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sábado, 9 de maio de 2026

Quem é que cuida da mãe?

Carolina Deslandes fez uma canção para o Dia da Mãe. Ainda não tem título. Aceitam-se sugestões.

Ora, oiçam:



 Se atentarmos nas palavras veremos que grandes verdades são ditas nesta canção, na voz maviosa da autora. O mistério da maternidade na sua imensa magnitude. Quem que é que cuida da mãe depois da parto, do aleitamento, das noites mal dormidas, de toda a infância com as quedas, as birras, as idas ao medico. 

E há uma outra circunstância: é que a mãe quase nunca aparece nas fotos, pois é ela que guarda os momentos para a posteridade.

E hoje é Dia da Europa, a velha Europa, fraca e pusilânime na sua postura a precisar de homens e mulheres com acções felizes, funcionais e operacionais, de modo a despachar umas quantas ideias feitas e a recuperar a sua antiga glória. Não aquela glória de explorações, de escravatura de má memória, mas aquela que Jean Monet preconizou e que chegou a concretizar-se. 

Temos vinte e sete estados-membros a compôr a União Europeia, é hora de fazerem alguma coisa no sentido de cuidarem desta mãe que já deu mostras de cuidar de todos.

Oiçamos de novo as belas palavras e a música de Carolina Deslandes.

Cuidemos de todos sem excepção e tenhamos a esperança de que num dia qualquer, de um ano qualquer possamos festejar com pompa e circunstância, com foguetes e alegria este Dia da Europa.

Bom fim-de-semana, amigos.

Abraços
Olinda


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Europa, aqui, no Xaile de Seda

domingo, 9 de maio de 2021

A Língua Portuguesa - um idioma trajado de arco-íris

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estabeleceu, em 2009, o dia 5 de Maio como sendo o dia da Língua Portuguesa, reconhecido pela UNESCO, para ser falada, lida, escrita, homenageada, em suma. Que me tenha apercebido, não me parece que a data tenha sido assinalada, por cá, com a grandeza merecida.

O Brasil já antes designara, desde 2006, o dia 5 de Novembro para celebração desta nossa Língua comum. E mais, tem um Museu da Língua Portuguesa* o primeiro museu totalmente dedicado a um idioma. Celebra a língua como elemento fundador e fundamental da cultura de todos os países que adotam um idioma de forma oficial. Neste caso, experiências interativas, conteúdo audiovisual e ambientação conduzem os visitantes a um “mergulho” na história da língua portuguesa.


Museu da Língua Portuguesa - São Paulo

E que história! Língua sumamente viajada e quando regressa vem trajada de doces requebros e mágicas significações. Por África andou tempo suficiente para que depois nascesse uma disciplina nomeada Literaturas Africanas de Língua Portuguesa que engloba, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, isto é, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - os PALOP. 

Pelo Xaile de Seda têm passado nomes de grandes vultos africanos que honram a Língua Portuguesa, que escrevem em prosa e em verso, contribuindo para o seu enriquecimento. De tantos e tão excelentes autores e estudiosos, quem trarei para ilustrar agora esta minha publicação? Muitos deles, mas ainda poucos, fazem parte dos cadilhos deste Xaile. 

Vejamos, então... 

Pois, poderia falar um pouco de Inocência Mata, mulher africana, de São Tomé e Príncipe, investigadora, autora de várias obras, definindo-se ela própria como fruto de várias culturas e, precisamente, Professora na Faculdade de Letras de Lisboa da disciplina que refiro acima: Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.


Maquêquê - São Tomé e Principe

E não só. Vejamos um pouco do seu currículo:

Inocência Mata Doutora em Letras pela Universidade de Lisboa e pós-doutora em Estudos Pós-coloniais pela Universidade de Califórnia, Berkeley; é professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na área de Literaturas, Artes e Culturas, e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas (CEC). Foi, de 2014 a 2018, professora na Universidade de Macau, onde exerceu com uma licença especial do Reitor da ULisboa, tendo sido vice-diretora do Departamento de Português da Universidade de Macau, coordenadora do Programa de doutoramento, PhD in Literary and Intercultural Studies (Portuguese), e diretora do Centro de Investigação de Estudos Luso-Asiáticos (CIELA). 
Mais aqui 






Hoje festeja-se uma data importante - O Dia da Europa. 
Além disso, neste ano assinala-se o 36º aniversário da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal ao projecto europeu, o qual entraria em vigor a 01 de Janeiro de 1986.

