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quarta-feira, 18 de março de 2020

As varandas - nossas aliadas



No Verão costumo aparecer com apontamentos sobre vida saudável. Já falei sobre ginástica, iodo e não sei que mais. Se já estivéssemos nessa estação falaria da vitamina D, a tal que é conhecida como a Vitamina do Sol. Mas, hoje, mais do que nunca devemos ter presente essa vitamina que recebemos através dos raios solares. E dizem os especialistas que bastará todos os dias, durante 10 ou 15 minutos, recebê-los no rosto, no peito, nas mãos, por volta do meio-dia ou um pouco mais tarde, para termos as nossas reservas garantidas.

Agora que estamos impossibilitados, pelo isolamento social ou quarentena, de apanhar sol na praia, parques ou jardins, como fazer? É aqui que as nossas varandas têm uma utilidade que nem sempre lhe reconhecemos. Sabemos que somos um povo virado sobre si próprio (mais nas cidades) que se isola voluntariamente com cortinas nas janelas, gradeamento nas portas, e, mais ainda, varandas fechadas dando-lhes um uso diferente daquele para que foram construídas.

Por força das circunstâncias elas agora estão a ter o seu momento áureo, como veículo de comunicação, lembrando-nos que somos mais do que seres virtuais. Na Itália, serviram para lançar uma voz uníssona de rebeldia contra o vírus. Cá em Portugal, num acto espontâneo para com os profissionais da saúde serviram de plateia (ou palco?) donde soaram palmas de solidariedade e incentivo.




Também nós deveríamos livrá-las do seu isolamento e aproveitá-las para receber o astro rei em toda a sua glória, trazendo-nos a energia de que carecemos. Durante os nossos exercícios, alongamentos, passos para aqui, passos para lá... 

E, meus amigos, sirvamo-nos delas como esplanadas. Se fizerem um cafezinho, um chá, uma limonada fresca, desfrutem desses momentos com alguma música, ali na varanda, recebendo a aragem que passa.

Tal como a amiga Teresa Subtil, momento para ouvirmos Pedro Barroso, falecido há dois dias:



Boa quarta-feira.

Abraços.


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Imagens: daqui

terça-feira, 17 de março de 2020

Agora nós - alongamentos, pequenos exercícios e...




Experimentemos estes exercícios. São fáceis e qualquer pessoa pode fazê-los. O nosso corpo precisa de movimento. Onde quer que estejamos há sempre um exercício que poderemos fazer. Então, nestes dias de isolamento é motivo mais do que suficiente. 

Além disso, há aquele picô que está à espera de ser feito, o bordado de que já não se fala há muito tempo, consertos de coisas que se vão arrastando, a história que se encontra dentro de nós com vontade sair, ou notas do dia a dia. Aproveitemos esse tempo da melhor maneira...

E sempre, nos momentos mais quietos, a leitura. Leiamos em voz alta ou a média voz, sempre que possível. Teremos o prazer de exercitá-la e, também, de dizer e saborear as palavras:

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies

E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

É o nosso Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, o homem das sensações e os seus deliciosos exageros. Caminhemos com ele. "Nem tudo é dias de sol", mas poderemos remediar isso...


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Poema: daqui 

XXI - Se eu pudesse trincar a terra toda

segunda-feira, 16 de março de 2020

Entreter os mais novos - 2





Os três amiguinhos

-continuação-

O sapinho e o cachorrinho continuaram a andar cantando. Finalmente chegaram. Era um lugar maravilhoso! Havia uma cascata de água bem branquinha. O sapo e o cachorrinho meteram-se debaixo da água, deliciados. Mas se havia coisa de que o gatinho não gostava era de água… E aquela cascata certamente era fria.
“Vem!” – Gritou o sapinho.
“Vem!” – Gritou o cachorrinho.

O gatinho entretanto, continuava a olhar para a água , horrorizado.
“Não, não ! Não posso!…Tenho medo!…A água faz-me mal!…”

E o gato todo assustado, procurava afastar-se da cascata. O cachorrinho e sapinho então resolveram que obrigariam o gatinho a tomar banho. E assim terminariam com a história de que gato não gosta de água. E se assim combinaram, melhor o fizeram. Logo que viram o gatinho distraído, deram uma corrida e zás empurraram-no para a cascata

O susto do gato foi tão grande que ele ficou sem voz. Pulava e esperneava debaixo da água e quando conseguiu livrar-se dos companheiros saiu disparado como um doido….

A princípio o sapinho e o cachorrinho acharam graça, e divertiram-se com o susto do amigo. Quando ao fim do dia foram para casa o gatinho estava tão cansado que mal podia caminhar. Foi-se logo deitar na caminha de folhas secas. Tremia e espirrava que até fazia dó.

O sapo e o cachorrinho tiveram pena dele. Ficaram preocupados e faziam tudo para aquecer o amigo. O sapinho juntava folhinhas para lhe amaciar a cama, enquanto o cachorrinho lhe esfregava o corpo, para o aquecer. O gatinho ficou em casa alguns dias, com febre. Os seus amigos nem tinham vontade de brincar. Estavam muito tristes.

Quando o gatinho melhorou e sorriu para eles, o sapinho e o cachorrinho respiraram aliviados. O gatinho não lhes queria mal! Não estava zangado com eles! Envergonhados com o que tinham feito, resolveram que daquele dia em diante, teriam mais cuidado com as brincadeiras.
E assim o sapinho e o cachorrinho continuaram a ser os melhores amigos do gatinho. 


daqui

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Reconhecendo que não é tarefa fácil tomar conta de crianças em espaços fechados e confinados, agora obrigatórios, deixo aqui o meu contributo e a minha solidariedade.

