É assim que me lembro dele, em 2011, altura em que comecei o blog e foi com esta imagem que fiz um post falando da sua arte de cozinhar, do seu encanto, das paisagens de São Tomé, onde fazia os pratos no programa de culinária que a RTP1 transmitia.
Culto, dinâmico, carismático, não deixava de fazer uma referência poética ou filosófica no Sal na Língua. Eis o escrevi nessa altura, quando ainda tinha os bons propósitos de fazer posts pequenos:
“Na roça com os tachos”, João Carlos Silva deliciou-nos em tempos com a sua arte de comunicar e tanto nos fazia saborear as palavras, lendo-nos poemas, como criava em nós a vontade de participar das paisagens idílicas de São Tomé e Príncipe. Penso que os pratos que ele preparava eram apenas acessórios.
Ei-lo de novo, agora no programa “Sal na Língua”,RTP, com o objectivo de percorrer os 8 países da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste), dando a conhecer usos e costumes de cada um e, em especial, a gastronomia.
Os caminhos da Lusofonia são infinitos.
Apresentou nos dias 15 e 16 de julho, de 2023, showcookings às 18h e 21h,
do evento "Há Prova", no Centro Histórico de Paço de Arcos.
Reencontrei-o não há muito tempo, numa das minhas pesquisas e quis saber dele.Mantém-se a ideia que tenho da sua personalidade, que a gastronomia é apenas uma das suas artes, somando o de "um dinamizador cultural em São Tomé e Príncipe, querendo que o país seja "um entreposto de cultura" porque "a arte pode levar São Tomé e Príncipe para o mundo e trazer o mundo para São Tomé. Veja mais: aqui
Amanhã, o Xaile de Seda faz 13 anos e escolhi festejá-los convosco recordando uma figura que fez parte das minhas primeiras publicações. A ementa para esta festa, está bem de ver, é precisamente a que consta do video acima, pela mão do Chef João Carlos Silva.
Mas aproveito, já que estou com a mão na massa, e trago um poema de Olinda Beja, autora natural de São Tomé e Príncipe:
RAÍZES
Há rumores de mil cores enfeitando o espaço
de gorjeios infantis
transportando aquele abraço de anãs juvenis
árias que perduram na mensagem
da nossa voz e da nossa imagem.
São rumores de tambores
repercutindo a esperança de olhares inquietos
toada de lembranças
liturgia de afectos.
São rumores maternais
presos à terra que nos diz
que só o maior dos vendavais
arranca da árvore a raiz.
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Abraços, meus amigos.
Tudo de bom vos desejo.
Olinda
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Numa biografia de João Carlos Silva li que ele:
Nasceu em Angolares, S. Tomé em 1956. Estudou em S. Tomé, Angola e Portugal, onde frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra. Exerceu jornalismo, tendo, como artista plástico, iniciado as suas actividades em Lisboa. Fundou O CIAC e o Espaço Teia d'Arte (artes plásticas, teatro, dança, debates, oficina de letras, ateliers infantis, cine-clube) em S.Tomé. Participou em várias exposições colectivas de artes plásticas em S. Tomé e no estrangeiro. Dirige o Projecto Integrado de Desenvolvimento da Roça S. João (agricultura, pecuária, educação não-formal, ambiente, património, cultura e turismo) e é o coordenador da Bienal de Arte e Cultura de S. Tomé e Príncipe.
-João Carlos Silva, o "Chef" que cozinha utopias em São Tomé e Príncipe (leia esta entrevista, aqui)
-Imagem: Flor - daqui, Blog "Viagens a São Tomé e Príncipe"
