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sábado, 23 de setembro de 2023

Parece que...


...os ajuntamentos ainda nos dão água pela barba. Muita gente no mesmo sítio, a troca de abraços e beijinhos que sabem bem, olá há tanto tempo que não te via, ah estás na mesma, que elegante que estás, onde compraste os sapatos, e o vestido, oh, rapaz estás tão crescido, ainda ontem eras un petit gamin, e eis-nos todos aqui e ainda bem que não é num funeral, uma graçola que saiu inadvertida, mas a pessoa disse-a sem maldade, e não deixa de ser verdade... E depois é a noiva, a família da noiva, o noivo, a família do noivo completamente desconhecida. As apresentações e os beijinhos. E a cerimónia que se atrasa, não terá sido acautelado o factor tempo atmosférico, começou a chover, casamento organizado para ser ao ar livre, que bom!, mas assim não dá, as pessoas para cima e para baixo à procura de uma telha, e as roupas decotadas, vestidos leves próprios para o efeito, os homens nessas coisas estão muito bem vestidos, de fato, camisa e alguns até de colete e gravata, embora houvesse quem a tenha dispensado. Mau piso, empedrado, casinha de banho improvisado ao cimo de uma calçada, para o beberete o atravessamento de uma pontezinha toda trémula, no acto do casamento a oficial do registo civil a esquecer-se e a trocar os apelidos dos pais, talvez pelo cansaço da espera. Mas o pessoal jovem a salvar a situação com a sua dinâmica. Ao jantar, a chuva fez-se convidada, atrapalhação, os organizadores à procura de chapéus, e lonas de tendas...proteger os miúdos e os mais velhos era a palavra de ordem. Ao lado alguém constipadíssimo, garganta atacada...a humidade da chuva, o frio...houve quem tivesse ido buscar ao quarto toalhas turcas de banho para minorar a coisa...Era uma vez numa herdade...





E o vírus que se faz de morto à espera de um 
novo hospedeiro.

E encontrou-o...

É assim a vida. 
Feita de encontros e desencontros.
E assim ela tem de ser vivida, tendo em conta
um conjunto variegado de circunstâncias.

Tenham um bom fim-de-semana, meus amigos.

Abraços

Olinda


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Imagem pixabay

domingo, 22 de agosto de 2021

"Meu Olhar Espiritual na Pandemia"

Este é o título da reflexão que a Amiga Rosélia nos propôs tendo em vista a comemoração do 12º aniversário do seu blog "ESPIRITUAL-IDADE", amanhã dia 23 do corrente mês.



Neste ano e meio tanta coisa aconteceu e continua a acontecer que convocar tudo de modo a fazer-se uma análise objectiva torna-se tarefa hercúlea...porque dói. De vez em quando falamos sobre um aspecto ou outro, de modo a tentarmos exorcizar um pouco as dificuldades que temos experimentado. 

Aqui, no Xaile de Seda, fui abordando essas dificuldades da forma como as interpretava, sendo de grande relevo para mim o trabalho e dedicação dos Profissionais da Saúde, todo o sacrifício a que foram sujeitos pelas terríveis circunstâncias que a doença apresentava; também os Voluntários, essas figuras quase invisíveis que só se dá por elas quando andamos desesperados, à toa num hospital, e nos levam pela mão; o trabalho relâmpago dos Cientistas na descoberta de uma vacina para debelar este flagelo, quando se pensava que isso levaria o tempo de estarmos já todos mortos; os confinamentos e restrições sucessivos levando muita gente com pequenos negócios para a miséria e muitos mais para o desemprego.

Todos temos bem presente a primeira fase da notícia do aparecimento do vírus, os tempos de dúvida em que a comunidade científica não sabia o que fazer, tentando apanhar aqui e ali um sintoma, que medicamentos prescrever, todos vestidos da cabeça aos pés, protegendo-se, e com motivos para isso... As imagens da desinfecção das ruas com pessoas que pareciam extra-terrestres, as notícias que nos chegavam dos milhares que sucumbiam à doença, as recomendações contraditórias de uso ou não uso de máscara... além da desinfecção das mãos, distanciamento social que impedia o toque tão necessário ao ser humano.

Parece que estamos a viver isto há uma eternidade. Conseguimos agora respirar um pouco mais à vontade. Contudo, sabemos que a vacina não resolve tudo. O vírus continua aí, tomando novas formas.

