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domingo, 5 de dezembro de 2021

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

 (1888-1935)


Poesia ortónima

De Mensagem, o único livro publicado em vida, dois poemas foram escolhidos. “Mar Português”, pelos versos célebres e pelo olhar para o passado. “Nevoeiro”, por seu caráter messiânico e por apontar para o futuro. São dois poemas bem representativos do teor do livro: ao mesmo tempo, voltado ao passado e ao futuro da nação portuguesa.

Dos quais apenas publico este, "Nevoeiro".



Lara Li - Voz belíssima



Bom domingo, meus amigos.

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Poesia de Fernando Pessoa, ortónimo