Como devem estar lembrados, ou talvez não*, começámos a descida para a Ribeira Grande, o que quer dizer que, depois de subirmos até ao topo a partir de Porto Novo, iniciámos a descida para o outro lado da ilha. A descer todos os santos ajudam, diz o povo, mas neste caso é preciso pulso firme. Um dos meus sobrinhos ia ao volante do Jeep e parecia bem naquele papel.
Continuámos viagem em direcção à Ponta do Sol. Enquanto fazíamos a travessia na estrada quase suspensa das rochas, com o mar lá em baixo, de entre nós elevaram-se vozes, em especial a da minha irmã mais velha, voz de ouro, entoando canções antigas relacionadas com alguns pontos da ilha de Santo Antão, neste caso a Ponta do Sol:Da minha terra Ponta do Sol/Guardo comigo saudade imensa/Por isso a quero cantar baixinho/Com a melodia que o amor entoa./Ponta do Sol meu terno berço /Sinto que as tuas rochas altivas/Gritam nos ares no céu de anil/Lugar mais lindo não pode haver.(...) E seguiram-se mais dois pares de quadras igualmente lindas.
E, claro, todos nós fazíamos coro. Aproveitando a inspiração veio a vez de "Paúl jardim florido/de águas cantantes nas bananeiras" ainda que não tivéssemos ainda passado pelo Vale do Paúl e também "Janela" que, por fim, não tivemos oportunidade de visitar. Mas, ouçamos este cantor de voz maviosa que, com largos gestos, canta todas as antigas mornas dedicadas à ilha de Santo Antão, Homero Fonseca. A dificuldade está na escolha. Mas, lá tem que ser, trago-vos a morna que engloba todas as outras chamada: "Santo Antão"* ou não, opto por "Paúl", tendo assim oportunidade de mostrar algumas imagens desse lindo vale:
Este texto já estava escrito há muito tempo. Não cheguei a publicá-lo. Agora, vendo os rascunhos, que são muitos, deparei-me com ele. Data da minha viagem a Cabo Verde, em 2016/17.
Parámos na Povoação onde almoçámos. Devo dizer que não foi dos meus melhores momentos à mesa. Cabo Verde é famoso pelo bom tempero mas ali, naquele restaurante, o cozinheiro parecia ter sido possuído pelo espírito de algum chef indiano pois tudo sabia inexplicavelmente a caril... e o que eu gosto de caril. Nesse dia não estava para aí virada. Do meu frango "estufado" só comi o acompanhamento que me soube muito bem, pão di terra (mandioca, batata doce, banana verde). O empregado pareceu-me bastante contristado: então não comeu nada?
Continuámos viagem em direcção à Ponta do Sol. Enquanto fazíamos a travessia na estrada quase suspensa das rochas, com o mar lá em baixo, de entre nós elevaram-se vozes, em especial a da minha irmã mais velha, voz de ouro, entoando canções antigas relacionadas com alguns pontos da ilha de Santo Antão, neste caso a Ponta do Sol:Da minha terra Ponta do Sol/Guardo comigo saudade imensa/Por isso a quero cantar baixinho/Com a melodia que o amor entoa./Ponta do Sol meu terno berço /Sinto que as tuas rochas altivas/Gritam nos ares no céu de anil/Lugar mais lindo não pode haver.(...) E seguiram-se mais dois pares de quadras igualmente lindas.
E, claro, todos nós fazíamos coro. Aproveitando a inspiração veio a vez de "Paúl jardim florido/de águas cantantes nas bananeiras" ainda que não tivéssemos ainda passado pelo Vale do Paúl e também "Janela" que, por fim, não tivemos oportunidade de visitar. Mas, ouçamos este cantor de voz maviosa que, com largos gestos, canta todas as antigas mornas dedicadas à ilha de Santo Antão, Homero Fonseca. A dificuldade está na escolha. Mas, lá tem que ser, trago-vos a morna que engloba todas as outras chamada: "Santo Antão"* ou não, opto por "Paúl", tendo assim oportunidade de mostrar algumas imagens desse lindo vale:
Antes de chegarmos ao Paúl andámos pela Rua das Pombas onde tudo acontece em termos institucionais. Soube que já foi sede de um Concelho imenso abarcando o lado da ilha donde viemos, incluindo Porto Novo que se emancipou em 1961, quando Adriano Moreira passou por lá e concedeu-lhe o estatuto de Concelho. Nessa altura, havia um grupo de jovens cantores que o encantaram, musicalmente falando, e trouxe-os para cá onde eles tiveram a oportunidade de gravar discos.
Este texto já estava escrito há muito tempo. Não cheguei a publicá-lo. Agora, vendo os rascunhos, que são muitos, deparei-me com ele. Data da minha viagem a Cabo Verde, em 2016/17.
Agora sim, o video de Santo Antão
Posts anteriores:
Sobre as minhas andanças por Cabo Verde (1)
Sobre as minhas andanças por Cabo Verde (2)
HOMERO FONSECA:
Sobre as minhas andanças por Cabo Verde (1)
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