Tive Covid em Janeiro bem como os meus familiares mais chegados, inclusivamente o benjamim da família de oito meses. Foram dias de grande aflição. Levámos agora a vacina, a segunda dose, pois consideram que quem já teve a doença não precisa da primeira...

Muitos parabéns, minha amiga Rosélia, pelo seu blog e por congregar todos numa acção introspectiva, contando as suas experiências neste momento crítico da Humanidade.



Boa semana, meus amigos.

Abraços.


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"Ressonâncias"




O nda de carinho

L iberdade nas amizades

I nteligente

N ada esnobe

D ádiva no virtual

A miga muito leal



Grata pelas suas gentis palavras, querida amiga Rosélia.

Beijinhos

Olinda


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domingo, 17 de janeiro de 2021

Falo de ti às pedras das estradas




Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que é louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!

Florbela Espanca, 

in 
"A Mensageira das Violetas"



Florbela Espanca (1894 -1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo. Há uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos. mais aqui

Magnífica Florbela Espanca!
 Poetisa maior, incompreendida no seu tempo. Os seus versos são para ler e reler prestando-lhe o reconhecimento que bem merece.

E por cá, agui e agora, ontem e hoje dias de Sol radioso que convida a passeios à beira-mar, à beira-rio, pelos jardins, pelos parques, passear o cãozinho (mesmo não tendo arranja-se um à pressa), tudo sem máscara. Máscara para quê? Tem-se de respirar esse ar que parece dizer "respira-me", de apanhar essa aragem fresca no rosto, correr de cabelos ao vento... porque o vírus é para os outros. Só acontece ao vizinho, àqueles que estão longe, noutras cidades, noutros países.

E também hoje, a votação antecipada em mobilidade para a eleição do próximo Presidente da República. Poderia estar já em carteira a votação electrónica para todos, isso meus senhores é que seria de grande utilidade, mormente com a pandemia que grassa por todo o lado, então nos lares e ambientes fechados nem se fala. Temos um Ministério da Economia e Transição Digital, não sei se isso faz parte das suas competências mas soa-me bem a propósito, a mim que sou leiga na matéria.

Bom domingo.

Abraços.    



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Poema: citador aqui

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Frágeis que somos

Uma sombra esgueira-se na noite. Dobrada, pescoço enfiado no corpo, olha para todos os lados com ar comprometido. Nota-se-lhe um andar claudicante que a bengala não sustém. Pousa-a no solo ao de leve como que receando o ruído que pudesse fazer, ecoando na cidade fantasma. Das janelas, frinchas franqueiam a olhares pouco amistosos o avançar da figura vestida de escuro. Perscrutam a noite, perscrutam-na a ela, perscrutam os relógios, tudo o que possa dizer as horas. E tudo indica que alguém se encontra na rua, furando o recolher obrigatório. E mais. Sem o respectivo acessório de uso obrigatório que a salvaria de um mau encontro com o vírus. O que fazer? Liga-se para a Polícia? Se dantes andar de máscara era caso suspeito, agora andar sem ela denota falta de civismo e de amor a si próprio e aos outros. Mas, o que se passa? Mais uma sombra sai da esquina também ostentando rosto desnudado. E não mostra constrangimento algum, com um à vontade como se fosse tudo seu. Que descaramento! Muito afoita, a segunda sombra aproxima-se da primeira: Ah, Ah, afinal tu também não trazes máscara. Acho bem, isso é tudo treta. Qual Covid, qual carapuça! Alguns vão ficar ricos com isso. Estou mesmo a ver. Esse negócio das máscaras, dos kits de protecção, do álcool, do gel desinfectante...enfim, e tanto plástico, meu Deus! A primeira sombra responde baixinho: Ando escondida, escapulindo-me pela rua a horas mortas para não ser denunciada... É que não tenho dinheiro para comprar uma máscara sequer. E dizem que é obrigatório! E quem não pode comprá-las?




Boa semana, meus amigos.

Saúde!


domingo, 6 de setembro de 2020

Vida pós-Covid ou com Covid?

Acho interessantíssimo falar-se da vida pós-Covid, como se já tivéssemos atravessado o deserto com o oásis à vista, quando é certo que este será, por enquanto, apenas uma miragem. Neste momento não há certezas nenhumas sobre quando nos poderemos considerar livres de tal vírus, pois não há medicamentos específicos para o combater e vacina muito menos, ainda que haja algumas notícias nesse sentido. 

