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domingo, 2 de agosto de 2026

A travessia é mais além...

 


São de pedra os caminhos de Damasco

E de pedra são as rotas e as distâncias.

E é de areia o rosto das miragens

E são de fel os dias. E de amargura

A água dos rochedos.


São de pedra os trilhos

E as bocas são a arder

A insónia de serpentes

E labaredas negras...


Soberbos, porém, os dias

Assim cativos de pedras 

E de medos.


Manuel Veiga

In: Perfil dos Dias

pg.82


Nasceu em Matela, concelho de Vimioso (Trás-os-Montes) e reside em Bobadela - Loures.
É licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu advocacia alguns anos no início de carreira, que depois prosseguiu como consultor Jurídico em Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e, mais tarde, como Inspetor Superior da Inspeção Geral da Educação, onde desempenhou funções no respetivo Gabinete Jurídico. 

ver mais aqui





Blog: Relógio de Pêndulo


Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem: pixabay

domingo, 25 de agosto de 2019

Liberdade é esta chama...





Benignos os deuses que derramam
Sua majestade no coração dos homens
E dulcificam tempestades
No fogo dos poetas.

Néscios os homens que caminham rente
Aos pés e de olhar perdido:
Receiam a nuvem
E gota de luz.

E gemem as dores
E funestas danças no corpo interdito
De auroras negras.

Liberdade é esta chama. Que almeja
A inquietação dos anjos
E o seio do barro redentor.

E se glorifica eterna
Na fusão do sonho
E mágoa.

Manuel Veiga

in Perfil dos Dias
pg.100


Ler Perfil dos Dias, o mais recente livro de Poesia de Manuel Veiga, é deveras um exercício de pertença. Nesse percurso, assinalam-se os poemas nossos preferidos para, a seguir, voltar ao princípio porque afinal são esses e mais outros e assim sucessivamente acabando, nós, por perfilhá-los a todos.

Então, porquê a escolha de "Liberdade é esta chama..." e não outro, nesta nossa publicação de hoje?

Estes versos: Liberdade é esta chama.Que almeja/A inquietação dos anjos/E o seio do barro redentor, e todos os outros que compõem o poemanão poderiam, quanto a nós, definir com maior acuidade esse valor por que todos ansiamos, aflorando o fogo interior que nos anima e a nossa condição humana. E nesse lume redentor marcamos encontro esconjurando as nossas fraquezas e fantasmas.


Conhecendo um pouco da obra de Manuel Veiga, julgamos ver neste livro uma deliciosa contenção, quiçá, uma bem alojada maturação de ideias e de sentires. 

Os poemas grandiloquentes, que amamos, de palavras que desafiam os deuses, cantam Helenas e Lydias, louvam  montanhas e declives, água e febre, em que, por vezes, o Poeta (perdoe-nos esta interpretação), ombreando com essa força divina lança raios e coriscos, em rasgos de puro talento,- dão lugar no presente livro a um olhar mais intimista e humanizado

Com efeito, surgem os chamados Poemas Mínimos dos quais colhemos mensagens inteiras e também aqueles em que o Poeta se recolhe e mostra mais de si, como em Inamovível Pedra, Sou Pedra Rústica, Sei que passo, Fio de prumo e outros, não deixando de lado Regresso(s), poema de uma doçura imensa.

Perfil dos DiasManuel Veiga
Modocromia Edições, Lda
2019




Do Autor, assinalamos ainda:

"Do Amor e da Guerra - Fragmentos", editora Modocromia, 2018. 
"Caligrafia Íntima", Poética Edições, 2017
"Do Esplendor das Coisas Possíveis", Poética Edições, 2016
"Notícias de Babilónia e Outras Metáforas",  editora Modocromia, 2015.
"Poemas Cativos", Poética Editora, 2014.

O Blog: Relógio de Pêndulo
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NOTA: 
Num próximo post apresentaremos um Apontamento sobre o "Do Amor e da Guerra - Fragmentos". 

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1ª imagem:
Pixabay