sábado, 10 de janeiro de 2026

O Cais e a Cidade Velha

 


POSTAL


deste lado da ilha
o cais e a cidade velha
datam de muito tempo,
mas a cidade é um poema
não cresceu. é sempre a mesma.
todos os dias igual:

o mesmo outeiro da cruz
desterro, fontes e fortes
igrejas, lendas, sobrados
estreitas ruas, mirantes
portões, sacadas de ferro
poetas, becos, telhados
serestas, maledicência
saveiros, pregões de rua
cantaria, mal-amados
rios (chão, templo e canteiros)
de peixe e palafitados)
ladeiras, moças bonitas
recato e amor nas janelas
casarões azulejados.

cidade em traje a rigor
vestida à colonial
meu mundo, meu porta-jóias
meu bem, meu cartão postal.

brisa de maré vazante
sem similar no país.
quietude pousada na água
caminhos feitos de história.

gente vem ver São Luís!




Manuel dos Santos Lopes (1907-2005) foi um ficcionista, poeta e ensaísta e um dos fundadores da moderna literatura cabo-verdiana que, com Baltasar Lopes da Silva e Jorge Barbosa, foi responsável pela criação da revista Claridade.
ver mais aqui





Assol Garcia - 
Rapsódia de Mornas



Bom fim de semana, amigos.

Abraços

Olinda


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Cidade Velha - aqui
imagem - pixabay
Ver aqui - Manuel Lopes

11 comentários:

  1. Maravilhosa poesia de Manuel Lopes e postal!
    Gostei de ler!
    beijos, ótimo fim de semana, chica

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  2. Oh ! 'gente vem ver São Luís' _ que convite bom nessa manhã de um sábado de verão _ ir ver de perto os casarões azulejados , os lençóis maranhenses, a areia branca e lagoas de água doce . E , essa brisa que no momento procuramos por cá...um 'Postal' onde o poeta oferece história e a natureza que tanto amo _ Obrigada Olinda pela entrega perfeita para a minha manhã quente. E, embarcando no nome dessa revista digo que tudo que queremos é algo que nos traga 'Claridade' para os dias de hoje.
    Com carinho, te abraço.

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  3. Mais um poema onde o poeta deixa vazar toda sua admiração e amor por uma cidade. E como não? Olha a cor desse mar!!!

    abraços, bom final de semana.

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  4. Magnífica Ode a festejar S. Luiz, Olinda. Nesta presença apenas está ausente o doce odor da atmosfera Cabo Verdeana. No demais, saudades que não mais se apagam.


    Beijo,
    SOL da Esteva

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  5. Olá, amiga Olinda.
    Desconhecia por completo este autor e este belíssimo poema! Gostei muito desta visita guiada da ilha cabo verdeana, através deste belo poema.
    Igualmente belíssimo este vídeo!

    Excelente partilha, estimada amiga.

    Beijinhos, e bom fim de semana!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  6. Qué bonita. Gracias por compartirla. Un abrazo y feliz fin de semana

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  7. Que beleza!
    Que bela a ilha e o poema!
    Um abraço, minha amiga

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  8. Profundo poema. Te mando un beso.

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  9. Assim como um canto à terra amada, com descrição que faz amar o lugar pela paz e conservação de sua cultura e arquitetura. Gosto deste tipo de canto como já o fez Manuel Bandeira, Drummond. Uma bela partilha e apresentação deste poeta com sua ilha.
    Grato Olinda por trazer esta peça rara.
    Carinhoso abraço e bom domingo de feliz semana.

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  10. Belo poema e bela morna!

    Abraço

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