Boa segunda-feira, meus amigos.

Abraços


Entreter os mais novos




Estão a ver do que se trata, não é verdade? Trabalho manual para crianças. Daqui deduzo qual seja um dos materiais. Rolos de papel higiénico reutilizados. Quanto ao resto penso que haverá sempre em qualquer casa. De modo que agora é pôr a imaginação a trabalhar e dar que fazer aos mais novos.

E um conto: 

Os três amiguinhos

No fundo de uma floresta, viviam um sapinho e um cachorrinho. Apesar de serem tão diferentes, eram muito amigos.

Certo dia, andavam eles a brincar, quando encontraram um bichinho todo enroscado, muito encolhido à sombra de uma árvore.

“É um tigre” — disse o sapo, meio assustado.

Mas o cachorrinho logo explicou: “Não, é um gatinho.” E realmente era um gatinho de pêlo amarelo com manchas escuras que se parecia com as ondinhas de uma onça. Você quer brincar connosco?” – perguntou o sapinho. O gatinho miou amigavelmente. Estava muito só e não tinha com quem brincar; por isso aceitou logo o convite que lhe faziam

Daquele dia em diante, andavam sempre juntos pela floresta, brincando, passeando ou procurando o que comer. Onde estava um por certo estavam os outros.

Certa manhã quando acordaram, o cachorrinho disse:
“Vamos fazer uma excursão?”
“Boa ideia” – respondeu logo o sapinho.

Mas o gatinho, perguntou muito admirado: “Excursão? O que é isso?”
“Ora, excursão é o mesmo que passeio, um grande passeio” – explicou o sapinho, todo importante e continuou sorrindo. Gatinho nada disse, e embora não lhe agradasse tal passeio ,um grande passeio levantou-se logo e partiu com os amigos.

Caminharam….caminharam….caminharam. O Sapinho e o cachorrinho divertiram-se a valer. Pulavam, atravessavam caminhos, subiam montes …. Mas o gatinho não estava a gostar nada de nada e perguntava se o lugar do piquenique estava próximo e os amigos riam e respondiam:
“É logo ali. Não demora… Daqui a pouco chegaremos lá.”

O Gatinho já estava cansado de andar sempre atrás dos outros. Para descansar um pouco, parava para tirar areia dos pêlos ou para arrumar a trouxa do lanche.
Quando chegaram ao alto de uma montanha, perguntou feliz , pensando que iriam parar:
“É aqui, não?”
“Não, é um pouquinho mais adiante” — disse-lhe o sapo.

Amigo sapo para colorir

Continua e... termina no próximo post...

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Imagem - daqui
Conto - daqui

"Despacito" - mexer os músculos é a palavra de ordem




Qualquer que seja o espaço em casa, o importante é mexer-nos. Tomemos isso como um hábito diário. Todos: pais, filhos, avós. Se alguns de nós temos de estar fechados em casa, por auto-isolamento social ou quarentena, é extremamente necessário o exercício físico. Descontrai e faz bem à saúde física e psicológica. Mas também a leitura é essencial...

De Clarice Lispector, este poema:

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.


Boa segunda-feira.

Abraços

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Poema: daqui

domingo, 15 de março de 2020

Milagres





Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa de especial?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres:
ou ande eu pelas ruas de Manhattan,
ou erga a vista sobre os telhados
na direcção do céu,
ou pise com os pés descalços
bem na franja das águas pela praia,
ou fale durante o dia com uma pessoa a quem amo,
ou vá de noite para a cama com uma pessoa a quem
/amo,
ou à mesa tome assento para jantar com os outros,
ou olhe os desconhecidos na carruagem
de frente para mim,
ou siga as abelhas atarefadas
junto à colmeia antes do meio-dia de verão
ou animais pastando na campina
ou passarinhos ou a maravilha dos insectos no ar,
ou a maravilha de um pôr-de-sol
ou das estrelas cintilando tão quietas e brilhantes,
ou o estranho contorno delicado e leve
da lua nova na primavera,
essas e outras coisas, uma e todas
— para mim são milagres,
umas ligadas às outras
ainda que cada uma bem distinta
e no seu próprio lugar.

Cada momento de luz ou de treva
é para mim um milagre,
milagre cada polegada cúbica de espaço,
cada metro quadrado da superfície da terra
por milagre se estende, cada pé
do interior está apinhado de milagres.

O mar é para mim um milagre sem fim:
os peixes nadando, as pedras,
o movimento das ondas,
os navios que vão com homens dentro
— existirão milagres mais estranhos?

Walt Whitman

in "Leaves of Grass"


Milagres de cada dia, coisas simples da vida para as quais olhamos com naturalidade e que consideramos como garantidas. 

Hoje, com as limitações impostas pela pandemia, ficamos perplexos perante a impossibilidade de estarmos com os nossos familiares e amigos; de nos sentarmos num café ou restaurante, de fazermos as nossas compras, de vermos um espectáculo, de irmos para a praia ou tão-só contemplarmos o mar, sem restrições.

A natureza continua a bafejar-nos com dias de Sol maravilhoso. Que isso nos sirva de consolo e nos traga belos pensamentos no sentido de conseguirmos, no nosso isolamento, ultrapassar as dificuldades.

Nestas horas difíceis há que ter calma e discernimento. Tenhamos em mente que todos os outros dependem de nós.

Boa semana, meus amigos.

Abraços


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Poema - Citador
Também já publicado no Xaile, noutra ocasião. 
Imagem - daqui