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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O cheirinho a canela, o tempo das especiarias e...a teleculinária

Hoje em dia não nos detemos muito a pensar no tempo em que as especiarias eram uma raridade na Europa. Pois bem. A partir dos Séculos XIV e XV começou a ampliar-se a demanda das terras encantadas que produziam essas espécies, incrementando-se as viagens às terras da misteriosa e longínqua Ásia, ou às "ilhas das especiarias" cuja localização muito poucos conheciam. Os percursos para lá chegar remontam, vejam só, aos gregos e aos romanos. São as famosas Rotas das Especiarias


A pimenta-do-reino, o cravo-da-Índia, a canela e a noz-moscada, eram os produtos mais procurados. Por via disso, como sabemos, eram caríssimos. Conferiam um gosto exótico à comida e, por outro lado, disfarçavam algum mau sabor, fruto das falhas na conservação alimentar, próprias da época. Viria o tempo em que, nas nossas casas, passaríamos a dispor de várias ferramentas de refrigeração e chegaríamos à suma facilidade de apenas carregar num botão para tudo acontecer.

O meu objectivo agora não é contar a história do contributo dos nossos bravos navegantes, que deram novos mundos ao mundo, mas tão-só falar um pouco do cheirinho a canela e da canela e da grande satisfação que isso me traz. Múltiplas recordações de aconchego, em especial nesta quadra natalícia, apresentam-se em todo o seu fulgor. 

Folheando uma Teleculinária, especial, de Novembro, encontro várias receitas e referências a ingredientes que definem os "sabores tradicionais". Entre eles, encontra-se a canela e uma receita de arroz doce que reza assim, em termos de ingredientes: 150g de arroz carolino, 125g de açúcar, 3 gemas, 7dl de leite, 1 casca de limão, 1 pau de canela, 2dl de água, Canela em pó q.b. 


A seguir vem a preparação.1.Leve ao lume a água, deixe ferver, junte o arroz e deixe evaporar. Adicione o leite previamente fervido com a canela e a casca de limão e deixe cozer. 2.Quando o leite estiver quase absorvido, junte o açúcar e deixe acabar de cozinhar. 3.Bata as gemas com um pouco de leite e adicione o arroz, mexendo até engrossar. Retire para um prato, deixe arrefecer, decore com canela em pó e sirva.

E agora dizem-me assim: Oh! grande coisa, quem é que não sabe fazer um arroz doce? Pois, digo-lhes uma coisa: Nem sempre me sai bem.Também não sou nenhuma especialista nestas lides. Contudo, a minha conversa ainda tem um outro fim. Por isso, trouxe para aqui a teleculinária.



Lembram-se do Chefe Silva, o homem que dominou as nossas aspirações, nessa área, durante muito tempo? Quando ainda não havia a profusão de programas de culinária como há actualmente, António da Silva já fazia os seus cooking shows, na RTP, privilegiando a cozinha tradicional portuguesa. Fundou a referida revista e escreveu vários livros de receitas. Faleceu no último mês de Outubro, dia 14. 

E para rematar isto, convidei o incrível Fausto, o cantor e compositor que sabe como ninguém trazer-nos sons e cheiros que nos levam em viagem aos recônditos reinos do gengibre, da pimenta, da canela..."e, se mais mundo houvera, lá chegara". Afinal, quem o não conhece? 

E é por aqui que ele nos leva: "Por este rio acima":

 

 (...)
Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

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-Imagem: Especiarias num mercado de Goa, Índia.
-Todas as imagens foram retiradas da Net.
-A imagem do arroz doce, diz a fonte, é arroz doce de leite creme. 
-"E, se mais mundo houvera, lá chegara".Canto VII (Parte I,14)-Lusíadas-L.Camões-aqui