe do mar,
falta-me o mar
perto do mar,
faltas-me tu


Lucília Saraiva


in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 110 a 121, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.

Sobre a autora, podemos ler:


Lucília Saraiva (1966), natural da Guarda, viveu em França, onde estudou. Reside actualmente em Lisboa. Da sua paixão pela cultura e literatura nipónicas nasceu o gosto pela escrita de Haikai. pg 122





David Rodrigues, no prefácio, refere: Não posso deixar de agradecer a todos a generosidade e mesmo entusiasmo com que se incluíram neste projecto. 


NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.

Imagem: daqui 
Dados sobre o Japão: aqui

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (7)





1

Onda a onda
O mar
Se anuncia.

2

Cada onda do mar
É um oceano
De mensagens.

3

Persistente
O mar desdobra
Repetidos lençóis

4

Vista do mar
A terra
Não tem equilíbrio.

5

Por vezes o silêncio
Do mar
Prepara tempestades.

6

Pelo mar
Fomos.
Pelo mar somos.

7

Durante a noite
O mar
Espelha solidões.

8

Sereno ou medonho
O mar é o amante
Infatigável da areia.

9

O mar era imenso.
Grande era a terra.
Faltava o navegador.

10

Frente ao mar
Que voz é esta
Que nos seduz?

11

No cimo da onda
A gaivota espera
A dádiva do mar.*

12

Águas do mar
Que olhos te seguem?
Que segredos segredas?*


Liberto Cruz


* Estes asteriscos aparecem na publicação, assim como estão, e referenciam: 'Publicados em Sequências'.


in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs.96 a 107, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.


Voltando ao Prefácio, continuo a registar aqui as palavras de David Rodrigues:
Dez poetas portugueses contemporâneos aceitaram contribuir para que este livro que é, de certa forma, uma celebração da ponte que ligou Portugal e o Japão no século XVI: o Mar. "De Frente para o Mar" (e com a Europa nas costas) foi certamente a postura de sonho, de partida e de viagem que levou os navegadores portugueses a globalizar a geografia e as relações entre civilizações e pessoas. De frente, na fronteira do Mar. Hoje são diferentes as viagens e os seus meios; mas o sonho do outro e da distância permanece incólume como tão claramente se descortina nos haiku escritos neste livro. Pg.8



Vide Entrevista


NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.


quarta-feira, 19 de março de 2014

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (6)



1

mar azul e branco -
os olhos purificados
e a alma também

2

crescem flores bravas
no penhasco de ninguém -
só a voz do mar

3

a escarpa agreste -
malmequeres amarelos
respirando o mar

4

música das ondas
sombra de arbusto na rocha
gaivota voando

5

praia matinal -
tempos distantes regressam
no cheiro das algas

6

dia de verão -
uma vela sobre o mar:
sonho de partir

7

a flor das areias
na duna à beira do mar -
o sal e o sol

8

nas conchas da praia
mil recordações guardadas -
o tempo não volta

9

pôr do sol no mar -
sobre os barcos ancorados
pousam gaivotas

10

contemplando o mar
em noite de lua cheia -
caminho de luz

11

gaivota voando
sobre os barcos na marina -
cortar as amarras

12

no calor de junho
o azul dos jacarandás -
saudades do mar

Leonilda Alfarrobinha


in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 82 a 93, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.


flor de jacarandá Vetor



Leonilda Cavaco Alfarrobinha começou a interessar-se profundamente pela cultura japonesa quando iniciou a prática de karaté. Para melhor compreender a alma do povo japonês e as suas manifestações culturais, decidiu estudar japonês e visitar o Japão. A descoberta da poesia tradicional deste país surpreendeu-a e encantou-a. Apesar de, durante anos, ter escrito poesia de acordo com os modelos ocidentais, não demorou a iniciar a escrita de haiku. Em 2007, publicou a obra "O Respirar das Flores", um livro de haiku ilustrado por uma pintora japonesa. Está representada na Antologia Mundial de haiku, World Haiku, 2009 e 2010, Japão. pg 94


Pesquisando, encontrei Leonilda Alfarrobinha citada ou noticiada em vários sítios e blogs, nomeadamente, neste: "e citando a Prof. Leonilda Alfarrobinha, "um haiku é um pequeno poema constituído por dezassete sílabas distribuídas por três segmentos métricos de cinco, sete e cinco sílabas (...) É um dos mais notáveis géneros poéticos da literatura universal e, possivelmente, aquele que apresenta a forma de expressão mais breve e concisa".


