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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Nós e Maria da Penha

É impressionante ouvir as notícias e dar-nos conta da barbaridade que grassa por este país fora contra as mulheres. Trata-se de um fenómeno que não é de agora mas que se vai incrementando cada dia que passa: Mulheres maltratadas, violadas, mortas, por maridos, ex-companheiros, namorados e ex-namorados, numa espiral inconcebível. 

Essas desgraças acontecem em casa, na rua, nos locais de trabalho, onde quer que seja. Não há lugar seguro, as distâncias não contam. Lembro-me do caso, ainda não há muito tempo, do homem que apanhou um avião para ir matar a ex-companheira e o marido a muitas milhas do torrão natal. E assim por diante. Será necessário falar em números? Todos nós os conhecemos. Dá a sensação de que nos encontramos no reino da impunidade e que os agressores se sentem incentivados cada vez que os seus actos são noticiados. Tal como os pirómanos.

É preciso travar essa gente. É preciso rever os procedimentos e, se não houver alternativa, produzir legislação específica. Centremo-nos, por exemplo, na Lei nº 11 340, comummente conhecida como Lei Maria da Penha, da legislação brasileira direccionada para casos de violência doméstica, visando punir abusos perpetrados contra as mulheres. Este instrumento legal cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e ao mesmo tempo desdobra e define o conceito de violência neste contexto: violência física, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial, violência moral. Confiram-no aqui. 

E quem é Maria da Penha? Uma mulher vítima de abusos durante vinte e três anos de casamento, com duas tentativas de assassinato. Da primeira vez com arma de fogo tendo ficado paraplégica, e da segunda por electrocussão e afogamento. Na denúncia e julgamento não encontrou a justiça que procurava pelo que recorreu ao apoio de entidades competentes. A Lei nº 11 340, de 2006, é o resultado da sua jornada. 

A verdade é que não podemos continuar impávidos perante esta calamidade que põe em causa a nossa dignidade como seres humanos. Se as leis que existem não abrangem, na íntegra, essas situações então há que alterar os códigos que nos regem. Sigamos os bons exemplos senhores legisladores. A sociedade civil, também terá de fazer a sua parte, pressionando quem de direito e porfiando na sensibilização e mudança de mentalidades. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Retrato de Mulher Triste

Aproprio-me do título do poema de Cecília Meireles para este post e, por uma associação de ideias, lembro-me agora de Lídia, a mulher triste, uma história profundamente humana, escrita por UJM. E lembro-me também de mulheres que se tornaram números estatísticos neste ano de 2012, sem recuarmos muito mais no tempo, vítimas de maus tratos e de homicídio. É certo que não são as únicas vítimas de violência doméstica, porque as há em pessoas idosas, crianças...mas elas, as mulheres, penso, representam a maior parte. Em sua homenagem, trago-vos dois poemas de dois grandes poetas, Cecília Meireles, brasileira e Daniel Faria, português. 

Apreciemo-los:

Retrato de Mulher Triste 

Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel. 

Está vendo os salões que se acabaram, 
embala-se em valsas que não dançou, 
levemente sorri para um homem.

O homem que não existiu. 
Se alguém lhe disser que sonha, 
levantará com desdém o arco das sobrancelhas, 
Pois jamais se viveu com tanta plenitude. 

Mas para falar de sua vida 
tem de abaixar as quase infantis pestanas, 
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas. 

Cecília Meireles



Há uma Mulher a Morrer Sentada

Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara
Para cantar

Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro

Ela é tão bonita ao relento
Inesgotável

É tão leve como um cisne em pensamento
E está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo

Sei que não posso chamá-la das margens

Daniel Faria




Em tempo:

VER AQUI - LEI MARIA DA PENHA (Lei nº 11.340, de 7 de agosto 
de 2006)- Brasil - Contributo de Canto da Boca, para este post.
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 O Profeta, trouxe-nos estes sentidos versos:

Já não posso dar-te a mão, cheguei tarde
Entre ruinas procuro o sentido, a razão
Já não canto aos deuses, não rezo
Já esqueci o sabor do desprezo, não desprezo

Tracei um círculo de solidão
Ausente do meu nome está o chamamento
Jazem mudas as folhas de silêncio
Errantes brumas ao sabor do vento

Percorri um longo e tortuoso caminho
Moro numa casa da memória no topo da saudade
Prodígios de mil cores espalhei pelo caminho
Pintei almas, mentiras, girassóis e singelas verdades

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Cecília Meireles (1901-1964),Daniel Faria (1971-1999)
Poemas retirados de Citador - Imagem:Internet-Jeanne Hébuterne por A. Modigliani
ReflexãoDia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres - 25 de Novembro

domingo, 6 de agosto de 2023

As tuas amarras





Hoje renasci
Ouvi-te de novo
Banalidades
Nada de concreto
Ao teu jeito
Tu geres isto
Não há amarras
Falas quando decides
Nada prometes
Nada exiges
Sugeres apenas
Nem esperas
Pela resposta
Crês assim 
Criar um elo
Não me deixas 
Esquecer o passado
Nada prometes
Nada exiges
Tens-me pendente
Será egoísmo?
Tens amarras
Teceste laços
Indestrutíveis
E nada tens 
Para me oferecer
E eu terei?

Dinola Melo



- CALEMA -
TE AMO 


Boa semana, amigos.

Abraços 
Olinda

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NOTA:

Veja no blogue de Rosélia Bezerra, Escritos d'Alma, a publicação sobre o Dia da Lei de Maria Penha, 07/08, que versa sobre a Violência contra as Mulheres.

Obrigada.