sábado, 26 de outubro de 2024

Andamos às arrecuas ou em círculo?

 


Tanto faz, pois a verdade é que não damos mostras de perceber seja o quer for. Quezílias seculares que conduzem a guerras infindas. Lutas pelo poder, pela conquista de territórios. Mascaramos tudo com negociações, diplomacias que mais não são do que formas de escamotear intenções hegemónicas. 

E assim, quem é mais fraco acaba por perder tudo e até a própria vida. Nações que já alcançaram um desenvolvimento apreciável não param para pensar que, talvez, a partir de determinado momento há que trabalhar para o bem comum.

Dá-me a impressão de que tudo o que havia para descobrir em termos globais e científicos já está feito. Agora o que se faz é apenas o aperfeiçoamento deste ou daquele ponto, de modo a dar-nos aquela sensação de conforto e progresso que tanto propalamos. 

Depois da Idade Média, considerada erradamente, segundo alguns, a idade das trevas, a evolução das ideias com o Renascimento, que vai buscar o classicismo como base, sem esquecermos o Século das Luzes, mas antes disso o século XVII que inicia a explosão tecnológica, passando pelo século XIX que tanta coisa descobriu, o século XX um tempo de guerras seguido de alguma acalmia, até agora limitamo-nos a pegar nessas descobertas e a direccioná-las para o tal conforto de que falei atrás. E não é pouco, é verdade. 

Temos conhecido momentos áureos que nos levam a pensar que tudo podemos, que somos senhores do nosso destino. Com o que vem de trás conseguiu-se que o mundo se transformasse numa aldeia. Hoje posso dormir aqui e acordar no outro lado do mundo. 

E continuamos a referir-nos a essa tecnologia como "nova" sem estabelecer limites, não criando legislação que ponha ordem aos abusos que a facilidade comunicacional nos permite.

Bom domingo, meus amigos.

Abraço

Olinda

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

A Vida Oblíqua





A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.
E conheço também um modo de vida que é suave orgulho, graça de movimentos, frustração leve e contínua, de uma habilidade de esquivança que vem de longo caminho antigo. Como sinal de revolta apenas uma ironia sem peso e excêntrica. Tem um lado da vida que é como no inverno tomar café num terraço dentro da friagem e aconchegada na lã.
Conheço um modo de vida que é sombra leve desfraldada ao vento e balançando leve no chão: vida que é sombra flutuante, levitação e sonhos no dia aberto: vivo a riqueza da terra.

(excerto)

Clarice Lispector, 
in 'Água Viva'



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Texto: Citador
Imagem: pixabay

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

LER ou o Prazer da Leitura

 


Nem sempre ler é tarefa fácil e proveitosa. Há livros que nos agarram logo nas primeiras frases, mesmo nas primeiras palavras. Se isso não acontece logo continuamos esperançados que se faça luz. Mas, debalde por vezes. Lá vamos nós a coxear, a tamancar, a perder tempo. 

Há livros de escritores ditos famosos que não me atraem. A sério...Por um motivo ou outro houve quem tivesse decidido que aquele livro era especial e, então, tudo o que sai daquelas mãos ou daquela cabeça é do bom e do melhor. 

Mas, venhamos e convenhamos. Cada cabeça a sua sentença. Penso que cada pessoa tem a sua sensibilidade e interpreta o que lê e o que ouve de conformidade com as suas apetências e a sua maneira de ser.

Por exemplo, há temas que tenho grande prazer em tratar. Pego num livro, numas folhas que trazem umas quantas palavras que, provavelmente, só a mim interessam, e lá estou eu embrenhada, esquecendo tudo o resto, como se dali me viesse suma felicidade.

Tolerância é o que importa.
Vivamos e deixemos que outros ocupem os seus respectivos espaços.

Bom fim de semana, meus amigos.

Abraços
Olinda.


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imagem: pixabay