Tenho, algumas vezes, abordado o tema Europa neste Xaile de Seda, com algum romantismo, focando as acções levadas a efeito no pós-guerra, dando forma às ideias Jean Monet, com a criação da União Europeia que, nas suas palavras, seria antes de mais uma união de homens de boa vontade e não de estados.
À medida que o tempo vai passando a decepção se instalou, de modo que vou assinalando as suas fragilidades e pusilanimidade das suas decisões ou falta delas. No tempo da Troika, por exemplo, dos ajustamentos tendo como alvo os salários dos mais pequenos, sem um golpe de asa que mostrasse que havia quem nos pudesse proteger da tirania dos mercados.
Acabávamos de sair de uma pandemia eis que surge a guerra da Ucrânia, o que nos veio fragilizar ainda mais, à vista de toda a tragédia dos nacionais que fugiam, que procuravam protecção em outros países, sem meios, com as crianças nos braços e os mais velhos, trôpegos, por essa Europa fora.
Outros conflitos nos batem à porta, com o sofrimento de crianças, doentes, velhos, em Gaza, e agora no Médio Oriente, guerras insanas em que a via diplomática parece letra morta, com interesses económicos instalados e outras intenções que nem sabemos muito bem atingir.
A Europa, a velha Europa, fraca, parece assistir de camarote a toda essa movimentação e desmandos dos senhores da guerra, ainda que alguns países tenham fincado o pé ao pedido de apoio dos EUA, no âmbito da Nato, em relação ao Estreito de Ormuz.
Em tempos de crise, como foi na pandemia, verificou-se que por cá não se produzia uma simples aspirina, luvas, aparelhos para suporte de vida e, nós, espantados com tudo isso. Cheguei a fazer um post sobre essa situação bizarra, desejando que se passasse a pensar em produções regionais para não se chegar a situações como essa.
Enfim, todos sabemos o que se passa.
De um poema de Adolfo Casais Monteiro, extensíssimo, que publiquei em tempos, extraio esta passagem:
"Europa sem misérias arrastando seus andrajos,virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
— cada um para si te querendo toda?
..."
Ainda tenho a esperança de que, do segredo dos gabinetes, saiam ideias brilhantes que nos ajudem a suprir com denodo a tanta miséria e que possamos um dia responder com coragem às exigências destes tempos que parecem regressar à idade das trevas, embora não me refira à Idade Média que foi uma época injustamente tratada como tal. Teve os seus Pensadores, ainda que num ambiente religioso.
Infelizmente há quem faça um grande estrago no mundo e se ache o maioral. Enquanto isso, o povo morre, perde tudo e assim vamos! Tristeza de ver! beijos, lindo domingo,chica
ResponderEliminarO que isto configura é que chegará o mundo (talvez país a país) a uma situação em que a reviravolta se dará mas... com muito sangue.
ResponderEliminarUm abraço.
Uy tienes razón. . Te mando un beso.
ResponderEliminarIncrivel mesmo Olinda os rumos que as coisas tomaram. Perfeito texto com toda esta indignação que assola o velho continente. Assusta-me os voos da Aguia faminta por riquezas, esfacelando os mais fracos, lançando pessoas ao mar revolto. Que esperança pode haver num cenário tão devastador? As aguas tingidas de sangue, terra engolindo seres humanos esfacelados em fugas. O Chão Nosso vem traduzir toda esta angustia, este olhar clemente por dias mais leves e vidas mais dignas. O que fazer? Como frear esta corrida maluca para a disseminação de povos pelo mundo?
ResponderEliminarLamentavel chegar a uma situação insuportável e degradante.
Belo texto num grito pelo respeito à vida digna com leveza.
Um bom fim de semana.
Meu terno abraço Olinda.
Your thoughtful perspective on Europe’s ongoing struggles hits deep, especially that powerful Casais Monteiro excerpt questioning whether a purified common home can ever truly rise. Disillusionment with bureaucratic hesitation and supply chain vulnerabilities feels so heavy right now, yet keeping that spark of hope alive for wiser leadership is what keeps us grounded in times like these. Thank you for sharing such a poignant, deeply reflective post on where we stand today.
ResponderEliminarA Europa deverá ser o chão de quem cá nasceu e aqui procura refúgio, paz, trabalho!
ResponderEliminarE que a Paz reine sobre a Terra tão martirizada!
Não conhecia esta composição e adorei!
Abraço
Até parece que anda tudo doido!
ResponderEliminarBem se calhar são mesmo loucos, só loucos continuam a manter estas guerras e nós a pagar de todas as formas....
Eu sofro muito com toda esta loucura
Beijinho Eugénia
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarTexto muito interessante e premente, que descreve com muito realismo os tempos que vivemos. É difícil prever quando tudo isto tem fim. Enquanto quem governa mundo não mudar para outro paradigma.
Deixo os votos de um bom domingo, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Una buena reflexión y elección de música y poeta. A través de ti estoy conociendo bastantes aspectos de la cultura portuguesa, gracias.
ResponderEliminarEn cuanto a Europa, creo que la situación es muy delicada y peligrosa, el deterioro social y político es muy evidente.