Compreendo que se queira pensar o futuro, fazendo projectos disto e daquilo. Mas não descuremos o presente que se apresenta tão periclitante. Esta pandemia veio pôr a nu situações gritantes de desigualdade social. A imposição do confinamento se, por um lado, terá sido o mais acertado até se perceber que medidas concretas poderiam ser tomadas, por outro veio atirar para a miséria pessoas cuja situação financeira já não era famosa. 

Daí que tenhamos de retomar a vida, as nossas actividades, agora, no quotidiano. Não há alternativa. De nada vale ficarmos trancados no nosso medo, sumamente humano, de ficarmos infectados. Todos os nossos hábitos diários implicam essa possibilidade. Tudo o que é produzido sai de mãos humanas, desde o cafezinho que vamos tomar ao Café da esquina, aos bolos, às refeições e compras que fazemos ou que nos vêm trazer a casa, ao restaurante que frequentamos, às fábricas de transformação de alimentos, ao dinheiro que passa de mão em mão, ao multibanco, ao rodar a maçaneta de uma porta, ao abraço a familiares e amigos, tudo é passível de transmitir a infecção. Nós, os humanos, somos os agentes deste vírus. Os únicos? Não sabemos ainda, penso eu.

Assim, o que há a fazer é todos nós seguirmos as regras que se têm como boas, isto é, consideradas capazes de nos defender de percalços. Não há dúvida nenhuma de que a situação não se presta a que nos relaxemos, não é verdade? Lavar as mãos, desinfectar as mãos, usar máscaras em espaços fechados...não fazer ajuntamentos, guardar distâncias de segurança. 

A abertura das escolas, dos colégios, dos infantários vem colocar-nos um desafio enorme. Será uma obra hercúlea. Nem sei como impedir que crianças de tenra idade se mantenham afastadas umas outras por mais regras que haja...Que Deus nos acuda!  

Quanto à máscara, lembremo-nos de que esta pandemia é real e que ela, a máscara, entre outros cuidados, serve para nos proteger da infecção e se lidarmos com ela displicentemente acabará por ser um veículo de transmissão do vírus.


 

Boa semana, meus amigos.

E muita Saúde!

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terça-feira, 12 de maio de 2020

Premência dos nossos dias: produção nacional e regional (europeu)





Já se percebeu uma coisa: é fundamental apostarmos na produção nacional. As deslocalizações no sentido de se conseguir pagar salários mais baixos poderá ser bom porque os produtos são mais baratos. Mas só se o nosso mundinho continuasse como queremos, isto é, sereno, do nosso jeito, sem ataques repentinos e incontroláveis, no caso presente, por um vírus que não escolhe as suas vítimas.

Fechados sobre nós próprios, com dificuldades em importar o que quer que seja, viu-se o perigo de se morrer à fome quando não da doença, sem se poder fazer face à necessidade de materiais de protecção, equipamentos, medicamentos. 

Por isso, é importantíssimo pensarmos numa solução. E porque pertencemos a um bloco chamado europeu, há que chegar a solução de conjunto, elaborando projectos nesse sentido. E pô-los a funcionar. É urgente reactivar indústrias e o saber fazer. Há muito talento não aproveitado. 

A economia global é uma visão muito bonita e facilitadora de uma certa preguiça mental. O abanão que estamos a receber é um recado que não podemos ignorar. Ficámos nus perante a nossa incompetência e tomámos conhecimento de situações que desconhecíamos. A nossa dependência de terceiros é atroz.

Saibamos aproveitar esta lição...

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Veja aqui:
o Programa Prós e Contras:
"A vida depois da Covid-19"
11/05/2020

Imagem: daqui 

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Ele anda aí...ainda

O Vírus. O novo Corona-Vírus. Sars Covid-2. Ou a Covid-19. Porquê no feminino? Talvez seja a doença em si.  Ou o Covid, numa versão mais intimista, familiar-quase, um tu cá tu lá, com anedotas à mistura. Será esta a sequência? Coisa para cientistas, eles que sabem distinguir e destrinçar a evolução do Vírus do nosso descontentamento.

Mas não só descontentamento. Também do nosso medo. Porque num caso como este é saudável termos medo. Ter medo e não deixar que nos domine e procurarmos pensar com lucidez. Ter medo e precaver-nos. Ter medo e convencermo-nos de que teremos de viver e conviver com ele durante muito tempo, talvez.

Daí que aborde aqui o estado de emergência, emergência que é imposto por decreto, com todas as limitações de movimento aos cidadãos, porque assim o quisémos. Isto é, elegemos pessoas para tomarem decisões por nós quando necessário, para a nossa vida em sociedade. Um hiato consentido na nossa liberdade. 

