Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre idéias e espíritos pairando...
Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...
E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido
Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentido...
Antero de Quental,
in "Sonetos"
Antero Tarquínio de Quental (1842-891) foi um escritor e poeta português oitocentista que desempenhou relevante papel no movimento da Geração de 70.
A Carta encíclica de Leão XIV, Magnifica Humanitas, será hoje apresentada.na Feira do Livro, em Lisboa.
Abraços, amigos.
Olinda
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Imagens:pixabay
Poesia linda e tanto temos a contemplar!Ainda bem! beijos, tudo de bom,ótima nova semana, chica
ResponderEliminarAmiga Olinda, boa notie de paz"
ResponderEliminarBoa Feira do Livro aí!
Um belo poema clássico nos oferta com todo galardão que merece o autor e com sua primorosa postagem.
Tenha uma nova semana abençoada!
Beijinhos fraternos
Lindo poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarBeautiful poem! Thank you for sharing, and warm greetings from Montreal, Canada.
ResponderEliminarUma bela poesia na sua partilha com olhares numa feira, que deve ser maravilhosa para os amantes da literatura. Acho lindo os sonetos.
ResponderEliminarGrato Olinda e feliz semana na paz e poesia amiga.
Carinhoso abraço.
Olá, amiga Olinda.
ResponderEliminarBelíssimo soneto de Antero de Quental.
A contemplação é um exercício mental de excelência. Faz-nos bem contemplar as coisas belas que a vida e a natureza nos oferece.
Gostei bastante.
Excelente partilha!
Beijinhos e boa semana, com tudo de bom.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Um dos nossos grandes poetas. É bom lembrar a sua existência e a sua obra.
ResponderEliminarUm abraço.
Que lindo, querida Olinda, Antero de Quental
ResponderEliminarfoi um dos primeiros poetas que estudei, e dos
primeiros a gente nunca esquece, fica a marquinha...
Um beijinho, querida, muita paz e harmonia por aí...
Olá, Olinda. ótimo texto...realmente nos faz refletir...abraços
ResponderEliminarOi Olinda
ResponderEliminarTambém gosto de ler Antero de Quental , esse que trazes causa 'um profundíssimo gemido' .Obrigada por saber sempre contemplar .
Beijinhos
É sempre bom reencontrar Antero de Quental, amiga Olinda, o que me faz viajar no tempo. Este poema sempre me acompanhava em sala de aula. Aprendi que ele faz parte da fase do autor marcada pelo pessimismo, retratando uma busca metafísica pela essência do ser e ignorando o mundo físico como uma ilusão. O eu lírico expressa uma profunda angústia existencial, descrevendo a realidade como um vácuo de enganos e a dor como a única forma de sentir o mundo, terminando com o desejo cego por uma luz transcendental. Aliás, os sonetistas em língua portuguesa sempre tiveram um lugar privilegiado nos meus estudos.
ResponderEliminarBeijinhos, amiga Olinda!
José Carlos