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sábado, 2 de setembro de 2023

Dinheiro e Poder



O dinheiro governava o mundo. Sem ele, um homem não era nada. Por isso, quando um homem se elevava a uma posição onde pudesse deitar a mão a qualquer hipótese de enriquecer, não admirava que o fizesse sempre. Para se enriquecer através da política, tinha de se assegurar a eleição como pretor; a fortuna fazia-se nesse momento, os anos de grandes despesas acabavam por auferir dividendos. Porque o pretor iria governar uma província, e aí era um deus, podia servir-se à vontade do erário. Se possível, travava uma pequena guerra contra qualquer tribo bárbara confinante, levava o ouro e os tesouros sagrados, vendia os cativos como escravos e amealhava os lucros. Mas se as perspectivas de guerra fossem sombrias, existiam sempre outras vias: podia negociar cereais e outras mercadorias principais, podia emprestar dinheiro a taxas de juro exorbitantes (e usar um exército para cobrar os juros, se necessário), falsificar os livros de contas depois de recebidas as taxas, racionar a atribuição das cidadanias romanas subindo-lhes o preço, receber honorários ilícitos pelo que quer que fosse, desde a promulgação de contratos governamentais até à isenção do tributo de uma cidade em relação a Roma.

In"O Primeiro Homem de Roma", pg 42 - Colleen McCullough


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Dantes como agora, sempre, o dinheiro, qualquer que seja o tempo. Com ele se compra poder, armamento, influências, posições de destaque, e até consciências. Uma das formas venais mais tristes é quando a sociedade se deixa dominar pela corrupção. Desde o mais pequeno cargo até ao mais alto. Mas também se diz que quem detém a Informação é dono do poder. Mas por detrás de tudo isso, o vil metal.

Tendências que perduram, atravessam gerações, com alguns laivos de lucidez aqui e ali.


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Bom fim-de-semana, amigos.

Abraços.

Olinda


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Imagem Wiki:
Denário - moeda de maior circulação na República Romana

domingo, 23 de julho de 2023

Iberos, Caius Marius e Quinto Sertório



Nunca davam combate. Em vez disso, lutavam fazendo emboscadas, assaltos, assassínios e devastando os bens do inimigo. Ou seja, os bens dos Romanos. Nunca apareciam onde eram esperados, nunca marchavam em coluna, nunca se reuniam fosse em que quantidade fosse, nunca eram identificáveis pelos uniformes ou pelas armas. Limitavam-se a atacar de surpresa. Pareciam surgir do nada. E depois, desapareciam sem deixar rasto nos magníficos desfiladeiros das suas montanhas, como se nunca tivessem existido. 

Era uma terra fabulosamente rica, a Espanha. Por isso, todos haviam querido possuí-la. Os indígenas ibéricos originais cruzavam-se há séculos com elementos célticos invasores que entravam pelos Pirenéus, e as incursões dos Berberes e Mouros através dos estreitos que separam a Espanha da África tinham enriquecido ainda mais o cadinho local de raças.

Depois vieram os Fenícios de Tiro, de Sídon e de Bérito na costa síria, e depois deles os GregosDuzentos anos antes tinham vindo os Cartagineses com o intuito de extrair os seus metais: ouro, prata, chumbo, zinco, cobre e ferro.

Uma história que sabemos bem. Mas aqui o que me interessa realmente realçar é que Caio Mário raciocinou assim, ao deparar com este cenário na Espanha Ulterior: "Bem, também posso lutar através de emboscadas, assaltos, assassínios e devastação de propriedade!" E se bem o pensou melhor o fez. As fronteiras da Espanha romana foram forçadas até à Lusitânia e à poderosa cadeia de montanhas ricas de minérios onde nasciam os rios Bétis, Anas e Tejo. Resultado: Caio Mário enriqueceu. Todas as novas minas lhe pertenciam total ou parcialmente... 

Vê-lo-emos mais tarde a aspirar ao cargo de Cônsul e quem sabe se à dignidade de "Primeiro Homem de Roma", ele, homem novo, na terminologia de então...

Quinto Sertório, aliado de Mário nas guerras
contra Jugurta, rei da Numídia,- amigo deste último dos tempos da juventude-
 viria a travar a
sua própria guerra na Península Ibérica,
aliando-se aos Lusitanos.


Somos herdeiros desse passado.

Boa semana, amigos.

Abraços

Olinda


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Fonte: "O Primeiro Homem de Roma", 

pg 66/68 - Colleen McGullough

imagem: daqui