E o estado de calamidade? É outra espécie de limitação, para catástrofes, desgraças, enfim sabemos o que é, competência do Governo. Mas há diferenças em relação ao estado de emergência. 

Queiram tomar nota:

Da emergência à calamidade: O que vai mudar?", um artigo do DN, mais abaixo. 





O certo é que vamos ter de recomeçar, devagarinho, porque a Economia o requer e, também a nossa Saúde em geral, bem como a Cultura e a Educação, mas ficará na consciência de cada um a circulação com equipamento de protecção. Haverá, sim, aconselhamento sobre isto e aquilo, recomendações sobre a higienização, alertas para não se formarem grupos. Mas não obrigatoriedade, segundo deduzo.

Ora, o que sucede já neste momento, ainda com o estado de emergência em vigor? Muito simples. Em jeito blasé, vêem-se pessoas em pequenos grupos a circular e a conversar, grupinhos à porta de onde se vende café, pão ou take away e supermercados, também a passearem com crianças pela mão, automóveis cheios não se sabe se com pessoas da mesma casa ou não. Tudo isto seria normal se tivéssemos vencido a doença. Mas não é o caso. 

Há que recomeçar a vida que ficou suspensa, é verdade. Mas onde estão as máscaras? Onde está o cuidado no distanciamento social?  Socialização sim, mas...

Sabemos que o Vírus não desaparece de um dia para o outro como por milagre ou porque vamos passar do estado de emergência para o de calamidade. 

Ele anda aí... ainda.
      Cuidemo-nos, meus amigos.







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Leia, p.f.:

Da emergência para a calamidade: O que vai mudar? - aqui
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O que dizer do casamento que juntou 300 pessoas em Pombal? aqui

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Corrida ao novo ouro?

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

'""
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto:
que não se muda  já  como soía...





Assim falou o Poeta, dos confins do século XVI.

Desde então, por quantas mudanças e transformações não passámos! Um espanto! Mas continuamos com esta capacidade desmesurada de nos espantarmos. Assim o quis Aristóteles. E como  é  natural, espantamo-nos com desvios de equipamento  médico  por esse mundo fora, quem sabe se não também neste jardim à beira mar ...

E para nós  simples anónimos  surge um desafio de suma importância: O uso de máscara enfim "liberalizado"!


Mortais que somos, dados ao espanto, espantar-nos-emos com a sua escassez - delas, máscaras - e com a corrida a esse novo ouro.

Mas, não  nos espantemos:

...muda-se o ser, muda-se a confiança...



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Luis de Camões - Líricas - excerto- pg  49
Imagem daqui

domingo, 5 de abril de 2020

Vamos dançar, aproveitar




Vamos cair de tanto rir
E conversar, ainda sabes como se faz?

A noite vem para fazer bem. 

A noite fez-se para cantar não interessa como. 
A noite fez-se para bailar não interessa como...
A noite fez-se para sonhar.

Vou atrás da luz que mora na escuridão

Sensação de voar para outro lugar.
Ver o dia nascer sem nada a perder. 

Só estar contigo...

(Letras do video)

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Exorcizando ... o medo

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Video: "A Noite" - Marisa Lins x Carlão
Imagem: daqui

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O aconchego do sofá, do pijama...

...e não só. Do roupão, do robe, das pantufas com peúgas a meio das canelas e duma batinha de trazer por casa por cima do pijama, no nosso caso, mulheres... É o que mais apetece nestes dias caseiros, forçados. Que coisa mais apetecível do que acordar de manhã e, com os pés um pouco a arrastar, caminhar para a casa de banho, depois agarrar numa caneca de café e bocejando sentarmo-nos no sofá? E assim por diante pelo dia fora, pois que não há nada para fazer, a rotina foi subvertida, fazer o quê?

Seres gregários, sentimo-nos algo perdidos. Mas também temos aquela capacidade imensa de adaptação, para o bem e para o mal, diga-se. E como temos um cérebro que também se adapta na mesma medida, vamos fazê-lo funcionar para o nosso bem e o daqueles que nos rodeiam. 

De repente demos conta de que o âmago da sociedade transferiu-se para a nossa casa. Já existia, mas dividia-se entre o nosso espaço familiar e outro mais alargado, lá fora. Agora, temos de gerir uma micro-estrutura, assoberbante devido às suas características e circunstâncias. E para que não vá tudo por água abaixo há que tomar medidas, definir algumas regras. 




