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terça-feira, 8 de julho de 2014

Um pobre xale que tem para mim uma carícia de asa

Julho é um mês especial para mim. É o mês da minha mãe e este é o seu dia. Disse-o no meu Centro do Mundo. Junto a minha saudade ao saudosismo de António Patrício através deste poema, um soneto que fala de um pobre xale que tem pra mim uma carícia de asa. Confesso que nunca vi a minha mãe de xaile, mas deixo-me ir na doçura das palavras do poeta, faço-as minhas, e transformo a sua Relíquia no meu Xaile de Seda, com um abraço do tamanho do mundo. É assim que a recordo, é este o meu tributo. 






Relíquia

Era de minha mãe: é um pobre xale 
que tem pra mim uma carícia de asa. 
Vou-lhe pedir ainda que me fale 
da que ele agasalhou em nossa casa. 


Na sua trama já puída e lassa 
deixo os meus dedos pra senti-la ainda; 
e Ela vem, é Ela que me abraça, 
fala de coisas que a saudade alinda.
 

É a minha mãe mais perto, mais pertinho, 
que eu sinto quando toco o velho xale, 
que guarda um não sei quê do seu carinho.
 

E quando a vida mais me dói, no escuro, 
sinto ao tocá-lo como alguém que embale 
e beije a minha sede de amor puro.
 

António Patrício
























InAntologia Poética

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Meus amigos, estarei ausente por alguns dias.

:)

Imagem:daqui