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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Rapsódia de Mornas


Hoje o dia está cinzento, molhado, chorando saudades. E resolvi seguir essa via e, para me ajudar, o choradinho do HUMBERTONA vem mesmo a calhar. Ele leva-nos por ruas, recantos e vários espaços a que não faltam rochas, areia e acima de tudo mar e céu. 



 Neste embalo, um poema de Eugénio de Andrade, um "Até amanhã", sinal de que a despedida não é definitiva: 

Até amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.






***


Boa quarta-feira, meu amigos.
Abraços
Olinda


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Poema: daqui
Video, aqui, no Xaile de Seda

terça-feira, 18 de junho de 2019

Vieram muitos





"A massambala cresce a olhos nus"

Vieram muitos
à procura de pasto
traziam olhos rasos da poeira e da sede
e o gado perdido.

Vieram muitos
à promessa de pasto
de capim gordo
das tranqüilas águas do lago.
Vieram de mãos vazias
mas olhos de sede
e sandálias gastas
da procura de pasto.

Ficaram pouco tempo
mas todo o pasto se gastou na sede
enquanto a massambala crescia
a olhos nus.

Partiram com olhos rasos de pasto
limpos de poeira
levaram o gado gordo e as raparigas.


   O lago da lua - 1999

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Querido Humberto, há quanto tempo!
 Coloco-te, aqui, com esta tua rapsódia 
de mornas a embelezar, ainda mais, o poema
de Ana Paula Tavares, que conta uma história 
de sobrevivência. Beijo


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E outras vozes se alevantam - Ana Paula Tavares responde a Luís Vaz de Camões - Margarida Calafate Ribeiro - Centro de Estudos Sociais - Universidade de Coimbra aqui

Imagem: Povo do Sul de Angola - Da Etnicidade ao Simbolismo: Três olhares sobre a etnia KUVALE
Poema - daqui

Humbertona - aqui