Assim, teremos de fazer valer a vida do dia-a-dia como um tempo de amor e partilhas. Há sempre muitas tarefas a realizar. Tomemo-las em nossas mãos e façamo-las parecer leves com a participação de todos. Desde as lides domésticas às refeições à mesa, às lições aos mais pequenos, e entretê-los, ao tempo de lazer, leitura, jogos, tudo tem de ser levado em consideração, com o objectivo comum de que é para o bem todos.  

A ideia é todos cuidarmos uns dos outros sem gritos ou imposições. E mais, estejamos apresentáveis, sempre, embora com roupas confortáveis.

Só assim a nossa cabeça continuará a responder às exigências que se nos colocam e às quais teremos de responder responsavelmente. Porque poderemos ter de enfrentar mais dificuldades. E, quando isto terminar, a nossa sanidade mental é que nos salvará. E o nosso estado físico que também deve ser exercitado.

Sei, são coisas simples que todos já estarão a fazer. Contudo, esta é uma das formas de, também eu, continuar activa. Entre outras coisas, botando palavras aqui no computador e, consequentemente, no Xaile de Seda. 
Il faut cultiver notre jardin.

Aproveito para inserir, abaixo, um pequeno texto sobre a importância de bem dormir, condição essencial para ter pensamentos claros, firmes e luminosos:

O sono como condição de saúde

Eu presto homenagem à saúde como a primeira musa, e ao sono como condição de saúde. O sono beneficia-nos principalmente pela saúde que propicia; e também ocasionalmente pelos sonhos, em cuja confusa trama uma lição divina por vezes se infiltra. A vida dá-se em breves ciclos ou períodos; depressa nos cansamos, mas rapidamente nos relançamos. Um homem encontra-se exaurido pelo trabalho, faminto, prostrado; ele mal é capaz de erguer a mão para salvar a sua vida; já nem pensa. Ele afunda-se no sono profundo e desperta com renovada juventude, cheio de esperança, coragem, pródigo em recursos e pronto para ousadas aventuras. «O sono é como a morte, e depois dele o mundo parece começar de novo. Pensamentos claros surgem firmes e luminosos, como estátuas sob o sol. Refrescada por fontes supra-sensíveis, a alma escala a mais clara visão» [William Allingham].

Ralph Waldo Emerson, in "Inspiration"



E Pedro Barroso, aqui, num Medley




Canções eternas de autores inesquecíveis. 
Oiçam-nas e digam-me se não vale a pena...

"Tu sozinho não és nada, juntos temos o mundo na mão"
António Macedo



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Texto: citador
Imagem: daqui

domingo, 29 de março de 2020

Plano Marshall nos nossos dias? A União Europeia que se apresente...

Do descalabro da II Guerra Mundial, 1939-1945, saiu uma Europa trôpega, empobrecida, desiludida. A loucura que a atingira durante esses anos quase que a ia destruindo. A sua reconstrução foi obra de homens de valor que ultrapassaram todos os obstáculos para a efectivar. Aos poucos as pessoas foram levantando a cabeça, tanta mágoa calada no fundo dos corações. 

Um desses actos foi o Plano Marshall proveniente dos Estados Unidos da América que, com um Plano Económico, promoveu a recuperação dos países atingidos e que sofreram perdas com essa guerra, num aporte de 18 bilhões de dólares aos europeus, utilizados para a reconstrução de edificações e indústrias, importação de alimentos e mercadorias industrializadas, bem como no financiamento da agricultura.




O Plano Marshall vigorou de 1947 a 1951, sendo os principais beneficiários a Inglaterra, a Itália, a França e os próprios Estados Unidos que conseguiram criar as instituições de fortalecimento da internacionalização dos capitais na segunda metade do século XX. Também do lado dos EUA houve o desideratum político de conter a URSS e o avanço do poder dos partidos comunistas. Desse período nasceu a guerra fria, de má memória.

Hoje estamos envolvidos numa outra guerra. Temos um inimigo que ataca sem aviso e com armas para as quais ainda não temos qualquer réplica. Ouve-se falar, neste contexto, da aplicação de um plano similar ao Plano Marshall quando esta luta terminar. Mas se a História serve de alguma coisa, é bom que se comece a pensar já na forma de controlar esta outra calamidade que estamos a viver.

