Julho é um mês especial para mim. É o mês da minha mãe e este é o seu dia. Disse-o no meu Centro do Mundo. Junto a minha saudade ao saudosismo de António Patrício através deste poema, um soneto que fala de um pobre xale que tem pra mim uma carícia de asa. Confesso que nunca vi a minha mãe de xaile, mas deixo-me ir na doçura das palavras do poeta, faço-as minhas, e transformo a sua Relíquia no meu Xaile de Seda, com um abraço do tamanho do mundo. É assim que a recordo, é este o meu tributo.
Relíquia
que tem pra mim uma carícia de asa.
Vou-lhe pedir ainda que me fale
da que ele agasalhou em nossa casa.
Na sua trama já puída e lassa
deixo os meus dedos pra senti-la ainda;
e Ela vem, é Ela que me abraça,
fala de coisas que a saudade alinda.
É a minha mãe mais perto, mais pertinho,
que eu sinto quando toco o velho xale,
que guarda um não sei quê do seu carinho.
E quando a vida mais me dói, no escuro,
sinto ao tocá-lo como alguém que embale
e beije a minha sede de amor puro.
António Patrício
In: Antologia Poética
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Meus amigos, estarei ausente por alguns dias.
:)
Imagem:daqui
