sábado, 9 de abril de 2022

Lembrar Jacques Brel


Brel nasceu em 08.04.1929. É um ritual a que regresso quase todos os anos: recordar que Jacques Brel seria hoje um velho se não tivesse adormecido demasiado cedo: «Les vieux ne meurent pas, ils s’endorment un jour et dorment trop longtemps» – disse ele.




e mais esta de que gosto muito:



e tantas outras músicas...

Bom fim de semana, meus amigos.

Abraços
Olinda

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terça-feira, 5 de abril de 2022

Eu não quero ser velha sozinha




Vamos ser velhos ao sol nos degraus
da casa; abrir a porta empenada de
tantos invernos e ver o frio soçobrar
no carvão das ruas; espreitar a horta
que o vizinho anda a tricotar e o vento
lhe desmancha de pirraça; deixar a

chaleira negra em redor do fogão para
um chá que nunca sabemos quando
será – porque a vida dos velhos é curta,
mas imensa; dizer as mesmas coisas

muitas vezes – por sermos velhos e por
serem verdade. Eu não quero ser velha
sozinha, mesmo ao sol, nem quero que
sejas velho com mais ninguém. Vamos

ser velhos juntos nos degraus da casa –
se a chaleira apitar, sossega, vou lá eu; não
atravesses a rua por uma sombra amiga,
trago-te o chá e um chapéu quando voltar.

Maria do Rosário Pedreira


Poema delicioso, este, também de amor. O aconchego requerido e achado, quando a vida já não estará para grandes correrias. Quando já se fez tudo o que a chamada vida activa exige, descansar nesses vagares que só o amor e o companheirismo e uma certa cumplicidade nos concedem. E que ao fim e ao cabo desejamos.  





Maria do Rosário Pedreira (Lisboa, 1959) tem a sua obra poética coligida em Poesia Reunida, que a Quetzal publicou em 2012 (nomeadamente A Casa e o Cheiro dos Livros, 1996; O Canto do Vento nos Ciprestes, 2001; Nenhum Nome Depois, 2014). Além de poeta, romancista (a de Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu), autora de literatura juvenil e um dos nomes mais importantes da escrita de fado – Maria do Rosário Pedreira é também uma referência de grande qualidade para a edição portuguesa contemporânea, sendo editora na Leya. Mantém o blogue As Horas Extraordináriasaqui


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Poema: daqui
Imagem: net

domingo, 3 de abril de 2022

O Príncipe de Bel-air

É como me lembro dele. Um rapaz desempenado numa série de humor que acabou por lhe dar fama. Ainda que tenha vindo a desempenhar outros papéis, também de relevo, em filmes que também vi, a série denominada "Príncipe de Bel-air" sempre teve o seu lugar privilegiado.

A notícia da bofetada a um humorista na noite dos óscares veio manchar o seu currículo. Por pouco se pode ganhar o pódio dependendo das oportunidades e de momentos propícios, mas também por pouco se pode perder o brilho de uma carreira. Já tem acontecido. E voltará a acontecer. Infelizmente é assim o mundo. Com as notícias em directo o impacto é estrondoso.

E está mais do que visto que a violência nunca é opção nem solução para nada. Mormente quando se ocupa lugar de destaque na sociedade. As pessoas nesse patamar têm de fazer por continuar a merecer a admiração e o respeito que lhes são atribuídos.

Temos pena, Will Smith.




Já nos basta ver o mundo de pernas para o ar numa guerra, na Europa, que sacrifica inocentes, fazendo vítimas a toda a hora, esse conflito em que a Rússia quer fazer vergar a Ucrânia, um país soberano. Milhões de refugiados, com crianças e idosos, homens e mulheres a defenderem o seu rincão, vidas estragadas. 

Esperamos ardentemente por uma solução. Enquanto isso, o que vemos é destruição e morte. Sem contar com outros povos que dependiam do fornecimento de cereais e que agora podem ver-se a braços com a sua falta, estando a fome à espreita. No Norde África, por exemplo...

Infelizmente, Will Smith, a alopécia é uma doença terrível. Lamento imenso. Mas as graças, as piadas, mesmo sem graça e até cruéis, resolvem-se de outra forma. Não à estalada.

Meus amigos, tenham um bom resto de domingo.

Abraços.

Olinda