Com as pessoas fechadas em casa, as fábricas a laborar a meio gás ou fechadas, o desemprego já a lavrar insidiosamente, trabalhadores em regime de férias forçadas, lay-off em vigor, sem falar das próprias Instituições que vêem as suas receitas em queda livre e com o Estado a ter de prestar assistência em todos os níveis da sociedade, a união dos países da União Europeia, e não só, terá de se fazer presente. E não vale cada um ficar a olhar para o seu próprio umbigo, porque isto terá de ser um por todos e todos por um. Não há escapatória.

Relembremos os episódios que a humanidade teve de vencer. De como quase soçobrara e de como se reerguera. Que os exemplos do passado nos sirvam para analisar o presente e projectar o futuro que todos os dias nos desafia. 

Chamemos os historiadores, especialistas dessa análise tão necessária. Que façam parte da linha da frente, numa interdisciplinaridade desejável e sumamente indispensável. 

Trabalhemos todos para a defesa e manutenção do mundo que conhecemos.




Boa semana, meus amigos.

Abraços.

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quarta-feira, 25 de março de 2020

Sentimentos e emoções em tempos de ... confinamento


Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição?

Agustina Bessa-Luís






Um destes dias ouvi alguém, na rádio, discorrer sobre reciclagem de sentimentos.  Não ouvi toda a exposição pelo que não a sei reproduzir na íntegra. No essencial percebi a mensagem. A necessidade de revermos a nossa postura perante a vida e o nosso relacionamento com o outro. A pressa com que vivemos o dia-a-dia, a sobrevalorização de pequenas coisas que nos assoberbam, deixando para depois o mais importante e, acima de tudo, a reflexão necessária.

Estamos a viver em espaços confinados, todos juntos vinte e quatro sobre vinte e quatro horas e há que encarar isso no seu aspecto mais positivo. Sabemos que o confinamento pode levar-nos a situações de nervosismo, falta de paciência, um certo egoísmo em relação àqueles que nos rodeiam. Isso não quer dizer que, também, sentimentos de compreensão e harmonia não estejam nos nossos corações. Mas o nosso lado lunar aborda-nos, especialmente, em momentos de provação.

Por uma associação de ideias, tem-me visitado nos últimos dias o título de um livro de Gabriel García Marquez, O amor nos tempos de cólera. Nunca o li, não sei se o tema trata de cólera-doença, se de cólera-sentimento ou emoção. Seja qual for a sua vertente penso que se ajusta ao momento que atravessamos. Qualquer que seja a circunstância, cataclismo ou pandemia, o amor e a tolerância terão de sobreviver para que nós próprios possamos passar à fase seguinte. É um desafio que se nos coloca a nível físico e psicológico, que não dá tempo para nos prepararmos e sopesar os prós e os contras. O importante é que temos grande capacidade de adaptação e, ainda mais, de renovação e de inovação. Em ocasiões difíceis e de carência somos capazes de arranjar soluções, de dar um salto qualitativo, para a frente.

Temos notícias de laboratórios por todo o mundo a trabalhar afincadamente à procura de uma vacina que contenha este vírus; Contactos e mais contactos de conhecidos e desconhecidos no sentido de se providenciarem máscaras, luvas, ventiladores. Empresas que voltam a sua atenção para o fabrico desse material de suporte indispensável. Voluntários preocupados com os idosos, batendo-lhes à porta para saberem das suas necessidades. Pessoas oferecendo a profissionais de saúde kits de sobrevivência, num sinal de solidariedade e de muita ternura. Esses profissionais, médicos, enfermeiros, auxiliares, são os mais isolados e sacrificados de todos, sem poderem voltar para as famílias, enquanto durar a pandemia, sujeitos mais do que ninguém, ao contágio.

E que dizer das formiguinhas laboriosas que velam para que possamos ter água, luz, comida? Basta um telefonema e vêm a casa trazer-nos o necessário, dos supermercados, dos restaurantes. E as farmácias que continuam... E as transportadoras que nos trazem tudo e mais alguma coisa e, dentre elas, os imprescindíveis camionistas que atravessam fronteiras, e os padeiros...e o nosso lixo que é recolhido, nem sabemos a que horas. Tudo gente que corre grande risco, mas que continua porque a vida não pode parar.





Dos nossos sofás lamentamos o espaço exíguo, as limitações, a caminhada que não fazíamos mas agora apetecível, a ida ao café, ao restaurante, enfim ... aproveitemos este tempo para que seja um tempo de reflexão. 

O apelo é: "Fique em casa". E os sem-abrigo?

Boa quarta-feira, meus amigos.

Abraços.


