Ó mãe, regressa a mim. Embala-me no tempo em que os teus lábios rebentavam de ternura. Ó mãe, ó minha mãe, ó rio de água pura, correndo pelas veias. Pelo vento.
Ó mãe, que és mãe de Deus, que és mãe de mim e mãe de Antero e de Camões, e mãe de quem lhe faltam as palavras como se faltasse o ar. E são assim uma espécie de filhos de ninguém. Abre o teu ventre, mãe. Acorda. Vem parir-me. E vem sofrer a minha dor uma vez mais. Morrer de amor por mim. Vem impedir-me o medo. Ensinar-me a amar a luz dos animais.
Ó mãe, ó minha mãe. Ó pátria. Ó minha pena. Que me pariste, assim, temperamental. Mãe de Ulisses, de Guevara e mãe de Helena. E mãe da minha dor universal.
Joaquim Pessoa
(1948-2023)Ó mãe, que és mãe de Deus, que és mãe de mim e mãe de Antero e de Camões, e mãe de quem lhe faltam as palavras como se faltasse o ar. E são assim uma espécie de filhos de ninguém. Abre o teu ventre, mãe. Acorda. Vem parir-me. E vem sofrer a minha dor uma vez mais. Morrer de amor por mim. Vem impedir-me o medo. Ensinar-me a amar a luz dos animais.
Ó mãe, ó minha mãe. Ó pátria. Ó minha pena. Que me pariste, assim, temperamental. Mãe de Ulisses, de Guevara e mãe de Helena. E mãe da minha dor universal.
Joaquim Pessoa
in 'Ano Comum'
===
Este poema já tinha sido publicado por mim, aqui, no Xaile de Seda, em 2018. Tal como então dedico-o a Todas as Mães, praticamente com as mesmas palavras que escrevi nessa altura:
Este autor, sempre a maravilhar-me com os seus textos, os seus poemas, as suas emoções. Palavras que vão direitinhas ao coração dirigidas à sua Mãe, à minha Mãe, às vossas Mães, a todas as Mães e, quem sabe, à Mãe-Pátria, à Mãe-Universo.
Cantiga do Maio : Carlos Paredes
Vozes: Natália Casanova, Nuno Guerreiro
Viola: Fernando Alvim
Acordeão e órgão: Manuel Paulo
===
FELIZ DIA DA MÃE
===
Imagem: Pixabay
