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sábado, 19 de agosto de 2023

"XIV Interação Fraterna - Meu Lado Espiritual Pós Pandemia"



Proposta de Rosélia Bezerra em Comemoração do seu blog 

ESPIRITUAL-IDADE 

que perfaz agora 14 anos.


   Tema que faz sentido. Importante parar e fazer uma viagem introspectiva, recordar um pouco do que se passou durante a Pandemia e ter consciência do que se passa dentro de nós. Todos os momentos aflitivos que nos envolveram, a crença de que a nossa espécie estaria em vias de extinção, apesar de outras pandemias já terem acontecido, tudo nos fez sentir-nos pequeninos e sem capacidade de ultrapassar a situação. Contudo, no meio desse terror vimos pessoas a ajudar, sacrificando-se a si e à privação da família o que nos trouxe a certeza de que no ser humano existe esse belo sentimento que é a solidariedade. Muitos foram atacados pela doença, muitos perderam entes queridos.

   Tivemos logo a seguir e eclosão da guerra na Ucrânia que muita dor trouxe aos naturais e continua a massacrá-los. Nessa altura tivemos a oportunidade de constatar que o apoio às pessoas que fugiam também se fez sentir. Dias terríveis de êxodo de milhares, com crianças e pessoas idosas arrancadas do seu torrão natal. Mas também continuam a lavrar conflitos em outros lugares seja da Africa, da Ásia situação que já tive ocasião de assinalar.

   Todos os dias sentimos essa espiritualidade que nos envolve nas situações difíceis. É certo que no quotidiano notamos egoísmos e falta de atenção para com aqueles que têm menor sorte na vida. Por vezes temos a sensação de que não evoluímos como deveríamos...

   Insiro abaixo um poema de Gastão Cruz, intitulado "O teatro das cidades", mas diria que também envolve os campos e todo o espaço que ocupemos neste nosso planeta:

Qualquer tempo é um tempo duvidoso
assim o meu cercado de cidades
plataformas instáveis
praticáveis cobertos de infinita gente náufraga
que se inclina nas águas como um palco

Paro na convergência dos estrados
chove já sobre a raça ameaçada
Incertas multidões em volta passam
contemporâneas falam interpretam
a duvidosa língua das imagens

Assim no teatro abstracto das cidades
morrem palavras sobre um palco náufrago
O tempo cobre o céu que se enche de água






Parabéns querida Rosélia. 
Continue na senda de bem-fazer, oferecendo-nos palavras boas, excelentes reflexões para nos tirar desse marasmo que nos ataca com frequência. 



Abraços a todos.

Olinda









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Poema: daqui
imagens: pixabay