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Projecto Radar

Imagem: aqui 

Citação de Agustina Bessa-Luis - Citador

quarta-feira, 18 de março de 2020

As varandas - nossas aliadas



No Verão costumo aparecer com apontamentos sobre vida saudável. Já falei sobre ginástica, iodo e não sei que mais. Se já estivéssemos nessa estação falaria da vitamina D, a tal que é conhecida como a Vitamina do Sol. Mas, hoje, mais do que nunca devemos ter presente essa vitamina que recebemos através dos raios solares. E dizem os especialistas que bastará todos os dias, durante 10 ou 15 minutos, recebê-los no rosto, no peito, nas mãos, por volta do meio-dia ou um pouco mais tarde, para termos as nossas reservas garantidas.

Agora que estamos impossibilitados, pelo isolamento social ou quarentena, de apanhar sol na praia, parques ou jardins, como fazer? É aqui que as nossas varandas têm uma utilidade que nem sempre lhe reconhecemos. Sabemos que somos um povo virado sobre si próprio (mais nas cidades) que se isola voluntariamente com cortinas nas janelas, gradeamento nas portas, e, mais ainda, varandas fechadas dando-lhes um uso diferente daquele para que foram construídas.

Por força das circunstâncias elas agora estão a ter o seu momento áureo, como veículo de comunicação, lembrando-nos que somos mais do que seres virtuais. Na Itália, serviram para lançar uma voz uníssona de rebeldia contra o vírus. Cá em Portugal, num acto espontâneo para com os profissionais da saúde serviram de plateia (ou palco?) donde soaram palmas de solidariedade e incentivo.




Também nós deveríamos livrá-las do seu isolamento e aproveitá-las para receber o astro rei em toda a sua glória, trazendo-nos a energia de que carecemos. Durante os nossos exercícios, alongamentos, passos para aqui, passos para lá... 

E, meus amigos, sirvamo-nos delas como esplanadas. Se fizerem um cafezinho, um chá, uma limonada fresca, desfrutem desses momentos com alguma música, ali na varanda, recebendo a aragem que passa.

Tal como a amiga Teresa Subtil, momento para ouvirmos Pedro Barroso, falecido há dois dias:



Boa quarta-feira.

Abraços.


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Imagens: daqui

terça-feira, 17 de março de 2020

Agora nós - alongamentos, pequenos exercícios e...




Experimentemos estes exercícios. São fáceis e qualquer pessoa pode fazê-los. O nosso corpo precisa de movimento. Onde quer que estejamos há sempre um exercício que poderemos fazer. Então, nestes dias de isolamento é motivo mais do que suficiente. 

Além disso, há aquele picô que está à espera de ser feito, o bordado de que já não se fala há muito tempo, consertos de coisas que se vão arrastando, a história que se encontra dentro de nós com vontade sair, ou notas do dia a dia. Aproveitemos esse tempo da melhor maneira...

E sempre, nos momentos mais quietos, a leitura. Leiamos em voz alta ou a média voz, sempre que possível. Teremos o prazer de exercitá-la e, também, de dizer e saborear as palavras:

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies

E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

É o nosso Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, o homem das sensações e os seus deliciosos exageros. Caminhemos com ele. "Nem tudo é dias de sol", mas poderemos remediar isso...


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Poema: daqui 

XXI - Se eu pudesse trincar a terra toda

segunda-feira, 16 de março de 2020

Entreter os mais novos - 2





Os três amiguinhos

-continuação-

O sapinho e o cachorrinho continuaram a andar cantando. Finalmente chegaram. Era um lugar maravilhoso! Havia uma cascata de água bem branquinha. O sapo e o cachorrinho meteram-se debaixo da água, deliciados. Mas se havia coisa de que o gatinho não gostava era de água… E aquela cascata certamente era fria.
“Vem!” – Gritou o sapinho.
“Vem!” – Gritou o cachorrinho.

O gatinho entretanto, continuava a olhar para a água , horrorizado.
“Não, não ! Não posso!…Tenho medo!…A água faz-me mal!…”

E o gato todo assustado, procurava afastar-se da cascata. O cachorrinho e sapinho então resolveram que obrigariam o gatinho a tomar banho. E assim terminariam com a história de que gato não gosta de água. E se assim combinaram, melhor o fizeram. Logo que viram o gatinho distraído, deram uma corrida e zás empurraram-no para a cascata

O susto do gato foi tão grande que ele ficou sem voz. Pulava e esperneava debaixo da água e quando conseguiu livrar-se dos companheiros saiu disparado como um doido….

