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domingo, 22 de março de 2015

A coroa do tempo




Respiro a maresia das palavras exactas,
prolongo as vogais, os ditongos,
visito as planícies da vida,
pernoito nos jardins da morte.
Comprimo, no peito, o passado/o futuro,
Escrevo no espaço em branco.
As horas dizem-me a coroa do tempo,
um diafragma aberto,
os olhos ardendo na trama da boca,
escrevendo o ouro, a carne,
a sombra esguia,
a aura da desordem suspensa
dos precipícios,
fabricando as vogais, as sílabas,
as palavras, planetas idênticos,
constelações de névoa,
recônditas sombras,

relógios astrais.


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Imagem:Praga.O espetáculo do Relógio Astronômico realizado de hora em hora entre 9h e 21h.Nas horas redondas, estátuas dos 12 apóstolos “desfilam” sobre o relógio enquanto outras quatro estátuas simbolizando a vaidade, a avareza, a morte e a invasão pagã (maiores preocupações da população no século 19) também balançam suas cabeças.daqui