domingo, 2 de agosto de 2026

A travessia é mais além...

 


São de pedra os caminhos de Damasco

E de pedra são as rotas e as distâncias.

E é de areia o rosto das miragens

E são de fel os dias. E de amargura

A água dos rochedos.


São de pedra os trilhos

E as bocas são a arder

A insónia de serpentes

E labaredas negras...


Soberbos, porém, os dias

Assim cativos de pedras 

E de medos.


Manuel Veiga

In: Perfil dos Dias

pg.82


Nasceu em Matela, concelho de Vimioso (Trás-os-Montes) e reside em Bobadela - Loures.
É licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu advocacia alguns anos no início de carreira, que depois prosseguiu como consultor Jurídico em Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e, mais tarde, como Inspetor Superior da Inspeção Geral da Educação, onde desempenhou funções no respetivo Gabinete Jurídico. 

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Blog: Relógio de Pêndulo


Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem: pixabay

19 comentários:

  1. Maravilhosa e com versos profundos essa poesia... O final muito lindo! Ótima semana, beijos, chuica

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  2. Me gusto el poema. Te mando un beso.

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  3. Um belo poema no canto à terra onde a vida se fez historia e mora nas lembranças. Gostei de ouvir o Roberto Leal, tão amado no Brasil.
    Bela partilha Olinda.
    Uma feliz semana com um agosto cheio de boas novas.
    Carinhoso abraço amiga.

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  4. Bom dia.
    Obrigado pelo poema.
    Um abraço.

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  5. Mais um belo poema de Manuel Veiga aqui nos presenteia. Um hino sentido e emotivo às suas origens. Gostei bastante, amiga Olinda.
    Beijinhos e feliz semana.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  6. Bela poesia.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está em Hiatus de inverno entre 03 de agosto à 07 de setembro, mas comentaremos nos blogs amigos. Mesmo em Hiatus, o JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  7. Olá, amiga Olinda, gostei muito deste excelente poema
    do nosso bom amigo Manuel Veiga.
    Obrigado pela ótima partilha.
    Abraço pra você e outro para amigo Manuel!

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  8. São cada vez mais acidentados os caminhos dos que procuram um futuro melhor!
    Belo poema!

    Abraço

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  9. Amiga Olinda, boa noite de paz!
    Poema muito belo e delicado com imagens convidativas a uma boa leitura agradabilíssima que me levou a um veio que me agrada muito..
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  10. Bonita escolha do 'Travessia'.
    Admiro muito a escrita do poeta , é de uma beleza ímpar a forma como ele traduz o sentido das palavras e transforma em poemas .Incomparável .
    Obrigada pelo prazer que sinto ,lendo mVeiga .
    Meu abraço

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  11. Belíssimo poema. Grata poema compartilhar. Muita luz e paz. ♥

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    1. Olá, Sonya
      Não consegui comentar.
      Como é que se entra no seu Blog?
      Abraço
      Olinda

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  12. je passe te souhaite une belle nuit a demain bisous Fabien

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    1. Olá, Fabien
      Como é que se comenta
      Não encontrei o caminho.
      Abraço
      Olinda

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  13. Querida Olinda, sem ver o autor assinando abaixo, já desconfiava que esse maravilhoso poema seria do nosso querido amigo Manuel Veiga!
    É inconfundível seu estilo!
    Deixo um beijo para para você e Manuel!
    Um feliz fim de semana para os meus dois amigos. 🌻🌹🙋‍♀️

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  14. Boa noite, amiga Olinda.
    Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.

    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  15. Olá amiga Olinda,
    O Manuel Veiga é um bom escritor, nomeadamente de poesia, que é a faceta que lhe conheço melhor.
    E esta excelente escolha poética assim o confirma.
    Boa semana.
    Um abraço.

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  16. Olinda, amiga, ando meio afastado, mas asseguro que o respeito e o carinho pelo seu trabalho permanecem inalterados.
    Acabo de ler o poema de Manuel Veiga e não me contive.
    Ao evocar explicitamente “os caminhos de Damasco”, “as rotas” e “os trilhos”, depreende-se no poema a metáfora da viagem ou travessia. Esta surge como uma alusão bíblica, mas representa, sobretudo, uma jornada humana dolorosa, seca e hostil, sendo assim tratada ao longo de todo o texto. Está implícito na obra que o sofrimento não é um estado passageiro; ele faz parte da própria geografia e da contagem do tempo, como se nota em "são de fel os dias".
    Nesse cenário, os elementos naturais ganham contornos psicológicos. Se, por um lado, a pedra representa a imobilidade e a dureza — delineadas nos caminhos, nas rotas, nos trilhos e no cativeiro final —, configurando-se como o obstáculo intransponível da realidade; por outro, a areia e as miragens simbolizam a ilusão e a instabilidade. O “rosto das miragens” feito de areia sugere que as esperanças ou desejos projetados no horizonte são falsos e desmoronam facilmente.
    Contudo, há uma profunda ressignificação do sofrimento na conclusão da obra. Mesmo aprisionados e “cativos” pela crueza da vida (“pedras”) e pela vulnerabilidade humana (“medos”), os dias são descritos como “soberbos” — isto é, orgulhosos, imponentes e grandiosos. Com isso, Manuel Veiga exalta a capacidade humana de resistir e de manter a dignidade e a altivez face à adversidade extrema, consagrando o triunfo do espírito sobre o cenário hostil.
    Aproveito para dizer-lhe que admiro a poesia de Manuel Veiga e sou grato pela generosidade dele ao possibilitar a publicação de um texto escrito por mim sobre o Gabinete Português de Leitura de Salvador, Bahia, em um número da Seara Nova.
    Sempre me alegra conversar com você!
    Beijinhos e um bom final de semana!

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    Respostas
    1. Meu amigo José Carlos
      Bela análise aqui fez ao poema de Manuel Veiga. Aliás, o que sempre acontece quando publico poemas. Fico feliz porque assim percebo melhor o que o autor quer dizer, através das suas palavras.
      Manuel Veiga tem um dom incrível para a escrita e, não poucas vezes, folheio alguns dos seus livros com o intuito de publicar um poema e devo dizer que a dificuldade está na escolha.
      Ainda bem que voltou, meu amigo. Sem pressão, digo-lhe que a internet não é a mesma sem a leitura que faz do que se publica, seja prosa ou poema, isto é, sem a sua análise.
      Vou em breve ao seu blog ler o que o publicou (sei que publicou um poema sobre a nossa amiga Graça Pires) e tecer o meu comentário.
      Desejo-lhe uma semana feliz.
      Beijinhos
      Olinda

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