E porque o tema desta publicação é sobre a Língua Portuguesa, penso ser de referir o lugar que o nosso idioma ocupa no mundo: 

É uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países Lusófonos. Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5.ª língua mais falada no mundo, a 3.ª mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta. aqui

Uma língua continua viva se for falada, escrita, amada e bem tratada.
Façamos por isso.


Bom fim de semana, meus amigos.

Abraços


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*Fechado desde 2015 após incêndio de grandes proporções, a sua reabertura está prevista para a segunda metade deste ano de 2021.

Inocência Mata, especialista em Literatura da Lusofonia - aqui

Encontrará aqui e aqui, no Xaile de Seda, alguns posts sobre a "Lingua Portuguesa" e "Europa"

sábado, 9 de maio de 2020

Europa - o rapto ou o repto?

A bela Europa era filha do rei da Fenícia, Agenor. Foi raptada por Zeus que se disfarçou de touro para que sua ciumenta mulher, Hera, não percebesse. Ele levou Europa para a ilha de Creta, o que levou Cadmo, seu irmão, a procurá-la e, na jornada, fundar a cidade de Tebas. Em Creta, Europa teve três filhos: Minos, Radamanto e Sarpedão.



Mitologias à parte, há referências pré-históricas da sua existência desde os primeiros humanos. Os relatos mais antigos colocam o Homo sapiens no continente em 35000 anos a.C. Mas muito antes já andavam por cá o Homo erectus e o Neanderthalis. Por aqui se vê que a sua evolução até aos dias de hoje é de monta. 

Tenho especial predilecção académica pela Formação da Europa Medieval, depois da Queda do Império romano, por aquela condição de dependência de homem a homem, escravidão quase. Por aquela divisão de trabalhos e de classe - nobreza, clero, povo. Claro que não se pode falar de classe, nessa altura. E povo? Também não. Só depois da Revolução Francesa se poderá empregar tal palavra com propriedade.

Da Europa Medieval, de mil anos, ao Renascimento um salto qualitativo.


Europa, desenhada pelo cartógrafo antuérpio Abraham Ortelius em 1595


Tanto caminho percorrido, não? Penso que é onde se poderá ir buscar os fundamentos da Europa de hoje, com todas as alterações de mentalidade, com a novidade do Renascimento que coloca no homem a medida de todas as coisas, tendo como pilar a recuperação da cultura clássica, que em muito devemos à preocupação árabe de a trazer para a Peninsula, transcrevendo-a e comentando-a. Um exemplo, Averróis, (Córdova), "O Comentador". 

Toda a produção de pensamento do período que ficou conhecido como Iluminismo, é onde vamos sempre beber ideias. E na própria asserção de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, tão boa para citar, de que a Europa tanto se orgulha. 

Voltando um pouco atrás, o século XVII também me atrai. É donde sai toda aquela gente de alta estirpe nas areas filosófica e científica. E desembocará no século XVIII, como bem sabemos, e no século XIX com revoluções políticas de renome e com todas as invenções que vêm alterar para sempre a nossa vida.

Trazemos no nosso íntimo a perturbar-nos as duas grandes guerras, do século XX. A segunda guerra mundial mais perto de nós. Da devastação da Europa surgiriam homens com visão e dinamismo. Jean Monet, um dos da ideia, posta em prática, da União Europeia. Marshall e Shuman e muitos outros, com planos económicos e solidários que deram os seus frutos. Durante mais de 70 anos, exceptuando-se a Guerra Fria,(EUA vs. URSS) viveu-se, de um modo geral, em paz e desenvolvimento social e económico, com altos e baixos como é natural.




Hoje, aqui estamos. Dia da Europa, diz-se. Repetindo-se as mesmas palavras gastas. Ansiando-se por um golpe de asa de algum ser iluminado. Mas não há. O tempo dos heróis passou. Somos só nós. A Europa não será raptada indo reafirmar-se num outro lado. Agora só temos um repto que lançamos a nós próprios. É agir ou soçobrar.


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Orquestra Geração- Hino da Alegria
A Orquestra Geração é um projeto de intervenção social através da prática orquestral. Foi criada em 2007 na Escola Básica Miguel Torga no Casal de S. Brás na Amadora e encontra-se actualmente instalada em 22 escolas básicas e secundárias nos municípios de Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Oeiras, Sesimbra, Vila Franca de Xira (Orquestra de Vialonga) e em Coimbra.
Imagens: Net
excerto transcrito em itálico - aqui

Leia no Xaile alguns posts sobre a União Europeia