Bom fim de semana. Besos.
Tal como está, a Europa não consegue dar passos significativos em direção a objetivos que, apesar de tudo, são identificados. O problema reside na sua estrutura, onde é preciso ter a unanimidade dos seus estados para se avançar. Ou se mudam as regras, dois terços parece-me bem, ou se altera a estrutura para uma federação (tipo Estados Unidos da Europa), com um presidente e um governo supranacional.
ResponderEliminarBoa semana minha amiga.
Um abraço.
Olá Olinda, as esponjas é uma espécie de pepino que depois de secas são esponjas para lavar a loiça ou tomar banho.
ResponderEliminarSó vi no ecrã, também estou curiosa, depois dou notícias.
Beijinho Eugénia
É isso, cara Eugénia.
EliminarAgora já me lembro delas.
E são bem boas.
Obrigada, amiga.
Beijinhos
Olinda
Bela e incrível reflexão!
ResponderEliminarBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Ainda pressinto uma Esperança, minha querida amiga, mas os tempos andam muito difíceis...
ResponderEliminarUm beijo e um adeus a Represas...
ResponderEliminarOlá, amiga Olinda.
Passando por aqui, para desejar uma feliz semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
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Boa tarde Olinda,
ResponderEliminarUm texto magnífico que denota indignação, desilusão e tristeza por tudo o que se passa no mundo, em que o poder, a ganância, o ser mais que o outro, só conduz a humanidade à miséria, à destruição e morte.
Loucos tempos estes em que vivemos, em que a Paz tem sido palavra vã e cujos acordos fictícios não saem do papel, se é que alguma vez foram assinados.
Faz-me muita confusão, no meu fraco entendimento, esta forma de pensar e agir dos que se julgam donos do mundo. O que nos espera nao é nada de bom.
Grande beijinho.
Emília
Olá Olinda! Aqui está um texto que convida à reflexão. A Europa nasceu de um ideal de paz, cooperação e solidariedade, mas, perante as crises sucessivas das últimas décadas, é inevitável questionar se continua fiel a esse desígnio. Entre guerras, desigualdades e interesses geopolíticos, muitas vezes parece faltar a coragem política necessária para colocar as pessoas acima das estratégias e dos cálculos económicos. No entanto, como tão bem recorda com os versos de Adolfo Casais Monteiro, a esperança não deve ser abandonada. A Europa precisa de reencontrar o espírito dos seus fundadores. Porque só uma Europa capaz de agir com unidade, justiça e coragem poderá voltar a ser esse "lar comum" sonhado por tantos. Obrigado por esta partilha tão pertinente e pela oportunidade de pensar sobre o tempo exigente que vivemos.
ResponderEliminarUm abraço.
Amiga Olinda, boa tarde de Paz!
ResponderEliminarO mundo está estranho, tudo parece fora do lugar. Acomodação da Terra? Talvez....poderia dos que se acham os tais?.Com certeza.
Creio, piamente, que alguns tenham sede de tentar eliminar o planeta pensando, inocentemente, que será salvo e nomeado um novo Deus...
Continuo a ter esperança de dias melhores para toda a humanidade apesar de...
Vamos aguardar com fé, querida, o rumo da História.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Uma triste constatação o seu texto Olinda, li com atenção e imaginei o quanto difícil e mais triste ainda é ter que transferir esse desgaste que aí assola. para o meu País. Aqui, não há palavras ,o cenário é devastador, ninguém se entende e não vemos luz no fundo do poço e nenhuma resga de nuvem que possa aparecer nesse nosso céu. Entendo pois sua pouca esperança e só o tempo dirá . Vamos ter esperança. nas ideias brilhantes., amiga. Um bom fim de semana, te desejo e te abraço.
ResponderEliminarNão é só a Europa que passa por uma crise. Crises, sempre as teremos. A América do Sul vive em crise desde antes de eu nascer...mas a Europa está em um impasse: crise de refugiados, imigrantes ilegais, envelhecimento da população, baixo índice de nascimentos, ideologias extremistas tanto à direita quanto à esquerda . Enquanto as europeias não querem ter mais filhos, imigrantes muçulmanos tem um penca. Logo, logo, a Europa será muçulmana, e não se sabe se com governos laicos ou com estados teocêntricos como o Irã. Já agora há diversos casos de imigrantes muçulmanos que não respeitam a cultura cristã liberal europeia, e as políticas de diversidade extremistas, onde não se pode mais criticar nada ou coisa nenhuma (a não ser se for um homem hétero cristão, a imagem hoje do inimigo) vão logo, logo, enterrar a cultura europeia se nada mudar.
ResponderEliminarE não esqueçam que a Europa tem uma grande dívida com os EUA, que praticamente reconstruiu a Europa pós Segunda Guerra. (o que não significa, claro, concordar com tudo que o atual presidente faz).
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarPassando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Pelos nossos filhos e pelos nossos netos quero ter esperança que algo melhore, mas a minha fé está cada vez mais frágil. A sua reflexão sobre tudo o que já nos foi acontecendo é realmente premente e oportuna.
ResponderEliminarTudo de bom.
Um beijo.