A princípio o sapinho e o cachorrinho acharam graça, e divertiram-se com o susto do amigo. Quando ao fim do dia foram para casa o gatinho estava tão cansado que mal podia caminhar. Foi-se logo deitar na caminha de folhas secas. Tremia e espirrava que até fazia dó.

O sapo e o cachorrinho tiveram pena dele. Ficaram preocupados e faziam tudo para aquecer o amigo. O sapinho juntava folhinhas para lhe amaciar a cama, enquanto o cachorrinho lhe esfregava o corpo, para o aquecer. O gatinho ficou em casa alguns dias, com febre. Os seus amigos nem tinham vontade de brincar. Estavam muito tristes.

Quando o gatinho melhorou e sorriu para eles, o sapinho e o cachorrinho respiraram aliviados. O gatinho não lhes queria mal! Não estava zangado com eles! Envergonhados com o que tinham feito, resolveram que daquele dia em diante, teriam mais cuidado com as brincadeiras.
E assim o sapinho e o cachorrinho continuaram a ser os melhores amigos do gatinho. 


daqui

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Reconhecendo que não é tarefa fácil tomar conta de crianças em espaços fechados e confinados, agora obrigatórios, deixo aqui o meu contributo e a minha solidariedade.

Boa segunda-feira, meus amigos.

Abraços


Entreter os mais novos




Estão a ver do que se trata, não é verdade? Trabalho manual para crianças. Daqui deduzo qual seja um dos materiais. Rolos de papel higiénico reutilizados. Quanto ao resto penso que haverá sempre em qualquer casa. De modo que agora é pôr a imaginação a trabalhar e dar que fazer aos mais novos.

E um conto: 

Os três amiguinhos

No fundo de uma floresta, viviam um sapinho e um cachorrinho. Apesar de serem tão diferentes, eram muito amigos.

Certo dia, andavam eles a brincar, quando encontraram um bichinho todo enroscado, muito encolhido à sombra de uma árvore.

“É um tigre” — disse o sapo, meio assustado.

Mas o cachorrinho logo explicou: “Não, é um gatinho.” E realmente era um gatinho de pêlo amarelo com manchas escuras que se parecia com as ondinhas de uma onça. Você quer brincar connosco?” – perguntou o sapinho. O gatinho miou amigavelmente. Estava muito só e não tinha com quem brincar; por isso aceitou logo o convite que lhe faziam

Daquele dia em diante, andavam sempre juntos pela floresta, brincando, passeando ou procurando o que comer. Onde estava um por certo estavam os outros.

Certa manhã quando acordaram, o cachorrinho disse:
“Vamos fazer uma excursão?”
“Boa ideia” – respondeu logo o sapinho.

Mas o gatinho, perguntou muito admirado: “Excursão? O que é isso?”
“Ora, excursão é o mesmo que passeio, um grande passeio” – explicou o sapinho, todo importante e continuou sorrindo. Gatinho nada disse, e embora não lhe agradasse tal passeio ,um grande passeio levantou-se logo e partiu com os amigos.

Caminharam….caminharam….caminharam. O Sapinho e o cachorrinho divertiram-se a valer. Pulavam, atravessavam caminhos, subiam montes …. Mas o gatinho não estava a gostar nada de nada e perguntava se o lugar do piquenique estava próximo e os amigos riam e respondiam:
“É logo ali. Não demora… Daqui a pouco chegaremos lá.”

O Gatinho já estava cansado de andar sempre atrás dos outros. Para descansar um pouco, parava para tirar areia dos pêlos ou para arrumar a trouxa do lanche.
Quando chegaram ao alto de uma montanha, perguntou feliz , pensando que iriam parar:
“É aqui, não?”
“Não, é um pouquinho mais adiante” — disse-lhe o sapo.

Amigo sapo para colorir

Continua e... termina no próximo post...

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Imagem - daqui
Conto - daqui

"Despacito" - mexer os músculos é a palavra de ordem




Qualquer que seja o espaço em casa, o importante é mexer-nos. Tomemos isso como um hábito diário. Todos: pais, filhos, avós. Se alguns de nós temos de estar fechados em casa, por auto-isolamento social ou quarentena, é extremamente necessário o exercício físico. Descontrai e faz bem à saúde física e psicológica. Mas também a leitura é essencial...

De Clarice Lispector, este poema:

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.


Boa segunda-feira.

Abraços

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Poema: daqui