Li que Aldus Manucius, humanista, editor e tipógrafo, encontra-se no grupo dos grandes divulgadores da cultura clássica, tendo publicado entre 1495 e 1509 obras de Aristóteles, Aristófanes, Thucydides, Sófocles, Herodoto, Xenofóne, Euripides e Demostenes, entre outras. Depois de 1513, foi a vez de obras de Platão, Pindar, Hesychius e Athenaeus. Além dos textos dos autores referidos, Aldus publicara obras de Pietro Bembo, Poliziano, Dante, Petrarca, Plínio, Pontanus, Sannazzaro, Quintiliano, Valerius Maximus, Erasmo de Roterdão, e muitos mais.
Na Imprensa Aldina, (esta designação será originada no seu nome - não vi outra explicação), foram compostos os primeiros livros de bolso, uma invenção muito ao gosto dos humanistas que viajavam muito.
Por outro lado:
A Biblioteca Nacional, Portugal, realizou em 2015, uma mostra da sua obra, referindo, em especial, um livro com a correspondência de Catarina de Siena, freira dominicana, hoje aceite como Doutora da Igreja, livro esse que atesta essa técnica, utilizada pela primeira vez, em que: a gravura apresenta três frases escritas - «iesu dolce; iesu amore; iesu» - numa letra diferente de todas as outras que a tipografia experimentara e conhecera até então: uma letra levemente inclinada à direita, um ductus que Aldo Manuzio desenhara e fizera abrir pelo gravador Francesco Grifo e que ajudava a expressar e a destacar o êxtase sentido pela santa. Um tipo novo que depressa começou a correr mundo e que hoje é conhecido como itálico. Uma forma de letra que no meio de um texto extenso se destaca e chama a atenção do leitor.
Ficou aqui demonstrado que só tenho a ganhar com leituras aturadas e consistentes mas, mesmo assim, noto uma falha, minha na certa. Não fiquei a perceber bem se Alde Manuce, Aldus Manutius ou Teobaldo Manucci, inventara o itálico ou apenas, o que já seria muito, terá utilizado a escrita anteriormente desenvolvida por d'Niccoli, inovando-a e dando-lhe uma utilização mais globalizante com a ajuda das punções de Griffo. Numa missiva a um amigo, Manutius refere em 1501, que: estamos a imprimir em formato bem pequeno, para que seja convenientemente bem segurado pelas mãos e aprendido pelo coração (sem falar em ser lido) por todos. Todos, com um sentido bem relativizado na nossa óptica de hoje.
Quanto à utilização do itálico por nós, já se sabe, uma delas é chamar a atenção para textos ou expressões que não são da nossa autoria, mesmo quando, ou especialmente, desconhecemos a fonte. Espero tê-lo feito, além de indicar a proveniência dos textos lidos.
Desejo-vos uma boa semana.
Abraço.
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*Benzoni, Juliette - O Quarto da Rainha, pg 68
Ver mais e conferir: aqui, aqui, aqui,aqui, aqui
O itálico do meu texto diz respeito a excertos destas referências.
1ªImagem (net): escrita cursiva de Francesco Griffo
2ª imagem: Sancta Catarina - BNP

