Transbordante de puro húmus
Anelava pela semente fecunda
Veículo de vida e doce pujança
A semente, estuante de energia
Proliferava ao sabor do vento
Caía vadia em receptáculos vários
Desbaratando a ansiada essência
A terra, só, tragada pelos vermes
Esventrada, escavada, consumida
Perdia, exangue, o viço e a cor
Perdia, exangue, o viço e a cor
Na espera inútil da sua semente
A semente, afoita, leve, contente
Distribuía doces, suculentos frutos
Férteis manjares de seiva e mel
Exangue mas satisfeita, repousou...
Terra e semente reencontram-se
Húmus e essência encanecidos
Jazendo, algures, o irrecuperável
Nem uma frágil haste germinarão
Dinola Melo
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Imagem: Pixabay

