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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Reencontro - terra e semente






A terra, virgem, linda e viçosa
Transbordante de puro húmus
Anelava pela semente fecunda
Veículo de vida e doce pujança

A semente, estuante de energia
Proliferava ao sabor do vento
Caía vadia em receptáculos vários
Desbaratando a ansiada essência

A terra, só, tragada pelos vermes
Esventrada, escavada, consumida
Perdia, exangue, o viço e a cor
Na espera inútil da sua semente

A semente, afoita, leve, contente
Distribuía doces, suculentos frutos
Férteis manjares de seiva e mel
Exangue mas satisfeita, repousou...


Terra e semente reencontram-se
Húmus e essência encanecidos
Jazendo, algures, o irrecuperável
Nem uma frágil haste germinarão

                                                     Dinola Melo


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Imagem: Pixabay