Linkei o nome a Notícias da Embaixada do Japão onde Leonilda Alfarrobinha aparece, num evento, em Janeiro de 2013. De referir esta passagem da notícia: A Prof.ª Leonilda Alfarrobinha, grande entusiasta da poesia Haiku, fez de seguida uma breve introdução sobre este estilo poético considerado o mais curto do mundo.

O sublinhado é meu.

NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.


Imagem retirada da internet

terça-feira, 18 de março de 2014

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (5)


Lécio Ferreira

1

molha-me os pés
de tempos em tempos -
uma pequena onda

2

vento norte
mesmo tão distante -
este aroma

3

saudade -
e tudo o que tenho
é este búzio

4

agitação:
pescadores têm família
as gaivotas também

5

vento -
junto ao mar levantam-se
areias e saias

6

brincam na areia
para cá e para lá -
cão e sombra

7

maré vasa:
de repente o velho
sabe nadar

8

nevoeiro:
agora que te levantas
quanto mar!

9

rebentam as ondas -
mas também o silêncio
entre os bambus

10

brisa -
nada mais estremece
o fio de pesca

11

atrás das rochas
sem saber que é visto
o velho faz xixi

12

chove -
num instante se vão
pegadas na areia


Lécio Ferreira


in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 68 a 79, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.


Lécio Ferreira nasceu no Porto a 25 de Janeiro de 1983. Cedo manifestou interesse pelas artes, de início as plásticas e mais tarde as da escrita e da dança-teatro. A poesia tem feito parte do seu percurso e o haiku resultou de um aprofundar do Budismo Zen e da cultura nipónica. Actualmente, articula os seus interesses em projectos de Educação social e escreve com regularidade em blogs, onde também participa como ilustrador. pg 80

Com estes dados consegui chegar a este link e à imagem acima.


NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (4)



1

Giro o globo
o dedo indicador
perde-se no Pacífico

2

Ao fundo do mar
deita-se a lua
cor indizível

3

Tejo - solarengo
Carrego na mão
uma gota de água

4

Chuva intensa
Graffiti colorido
rindo-se da água

5

Horizonte -
põe-se o sol
ergue-se o mar

6

Aprazível mulher
banhando-se ao sol
a mosca à volta

7

Charco quente
um pequeno sapo
esborracha o girino

8

Haverá
no canto do rouxinol
maresia?

9

Pequeno aquário -
um peixe
atravessa o vidro

10

Eu
e o cacto
fartos da chuva

11

O salto da rã
caiu-me no ombro
e ela no charco

12

As gaivotas
calam-se
perante o silêncio


Dinis Lapa


in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 54 a 65, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues.


Segundo David Rodrigues, Dinis Lapa descobriu o haiku através de Jack Kerouac, apropriando-se do termo beat-haiku e das suas especificidades em relação à arte milenar japonesa. Conheceu os clássicos, Jorge Luís Borges e alguns contemporâneos. Os haiku não se encontram ou acontecem somente na natureza, mas também no espírito, no surreal, no ruído urbano, na fealdade, na dor. Não escreve o haiku na forma japonesa purista, mas mantém a universalidade do particular, a sugestão imagética, e tenta sempre dar novos caminhos àquilo que Ramón Gómez de la Serna chamou de "telegramas poéticos". pg.66



Obervações: 

No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.

Não encontrei mais elementos sobre o autor como Dinis Lapa. Existe, na     internet, Álvaro Carlos Dinis Lapa, pintor e escritor, mas não tenho, na obra, informações que me permitam comparar os dois nomes de forma a poder saber, sem erro, se se trata da mesma pessoa.


segunda-feira, 17 de março de 2014

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (3)






1

pôr do Sol no mar!
Só o olhar fica para cá
do horizonte.

2

crepúsculo de Inverno -
escamas de sombra
no rio.

3

nortada -
os farrapos de espuma
fogem para o sul.

4

um caranguejo
no olho do golfinho -
chuva de Inverno.

5

graves, na duna,
eu e uma lagartixa
olhamos o mar.

6

ouves o mar?
e o vento? e as gaivotas?
- É o silêncio.

7

vagueio pela praia -
as ondas perdem e ganham
reflexos de Sol.

