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sábado, 20 de julho de 2024

O Tempo dos Povos Africanos




 Elisa Larkin Nascimento, norte-americana, nesta obra denominada Suplemento didáctico, O Tempo dos Povos Africanos, realiza um trabalho gigantesco, reconstruindo a história autêntica de África, dos africanos e dos seus descendentes em todos os continentes numa linha do tempo que começa no próprio berço e vai até ao século XXI, com ramificações em todas as direcções para onde emigraram os primeiros africanos.

Com o método de divisão do tempo, tendo como base os 500 anos do achamento do Brasil, vai recuando de 500 em 500 anos até aos 5000 anos, para demonstrar a acção em todas as áreas dos povos africanos.

Considera falaciosa a divisão de ÁFRICA em África Negra e África Branca, e demonstra-o, como se Saara fosse um elemento intransponível, mormente num tempo em que esse espaço era verde:

(...) o fluxo de viajantes, migrantes e comerciantes atravessando o Saara criou um intercâmbio ativo e constante entre os povos ao norte e ao sul do deserto. Além disso, as populações negras da África subsaarana criaram civilizações e avanços científico-tecnológicos; grandes centros urbanos caracterizados pela erudição; e Estados e Impérios com sofisticada organização política como Mali, Songai, Gana, Quíloa, Zimbábue e tantos outros.

Sobre o facto de se dizer que África não tem História, referindo que não havia escrita, trata-se de  um preconceito que ajudou a reforçar essa tese equivocada: a própria definição de escrita. 

Os europeus usam o sistema fonológico alfabético, onde cada letra representa um som. O alfabeto árabe, que prevaleceu durante séculos na Europa, é fonológico silábico, cada letra representando uma sílaba. Mas há outros tipos de escrita, como o pictográfico e o ideográfico,(...) Na África, os pictogramas constituem uma rica e variada forma de expressão, registrando saudações, histórias, e advertências. O simbolismo religioso bwiti do Gabão, as paredes de casas pintadas na região ocidental dos Camarões, ou as seqüências de desenhos utilizados pelos sin’anga (médicos) de Malawi são alguns exemplos dessa forma de escrita que se encontra em toda a África.

Defendendo, como outros autores, como Basil Davidson*, que África é o Berço da Humanidade pelas pesquisas realizadas e descobertas até agora confirmadas, não deixa de referir um aspecto muito importante que é o DNA Mitocondrial, que nos coloca a todos na mesma senda matrilinear:

Baseando-se na análise desse DNA, pesquisadores da Universidade de Califórnia construíram uma árvore genealógica para o gênero humano. Identificaram a chamada Eva Mitocondrial, avó de todos nós: uma mulher que viveu na África há uns 200 mil anos. Não que ela fosse a única mulher então existente, mas sua linhagem sobreviveu e se multiplicou até os últimos tempos.

Fico por aqui em relação a este relato. Indico abaixo o link que dá acesso a esse Suplemento.


Mali


Fatoomata Diawara



Série África:


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O Tempo dos Povos Africanos - Elisa Larkin Nascimento

* Mãe Negra - Basil Davidson