8

maré baixa -
deste lado da Terra
o mar repousa.

9

luar no Tejo -
sem vento
a água treme.

10

luar no mar -
um imenso dorso respira
até ao horizonte.

11

entardece -
um último olhar no cais
e sigo as gaivotas.

12

rasa à água
a gaivota voa presa
à sua sombra.



David Rodrigues



in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 40 a 51, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues que, no prefácio, nos diz:



Num livro de poesia haiku escrito por poetas portugueses é inevitável evocar a memória de Wenceslau de Moraes e o seu esforço pioneiro de se acercar e entender a alma e a poesia japonesa. Ele - escritor, marinheiro, viajante - é uma figura incontornável do encontro de culturas que se consumou entre portugueses e japoneses desde 1543. À sua memória é dedicado este livro.



moraes


NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (2)



1

Frente ao mar
o meu coração adolescente
pede-me que salte

2

O mar flutua,
cintila, exalta-se e depois...
um céu deitado

3

O peso do mar
na palma da minha mão -
uma gota de água.

4

A brisa do mar
alheia-se, embriagada,
da miséria humana

5

A maré rebenta.
Abrem-se as tuas areias
e grito. Silencias

6

Lágrimas salgadas -
o mar permanece nos olhos
desde o princípio

7

As areias perdem-se
no mar: regressam à praia
cavalos de água

8

As ondas do mar
acompanham-se umas às outras - 
 e eu tão só

9

E tudo são conchas -
ossos musicais que podiam
ser relva ou bronze

10

Um petroleiro
No mar também habitam
animais doentes

11

Uma débil brisa
no ar. A barca no mar
quase não deixa rasto

12

Escrevo poemas, música
perfeita: terei esquecido
os ritmos do mar?


Casimiro de Brito

in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 26 a 37, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues que, no prefácio, nos diz:


Um haiku procura, o que designa no Japão 'haimi' o que poderia ser traduzido como "sabor do haiku" uma qualidade que, como afirma o poeta japonês Ban'ya Natsuishi, é um mistério que não pode ser explicado mas que pode ser compreendido. O poeta brasileiro Manoel Bandeira dizia, sobre o haiku, evocando a marca de subtileza que esta poesia tem, que se trata de "estremecimentos, murmúrios ou mastros de perfume".






NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página. 

Poesia Haiku: Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial (1)






1

Ter à sua porta
o mar:
exportá-lo

2

Diz o vento
ao mar: sem mim,
não podes voar.

3

Velozes, as ondas
procuram a praia: regressam
a casa?

4

Os barcos
na areia: pássaros
em repouso.

5

Na crista das ondas
fazem ninho
as gaivotas.

6

Diz o vento
ao mar: sem mim,
não podes voar.

7

Ao luar, uma vela
é também
uma estrela.

8

Peixes: os sobreviventes
dos antigos
naufrágios.

9

Por que é que os peixes
dormem
de olhos abertos?

10

Algas: os cabelos
das rainhas do mar
destronadas.

11

Disse a terra
ao mar: cala-te,
quero dormir!

12

Faz do mar
a tua casa,
mas tira-lhe o sal e a espuma.

13

Há um navio
afundado
com todo o passado à proa.


Albano Martins

in:

DE FRENTE PARA O MAR, pgs. 12 a 23, Colectânea integrada por dez poetas portugueses e organizada por David Rodrigues que, no prefácio, nos diz, entre outras coisas:


A poesia haiku com a sua postura não didáctica, centrada no momento e no presente, frugal na expressão e ligada à Natureza constitui uma afirmação de valores que vão contra-corrente dos valores hodiernos da comunicação pessoal e social e da vida quotidiana das sociedades industrializadas. Assim, escrever haiku não é linearmente equivalente a escrever qualquer outro tipo de poesia: pressupõe - como dizia um dos seus maiores cultores, Matsuo Bashô - a procura de um conjunto de valores, uma via de transformação pessoal que aproxima o caminhante de uma visão do mundo da qual emerge a atitude e a escrita haiku. Um caminho pessoal de despojamento e de procura do essencial. (...)



Retrato e poema de Matsuo Bashō pelo artista Yokoi Kinkoku
Este quadro data de cerca de 1820, e portanto é da Era Edo

NOTA: No citado livro os poemas não vêm numerados. Cada poema ocupa uma página.
Imagem: net